Resultados Parciais

LENADHor

 

Para a atual análise, focamos na população de adolescentes e de jovens adultos com idade entre 14 e 25 anos do II LENAD, analisando os resultados de em um total de 1742 entrevistados. Com a preocupação de obter dados que representassem nacionalmente a população de maior risco (14 a 17 anos), o processo de amostragem incluiu uma over-sample desta população.

DESENHO AMOSTRAL

amostra_inpad

Desenho amostral do estudo de comportamentos de risco entre jovens – II LENAD.

 

1.     Perfil Sócio-demográfico

A maioria dos adolescentes com até 16 anos está na escola e o analfabetismo nessa faixa etária é quase inexistente. Aproximadamente ¼ dos jovens com até 18 anos já trabalha, entretanto, 18% dos jovens estudados não trabalham nem estudam (28% das mulheres). Quase 20% desta população inativa recebe auxílio financeiro do governo, na sua maioria (85%) advinda do programa bolsa família.

2.       O Beber

O início do consumo do álcool na população jovem foi pouco abaixo dos 15 anos (ou seja, 3 anos antes da idade permitida por lei para o consumo). Não há diferença entre os sexos nesse início do consumo. Praticamente metade dos jovens consomem álcool, e esta taxa é de 26% entre os menores de idade. Dos adolescentes e jovens que relataram beber, grande parte deles relata fazer uso nocivo do álcool (em forma de binge – consumo de 4 doses de álcool ou mais para mulheres ou 5 doses ou mais para homens em um espaço curto de tempo), destes, mais de um terço (36%) bebe desta forma semanalmente.

Consumo de Álcool – Beber em Binge entre Jovens

Binge

Prevalência do consumo de álcool do tipo binge (4/5 doses em 2hs) entre jovens bebedores.

Dirigir alcoolizado é um dos comportamentos de risco mais perigosos e frequentes associados ao consumo de álcool. Embora a lei tenha sido endurecida nos últimos anos, e nossos próprios dados tenham mostrado uma diminuição neste comportamento[1] como consequência dessas mudanças, a frequência do beber e dirigir no Brasil ainda é bastante alta entre jovens. Observou-se que quase um terço (30%) dos rapazes  que dirigem  declarou já ter dirigido alcoolizado pelo menos uma vez no último ano, a prática parece ocorrer muito menos frequentemente entre as mulheres jovens (4%). No entanto, quase um quarto das meninas já foi passageira de veículo em que o motorista estava alcoolizado – ou seja, expuseram-se ao risco de forma também bastante importante.

 

Beber e Dirigir entre Jovens

Dridrive

Prevalência de dirigir alcoolizado e de ser passageiro em veículo com motorista alcoolizado e gênero entre jovens (14 a 25 anos).

 

3.       O Fumar

Os jovens relataram iniciar o consumo de tabaco aproximadamente na mesma idade em que começaram a beber – por volta dos 15 anos. Por conta das várias políticas públicas na área, o consumo de cigarro vem se reduzindo ano a ano nas últimas décadas. Todavia, ainda é preocupante que cerca de 5% dos meninos menores de 18 anos e quase 18% dos homens jovens com idade entre 18 e 25 anos ainda fume.

Tabagismo entre Jovens

 Fumar

Prevalência do consumo de tabaco e gênero nas faixas etárias de 14 a 25 anos.

 

4.       Uso de Drogas Ilícitas

A maconha é, de longe, a droga ilícita mais frequentemente utilizada no Brasil, com quase 5% da população jovem tendo usado esta substância no último ano (2011). Este consumo é bem mais comum entre o sexo masculino, com 8.3% dos rapazes tendo referido o seu uso, comparado a 1.4% entre as meninas. Comparado à outros países o consumo de maconha no Brasil ainda é relativamente baixo.

Consumo de Maconha entre Jovens

Maconha

Prevalência de consumo de maconha no último ano (2011) entre jovens (14 a 25 anos).

De acordo com nossos resultados já divulgados e publicados recentemente[2], o Brasil está entre os países com o maior consumo de cocaína no mundo, com 2.2% da população geral tendo usado cocaína aspirada no último ano. Este consumo na faixa etária mais jovem é ainda maior, atingindo 4.8% de usuários do sexo masculino. Destaca-se o fato de que entre mulheres jovens, o consumo de cocaína é mais comum que o de maconha, um fenômeno raramente observado em outros países.

 

Consumo de Cocaína entre Jovens

Cocaina

Prevalência de consumo de cocaína aspirada no último ano (2011) entre jovens (14 a 25 anos).

 Além da maconha e da cocaína, o consumo de solventes inalantes, produtos geralmente de fácil acesso como cola de sapateiro, cheirinho de loló, benzina, acetona, lança-perfume, aerossóis, etc, não é raro entre os jovens brasileiros. Salienta-se o consumo de estimulantes (speed, boleta, etc) em 1.7% desta população. Cabe salientar que ambas substâncias (solventes e estimulantes do tipo da anfetamina) estão entre as drogas que causam mais danos neurológicos em um indivíduo ainda em desenvolvimento como é o caso do jovem com idade até 25 anos.

Consumo de Outros Psicotrópicos entre Jovens

 

crack jovens

Prevalência de consumo na vida e no último ano de diferentes psicotrópicos

 

5.       Violência Urbana

A violência é um dos maiores problemas sociais enfrentados no Brasil atualmente, especialmente a violência urbana. Como medida de violência urbana o LENAD avaliou o envolvimento em brigas com agressão física[3] e assaltos. Constatou-se que 6% desta população de adolescentes e jovens já se envolveu em brigas, sendo mais comum entre homens (7.6%) e uma prevalência similar já sofreu pelo menos um assalto no último ano (2011). Análises de associação mostram que o uso de substâncias ilícitas e o beber abusivo estão altamente associados com o envolvimento com violência urbana, e esta associação independe de fatores sócio-demográficos como gênero, educação, renda e estado civil por exemplo.

Violência Urbana

 

Assalto_Brigas

Prevalência de assaltos e envolvimento em brigas com agressão física entre jovens (14 a 25 anos) no último ano.

Estratégias individuais para prevenir a violência urbana são comumente utilizadas. Tendo em vista este comportamento reativo de proteção, o LENAD também avaliou a frequência em que os jovens evitavam lugares por questões de segurança. Tendo em vista que quase 6% da população jovem já foi vítima de assalto pelo menos uma vez no último ano, é surpreendente que a grande maioria (83.6%) tenha relatado que nunca evita lugares por esta razão, não havendo diferenças entre gênero neste quesito.

 

6.       Comportamento Sexual de Risco

Vivendo mudanças fisiológicas intensas Questões de maturidade neurológica explicam a dificuldade no controle de impulsos e na tomada de decisões ponderadas na adolescência. Vivendo o pico de Apesar do aumento do acesso a informações e a estratégias anticoncepcionais, ainda há um número importante de comportamentos de risco ligados à sexualidade nessa faixa etária. Os jovens declaram um índice importante de sexo desprotegido, particularmente as moças. Quase um terço dos rapazes e 38% das moças declararam não utilizar camisinha quase nunca/nunca em suas relações sexuais.

Comportamento Sexual de Risco: Sexo Desprotegido

Camisinha

Prevalência da prática de sexo sem uso de proteção entre jovens (14 a 25 anos).

 A gravidez na adolescência e o aborto são sérias questões sociais e de saúde pública que requerem imediata atenção no Brasil. Quase um terço das jovens (32%) com idade entre 14 e 25 anos já engravidaram ao menos uma vez, , 16.5% entre menores de 20 anos. O índice de aborto (provocado ou natural) nessa faixa etária é de 12%, ou seja, mais de uma em 10 meninas entre 14 e 20 anos já sofreram aborto.

Aborto

 

Prevalência de interrupção de gravidez entre jovens que já engravidaram

 

7.       Saúde Física

Associa-se a juventude com uma época com baixas taxas de problemas físicos. Essa é uma época, no entanto, em que os pilares para a saúde futura vão sendo erguidos. Nosso levantamento encontrou que cerca de 1 em cada 3 moças se considera acima do peso, uma percentagem mais expressiva do que entre os rapazes. Embora as mulheres declarem ter uma dieta mais saudável que os homens (apenas 15% delas versus um quarto deles não consumiam vegetais), os índices de ausência de atividade física, que já não são altas entre eles, eram quase inexistentes entre elas. Apenas 14% das moças declarou realizar atividades físicas mais intensas (como esportes competitivos, correr e/ou frequentar academia).

Atividades Físicas entre Jovens

Exercicio

Prevalência de jovens (de 14 a 25 anos) que praticam atividades físicas.

Dieta entre Jovens

 

PesoDieta

Prevalência de jovens que se consideram acima do peso e prevalência de tipo de dieta.

 

8.     Saúde Mental

A OMS prevê que até o ano de 2020 a depressão unipolar passe a ser a segunda maior causa de incapacidade e perda de qualidade de vida na população mundial. O LENAD avaliou sintomas depressivos que indicam a existência deste transtorno através de uma escala epidemiológica validada no país (CES-D). Estimamos que 21.2% da população de jovens possuem indicadores de depressão. Esse índice é maior entre as mulheres jovens (28,3%) do que para os homens. Deve-se considerar, no entanto, que esta diferença entre os gêneros é largamente debatida pois sabe-se que mulheres são mais propensas a relatar seus sintomas e procurar ajuda.

Sintomas Depressivos entre Jovens

Depressao

Prevalência de jovens (14 a 25 anos) que possuem indicadores para depressão.

O suicídio é reconhecidamente um problema de saúde pública mundial – a adolescência e juventude são períodos vulneráveis para sua ocorrência. Na população de adolescentes e jovens adultos, pouco menos de 1 em cada 10 adolescentes e jovens já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida – índice que foi semelhante entre os jovens dos dois sexos; 5% dos jovens declararam já terem feito alguma tentativa de suicídio.

Comportamento Suicida entre Jovens

Suicidio

Prevalência de pensamento e tentativa de suicídio entre jovens (14 a 25 anos).


[1] http://inpad.org.br/lenad/alcool/resultados-preliminares/

[2] Abdalla, R. R., Madruga, C. S., Ribeiro, M., Pinsky, I., Caetano, R., & Laranjeira, R. (2014). Prevalence of Cocaine Use in Brazil: Data from the II Brazilian National Alcohol and Drugs Survey (BNADS). Addictive Behaviors, 39, 297–301.

[3] Definido como uma briga na rua que levou o agressor ou outro envolvido a precisar de atenção médica.

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