Resultados Parciais

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Porque esse estudo é relevante?

Segundo a Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente do governo federal, as denúncias de violência vem apresentando uma acentuada curva de crescimento no Brasil (UNICEF, 2010). O número de vítimas é elevado, mas as estimativas de violência ainda estão subestimadas, uma vez que grande quantidade de casos, talvez a maioria não é reportada. Estudos mostram que a violência contra crianças assume uma variedade de formas e é influenciada por grande diversidade de fatores, desde características pessoais da vítima e do agressor, até o ambiente físico e cultural em que ambos estão inseridos (Nações Unidas, 2011). Embora as consequências da violência contra a criança e o adolescente variem de acordo com a natureza, gravidade e tempo de exposição, as  repercussões de tais experiências são, quase sempre, danosas e permanentes. Sabe-se que a exposição à violência (tanto sexual quanto física) na infância e adolescência pode levar a uma maior suscetibilidade para problemas sociais, emocionais e cognitivos. Uma série de estudos mostram que tais consequências são persistentes e diversas: iniciação sexual precoce; doenças psiquiátricas como ansiedade e depressão; déficit cognitivo; comportamento agressivo; doenças pulmonares, cardíacas e sexualmente transmissíveis; suicídio e o uso problemático de substâncias psicoativas.

 

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O Segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) foi realizado pelo INPAD (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas) da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo); financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e executado pela Ipsos Public Affairs. Entrevistas em domicílio foram realizadas em 149 municípios de todo o território nacional, com 4607 indivíduos de 14 anos de idade ou mais. A escolha dos entrevistados, bem como de sua residência, setor e município foi aleatória (amostragem probabilística), o que garante que essa amostra de indivíduos seja representativa de toda a população brasileira.

Os entrevistados responderam sigilosamente a um questionário padronizado com mais de 800 perguntas que avaliaram o padrão de uso de drogas lícitas e ilícitas, bem como fatores associados ao uso. Para a atual análise, focamos nos relatos sobre eventos estressores na infância e adolescência tais como: uso de psicoativos pelos pais ou cuidadores, agressão física e psicológica, abuso sexual, exploração sexual, bullying na escola e eventos adversos ambientais, antes dos 16 anos de idade.

 

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RESULTADOS: 

Bullying na escola

Bullying é o termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos e dirigidos a uma vítima, causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. Evidências mostram que a exposição ao bullying na escola está associado com maior risco de uso nocivo de álcool e substâncias ilícitas, e de tentativas de suicídio. O LENAD avaliou bullying com a pergunta: “Durante sua infância ou adolescência você já sofreu “bullying” na escola? Por exemplo: atitudes agressivas intencionais repetidas de um ou mais colegas contra você ?”, também avaliando a frequência dos tipos de bullying mais comuns. Observou-se que 13% da população relataram ter sofrido bullying, sendo a agressão verbal e o bullying indireto (definido por ser vítima de fofocas e isolamento social) os mais comuns (12.6% e 5.5% respectivamente).

 

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Eventos adversos antes dos 16 anos de idade

Evidências mostram que a ocorrência de eventos adversos na infância ou adolescência, como, por exemplo, dificuldade financeira grave, insegurança alimentar, doença ou morte de um membro da família, podem provocar consequências negativas permanentes na vida adulta. Nossos dados mostram que quase 1 a cada 10 brasileiros viveu dificuldades financeiras graves antes dos 16 anos de idade, e 2 a cada 10 relataram ter passado fome nesta faixa etária. Em torno de 17% da população relatou ter vivido a experiência de uma doença grave na família, e mais de um terço dos brasileiros perderam algum membro da família durante a infância e/ou adolescência. Já a prevalência de ter sido vítima de um assalto a mão armada ou ter sofrido um sequestro antes dos 16 anos foi de 2%, representando quase 3 milhões de brasileiros

 

 

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Testemunho de violência doméstica

Presenciar violência doméstica com agressão física entre pais ou cuidadores durante a infância e/ou adolescência pode ter um impacto negativo quase tão grande quanto ser propriamente vítima da agressão. Mais de 11% dos adultos e 10% dos adolescentes relataram ter presenciado, durante sua infância ou adolescência, seus pais ou cuidadores agredirem um ao outro, representando um total de quase 18 milhões de brasileiros.

 

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Violência física contra a criança ou adolescente

Mais de 2 a cada 10 brasileiros relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência física na infância ou adolescência (21.7%), representando mais de 30 milhões de pessoas. Não houve diferença entre os gêneros entre os adultos, mas a prevalência entre meninas foi maior (20.5%) do que entre meninos (17.8%) adolescentes. Em dois a cada dez casos o agressor estava sob o efeito de álcool durante a agressão. A frequência de ter sofrido algum tipo de violência na infância ou adolescência sobe para um terço nos casos em que o participante relata que o agressor estava sob a influência do álcool. Dentre as agressões mais comuns estão arranhar, beliscar ou empurrar (12.4%) e bater até causar marcas no corpo (11.9%). Destaca-se o fato de que quase 1% dos entrevistados relatou ter sido vítima de um ataque com faca ou arma de fogo por seus pais ou cuidadores durante a infância e/ou adolescência.

 

 

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Regioes

 

 

Associação com uso de álcool

A associação entre violência contra a criança e abuso de álcool é amplamente conhecida. O uso abusivo de álcool afeta funções físicas e cognitivas, reduzindo o auto-controle e aumentando as chances de um indivíduo agir violentamente. Também é sabido que o uso de álcool e outras drogas por pais e cuidadores afeta seu senso de responsabilidade, diminuindo o tempo e dinheiro disponíveis para o cuidado da criança e promovendo a negligência.

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Uso de substâncias ilícitas no contexto familiar

Diversos estudos mostram que o uso de substâncias psicotrópicas no domicílio da criança é um fator de risco para o consumo e desenvolvimento de dependência química na sua vida adulta. O LENAD avaliou a exposição de crianças ou adolescentes ao uso de substâncias ilícitas com a pergunta: “Na sua infância ou adolescência alguém próximo a você consumia substâncias ilícitas (maconha, cocaína, crack, etc) dentro da sua casa?” “Quem?”. Nossos dados mostraram que 8% dos brasileiros relataram possuir alguém próximo que consumia substâncias ilícitas dentro da sua residência, na sua maioria eram parentes próximos (3.7%). 

 

Uso em casa

 Violência sexual na infância ou adolescência

Dentre todos os tipos de violência precoce, o abuso sexual é provavelmente o evento que leva a consequências mais drásticas e permanentes a longo prazo. Nosso levantamento mostrou que mais de 5% da população adulta (maior de 18 anos) relatou ter sido vítima de abuso sexual, representando cerca de 5 milhões e meio de brasileiros adultos. O abuso de meninas (7%) foi mais alto que o de meninos (3.4%). Esta prevalência está acima das estimativas advindas de estudos anteriores; isso provavelmente se deve ao fato da coleta de dados ter sido feita de forma fechada e com sigilo absoluto[1], não sendo baseada em dados de denúncias ou serviços de saúde, que são geralmente subestimados.


[1]Relato através de questionário auto-preenchido separadamente e entregue ao entrevistador em envelope lacrado.

 

 

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Exploração sexual de menores de idade

Apesar de diversas iniciativas de prevenção, a prostituição infantil continua sendo um problema social e de saúde pública gravíssimo no Brasil. O LENAD II identificou que mais de 1% da amostra relatou2 já ter recebido dinheiro para fazer sexo antes dos 18 anos de idade, representando mais de um milhão de brasileiros. Ao contrário do esperado, a prevalência da prostituição precoce entre meninos (1.6%) foi maior que entre meninas (1%).

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Impacto da violência no consumo de substâncias na vida adulta

Estudos epidemiológicos mostraram associação positiva entre a exposição a abuso físico e psicológico na infância e desfechos negativos na saúde física e emocional na vida adulta, sustentando a hipótese de que experiências adversas precoces podem levar a um aumento significativo da predisposição a depressão e, principalmente, ao uso problemático de substâncias psicotrópicas na vida adulta.  Nossos dados corroboraram essa hipótese, uma vez que as taxas de prevalência de consumo de substâncias entre as vítimas de violência precoce são significativamente superiores às da população geral. Observa-se, por exemplo, que mais da metade dos usuários de cocaína e mais de um terço dos usuários de maconha foram vítimas de abuso infantil.

Impacto

Mais

 

Medidas de prevenção e intervenção

A maior estratégia de prevenção é a promoção de saúde, que deve ocorrer nas escolas, na atenção primária e, principalmente, na própria família. Discutir amplamente a violência contra a criança e o adolescente e suas consequências, , bem como o treinamento dos profissionais envolvidos na educação e na atenção à saúde para a identificação de situações de risco e de vítimas é fundamental. É dever da sociedade civil proteger a criança e o adolescente.

 

 

O Estatuto da Criança e do Adolescente impõe uma corresponsabilidade entre a família, a comunidade, a sociedade e o Poder Público pela garantia dos direitos da criança e do adolescente. Trata-se de uma responsabilidade solidária na medida em que, a cada um destes protagonistas, atuando em dimensões distintas, cabe a promoção e proteção de todos os direitos assegurados pela legislação.

 

O q fazer

 

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