LENAD Família

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Segundo o relatório sobre a “Carga Global das Doenças” (Global Burden of Disease -GBD) da Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso abusivo de álcool e drogas está entre os maiores responsáveis pela morte prematura e pela perda de vida saudável e produtiva nas Américas, causando um grande impacto social, econômico e de saúde pública dessas nações. Entretanto, estes dados são mensurações estatísticas que não capturam todas as dimensões do transtorno do uso de substâncias como, por exemplo, o sofrimento dos familiares. Embora muito pouco estudadas, sabe-se que as experiências cotidianas vividas pela família com parente usuário de drogas são devastadoras nos aspectos físico, financeiro, de relações interpessoais e sociais. O impacto também se dá na perspectiva subjetiva, causando sentimentos negativos como tensão, estresse, preocupação, estigma, raiva e culpa.

O II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (II LENAD), realizado recentemente pelo INPAD, estimou que existe na população cerca de 5.7% de brasileiros que são dependentes de álcool e/ou maconha e/ou cocaína, representando mais de 8 milhões de pessoas. Este levantamento também estimou que os domicílios no Brasil são compostos por uma média de 3.5 pessoas. Tendo em vista estas informações, estima-se que pelo menos 28 milhões de pessoas vivem hoje no Brasil com um dependente químico. Todavia, não existia até então no Brasil nenhum estudo de âmbito nacional focado nas famílias.

Os poucos estudos que avaliam as famílias dos dependentes de álcool e/ou substâncias ilícitas demonstram evidências consistentes do impacto causado particularmente aos familiares mais próximos, tais como cônjuges, pais e filhos. Determinados processos familiares, tais como rituais, funções, rotinas, estruturas de comunicação, vida social e finanças da família são geralmente afetados. Da mesma maneira, problemas que incluem violência doméstica, abuso infantil, roubo de bens familiares, condução de veículos em estado de embriaguez e ausências prolongadas são comportamentos tipicamente descritos pelos familiares. A exposição a estas  experiências muitas vezes se manifesta na forma de sintomas físicos e psicológicos nos familiares mais próximos, tornando-os uma população vulnerável e com necessidades de atenção e cuidados específicos. O conhecimento do perfil dos cuidadores do dependente químico, bem como do impacto que esta condição traz para toda a família é de fundamental importância para o planejamento de tratamentos mais amplos e eficientes e de políticas de saúde pública visando o amparo desta população.

 

Sobre o LENAD Família

No período de junho de 2012 a julho de 2013, o INPAD, com financiamento do CNPQ, realizou um estudo abrangendo todas as regiões do Brasil com 3.142 famílias de dependentes químicos em tratamento.

Informações sobre as características sócio-demográficas, percepção do problema e tempo para a busca por ajuda, impacto financeiro e psicológico da família e impressões sobre os tratamentos utilizados foram investigadas por meio de entrevistas estruturadas.