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Evolution of drug use in a cohort of treated crack cocaine users - crack-RSP.pdf
Andréa Costa Dias, Marcelo Ribeiro Araújo, Ronaldo Laranjeira – Rev Saúde Pública
INTRODUÇÃO
Estudos longitudinais avaliando o desenvolvimento do consumo de substancias oferecem importante contribuição para o planejamento de intervenções em saúde. Contudo, seguimentos de longo prazo voltados ao registro dos desdobramentos do uso de crack ainda necessitam ser mais bem explorados.
A discussão em torno da longevidade do consumo de crack entre usuários tratados e não tratados é bastante atual, sobretudo seu caráter intensivo, recorrente e, em muitos casos, persistente. Isso indica que a utilização dessa substancia deixou de ser tratada como uma prática essencialmente de curta duração. Nesse sentido, torna-se necessária a adoção de ferramentas metodológicas e conceituais que permitam apreender mais adequadamente a complexidade e evolução dos fenomenos ligados a esse universo.
O registro de distintas trajetórias de uso permite delimitar grupos heterogeneos, caracterizando aqueles em maior vulnerabilidade de agravos à saúde, bem como fatores correlacionados a padrões estáveis de abstinencia.
O objetivo do presente estudo foi analisar a evolução do consumo de crack entre usuários com histórico de tratamento.

Longitudinal_Outcomes_Among_a_Crack_Users_After_12_Years_2011.pdf

Journal of Addictive Diseases
Andréa Costa Dias PhD, Denise Leite Vieira PhD, Luca Santoro Gomes MsC, Marcelo Ribeiro Araújo PhD & Ronaldo Laranjeira PhD
INTRODUCTION
The use of crack has become significant and widespread in recent years. This increase re- flects the expansion of the global market of illicit drugs. In the Americas, it remains strong as ever, and new traffic routes are emerging.
In Brazil, the use of crack spread rapidly in the beginning of the 1990s and quickly gained ground due to its economic viability, high avail- ability, and the increased move of drug users from intravenous use—considered a risk for possible human immunodeficiency virus (HIV) transmission—to smoking use. Surprisingly, longitudinal studies, particularly those with a
long time frame, that have evaluated the ramifications of crack use (as the primary substance) are relatively rare.
This study comes from a line of pioneering research in Brazil in the field of crack con- sumption. We have assessed a cohort of 131 crack users 12 years after they were discharged (1992–1994) from a specialized detoxification unit (Taipas General Hospital [TGH]). The same cohort was previously interviewed at a period of 2 and 5 years after treatment. Discussion of pre- liminary data of the current study (2005–2006) and the follow-up studies at 2 (1995–1996) and 5 (1998–1999) years can be found in the literature.

Dias_et_al._Mortality_rate_among_crackcocaine-dependent_patients-_A_12-year_prospective_cohort_study_conducted_in_Brazil._J_Subst_Abuse_Treat.__2011.pdf

Brief article
Mortality rate among crack/cocaine-dependent patients: A 12-year prospective cohort study conducted in Brazil
Andréa C. Dias,
 (Ph.D.), Marcelo R. Araújo, (Ph.D.), John Dunn, (Ph.D., Ricardo C. Sesso, (Ph.D.), Viviane de Castro, (Ph.D.), Ronaldo Laranjeira, (Ph.D.)
Introduction
Crack/cocaine is a highly addictive and powerful stimulant substance that has been abused for decades. Although crack/cocaine is a complex and steady phenom- enon in our global society (Fischer & Coghlan, 2007; Gossop, Marsden, Stewart, & Kidd, 2003), long-term follow-up investigations are scarce (Falck, Wang, & Carlson, 2007, 2008; Hser et al., 2006).
Studies found in the literature are limited to short-term outcomes related to risk and social segregation, such as criminal involvement (Borders et al., 2008; Fischer et al., 2006; Harocopos, Dennis, Turnbull, Parsons, & Hough, 2003), unemployment and low-income status (Buster et al., 2009; Paquette, Roy, Petit, & Boivin, 2010; Siegal, Falck, Wang, & Carlson, 2002), severe health problems (Borders et al., 2009; Falck, Wang, Siegal, & Carlson, 2000), and sexual risk behaviors (Hser, Joshi, Anglin, & Fletcher, 1999; Santibanez et al., 2005; Wechsberg et al., 2010, in press). Furthermore, there are a few studies on recovery processes (Gossop, Marsden, Stewart, & Kidd, 2002; Henskens, Garretsen, Bongers, Van Dijk, & Sturmans, 2008; Siegal, Li, Rapp, & Saha, 2001; Siegal, Li, & Rapp, 2002; Marsden et al., 2009; McKay et al., 2005; Wechsberg, Zule, Riehman, Luseno, & Lam, 2007).
Nonetheless, mortality rate is one relevant outcome that has not been receiving the deserved attention in our field (Gossop, Stewart, Treacy, & Marsden, 2002; Morgan, Vincente, Griffiths, & Hickman, 2008). Identifying long- term mortality indicators is an important task to help us understand and acknowledge specific contexts and risk factors that may contribute to increase death occurrence.
This is a pioneer long-term study examining mortality rate, mortality indicators, and death causes among 131 Brazilian crack/cocaine-dependent patients who sought treatment during mid 1990s in Brazil.

PERFIL_DOS_USUARIOS_DE_CRACK_COCAINA.pdf

Revisão Sistemática – Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil
Lígia Bonacim Duailibi
Esta tese tem como objetivo sintetizar o perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil. Foi construído por meio de revisão da literatura em base de dados (MEDLINE, LILACS e Biblioteca Cochrane), e no Banco de Teses da CAPES. Os dados foram agrupados em categorias temáticas, quais sejam: levantamentos domiciliares nacionais, populações específicas, perfil dos pacientes que procuram tratamento, mortalidade e morbidade. Dentro de cada categoria os principais achados da literatura nacional foram descritos e posteriormente discutidos. Os resultados indicam que informações relacionadas ao consumo de cocaína e crack no Brasil ainda são incipientes, mas já temos à disposição da comunidade científica um conjunto teórico relevante que pode ser utilizado visando à atualização das atuais políticas públicas referentes a este tema.
Após a identificação do Δ9-tetraidrocanabinol (Δ9-THC) na CB1 e consequente descoberta do sistema endocanabinoide na década de 60 e com a posterior clonagem do receptor canabinoide década de 90, um volume crescente de pesquisas tem emergido Abuso de cannabis em pacientes com transtornos psiquiátricos focalizando o papel deste sistema em transtornos psiquiátricos, tais como esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar (TAB), depressão maior e ansiedade, entre outros1-4.
Vários estudos epidemiológicos têm verificado que indivíduos com transtornos mentais graves estão mais propensos a fazer uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas – especialmente a cannabis – quando comparados à população geral4-6.Por exemplo, pacientes com esquizofrenia são mais prováveis de fazerem uso abusivo de cannabis do que indivíduos saudáveis, sendo que há descrição de aumento de risco de abuso em 10,1% nesta população1,2,4. Nos pacientes em episódio maníaco esta taxa pode chegar a 14,5%, sendo que pode ocorrer em até 4,1% em sujeitos com depressão maior, 4,3% para transtorno do pânico e 2,4% em portadores de fobias1,2,4.
A associação entre o abuso de cannabis (idade de início, quantidade e duração da exposição) em pacientes com transtornos psiquiátricos vem sendo reconhecida como um possível fator de risco independente para o desencadeamento de episódios psicóticos agudos, prejuízos cognitivos, alterações comportamentais, exacerbação de sintomas e consequências negativas no curso dos transtornos7-9. Isto certamente pode ter implicações como fonte de novas linhas de pesquisas e para organização de serviços para pacientes portadores de diagnóstico comórbido10,11. Apesar das mudanças ocorridas nos serviços de saúde mental12, nota-se que as propostas de tratamento para aqueles pacientes que apresentam transtornos psiquiátricos comórbidos permanecem ainda sem uniformidade e frequentemente são incompatíveis com algumas intervenções psicofarmacológicas. Do mesmo modo, existe deficiência de propostas direcionadas a subgrupos específicos em diferentes settings de assistência. Como exemplo, apenas 12% dos pacientes com problemas relacionados à cannabis e com outras comorbidades recebem intervenções para os dois transtornos nos Estados Unidos da América (EUA)11, sendo que há uma carência de dados empíricos populacionais em países em desenvolvimento4.

ENTREVISTA_MOTIVACIONAL_ENSAIO_CLINICO_ADOLESCENTES1.pdf

Intervenção motivacional breve e brochura educacional em pronto-socorro para adolescentes e adultos jovens com problemas relacionados ao álcool: um ensaio clínico simples cego randomizado
Maria Luiza Segatto, Solange Andreoni,  Rebeca de Souza e Silva, Alessandra Diehl, Ilana Pinsky

Brief motivational interview and educational brochure in emergency room settings for adolescents and young adults with alcohol related problems: a randomized single  blind clinical trial Intervenção motivacional breve e brochura educacional em  pronto-socorro para adolescentes e adultos jovens com problemas  relacionados ao álcool: um ensaio clínico simples cego randomizado
Scientifc evidence supports that Emergency Room (ER) is an mportant  site  for  identifying  individuals with alcohol related  roblems  and  to  initiate  an  intervention. Adolescents with alcohol related incidents and a positive history of problematic drinking  represent  a  high-risk  subgroup  which  deserves attention.

Addiction Research Centres and the Nurturing of Creativity – National Institute on Alcohol and Drugs Policies, Brazil

Addiction Research Centres and the Nurturing of Creativity – National Institute on Alcohol and Drugs Policies, Brazil
Ronaldo Laranjeira & Sandro Sendin Mitsuhiro

Psychiatry Department, Federal University of Sao Paulo, Brazil
The National Institute of Public Policy for Alcohol and Other Drugs (INPAD) is based at the Federal University of São Paulo, Brazil, and was created to collect scientific evidence regarding epidemiology, develop new therapeutic approaches, study health economics and provide education to subsidize the proper measures to change the Brazilian scenario of alcohol and drug consumption. Policies directed towards the control of alcohol and drugs in Brazil are fragmented, poorly enforced and therefore ineffective. The unregulated market of alcohol in Brazil has contributed to the worsening health of the Brazilian population. Since 1994, INPAD has participated actively in academic debates and discussions about alcohol and drug policies and their effects on the political welfare of the country. Many scientific papers and books have been published on this subject, and the internet and other media have provided excellent opportunities for the dissemination of specialized information to the general population.

Transtorno bipolar do humor e uso indevido de substâncias psicoativas 

Transtorno bipolar do humor e uso indevido de substâncias psicoativas
Bipolar Disorder and Substance Abuse

Marcelo Ribeiro, Ronaldo Laranjeira, Giuliana Cividanes

O uso indevido de substâncias psicoativas pelo paciente bipolar é extremamente comum e mais freqüente do que o observado na população geral (Kessler2004).Tal associação é capaz de alterar a expressão, o curso e o prognóstico de ambas as patologias (Levin e Hennesy, 2004; Krishnan, 2005), mesmo quando o consumo de álcool e/ou drogas é considerado de baixo risco ou moderado (Os et al., 2002; Shrier et al., 2003).A presença de outro transtorno psiquiátrico em dependentes químicos torna mais provável a procura desses por tratamento, fazendo com que as comorbidades

Prevencao ao uso de substancias psicoativas nas universidades.pdf – 2009

Prevenção ao uso de substâncias psicoativas nas universidades:Uma Visão sobre a necessidade, relevância e possibilidade.
Euclides Lunardelli Filho

Por definição as substâncias psicoativas (doravante referidas simplesmente pela abreviatura SPAs) são aquelas que alteram o senso de percepção e o estado de vigília do indivíduo. As SPAs, em geral, são psicotrópicas, significando que exercem uma certa atração sobre as instâncias psíquicas do ser humano e, portanto, favorecem ao desenvolvimento da dependência física e/ou psicológica dos indivíduos que fazem uso. Neste trabalho não foi feita distinção para o uso dos termos “drogas”, “SPAs” ou “Substâncias Psicotrópicas”. Tais termos aparecerão indistintamente referindo-se às substâncias psicotrópicas.
São exemplos de SPAs a cafeína, o álcool, a nicotina, anfetaminas, soníferos, calmantes, antidepressivos, entre outras, e que estão categorizadas como drogas lícitas (uso autorizado na legislação). De outro lado temos a maconha, cocaína, heroína, crack e muitas outras, consideradas ilícitas pela sociedade. Estas drogas ainda podem ser agrupadas segundo seus efeitos: depressoras, estimulantes e perturbadoras; ou ainda quanto à origem: naturais, sintéticas ou semi-sintéticas; contudo, não é propósito deste trabalho discutir tais peculiaridades. O foco deste trabalho recai sobre as drogas psicoativas, que têm potencial de abuso entre jovens, e as possibilidades na área da prevenção, independente do caráter de legalidade.

Cannabis abuse in patients with psychiatric disorders: an update to old evidence

Abuso de cannabis em pacientes com transtornos psiquiátricos: atualização para uma antiga evidência
Revista Brasileira de Psiquiatria
Alessandra Diehl; Daniel Cruz Cordeiro; Ronaldo Laranjeira
The association between cannabis abuse (age at onset and quantity and duration of exposure) in patients with psychiatric disorders has been recognized as an independent risk factor for the occurrence of acute psychotic episodes, cognitive impairment, behavioral disturbances, symptom exacerbation, and negative events in the course of illness. These findings are a source of new lines of investigation and should be taken into account in the organization of services for patients with comorbid diagnoses.
Após a identificação do Δ9-tetraidrocanabinol (Δ9-THC) na CB1 e consequente descoberta do sistema endocanabinoide na década de 60 e com a posterior clonagem do receptor canabinoide década de 90, um volume crescente de pesquisas tem emergido Abuso de cannabis em pacientes com transtornos psiquiátricos focalizando o papel deste sistema em transtornos psiquiátricos, tais como esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar (TAB), depressão maior e ansiedade, entre outros1-4.
Vários estudos epidemiológicos têm verificado que indivíduos com transtornos mentais graves estão mais propensos a fazer uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas – especialmente a cannabis – quando comparados à população geral4-6.Por exemplo, pacientes com esquizofrenia são mais prováveis de fazerem uso abusivo de cannabis do que indivíduos saudáveis, sendo que há descrição de aumento de risco de abuso em 10,1% nesta população1,2,4. Nos pacientes em episódio maníaco esta taxa pode chegar a 14,5%, sendo que pode ocorrer em até 4,1% em sujeitos com depressão maior, 4,3% para transtorno do pânico e 2,4% em portadores de fobias1,2,4.
A associação entre o abuso de cannabis (idade de início, quantidade e duração da exposição) em pacientes com transtornos psiquiátricos vem sendo reconhecida como um possível fator de risco independente para o desencadeamento de episódios psicóticos agudos, prejuízos cognitivos, alterações comportamentais, exacerbação de sintomas e consequências negativas no curso dos transtornos7-9. Isto certamente pode ter implicações como fonte de novas linhas de pesquisas e para organização de serviços para pacientes portadores de diagnóstico comórbido10,11. Apesar das mudanças ocorridas nos serviços de saúde mental12, nota-se que as propostas de tratamento para aqueles pacientes que apresentam transtornos psiquiátricos comórbidos permanecem ainda sem uniformidade e frequentemente são incompatíveis com algumas intervenções psicofarmacológicas. Do mesmo modo, existe deficiência de propostas direcionadas a subgrupos específicos em diferentes settings de assistência. Como exemplo, apenas 12% dos pacientes com problemas relacionados à cannabis e com outras comorbidades recebem intervenções para os dois transtornos nos Estados Unidos da América (EUA)11, sendo que há uma carência de dados empíricos populacionais em países em desenvolvimento4.

Intimate_partner_violence_and_alcohol_consumption.pdf -

Marcos Zaleski, Ilana Pinsky, Ronaldo Laranjeira, Suhasini, Ramisetty-Mikler, Raul Caetano
Intimate partner violence (IPV) is considered a public health problem worldwide. Most of the research in this area has been conducted in developed countries,especially in the United States (USA), where several population studies have been performed in the last two decades. In the 1985 National Family Violence. Survey,23 16% of American couples had experienced one or more types of IPV in the 12 months preceding the interviews. The majority of aggressions were considered mild violence (slapping and shoving,for example). However, about one third of episodes reported were serious (beating, choking, hitting with an object, forced sex, threat with or use of a knife or firearm). The same study concluded that the index of male partner violence against females was similar to that of female partners against males, as observed in 1975 and confirmed by other studies.1,23 Even though women perpetrate as much violence as their male partners in terms of frequency, they are more likely to suffer serious injuries.25 A study performed in the United States revealed that about 20% of traumarelated visits to an emergency department and 25% of homicides in women involved IPV.19 In the United States, IPV estimates based on data from the National Longitudinal Survey, conducted in 1995, showed that the 12-month IPV index among couples varies between 17% and 39%, with indices of male violence against women and female violence against men corresponding to 13,6% and 18,2%, respectively.22

Padrão de Uso de Álcool em Brasileiros Adultos -

Alcohol use patterns among Brazilian adults
Padrão de uso de álcool em brasileiros adultos
Correspondence
Ronaldo Laranjeira

Apresentar os padrões de consumo de bebidas alcoólicas entre a população adulta brasileira. MÉTODO: Amostra de 2.346 indivíduos, cuidadosamente selecionada da população brasileira com 18 anos ou mais. Amostra selecionada em todo o território brasileiro, por meio de procedimento probabilístico em múltiplos estágios. As entrevistas, realizadas nas residências, ocorreram entre novembro de 2005 e abril de 2006. RESULTADOS: 48% da amostra relataram não haver bebido no último ano e esse índice variou de acordo com sexo, idade, estado civil, nível educacional e de renda e região do país.
Entre aqueles que bebiam, 29% consumiam usualmente cinco ou mais doses por ocasião (38% entre os homens). Fatores sociodemográficos foram relevantes em relação a todas as variáveis de consumo estudadas: frequência, quantidade, problemas, abuso e dependência. Na amostra total, incluindo os não-bebedores, 28% beberam em binge, 25% relataram ao menos um tipo de problema relacionado ao consumo, 3% preencheram critério para abuso e 9% para dependência. O grau de abstinência da população brasileira é alto. No entanto, os bebedores apresentam elevado nível de consumo de risco. A prevalência de problemas relacionados ao consumo, abuso e dependência de álcool também é significativa. Políticas públicas nacionais devem levar em conta esses fatores assim como as diferenças regionais.

Exposure of adolescents and young adults to alcohol advertising in Brazil – Ilana Pinsky

Exposure of adolescents and young adults to alcohol advertising in Brazil
I. Pinsky, S. E. Jundi, M. Sanches, M. Zaleski, R. Laranjeira1 and R. Caetano

Objective ToQ9 examine adolescents’ and young adults’ exposure to alcohol advertising in Brazil as well as the relationship between exposure and heavy alcohol consumption.
Methods Subjects were selected through a multistage cluster sample procedure from households in 143 municipalities in all Brazilian states (n¼3007), and interviewed between November 2005 and April 2006. Data presented here come from a subsample of 1091 interviews with adolescents (661 with 14–17 years old) and young adults (430 with 18–25 years old). Measurements Data were collected on sociodemographic characteristics, alcohol consumption,
alcohol advertising exposure and exposure to prevention messages. Results Sixty-one per cent of the sample reported exposure to alcohol advertising in
different media, from ‘almost every day’ to ‘more than once a day’ in the previous month.Twelve per cent reported seeing an alcohol prevention message. Participating in alcohol promotions in pubs, restaurants or the internet was reported by 10.7% of the adolescents and was significantly associated with patterns of high intensity drinking. Adolescents were as exposed as, and sometimes more, than young adults. Conclusion Youngsters were heavily exposed to alcohol marketing messages.

Early life exposure to violence and substance misuse in adulthood-The first Brazilian national survey

Early life exposure to violence and substance misuse in adulthood-The first Brazilian national survey.
Madruga CS, Laranjeira R, Caetano R, Ribeiro W, Zaleski M, Pinsky I, Ferri CP.

Substance misuse has been a major source of health and social problems in developing societies as it has been elsewhere. There is a growing body of evidence from developed nations linking early exposure to violence in childhood with substance misuse in adulthood. The role of depression on this association is not clear. This study estimates the association between early life exposure to violence, alcohol disorders and illegal substance use in adulthood and the role of depression on these associations using a national Brazilian sample.
The first Brazilian National Alcohol Survey gathered information on early exposure to violence and use of psychoactive substances in 1880 participants aged 20 to 60years old selected at random from the Brazilian household population. We used weighted logistic regression to calculate adjusted odds ratios for the associations between early exposure to violence and substance misuse. To assess the mediating effect of depression on these associations we used the Sobel-Goodman Mediation Test.
Witnessing violence during childhood or adolescence was reported by nearly 20% of the participants whilst over 8% reported having been victims of at least one form of violence. There was a statistically significant association between early exposure to violence and alcohol abuse and/or dependence and use of illegal substances in adulthood with a dose-response relationship. Depression partially explained the association between early exposure to violence with alcohol dependence (18.77% p<0.001) and did not have a statistically significant mediating effect on the association with illegal substance use (5.83% p=0.220).

Cocaine effects on mouse incentive-learning and human addiction are linked to α2 subunit-containing GABAA receptors -

Cocaine effects on mouse incentive-learning and
human addiction are linked to α2 subunit-containing
GABAA receptors
Claire I. Dixona, Hannah V. Morrisa, Gerome Breenb, Sylvane Desrivieresb, Sarah Jugurnauthb, Rebecca C. Steinera,
Homero Valladab,c, Camila Guindalinib,d, Ronaldo Laranjeirad, Guilherme Messasc,d, Thomas W. Rosahle,f, John R. Atacke,
Dianne R. Pedeng, Delia Belellig, Jeremy J. Lambertg, Sarah L. Kinga, Gunter Schumannb,2, and David N. Stephensa

Because GABAA receptors containing α2 subunits are highly represented in areas of the brain, such as nucleus accumbens (NAcc), frontal cortex, and amygdala, regions intimately involved in signaling motivation and reward, we hypothesized that manipulations of this receptor subtype would influence processing of rewards. Voltageclamp recordings from NAcc medium spiny neurons of mice with α2 gene deletion showed reduced synaptic GABAA receptor-mediated responses. Behaviorally, the deletion abolished cocaine’s ability to potentiate behaviors conditioned to rewards (conditioned reinforcement), and to support behavioral sensitization. In mice with a point mutation in the benzodiazepine binding pocket of α2-GABAA receptors (α2H101R), GABAergic neurotransmission in medium spiny neurons was identical to that of WT (i.e., the mutation was silent), but importantly, receptor function was now facilitated by the atypical benzodiazepine Ro 15-4513 (ethyl 8-amido-5,6-dihydro-5-methyl- 6-oxo-4H-imidazo [1,5-a] [1,4] benzodiazepine-3-carboxylate). In α2H101R, but not WT mice, Ro 15-4513 administered directly into the NAcc-stimulated locomotor activity, and when given systemically and repeatedly, induced behavioral sensitization.

Gambling in Brazil: Lifetime prevalences and socio-demographic correlates

Gambling in Brazil: Lifetime prevalences and socio-demographic correlates.
Psychiatry Res. 2010 May 17. [Epub ahead of print]
Tavares H, Carneiro E, Sanches M, Pinsky I, Caetano R, Zaleski M, Laranjeira R.

Gambling has experienced world-wide growth. The current study is the first national survey into household gambling conducted in a developing country. The sample was a three-stage probabilistic one designed to cover individuals 14years old or older, of both genders and from all regions of the national territory; 325 census sectors were visited, including rural areas. DSM-IV-based instruments were used to assess problem and pathological gambling; individuals were asked to estimate their monthly gambling expenditure.
The lifetime prevalences were: pathological gambling 1.0%, and problem gambling 1.3%. Maximum gambling expenditure corresponded to 5.4% of the household income for social gamblers, 16.9% for problem gamblers and 20.0% for pathological gamblers. The male:female ratio among adults for pathological gambling was 3.2:1. The data suggest the existence of two subgroups of pathological gamblers, one younger (33.9+/-4.19) and severe (7 or more DSM-IV criteria), another older (47.8+/-6.01) and less severe (5-6 criteria). In a multinomial logistic regression, problematic gambling was associated with gender, age, education, employment, region of origin and living in metropolitan areas. The data suggest that feeling active and socially inserted protects against problematic gambling. Individuals who are young, male, unemployed or not currently pursuing further education may be at special risk for severe pathological gambling. Copyright © 2010 Elsevier Ltd. All rights reserved.

Correlatos do uso de substâncias durante a gravidez na adolescência em São Paulo, Brasil -

Correlates of substance use during adolescent pregnancy in São Paulo, Brazil
Correlatos do uso de substâncias durante a gravidez na
 adolescência em São Paulo, Brasil
Marco Antonio Bessa, Sandro Sendin Mitsuhiro, Elisa Chalem, Marina Carvalho de Moraes Barros, Guinsburg, Ronaldo Laranjeira

Investigar, numa população de gestantes adolescentes de uma maternidade pública de São Paulo-SP, Brasil, a associação entre o consumo de cocaína e maconha durante a gravidez com distúrbios psiquiátricos, status social e história sexual. MÉTODO: Mil adolescentes grávidas foram avaliadas por meio do Composite International Diagnostic Interview e de um questionário sociodemográfico e socioeconômico no centro obstétrico de um hospital público de São Paulo.Destas, foi colhida amostra para análise de fios de cabelo. RESULTADOS: Os seguintes dados foram associados com o uso de cocaína e/ou maconha durante o terceiro trimestre de gravidez: ter menos de 14 anos, ter história de mais do que três parceiros sexuais e ter transtornos psiquiátricos, em especial, transtorno afetivo bipolar, transtorno do estresse pós-traumático e transtorno somatoforme. CONCLUSÃO: Na população de adolescentes grávidas avaliada, ter menos de 14 anos e ter três ou mais parceiros sexuais na vida está significativamente associado ao uso de maconha ou cocaína durante a gestação. Esta associação sugere que programas de intervenção específicos devem ser dirigidos a essas jovens.

Legalização de drogas e a saúde pública – Ronaldo Laranjeira

Legalização de drogas e a saúde públicaDrugs legalization and public health -
Ronaldo Laranjeira

O objetivo deste artigo para debate é: (1) avaliar a racionalidade e a oportunidade desse debate; (2) tentar estabelecer pontes com drogas lícitas; (3) avaliar os dados disponíveis sobre o efeito da legalização de uma droga; (4) propor uma alternativa de política de drogas baseada em objetivos claros a serem alcançados; e (5) descrever como a Suécia está lidando com o tema de restrição às drogas como cuidado social. Metodologicamente, o texto constitui uma síntese das leituras e elaborações do próprio autor, colocada de forma a provocar discussão.
Conclui-se que quatro aspectos precisam ser levados em conta quando se analisa a política de drogas de um país: (1) fatores externos influenciam a política: tratados internacionais, políticas de saúde e de assistência social, direitos individuais, autoridade e autonomia dos médicos e outros profissionais; (2) os objetivos estabelecidos influenciam as políticas formais e sua implementação; (3) a influência simbólica que transcende à implementação – pessoas influentes fazem declarações que atingem fortemente a legitimidade e a adesão às ações; (4) as políticas formais e sua implementação recebem influência direta dos danos percebidos socialmente pelo uso de drogas, o que pode ser independente
A intensidade do debate sobre legalização de drogas no Brasil mostra que o assunto “drogas” produz efeitos nas pessoas, que se sentem levadas a ter muitas certezas e a ficar de um lado ou de outro da questão. Mostra também que o debate é profundamente ideológico e que após ouvirmos o lado favorável à legalização e o lado da proibição pura e simples, não ficamos mais esclarecidos a respeito da melhor política a ser seguida. Quando somente um dos aspectos de uma política de drogas, como a que discute apenas o status legal de uma delas, se torna o assunto principal do debate, é como se o rabo estivesse abanando o cachorro e não o contrário.

ADHD in a representative sample of the Brazilian population: estimated prevalence and comparative adequacy of criteria between adolescents and adults according to the item response theory

ADHD in a representative sample of the Brasilian population: estimated prevalence and comparative adequacy of criteria between adolescents and adults according to the item response theory
Guilherme Polanczyk, Ronaldo Laramjeira, Marcos Zaleski, Ilana Pinsky, Raul Caetano & Luis Augusto Rohde
Attention deficit hyperactivity disorder (ADHD) is a clinically significant disorder in adulthood associated to several adverse outcomes in different areas of life (Wilens et al.,2004). Current diagnostic systems seem not to capture adequately the complexity of the disorder in this developmental stage (Brown, 2006; McGough and Barkley, 2004; Rohde, 2008; Wilens et al., 2004; Willoughby, 2003). Accordingly, the distribution of adult ADHD in the community is poorly understood (Polanczyk and Rohde, 2007; Polanczyk et al., 2007).

Patterns of alcohol use among Brazilian adolescents -

Patterns of alcohol use among Brazilian adolescents
Revista Brasileira de Psiquiatria version ISSN 1516-4446 Rev. Bras. Psiquiatr. vol.32 no.3 São Paulo
Padrões de uso de álcool entre adolescentes brasileiros
Ilana PinskyI; Marcos SanchesII; Marcos ZaleskiI; Ronaldo LaranjeiraI; Raul CaetanoIII

Both worldwide and in Brazil, alcohol is the psychotropic substance most widely used by adolescents.1-3 Several elements combine to make the consumption of alcohol harmful at this age range. Consumption patterns displayed by adolescents (including acute consumption of several doses of alcohol, aka binge drinking, their inexperience with this behavior, their tendency towards impulsivity and certain biological aspects involving the maturing of the nervous system are some of these factors.4,5 Other elements include several symbolic aspects of drinking, ranging from those linked to the transgression which characterizes the act (all things considered, alcohol consumption is forbidden for minors) to a more social aspect i.e., the need to belong to a group of friends or peer group pressure, and even the idea of relaxation and leisure that alcohol advertisement promotes in their minds6The fact of the matter is that adolescents and young adults alike form a group of individuals who are highly vulnerable to suffering from alcohol-related problems. The consumption of alcohol among adolescents is associated with acute risks (unprotected sex, violence and accidents) and broader problems (school problems, social problems, alcohol dependence).7

1º Levantamento Nacional sobre padrões de consumo de álcool na população brasileira: Metodologia, estudo da Violência entre parceiros íntimos e consumo de álcool durante o evento – por Marcos Zaleski MARCOS ZALESKI TESE UNIFESP 2009.pdf

Cost-effectiveness of home visits in the outpatient treatment of patientes with alcohol dependence
Moraes E, Campos GM, Figlie NB, Laranjeira R, Ferraz MB.

The purpose of this study was to compare the cost-effectiveness of conventional outpatient treatment for alcoholic patients (CT) with this same conventional treatment plus home visits (HV), a new proposal for intervention within the Brazilian outpatient treatment system. A cost-effectiveness evaluation alongside a 12-week randomized clinical trial was performed. We identified the resources utilized by each intervention, as well as the cost according to National Health System (SUS), Brazilian Medical Association (AMB) tables of fees, and others based on 2005 data.

Neurobehavior of Late Preterm Infants of Adolescent Mothers. 

Neurobehavior of late preterm infants of adolescent mothers.
Barros MC, Mitsuhiro S, Chalem E, Laranjeira RR, Guinsburg R.

Late preterm infants have higher morbidity in the neonatal period and difficulties at school age. There are few data about neonatal neurobehavior performance that may interfere in their development.To compare the neurobehavior of healthy late preterm and full-term neonates born to adolescent mothers.This prospective cross-sectional study included infants with a gestational age of 40(0/7)-40(6/7) weeks (full term) and 34(0/7)-36(6/7) weeks (late preterm) aged 24-72 h without exposure to alcohol, tobacco, drugs or infections and free of clinical problems during the first 3 days of life. Infants were assessed with the Neonatal Intensive Care Unit Network Neurobehavioral Scale (NNNS). Outcomes were analyzed by ANOVA.From July 2001 to November 2002, 3,685 infants were born, 928 of adolescent mothers. After exclusion, 36 late preterm and 96 term infants were enrolled. Adjusted for anesthesia type, delivery mode, gender, age at NNNS examination, time between last feeding and examination, and examination duration, late preterm, compared to term neonates, presented lower scores for attention (p = 0.041), arousal (p = 0.011), regulation (p < 0.001), quality of movements (p < 0.001) and higher scores for non-optimal reflexes (p < 0.001) and hypotonicity (p = 0.029).
Late preterm infants of adolescent mothers have a more immature neurobehavioral performance at 24-72 h of life in multiple areas compared to term neonates suggesting a need for careful follow-up.
Division of Neonatal Medicine, Department of Pediatrics, Federal University of São Paulo (UNIFESP), São Paulo, Brazil.

Assessment of self-regulatory code violations in brazilian television beer advertisements.

Assessment of Self-Regulatory Code Violations in Brazilian Television Beer Advertisements
Alan Vendrame¹, Ilana Pinsky¹, Rebeca Souza e Silva², Thomas Babor³

Objective: Research suggests that alcoholic beverage advertisements may have an adverse effect on teenagers and young adults, owing to their vulnerability to suggestive message content. This study was designed to evaluate perceived violations of the content guidelines of the Brazilian alcohol marketing self-regulation code, based on ratings of the five most popular beer advertisements broadcast on television in the summer of 2005-2006 and during the 2006 FIFA (Federation Internationale de Football Association) World Cup games.
Methods. Five beer advertisements were selected from a previous study showing that they were perceived to be highly appealing to a sample of Brazilian teenagers. These ads were rated by sample of Brazilian secondary students using a rating procedure designed to measure the content of alcohol advertisements covered in industry self-regulation codes.

Correlates of substance use during adolescent pregnancy in São Paulo, Brazil

Correlates of substance use during adolescent pregnancy in São Paulo, Brazil
Correlatos do uso de substâncias durante a gravidez na adolescência em São Paulo, Brasil
Marco Antonio BessaI; Sandro Sendin MitsuhiroI; Elisa ChalemI,II; Marina Carvalho de Moraes BarrosIII; Ruth GuinsburgIII; Ronaldo Laranjeira

The use of illicit drugs by pregnant teenagers is of considerable interest due to the fact that there is consistent evidence in the scientific literature that this behavior may cause multiple complications for both the baby and the mother. This is particularly true in regards to the use of cocaine.
Also, sensitive neurobehavioral instruments have established the negative effects of intra-uterine exposure to marijuana.2,3 Moreover, there are negative economic and social impacts which are well documented for both drugs.4 There are few studies made in Brazil on this subject5-7 and only one used hair test to detect drug use.8
Determining the correlates of the use of drugs during pregnancy in teenagers may have implications for the formulation of preventive programs. Thus, the aim of this study was to investigate the association of cocaine and marijuana use during adolescent pregnancy in São Paulo, Brazil, with psychiatric disorders, social status and sexual history of the mothers.

Ayahuasca: revisão da literatura científica

“Ayahuasca: revisão da literatura científica”
Vale a pena começar explicando a metodologia de trabalho, quais foram as bases de publicação científicas procuradas. Ayahuasca é uma mistura de plantas, com ação psicoativa, esse nome, de origem indígena, é conhecido em outras culturas pelas seguintes denominações: yajé, caapi, natema, pindé, kahi, mihi, dápa, bejuco de oro, vine of gold, vine of the spirits, vine of the souls. Aya quer dizer “pessoa morta, alma, espírito” e waska significa “corda, liana, cipó ou vinho”. Assim a tradução, para o português, seria algo como “corda dos mortos” ou “vinho dos mortos, do espírito”. No Peru, encontrou-se o seguinte significado: “soga de los muertos”. (Costa et al., 2005) (1) A transliteração para a língua portuguesa resultou em hoasca, que é um termo específico para o uso da planta em sacramentos religiosos. Também é conhecido amplamente no Brasil como “chá do Santo Daime”. (Grob et al., 1996) (2)
A Ayahuasca é uma bebida preparada por ebulição ou imersão do cipó Banisteriopsis caapi juntamente com várias possibilidades de outras plantas. O componente mais utilizado para elaboração da bebida, junto ao cipó Banisteriopsis caapi, são as folhas da Psychotria viridis. Apesar das variações nas plantas utilizadas como ingredientes da Ayahuasca, farmacologicamente elas são similares. Como exemplo, as folhas da Diploptherys cabrerana que podem substituir as folhas de Psychotria viridis no preparo da bebida. Em geral, a Psychotria viridis é encontrada no Brasil, Peru e Equador e a Diploptherys cabrerana no Equador e Colômbia. (McKenna et al., 2004) (3)
Outras plantas utilizadas junto ao cipó banisteriopsis caapi para a elaboração da bebida da ayahuasca são vários gêneros Solanaceous, inclusive o tabaco (Nicotiona sp.), Brugmansia sp. , Brunfelsia sp. Esses gêneros Solanaceous são conhecidos por conterem alcalóides como nicotina, escapolamina e atropina. (McKenna et al., 2004) (3)

Tratamento_Farmacologico_da_Sindrome_de_Dependencia_do_Alcool.pdf

Tratamento Farmacológico da Síndrome de Dependência do Álcool
Ronaldo Laranjeira
Alessandra Diehl Reis

O alcoolismo é um grave problema de saúde pública, sendo um dos transtornos mentais mais prevalentes na comunidade. Trata-se de uma patologia crônica, com muitas recidivas, inúmeros prejuízos clínicos, sociais, laborais, familiares, econômicos e freqüentemente, associados às situações diversas de violência (sexual, doméstica, suicídios, homicídios, ect), acidentes de trânsito e traumas em muitos países do mundo (Babor et al., 2003; Room et al., 2003).1,2
No Brasil, dados do CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) referentes aos dois Levantamentos Domiciliares de uso de Drogas Psicotrópicas realizados no país, mostram que a dependência de álcool aumentou de 11,2% em 2001 para 12,3% em 2005 (Carlini et al., 2002 e 2005). 3,4
O mesmo levantamento mostra um aumento das prevalências de dependência também na população adolescente de 12 a 17 anos de 5% em 2001 para 7% em 2005 (Carlini et al., 2002 e 2005).3,4
Recentemente, o I levantamento nacional sobre o consumo de álcool entre a população indígena brasileira conduzido pela Secretaria Nacional Anti-Drogas (SENAD) e UNIAD/UNIFESP mostra que a prevalência de 22,3% de dependência de álcool na população indígena é maior que a população geral (SENAD, 2007).5

Módulo do Álcool -_ABP.ppt

Tratamento da Dependência do Álcool – aula atualizada
Ronaldo Laranjeira

Esclarecimento adequado sobre SAA para o paciente e familiares;
retornos freqüentes ou visitas da equipe no domicílio por 3 a 4 semanas; evitar dirigir veículos;
dieta leve ou restrita; hidratação adequada. Se necessitar de repouso relativo, optar por ambiente calmo
com pouca estimulação audiovisual, com supervisão de familiar, e encaminhamento para emergência se observar alteração da orientação temporo-espacial e, ou nível de consciência.

Análise Política de Drogas

Una mal llamada Guerra Perdida
Reflexiones desde cedro frente a la Coyuntura en la Problemática de las Drogas
Alejandro Vassilaqui
Carmen Masías

En América Latina y el mundo, viene siendo un problema de grandes dimensiones. La: trata de personas, incluyendo la esclavitud de menores y el uso de estos en pornografía, trabajos forzosos etc., el contrabando, las mafias asociadas al tráfico de drogas ilícitas, el secuestro, el terrorismo, la corrupción etc. son formas que, de una manera u otra, tienen un eje compartido. Por ello, no es posible atacar una de las modalidades del crimen organizado, sin enfrentar la complejidad del problema desde una perspectiva ética del desarrollo, la inclusión y los derechos humanos.
Han surgido propuestas que ameritan una reflexión y un debate objetivo y alturado que privilegie a la persona y que se apoye en la ciencia y en los procesos y resultados experimentados, sobre todo por aquellos y aquellas que abordan el problema desde la realidad concreta y la cercanía a quienes están en ella involucrados. Este debate y esta reflexión, deben estar desligados de toda conveniencia utilitaria, así como de cualquier afán clientelista. Es importante pensar que en las decisiones que se tomen, desde las políticas públicas, en esta y en las próximas décadas, se estará exponiendo el bienestar de la humanidad, sobre todo de los más vulnerables que son los y las jóvenes. Y es fundamental mirar el escenario total y a la vez específico de cada realidad y escuchar no sólo a quienes desde la teoría formulan, en la mayoría seguramente de los casos, con buenas intenciones, las políticas públicas.

Causal association between cannabis and psychosis: examination of the evidence.pdf

Causal association between cannabis and psychosis: examination of the evidence
Louise Arseneault, Mary Cannon, John Witton
and Robin M. Murray

There is little dispute that cannabis intoxication can lead to acute transient psychotic episodes in some individuals (D’Souza et al, 2004) and that it can produce short-term exacerbation or recurrences of pre-existing psychotic symptoms (Thornicroft, 1990; Mathers & Ghodse, 1992; Hall & Degenhardt, 2004). However, controversy remains about whether cannabis use can actually cause schizophrenia or other functional psychotic illness in the long term (Johns, 2001).
A previous review paper,published more than a decade ago, reached no firm conclusion regarding causality and stressed the importance of prospective longitudinal population-based cohort studies to elucidate a possible causal association (Thornicroft, 1990). Sixteen years after the publication of the first evidence that cannabis may be a causal risk factor for later schizophrenia (Andre´asson et al,1988), four recent prospective epidemiological studies have provided further evidence.We review the evidence from these studies within the framework of established criteria for determining causality.

Guide to implementing family skills training programmes for drug abuse prevention.pdf

Guide to implementing family skills training programmes for drug abuse prevention
Supportive families are essential to raising socially, mentally and physically healthy and well-adjusted children and preventing later adolescent problems. The challenges faced by many parents around the world as they try to provide for their families include balancing family and work life, juggling financial commitments, ensuring adequate support and social contacts and finding time for the family to be together. Sometimes parents struggle with substance abuse problems, which affects their parenting skills.
Factors such as a lack of security, trust and warmth in parent-child relationships, a lack of structure in family life and inappropriate discipline practices and insufficient limit-setting can render children at greater risk of problem behaviours and subsequent substance abuse and mental health disorders.Family skills training programmes have been found to be effective in preventing many of these risky behaviours, including substance abuse. Research findings confirm that skills training produces better results than do programmes that provide parents only with information about substances. Better yet, programmes including skills training for parents, children and families can be implemented from infancy through adolescence and have been shown to positively change family functioning and parenting in enduring ways. This results in healthier and more supportive environments in which children can grow and develop.

ER_Clinical_trail_naltrexone.pdf

Ensaio clínico duplo-cego randomizado e placebocontrolado com naltrexona e intervenção breve no tratamento ambulatorial da dependência de álcool .                                                                                                                                                                                                                    A double blind, randomized and placebo-controlled clinical trial with naltrexone and brief intervention in outpatient treatment of alcohol dependence
Luís André Castro, Ronaldo Laranjeira

No Brasil, os transtornos relacionados ao uso de álcool são um dos principais problemas de saúde pública. Segundo o I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, 11,2% dos brasileiros que vivem nas 107 maiores cidades do País são dependentes de álcool, o que equivale a 5,2 milhões de pessoas. No ano de 2000, o dano global à saúde provocado pelo consumo de álcool foi responsável por 4% de toda a morbidade e mortalidade no planeta..
É sabido que os indivíduos que não preenchem critérios diagnósticos para dependência de álcool são mais resistentes às intervenções psicossociais que focalizam a abstinência como meta de tratamento. Em tais casos, as intervenções breves (IB) demonstraram ser eficazes para reduzir o consumo
de álcool, embora o tamanho do efeito do tratamento(ou ) dessas intervenções seja considerado pequeno (inferiora 0,2). Supõe-se que o uso de medicações – entre as quais a naltrexona – possa potencializar os efeitos terapêuticos das IB3,4. A naltrexona é uma intervenção farmacológica comprovadamente
eficaz no tratamento da dependência de álcool,pois promove redução das taxas de recaídas e da quantidade e frequência do consumo de álcool5-7.

Suicide_attempts_and_substance_abuse.pdf 

Suicide attempts and substance use in an emergency room sample
Tentativas de suicídio e o uso de substâncias em uma amostra de pronto-socorro
Alessandra Diehl, Ronaldo Laranjeira

In many countries suicide attempt has been the target of great concern in the last decade. In the global context, the most important finding when analyzing data is the observation that mean age of individuals who commit suicide is decreasing aggravated to the fact that substance use is intimately related to suicide behaviors. Drinking is strongly associated to suicidal thoughts and in women, this may occur with occasional drinking. Studies, however, do not concur to whether the risk is higher due to abuse or the substance dependence. Data from MACHT (Matching Alcoholism Treatments to Client Heterogeneity, 1997) revealed that suicidal thoughts are more prevalent among alcohol dependents in  treatment.

Abuso de Alcool e Drogas.pdf

Abuso de Álcool e Drogas
Ronaldo Laranjeira

Qualquer consumo de álcool ou drogas deve ser considerado dependência ?
Se isto fosse verdade mais de 80% da população adulta seria considerada dependente do álcool, pois somente 20% das pessoas são completamente abstinentes. Portanto existem níveis de consumo de álcool que podem ser considerados seguros. Neste sentido o álcool é uma droga diferente das demais como o fumo, cocaína, maconha, etc. No caso do fumo por exemplo, qualquer contato com as 4.000 substâncias tóxicas que fazem parte da fumaça do cigarro fazem mal para a saúde. É por isto que o fumo passivo faz mal, pois não existe um limite abaixo do qual poderíamos aspirar esta fumaça altamente tóxica e estarmos seguros. Mesmo as outras drogas de abuso como a maconha, cocaína, pode-se falar que qualquer consumo pode trazer conseqüências negativas para o usuário. No caso do álcool é diferente, pois existem evidências mostrando que em baixas doses ele pode até fazer bem. Aparentemente, um adulto sem problemas de saúde, que beba uma dose pequena de bebida alcoólica por dia, estaria mais protegido de algumas doenças cardíacas. A grande questão diz respeito ao limite do beber seguro.
Inúmeros estudos já foram feitos tentando responder essa questão, pois essa informação tem profundas implicações em termos de saúde pública. Um conceito importante para entender a organização dessas pesquisas é o de unidade de álcool. Uma unidade de álcool equivale a 10-12 g de álcool puro.. Uma lata de cerveja normalmente contém cerca de 350 ml, e a concentração da maioria das cervejas nacionais é ao redor de 5%, portanto, teria 17 g de álcool, o que corresponderia a 1,5 unidades de álcool. Uma dose de destilados (pinga, vodka, whisky) conteria cerca de 50 ml; como a concentração da pinga e ao redor de 50%, essa dose teria o equivalente a 2,5 unidades. Um copo de vinho conteria cerca de uma unidade.

Abuso de drogas no idoso.pdf 

” Abuso de Drogas no Idoso”
Luis André Castro
Ronaldo Laranjeira

UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), Departamento de Psiquiatria, Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo
Nos dias atuais, as pessoas idosas são um grupo etário que mais cresce na população geral. Portanto, a prevalência de distúrbios psiquiátricos entre os idosos (entre os quais, os transtornos depressivos , os transtornos demenciais e o abuso de álcool e drogas) será proporcionalmente maior, de acordo com a longevidade da população. Os idosos acima de 75 anos é o grupo etário, que apresentará maior crescimento nos próximos anos. Portanto, é essencial instituir medidas preventivas com vista a evitar-se as seqüelas dos transtornos mentais associados ao envelhecimento.
Nos idosos o abuso de drogas é a terceira principal condição psiquiátrica, além da depressão e demência (1), apesar de ser uma área comumente negligenciada pelas revisões de literatura. Além disso, a maioria dos artigos científicos que abordam esse assunto, concentram-se na faixa etária entre os 55 a 75 anos. Contudo, a prevalência do abuso de álcool e drogas nos idosos é mais baixa do que a dos indivíduos mais jovens. Vários fatores contribuem para esta constatação, entre as quais: 1) a probabilidade de um sujeito jovem, que abusa de álcool e drogas chegar na terceira idade é menor; 2) a probabilidade de alguém começar abusar de álcool e drogas numa idade mais avançada tambem é menor e as taxas de recuperação entre os idosos, que fazem uso abusivo dessas drogas são maiores, devido aos problemas médicos causados pelas substâncias psicoativas. Nesse capítulo será abordado principalmente os benzodiazepínicos e o tabagismo, em virtude do impacto dessas substâncias na população mais idosa. Além disso, o uso de drogas ilícitas nos idosos é mais raro.

Alcool e drogas na clinica medica.pdf 

Álcool e drogas na Clínica Médica
Ronaldo Laranjeira
John Dunn
Marcelo Ribeiro de Araújo
As complicações relacionadas ao uso de álcool e drogas nas salas de emergências são um fato corrente na atualidade. A difusão, a diversificação e disponibilidade de substâncias psicoativas colocam o médico de plantão frente a quadros clínicos diversos e idiossincráticos, ora isolados, ora combinados, minimizados, exacerbados ou mascarados por outras situações (p.e. uso combinado de substâncias, doenças prévias ou injúrias decorrentes do uso)13.
O usuário de substâncias capazes de alterar os estados da mente está vulnerável a processos infecciosos, alterações metabólicas e acidentes, que por vezes mostram-se mais emergenciais do que a intoxicação ou a síndrome de abstinência per se. Por vezes combina substâncias de ação central semelhantes ou antagônicas, pode estar comprometido nutricionalmente ou suceptível a acidentes e a ambientes violentos. As intoxicações podem servir a propósitos suicidas ou funcionarem como ‘antídotos’ para indivíduos sofrendo de alguma patologia psiquiátrica.
É objetivo desse capítulo apresentar as principais complicações relacionadas às substâncias psicoativas mais comuns em nosso meio, seu quadro clínico, considerações sobre diagnósticos diferenciais e concomitantes, bem como as abordagens terapêuticas mais eficazes no tratamento dessas.

Dependencia e uso nocivo de alcool.pdf 

Dependência e uso nocivo do álcool
Autores: Ronaldo Laranjeira e Claudio Jerônimo

A dependência do álcool atinge cerca de 10% da população. Nos Estados Unidos, o custo econômico por abuso de álcool excedeu $115 bilhões em 1983. De acordo com o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), esta quantia chegou a $130 bilhões em 1990 e $ 246 bilhões em 1998. Embora freqüente, a dependência do álcool é pouco diagnosticada pelos médicos. Em geral o foco dos profissionais estão nas doenças físicas associadas e não na dependência subjacente. A demora em se fazer o diagnóstico e estabelecer o tratamento pioram e prognóstico e propiciam uma idéia de que os pacientes dependentes de álcool raramente se recuperam. Quanto mais precoce o diagnóstico e o tratamento melhor as chances de melhora do paciente. O médico clínico deve estar apto a fazer o diagnóstico, tratar os casos de dependência leve e uso nocivo e encaminhar ao especialista os pacientes com dependência moderada e grave.
Beber de baixo risco Existe uma quantidade de ingestão de bebida alcoólica que pode ser considerada de baixo risco. Usamos a unidade de álcool, que é 10 g de álcool de puro, para medir o quanto uma pessoa ingere de bebida alcoólica. Uma lata de cerveja normalmente contém cerca de 350 ml, e a concentração é ao redor de 5%, ou seja, 17 g de álcool, ou 1,7 unidades de álcool. Uma dose de pinga com 50 ml com concentração ao redor de 50% teria o equivalente a 2,5 unidades. Um copo de vinho contem cerca de 1 unidade. Um homem adulto pode beber até 21 unidades de bebida alcoólica por semana, sendo no máximo 3 unidades por dia. Uma mulher adulta não grávida pode beber até 14 unidades por semana, não mais que 2 unidades por dia (FIGURA 1). A quantidade é diferente na mulher por conta da absorção maior, e da quantidade de gordura corporal proporcionalmente maior que o homem, o que aumenta a biodisponibilidade do álcool. Além desta quantidade a pessoa estaria colocando a sua saúde em risco.

Depessao e abuso e dependencia do alcool.pdf 

Depressão & Abuso e Dependência do Álcool (ADA)
Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira

Na prática clínica é muito comum observar que pacientes que abusam do álcool apresentam ao mesmo tempo sintomas de depressão, ansiedade e irritabilidade. É por isso que a literatura psiquiátrica já há muitos anos busca identificar as causas desta associação. Antes da década de oitenta, a maioria das explicações para este fenômeno baseava-se no fato de que deveria existir um quadro psicopatológico anterior ao abuso do álcool que estaria contribuindo para o desenvolvimento do beber excessivo. Nos últimos vinte anos no entanto as evidências, tanto de estudos laboratoriais, clínicos e epidemiológicos e de estudos longitudinais, tem demostrado que a maioria dos quadros psicopatológicos são decorrentes da intoxicação crônica pelo álcool. Ainda não existe um consenso sobre esta relação entre o consumo de álcool e psicopatologia mas com certeza ela é muito mais complexa do que inicialmente acreditávamos.
Uma parte desta complexidade advém do próprio efeito do álcool. Em baixas doses o álcool agudamente diminui a ansiedade. No entanto, quando a dose é aumentada, por um lado ainda apresenta um efeito de diminuição de ansiedade, mas por outro começa a aparecer um efeito rebote de aumento da ansiedade após o desaparecimento do efeito depressor do álcool. Pode-se argumentar que pelo menos alguns dos sintomas da ressaca que ocorre após algumas horas da intoxicação seria uma mini síndrome de abstinência, com o predomínio de sintomas de ansiedade, irritabilidade e insônia. Portanto, agudamente, o álcool pode diminuir a ansiedade ou provocar ansiedade dependendo da dose ingerida.

Drogas que moderam o apetite por alcool e nicotina.pdf 

Drogas que moderam o apetite por álcool e nicotina
Ronaldo Laranjeira

A área de dependência química passa por grandes modificações. Novos medicamentos tem sido propostos para ajudar as pessoas que queiram modificar seu comportamento em relação a algumas drogas. Com a aprovação pelo FDA (Food and Drug Administration) de dois medicamentos que ajudam as pessoas a pararem de beber e de fumar podemos nos perguntar quais seriam as bases biológicas que justificariam essa abordagem.
Esses últimos anos de pesquisa na área mostram que o cérebro de um dependente de drogas é qualitativamente diferente de um não usuário. Podemos dizer que agudamente as drogas têm um local de ação muito específico no cérebro. Por exemplo a cocaína age impedindo a recaptação de dopamina, os benzodiazepínicos agem por meio do GABA, o álcool agem por múltiplos neurotransmissores, etc. No entanto aparentemente na dependência de drogas existe um denominador neurobiológico comum que é um aumento da dopamina no núcleo accumbens e no sistema dopaminérgico mesolímbico. Essa região que é chamada de “Brain Reward System” estaria alterada na dependência de drogas.
Ao longo da evolução animal desenvolvemos uma região cerebral responsável pelo prazer. Isto foi importante pois os animais tendem a repetir aquilo que é prazeiroso e que também é responsável pela manutenção da espécie e do individuo. Alimentação, relações sexuais, abrigar-se do frio e das intempéries, etc todos são comportamentos que envolvem prazer e ao mesmo tempo são importantes para o animal. As drogas que produzem dependência agiriam neste mecanismo biológico do prazer pervertendo muito das escolhas do animal e do homem. Argumenta-se que como o “Brain Reward System” também envolve o cortex pré-frontal, muito dos pensamentos e ações de alguém dependente de uma droga estaria sendo determinado por essas alterações biológicas.

Dually Diagnosed.pdf 

Substance Abuse and Comorbid Medical and Psychiatric Disorders. Henry R. Kranzler and Bruce J. Rounsaville (Editors). Marcel Dekker, Inc.
A therapist’s guide to helping the substance abusing, psychologically disturbed patient.Dennis Ortman. Jason Aronson Inc

In the last decade several epidemiological studies, such as the Epidemiological Catchment Area (ECA), the National Comorbidity Survey (NCS) and the British Psychiatric Morbidity Survey, have shown an important association between mental disorder and psychoactive substance use. Clinicians have become increasingly concerned that many of these dually diagnoses patients do not fit very well into standard drug treatment or mental health services. As a consequence, comorbidity, or dual diagnosis, has become one of the most pressing issues facing psychiatrists, drug misuse specialists, researchers, policy makers and service providers. The solution to the problem has been to either create a psychiatric super-speciality to deal with these patients or to improve the ability of staff working in generic mental health and specialist drug services to recognise and manage the most prevalent and treatable comorbid disorders.

Emergencia e Alcool e drogas.pdf 

Emergencia e Alcool e drogas
Ronaldo Laranjeira
John Dunn
Marcelo Ribeiro de Araújo

As complicações relacionadas ao uso de álcool e drogas nas salas de emergências são um fato corrente na atualidade. A difusão, a diversificação e disponibilidade de substâncias psicoativas colocam o médico de plantão frente a quadros clínicos diversos e idiossincráticos, ora isolados, ora combinados, minimizados, exacerbados ou mascarados por outras situações (p.e. uso combinado de substâncias, doenças prévias ou injúrias decorrentes do uso)13.
O usuário de substâncias capazes de alterar os estados da mente está vulnerável a processos infecciosos, alterações metabólicas e acidentes, que por vezes mostram-se mais emergenciais do que a intoxicação ou a síndrome de abstinência per se. Por vezes combina substâncias de ação central semelhantes ou antagônicas, pode estar comprometido nutricionalmente ou suceptível a acidentes e a ambientes violentos. As intoxicações podem servir a propósitos suicidas ou funcionarem como ‘antídotos’ para indivíduos sofrendo de alguma patologia psiquiátrica.
É objetivo desse capítulo apresentar as principais complicações relacionadas às substâncias psicoativas mais comuns em nosso meio, seu quadro clínico, considerações sobre diagnósticos diferenciais e concomitantes, bem como as abordagens terapêuticas mais eficazes no tratamento dessas.

Emergencias em alcool e drogas.pdf

Álcool e drogas na sala de emergência
Ronaldo Laranjeira
Marcelo Ribeiro de Araújo
As complicações relacionadas ao uso de álcool e drogas nas salas de emergências são um fato corrente na atualidade. A difusão, a diversificação e o fácil acesso a substâncias psicoativas, antes regionalizadas e pouco conhecidas, fazem o médico de plantão de hoje deparar-se com quadros clínicos diversos, ora isolados, ora combinados, minimizados, exacerbados ou mascarados por outras situações (p.e. uso combinado de substâncias, doenças prévias ou injúrias decorrentes do uso).
O usuário de substâncias capazes de alterar os estados da mente possui comportamentos distintos e está vulnerável a processos infecciosos, alterações metabólicas e acidentes, que por vezes mostram-se mais emergenciais do que a intoxicação ou a síndrome de abstinência per se. Por vezes combina substâncias de ação central semelhantes ou antagônicas, pode estar comprometido nutricionalmente ou suceptível a acidentes e a ambientes violentos. As intoxicações podem servir a propósitos suicidas ou funcionarem como „antídotos‟ para indivíduos sofrendo de alguma patologia psiquiátrica.

Legaliza.pdf 

Legalização de drogas no Brasil: Em busca da racionalidade perdida
Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira, Ph.D.

Nos últimos meses temos assistido um intenso debate sobre a legalização de drogas no Brasil. A própria intensidade no qual este debate tem sido travado mostra que o assunto drogas produz um efeito no qual as pessoas sentem-se levadas a ter muitas certezas e a ficar de um lado ou de outro da legalização. Mostra também que o debate é profundamente ideológico e que após ouvirmos o lado favorável à legalização e o lado da proibição pura e simples, não ficamos nenhum pouco mais esclarecidos a respeito da melhor política a ser seguida. Quando somente um dos aspectos de uma política de drogas, ou seja o status legal de uma droga torna-se o assunto principal do debate é como se o rabo estivesse abanando o cachorrro e não o contrário. O objetivo deste artigo é (i) avaliar a racionalidade e a oportunidade deste debate como tem sido veiculado e (ii) tentar estabelecer pontes com outras drogas de abuso; (iii) avaliar os dados disponíveis sobre o efeito da legalização de uma droga; e (iv) propor uma alternativa de política de drogas que seja baseada em objetivos claros a serem alcançados.
A racionalidade da legalização de uma droga
Com a intensidade que o debate sobre as drogas gera poderiamos imaginar que a sociedade sempre tenha reagido de uma forma eficiente ao longo do tempo. Entretanto historicamente a sociedade não tem avaliado muito bem os riscos do uso de uma nova droga ou uma nova forma de uso de uma velha droga. Por exemplo, a partir do começo do século inovações tecnológicas fizeram a produção de cigarros ficar mais fácil, com a absorção da nicotina pelos novos cigarros muito mais eficaz do que a produção artezanal que ocorria anteriormente. Além disso o preço do cigarro caiu dramaticamente. Progressivamente houve um aumento no número de fumantes em todo o mundo e por muito anos os danos físicos associados ao cigarro não foram identificados. Muitos governos chegavam mesmo a estimular o consumo do fumo, estimulados pelos ganhos com impostos. Levou-se mais de quarenta anos para os países desenvolvidos identificassem os males causados pelo fumo de uma forma definitiva e outros vinte anos para implementar políticas que pudessem começar a reverter a situação. Esta lentidão em reconhecer danos em algumas situações sociais faz com que mudanças no status de qualquer droga, e principalmente quando um aumento de consumo seja uma das possibilidades deva ser encarada com extremo cuidado.

Maconha.pdf

Maconha
A) A Droga
O que é a maconha?

Conhecida também como marijuana, herva, entre outros a maconha é um produto de uma planta de nome Cannabis Sativa. Uma resina grudenta cobre as flores e as folhas superiores, principalmente na planta fêmea, e contém mais de 60 substâncias chamadas de canabinóides, no entanto a substância que produz os efeitos mentais desejados é o THC (delta-9-tetraidrocanabinol). Existem outros 400 substâncias químicas presentes na maconha, que não têm efeitos no cérebro, mas que produzem outros efeitos no corpo.
A  maconha é uma droga nova ?
O uso da maconha já era relatado há 12 000 anos atraz quando os gregos e os chineses usavam esta planta para fazer cordas utilizadas em navios. O seu uso como medicamento começou há 3000 anos como tratamento de constipação, malária, dores reumáticas e doenças femininas. Também o seu uso psicoativo era recomendado para melhorar o sono e estimular o apetite. No meio do século passado as propriedades antoconvulsivantes, analgésicas, antiansiedade e anti vômito foram notadas por vários médicos europeus. No entanto, no começo do século XX este uso da maconha como medicamento praticamente desapareceu do mundo ocidental com o aparecimentos das drogas sintéticas, muito mais seguras e eficazes. A partir daí o que predominou foi o uso como droga de abuso.
A concentração da maconha é sempre igual nas sua preparações ?
Não. O conteúdo da substância tiva da maconha (THC) varia bastante dependendo do clima, solo, plantação e tipo de planta. Existem evidências que nos últimos anos a concentração de THC vem aumentando. Nos anos sessenta a concentração encontrada na maconha apreendida era ao redor de 1.5%. Hoje em dia chega a 4%, podendo em algumas situações chegar a 20%. Em alguns países com a Holanda alguns produtores aparentemente produziram uma nova cepa da planta (“Netherweed”) com concentrações maiores do que 20%. Esta nova concentração da maconha
Hashishe também é maconha?
Hashishe também deriva da mesma planta, mas seria a maconha em outra forma. A maconha é preparada desses topos floridos secos e das folhas da planta colhida. Hashishe ou „hash‟ seria a resina da planta seca e as flores comprimidas. A diferença é que o hashishe é 5-10 vezes mais potente do que a maconha comum. Ainda há uma terceira forma popular que é o óleo de hash, altamente potente e viscoso, obtido pela extração do THC, do hashishe ou da maconha com um solvente orgânico, concentrando o extrato filtrado e às vezes, submetendo-o a futura purificação. No Brasil, a forma mais popular de consumo é mesmo a maconha.

Medical student.pdf 

Psychoactive Drug Use by Medical Students: a review of the
national and international literature.
In recent years, the problem of non-medical use of psychoactive drugs by medical students and doctors, has become an area of growing interest and concern to researchers, educational institutions and medical associations (6; 22; 23; 27; 32; 34; 42; 44). Doctors themselves can be seen as occupying diametrically opposite, and at times conflicting, positions in relation to substance misuse: one the one hand they have a higher prevalence of drug misuse, but on the other have a pivotal role to play in the early detection of drug misuse among colleagues and and the referral of these colleagues to appropriate services (13; 14; 19; 28).The aims of this review are three-fold. Firstly to evaluate the published data on drug misuse among Brazilian medical students; secondly to compare these findings with studies from other countries; and finally to look at how interventions aimed at identifying and treating this problem might be developed.

Mitos e realidades sobre o Alcoolismo.pdf 

Mitos e realidades sobre o alcoolismo
Ronaldo Laranjeira e Ilana Pinsky

O alcoolismo é um grave problema de saúde pública no Brasil, assim como em grande número de outros países.

Motivacao Para O Tratamento Do Alcoolismo.pdf 

Motivação para o tratamento do alcoolismo
Neliana Buzi Figlie
Para pacientes que desenvolveram doenças físicas relacionadas ao consumo de álcool, a abstinência de bebidas alcoólicas pode oferecer a melhor chance de sobrevivência. Entretanto, se alguns subestimarem a severidade dos problemas, ou não acreditarem que o comportamento de beber possa exacerbar sua condição, terão maior dificuldade em manter a abstinência.
Um levantamento inicial realizado no Hospital São Paulo da Universidade Federal de São Paulo com 394 pacientes internados, mediu a freqüência do consumo nocivo de álcool e encontrou 22% dos homens internados e 3% das mulheres com escore positivo no AUDIT (The Alcohol Use Disorders Identification Test). A prevalência mais alta foi na enfermaria de gastroenterologia (27%). Esse dado contribuiu para o estudo de maiores informações sobre a motivação para a modificação do comportamento de beber nos pacientes portadores de doenças gástricas.
Os objetivos principais desse estudo de corte transversal foram: 1. investigar a motivação para tratamento em dois grupos de dependentes de álcool, sendo 151 pacientes do ambulatório de gastroenterologia e 175 do ambulatório especializado no tratamento para alcoolismo; 2. estudar as propriedades psicométricas dos instrumentos que medem a motivação para tratamento do alcoolismo pela análise confirmatória fatorial.
A entrevista foi conduzida nos ambulatórios na primeira consulta ao serviço em hospital escola da Universidade Federal de São Paulo e consistiu em uma seção com dados demográficos e as escalas a seguir: Short Form Health Survey (SF-36); Alcohol Dependence Data Questionnaire (SADD); Fagerström Test for Nicotine Dependence (FTND); Padrão de consumo de álcool e drogas; University of Rhode Island Change Assessment Scale (URICA); The Stages Readiness and Treatment Eagerness Scale (SOCRATES); The Drinker Inventory of Consequences (DrInc).

Motivacao Senad.pdf 

ENTREVISTA MOTIVACIONAL: BASES TEÓRICAS E PRÁTICAS
Flávia S. Jungerman: Psicóloga clínica e pesquisadora da UNIAD – Unidade de Pesquisas em Álcool e drogas – UNIFESP.
Ronaldo Laranjeira: Psiquiatra e coordenador da UNIAD – Unidade de Pesquisas em Álcool e drogas – UNIFESP.

O conceito de motivação tem recebido uma atenção grande na área das dependências. A técnica denominada Entrevista Motivacional (EM) postula que a aderência do dependente ao tratamento depende de sua motivação, mas sabemos que a motivação pode sofrer modificações ao longo do tratamento.
Costuma-se dizer que a motivação do ser humano pode ser avaliada por uma série de comportamentos, tais como:
Concordância com o terapeuta;
Aceitação do diagnóstico deste (isto é, admitir a dependência de uma droga);
Expressão de vontade de mudar ou de ser ajudado;
Exposição do incomôdo com sua situação pessoal e seguir os conselhos do terapeuta.
De forma oposta, estar „desmotivado‟ (em negação ou resistente) é apresentar os comportamentos contrários, portanto:o discordar do terapeuta é estar „em negação‟;
o concordar é „insight‟.
A questão é que se julga motivação pelo que o paciente diz e a preocupação nesta nova abordagem seria o que o paciente faz, já que o que o paciente expressa não é garantia de que ele fará o que verbalizou. Assumir um diagnóstico não prediz o sucesso de tratamento, pois muitos dependentes dizem que o fazem, mas não mudam. Há outros pacientes que não se categorizam, mas conseguem mudar de atitude. Não é incomum as pessoas dizerem algo e fazerem diferente.

Organizacao de Servicos.pdf 

Organização de Serviços para o Tratamento dos Problemas Relacionados com Álcool e outras Drogas no Departamento de Psiquiatria da FCMSC
A organização dos serviços que tratam de pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas evoluiu muito nos últimos quinze anos. Longe estão os dias nos quais os serviços eram baseados exclusivamente em uma só filosofia de tratamento como os alcoolatras anônimos ou psicanálise, onde pensava-se que as pessoas dependentes eram muito semelhantes entre sí e que poderiam beneficiar-se de um tratamento único. Atualmente busca-se uma diversidade de serviços que possa dar conta da grande heterogeneidade dos pacientes que buscam tratamento. O objetivo desta introdução é fazer um breve histórico do conceito de dependência de álcool e drogas e esclarecer como a evolução deste conceito afetou a forma como organizamos os serviços nos dias de hoje.
O que é depêndencia ?
A história dos conceitos clínicos de beber em excesso tem mais de dois séculos. Se por um lado a humanidade bebe desde os tempos bíblicos foi sómente a partir da revolução industrial na Inglaterra que o beber transformou-se num problema médico. Este fato deveu-se principalmente a uma maior oferta de álcool devido a uma produção mais eficiente o que ocasionou uma diminuição do preco principalmente na forma de destilados (gin). A partir dai os médicos comecaram a observar um número cada vez maior de pessoas que bebiam muito. Durante o século XIX conceitos como dipsomania e alcoolismo crônico surgiram na Europa. No comeco do século XX, a influência dos Alcoólicos Anônimos nos EUA consolidou a idéia de alcoolismo como uma doença que seria caracterizada principalmente pela perda do controle do beber. O grande problema dessas idéias é que consideravam alcoolismo como uma condição de tudo ou nada, ou alguém era ou não era alcoolatra. A consequência dessa idéia de doença é que existiria um tratamento único que poderia ser útil para todos os alcoolatras. Progressivamente as pesquisas científicas não corroboraram essa idéia e atualmente os grupos de auto ajuda baseados nos AA, embora úteis em qualquer organização de serviços, são apenas uma das inúmeras estratégias utilizadas.
Atualmente o conceito adotado pela OMS é o da Síndrome de Dependência do Álcool (SDA). A diferença em relação aos conceitos anteriores é que dependência deveria ser visto como uma condição que variaria ao longo de um continuum de severidade. Alguém poderia ser pouco, moderado ou muito dependente. À semelhança, por exemplo, da ansiedade, pois não basta sabermos se alguém é ansioso, o importante é identificarmos a intensidade da condição para decidirmos o melhor tratamento. Dependência seria um comportamento apreendido, um desenvolvimento de uma série de ações e influências que contribuiriam para este estado. A tabela 1 apresenta os sete sintomas que estariam presentes na SDA.

Contra a descriminalização da Maconha por Ronaldo  Laranjeira.pdf 

Contra a Descriminalização da maconha
Por Ronaldo Laranjeira

Em busca da racionalidade perdida
Nos últimos anos temos assistido a um intenso debate sobre a legalização de drogas no Brasil. A própria intensidade com que esse debate tem sido travado mostra que o assunto drogas produz um efeito nas pessoas, que se sentem levadas a ter muitas certezas e a ficar de um lado ou de outro da legalização. Mostra também que o debate é profundamente ideológico e que, após ouvirmos os lados favoráveis à legalização e à proibição pura e simples, não ficamos mais esclarecidos a respeito da melhor política a ser seguida. Quando somente um dos aspectos de uma política de drogas, ou seja, o status legal de uma droga, torna-se o assunto principal do debate, é como se o rabo estivesse abanando o cachorro e não o contrário.
O objetivo deste tópico é:
1) avaliar a racionalidade e a oportunidade desse debate como tem sido veiculado;
2) tentar estabelecer pontes com outras drogas de abuso;
3) avaliar os dados disponíveis sobre o efeito da legalização de uma droga;
4) propor uma alternativa de política de drogas baseada em objetivos claros a serem alcançados.
A racionalidade da legalização de uma droga
A intensidade do debate sobre as drogas pode dar a impressão de que a sociedade sempre reagiu de uma forma eficiente ao longo do tempo. Entretanto, historicamente a sociedade não tem avaliado muito bem os riscos do uso de uma nova droga ou uma nova forma de uso de uma velha droga. Por exemplo, a partir do começo do século XX, inovações tecnológicas simplificaram a produção dos cigarros e fizeram com que a absorção da nicotina se tornasse muito mais eficaz do que ocorria quando a produção era artesanal. Além disso, o preço do cigarro caiu drasticamente. Progressivamente, houve um aumento no número de fumantes em todo o mundo e por muitos anos os danos físicos associados ao cigarro não foram identificados. Muitos governos chegavam a estimular o consumo do fumo, motivados pela arrecadação com impostos. Foram necessários mais de quarenta anos para que os países desenvolvidos identificassem os males causados pelo fumo de uma forma definitiva e outros vinte anos para que implementassem políticas que pudessem começar a reverter a situação. Essa lentidão no reconhecimento dos danos em algumas situações sociais demonstra que mudanças no status de qualquer droga, principalmente quando o aumento de consumo for uma das possibilidades, devem ser encaradas com extremo cuidado.

Tabela emergencia.pdf 

tabela 1: Principais complicações decorrentes do uso crônico e intenso de álcool5
* aparelho gastro-intestinal hepatopatias(esteatose e cirrose hepáticas, hepatite)pancreatite crônica
gastrite úlcera neoplasias(boca, língua, esôfago, estômago, fígado, …)
* aparelho circulatório Cardiomiopatias hipertensão arterial sistêmica
* sangue anemias (especialmente a anemia megaloblástica) diminuição na contagem de leucócitos
* sistema nervoso periférico Neuropatia periférica
* aparelho sexual Impotência (homens) alt. menstruais e infertilidade (mulheres)
tabela 2: Os níveis plasmáticos de álcool (mg%) e a fenomenologia relacionada 5,10,13 (*)
0,03 euforia/excitação alterações leves da atenção
0,05 alterações leves de coordenação
0,1 ataxia diminuição da concentração náuseas e vômitos
0,2 hipotermia disartria amnésia
> 0,4(**) anestesia coma(***) morte
(*) A velocidade da ingesta, ingestão prévia de alimentos, fatores ambientais e o desenvolvimento de tolerância aos efeitos do álcool interferem nessa relação.
(**) Entre 0,6 e 0,8 mg% a intoxicação alcóolica é frequentemente fatal13
(***) Quadro clínico habitual: hipotermia, FR superficial, reflexos diminuídos ou aumentados, palidez cutânea, retenção ou incontinência urinária, … 13

Alcool e a Psiquiatria.pdf 

Apresentção– Suplemento – Álcool e a Psiquiatria
Álcool: Da saúde pública à comorbidade psiquiátrica
Alcohol: From public health to psychiatric comorbidity
Ronaldo Laranjeira

A história das respostas das sociedades em relação ao álcool confunde-se com a história da psiquiatria. Basta lembrar que Benjamin Rush, um dos pais da psiquiatria americana foi ao mesmo tempo um dos mentores do começo da resposta da sociedade americana em relação ao álcool. Já no final do século XVIII ele notava que mais de 35% dos pacientes internados nos hospitais psiquiátricos americanos estavam lá devido ao consumo excessivo de álcool. A sua sugestão para amenizar o problema já contemplava medidas de controle ambiental como restrições ao número de pontos de venda de álcool e controle do preço de bebidas. Essas idéias influenciaram sobremaneira a resposta dessa sociedade e repercute até os dias de hoje.
Infelizmente no Brasil não temos uma história tão rica para contar. Ainda pagamos um alto preço pelo descontrole social em relação ao álcool. Vivemos sob vários pontos de vistas em situação semelhante ao que vivia os EUA há mais de dois séculos. Temos cerca de 50% das internações psiquiátricas masculinas devido ao álcool, e uma série de problemas sociais como violência, associado ao álcool. O nosso descontrole pode ser visto em alguns dados: 1 – um litro de pinta custa, na maioria dos lugares, menos de meio dólar (nenhum país desenvolvido tem uma bebida destilada nem mesmo próxima de dez dólares); 2 – pode-se comprar bebidas alcoólicas em qualquer lugar, qualquer hora e por qualquer pessoa e qualquer idade (todos os países desenvolvidos têm critérios bem definidos sobre quando, onde o por quem o álcool pode ser consumido); 3 – a propaganda televisiva no país é muito agressiva e visa claramente ampliar o mercado entre as crianças e adolescentes (em nenhum país desenvolvido admitiria-se a propaganda do “experimenta, experimenta”).
Esse suplemento da RBP visa mostrar o quanto a psiquiatria brasileira caminhou nesses últimos anos em relação ao álcool. Uma nova geração de psiquiatras inspirados por vários centros de excelência no Brasil e com formação no exteriorestão fazendo uma grande diferença no debate sobre as melhores políticas a serem desenvolvidas. Um bom exemplo é a publicação do primeiro consenso brasileiro sobre políticas públicas em relação ao álcool. Obra de várias organizações profissionais (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, Departamento de Dependência Química da ABP, e departamentos de psiquiatria de universidades de vários estados brasileiros) esse consenso visou discutir as políticas com melhores evidências científicas para serem implementadas no médio prazo no nosso país. Essas políticas já são analisadas e discutidas na literatura técnica há mais de 30 anos, num projeto financiado pela Organização Mundial de Saúde. O consenso brasileiro baseou-se no último livro dessa série publicado recentemente (1) e é uma excelente lista de ações que irão inevitavelmente serem implementadas em qualquer sociedade civilizada que queira diminuir o custo social do álcool.

Alcool e comorbidade.pdf 

Comorbidade: uso de álcool e outros transtornos psiquiátricos
Comorbidity: alcohol use and other psychiatric disorders
Hamer Alvesa, Felix Kesslerb, Lilian Ribeiro Caldas Rattoc

A ocorrência de uma patologia qualquer em um indivíduo já portador de outra doença, com a possibilidade de potencialização recíproca entre estas é conhecida como comorbidade. O surgimento de uma doença adicional é capaz de alterar a sintomatologia, interferindo no diagnóstico, tratamento e prognóstico de ambas.
No que se refere aos transtornos mentais, é comum que os relacionados ao consumo de álcool coexistam com outras doenças psiquiátricas. De um modo geral, o uso mesmo que em pequenas doses de bebidas alcoólicas pode gerar conseqüências mais sérias que as vistas em pacientes sem comorbidade.1,2
A incidência desses transtornos parece estar aumentando nas últimas décadas. Este achado pode estar relacionado à priorização dos cuidados de saúde mental na comunidade: o fechamento de hospitais psiquiátricos, a priorização de tratamento ambulatorial e o aumento da disponibilidade do álcool.3,4 No entanto, é possível que essa incidência se deva somente à melhora das condições clínicas para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com transtornos mentais. Acredita-se que, em algum período de suas vidas, em torno de 50% dos pacientes com transtornos mentais graves desenvolvem problemas relativos ao consumo de álcool/drogas.
Estudos demonstram que pacientes com comorbidade, principalmente aqueles com transtornos psiquiátricos graves, apresentam maiores taxas de agressividade, detenção por atos ilegais, suicídio, recaídas, gastos com tratamento, falta de moradia, re-internações, têm maiores períodos de hospitalização e utilizam mais os serviços médicos. A evolução social destes pacientes tende a ser pior, causando maior impacto financeiro e sobre a saúde do cuidador.6,7,8

Aspectos neurofarmacologicos.pdf 

Aspectos neurofarmacológicos do uso crônico e da síndrome de abstinência do álcool
Neuropharmacological aspects of chronic alcohol use and withdrawal syndrome
Marcos Zaleskia, Gina Struffaldi Moratob, Vilma Aparecida da Silvac e Tadeu Lemosd

O objetivo deste artigo é o de revisar e descrever as principais alterações neurofarmacológicas causadas pela exposição crônica ao álcool, assim como os fenômenos ocorridos durante o período de abstinência. São apresentados dados referentes às alterações neuroadaptativas e de tolerância ocorridas nos principais sistemas de monoaminas, aminoácidos neurotransmissores e canais de cálcio, o que está relacionado a uma piora no prognóstico de portadores de comorbidades psiquiátricas com o consumo de álcool. São também descritos alguns estudos relevantes que demonstram o envolvimento de outros mecanismos de ação do álcool no sistema nervoso central, como o envolvimento de opióides, entre outras substâncias. O artigo reafirma a importância, para clínicos e pesquisadores, de um sempre maior entendimento do mecanismo de ação central do álcool, pois dele depende a busca por novas opções farmacológicas tanto para a redução dos danos provocados pelo seu uso crônico, como para o tratamento da síndrome de abstinência a esta substância.
Descritores: Álcool. Tolerância a drogas. Síndrome de abstinência a substâncias.
Neurotransmissores.

Avaliacao Neurocognitiva.pdf

Avaliação neurocognitiva no abuso e depêndencia do álcool: Implicações para o tratamento*
Neurocognitive assessment in Alcohol  abuse  and  dependence: implications for treatment
Autores: Paulo J. Cunha1; Maria Alice Novaes2 

A Neuropsicologia aplicada ao abuso e dependência do álcool busca a compreensão da relação entre danos cerebrais, seus efeitos na cognição e no comportamento do indivíduo; estuda ainda os comprometimentos neurocognitivos dos pacientes, relacionando-os a achados estruturais e funcionais de neuroimagem. No uso agudo, o álcool tende a comprometer a atenção, memória, funções executivas e viso-espaciais, enquanto que no uso crônico, altera a memória, aprendizagem, análise e síntese viso-espacial, velocidade psicomotora, funções executivas e tomada de decisões, podendo chegar a transtornos persistentes de memória e demência alcoólica. Os déficits cognitivos encontrados nos dependentes de álcool, principalmente das funções executivas (frontais), têm implicação direta no tratamento, tanto para a escolha de estratégias a serem adotadas como para a análise do prognóstico. Acredita-se que a Avaliação Neuropsicológica pode ser um instrumento muito importante para a detecção e avaliação da progressão destas alterações, e que a Reabilitação Cognitiva tem papel relevante na recuperação dos déficits e reinserção psicossocial destes pacientes.
Descritores: álcool, abuso de substâncias, avaliação neurocognitiva, tratamento, testes neuropsicológicos.
O uso do álcool está cada vez mais prevalente em nossa sociedade e permanece associado a inúmeros problemas sociais, econômicos e de saúde. Considerando que o álcool é uma substância neurotóxica, é comum a ocorrência, nos pacientes, de problemas cerebrais, que têm sido comprovados através das técnicas de neuroimagem,1,2,3 não apenas nos primeiros dias de abstinência, mas também meses depois do último uso da substância.1
A Neuropsicologia, por sua vez, é uma subárea das Neurociências, exercida por psicólogos, que busca a compreensão da relação entre os danos cerebrais e efeitos na cognição e comportamento dos indivíduos.4 Na área de abuso de álcool, tem o compromisso de descrever as alterações cognitivas, comportamentais e emocionais, bem como a qualidade do funcionamento mental, realizar a análise de potenciais, prever o curso da recuperação e estimar o funcionamento pré-mórbido (anterior) dos usuários da substância.5,6 É ainda do âmbito da Neuropsicologia a realização de atividades que visem à recuperação ou amenização dos déficits neurocognitivos encontrados nos pacientes, processo conhecido como Reabilitação Cognitiva.

Complicacoes psiquiatricas.pdf

Complicações psiquiátricas do uso crônico do álcool: síndrome de abstinência e outras doenças psiquiátricas.
Psychiatric complications of alcoholism: alcohol withdrawal syndrome and other psychiatric disorders.
Cláudia Maciel
Florence Kerr-Corrêa

A síndrome de abstinência alcoólica (SAA) é responsável por um aumento significativo na morbidade e mortalidade associadas ao consumo de álcool e é um dos critérios diagnósticos da síndrome de dependência de álcool. Caracteriza-se por sinais e sintomas decorrentes de uma interrupção total ou parcial de consumo de bebidas alcoólicas em dependentes que apresentam um consumo prévio significativo. Esses sinais e sintomas não são específicos somente da síndrome de abstinência alcoólica, podendo estar presentes em outras síndromes de abstinência (por benzodizepínicos, por exemplo). São, ainda, insidiosos e pouco específicos, o que torna seu reconhecimento e avaliação processos complexos; variam quanto à intensidade e gravidade, podendo aparecer, como dito, após uma redução parcial ou total da dose usualmente utilizada. Os sinais e sintomas mais comuns da SAA são, entre outros, agitação, ansiedade, alterações de humor (disforia), tremores, náuseas, vômitos, taquicardia e hipertensão arterial.
Este artigo tem por objetivo descrever as principais complicações secundárias a SAA bem com o seu tratamento. Algumas delas são bastante comuns (convulsões e alucinações); outras, mais graves e menos comuns (delirium tremens). Além disso, descreve e propõe o tratamento de outras complicações associadas ao dependência de álcool como o síndrome de Wernicke Korsakoff e o de Marchiava Bignami)12.
Convulsões
Quadros convulsivos secundários ao abuso/dependência de álcool não são raros, bem como não é incomum a piora do controle de convulsões em pacientes com história prévia de convulsões (idiopáticas ou não)10. As convulsões secundárias a quadros de abstinência alcoólica são, geralmente, do tipo tônico-clônicas (ou “grande mal”), únicas, e incidem nas
primeiras 48 horas (com pico entre 13 e 24 horas) após a suspensão ou redução do consumo de álcool. Entretanto, sintomas focais podem aparecer em cerca de 5% dos quadros convulsivos secundários à abstinência alcoólica. Quase sempre, o aparecimento de convulsões está associado a quadros mais graves de abstinência alcoólica, e grande parte dos pacientes que não são tratados adequadamente evolui para delirium tremens

Consenso.pdf 

Consenso Brasileiro sobre Políticas Públicas do Álcool
Brazilian Consensus on Public Policies on Alcohol
Ronaldo Laranjeira

Marcos Romano
Apesar de mais de um século de experimentações políticas com um espectro de opções (diferentes) bastante amplo, ainda muitas vezes o que vêm à mente, quando se fala em políticas do álcool, são as experiências de proibição total que ocorreram em alguns países no início do século passado. EUA, Canadá, Noruega, Islândia, Finlândia e Rússia proibiram a produção e a venda de todas ou de quase todas as bebidas alcoólicas a partir de 19141. Entre os anos de 1920 e de 1930 tais leis foram revogadas e substituídas por políticas regulatórias mais brandas. Mas enxergar as políticas do álcool através da perspectiva restrita da proibição total, entretanto, é negligenciar o fato de que muitas políticas elaboradas durante o século passado incrementaram e respeitaram o direito de beber com moderação.
Nos últimos 30 anos a OMS coordenou um projeto que visou analisar as evidências disponíveis sobre as políticas públicas em relação ao álcool, e resultou em dois livros fundamentais: Políticas de controle do álcool em uma perspectiva de saúde pública2, e Política do álcool e o bem comum3. As conclusões foram as seguintes:
1. A pesquisa estabelece, sem margem à dúvida, que existem medidas de eficácia comprovada para reduzir os custos e os danos relacionados ao uso de álcool, visando ao bem comum.
2. É possível desenvolver estratégias que influenciam tanto a quantidade de álcool consumida por uma comunidade quanto os comportamentos de consumo e os contextos de alto risco causadores dos problemas relacionados ao consumo de álcool.
Recentemente, dando continuidade à tradição de colaboração entre a OMS e pesquisadores da área, houve o lançamento de um terceiro livro, Alcohol: no ordinary commodity4. Seus autores o escreveram por três razões:
1. Pesquisas epidemiológicas revelam mudanças na forma como o álcool afeta a saúde e o bem-estar social da população em diferentes regiões do mundo. A população de países em desenvolvimento é atingida de forma crescente e peculiar por problemas relacionados ao consumo do álcool.
2. Governos locais e nacionais têm se responsabilizado de forma crescente por elaborar políticas de saúde apropriadas para combater esses problemas, incluindo programas de prevenção e tratamento.
3. Existem atualmente evidências científicas sólidas que fundamentam tais políticas, oferecendo uma oportunidade única aos formuladores de políticas públicas.

Da cervejinha com os amigos a dependencia de alcool.pdf 

Da cervejinha com os amigos à dependência de álcool: uma síntese do que sabemos sobre esse percurso
From one beer with friends to alcohol dependence: a synthesis about our knowledge of this path
Sérgio de Paula Ramos, Doutor em Psiquiatria
Arnaldo Broll Woitowitz, Consultor em dependência química

Se for considerada a abstinência de álcool como único parâmetro de avaliação da eficácia dos tratamentos para alcoolistas, a conclusão é que estes não melhoraram nos últimos 25 anos. De fato, as taxas de abstinência, em seguimentos bem controlados de 1 ano, insistem em permanecer abaixo de 20%1,2. Esta modesta taxa de sucesso, per se, justifica o continuado esforço para melhor compreender a síndrome de dependência do álcool, sua história natural, bem como a etiologia desses transtornos.
No mundo ocidental é fato que cerca de 90% da população adulta consome algum tipo de bebida alcoólica. Também é fato que entre os bebedores 10% irá apresentar um uso nocivo de álcool e outros 10% se tornará dependente, o que vale dizer que em cada 5 bebedores 1 terá um agravo de saúde por ingerir bebida alcoólica3. Os estudos etiológicos tentam discriminar o que este bebedor tem de diferente dos demais, pois enquanto aqueles têm apenas prazer com o consumo de bebidas alcoólicas, às quais, inclusive, podem lhes prover um certo efeito protetor de inúmeras afecções clínicas, este se torna, com o tempo, portador de uma das enfermidades mais desgastante do ponto de vista da saúde, tanto sua quanto de sua família.
No entanto, enquanto os estudos etiológicos não nos alimentam de ferramentas terapêuticas que ampliem nossa eficácia, o exame do percurso feito por algumas pessoas do beber moderado à dependência de álcool, pode cumprir esse papel. Por isso, o objetivo da presente revisão será fazer uma síntese do conhecimento atual sobre a história natural que por vezes leva o bebedor moderado à dependência do álcool, bem como suas principais implicações terapêuticas. Jellinek, Cahalan, Edwards, Miller, Babor, mas principalmente Vaillant, autor de 3 dos mais consistentes trabalhos sobre o tema serão os autores enfatizados.

Epidemio.pdf

Epidemologia do uso de álcool no Brasil
José Carlos F. Galduróz* e Raul Caetano**
Epidemiology of alcohol use in Brazil

Os autores descrevem os trabalhos epidemiológicos sobre o álcool, mais recentes e significativos, conduzidos no Brasil nos últimos anos.
A epidemiologia é “o estudo da distribuição dos estados ou acontecimentos relacionados à saúde de uma dada população” (1). Na questão específica do álcool, a epidemiologia diz respeito ao estudo do número de casos de usuários e/ou dependentes, além de problemas relacionados ao seu uso. Este artigo traça o panorama geral sobre o álcool e o alcoolismo, no Brasil, abrangendo as seguintes areas: Levantamentos da populacao geral, entre estudantes, meninos de rua e indicadores estatísticos.
I. A – Os Levantamentos Populacionais Gerais
Os estudos epidemiológicos mais abrangentes de uso de álcool na população geral foram os realizados pelo CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Galduróz et al. (2000) [2] pesquisaram as 24 maiores cidades do Estado de São Paulo, num total de 2.411 entrevistas estimando que 6,6% da população estavam dependentes do álcool. Dois anos depois, a mesma população foi pesquisada novamente e constatou-se um aumento estatisticamente significativo para 9,4% de dependentes (3). Outro amplo estudo domiciliar englobou as 107 cidades com mais de 200 mil habitantes correspondendo a 47.045.907 habitantes, ou seja, 27,7% do total do Brasil. A amostra totalizou 8.589 entrevistados (4). Os principais resultados sobre o álcool podem ser vistos nas Tabelas 1 e 2. O uso na vida de álcool na populacao total foi de 68,7%,. Essa proporçao se mantém mais ou menos estável para as diferentes faixas etárias, lembrando que entre os 12-17 anos, 48,3% dos entrevistado já usaram bebidas alcoólicas.
A prevalencia da dependência de álcool foi de 11,2%, sendo de 17,1% para o sexo masculino e 5,7% para o feminino. A prevalência de dependentes foi mais alta nas regiões Norte e Nordeste, com porcentagens acima dos 16%. Fato mais preocupante é a constatação de
que no Brasil houve 5,2% de adolescentes (12 a 17 anos de idade) dependentes do álcool. No Norte e Nordeste essas porcentagens ficaram próximas aos 9%.

Farmacoterapia.pdf 

Tratamento Farmacológico da
Dependência do Álcool
The pharmacologic treatment of the alcohol dependence

Dr. Luís AndréCastro
Dr. Danilo Antonio Baltieri

O uso inadequado de bebidas alcoólicas representa um sério problema de saúde pública em todo o mundo, o que tem fomentado inúmeras investigações buscando uma melhor compreensão dos problemas relacionados ao consumo de etanol e das suas formas de tratamento. Sabendo-se que cerca da metade dos pacientes com Síndrome de Dependência de Álcool recaem após curto período de desintoxicação e que estudos em neurociências estão implicando novos sistemas de neurotransmissores, tais como os envolvidos com estruturas mesocorticolímbicas, na sua fisiopatologia, o desenvolvimento de novos modelos farmacológicos de tratamento tem-se tornado área de interesse crescente em todo o mundo.
B. Intervenções Farmacológicas.
Durante vários anos, as intervenções farmacológicas (IF) ficaram restritas ao tratamento da síndrome de abstinência do álcool (SAA) e ao uso de drogas aversivas. Nos últimos 10 anos, o naltrexone e o acamprosato foram propostos para o tratamento da Síndrome de Dependência do Álcool como importantes intervenções adjuvantes ao tratamento psicossocial. Mais recentemente, o ondansetrom e o topiramato, têm surgido como promissoras estratégias terapêuticas, estando em fase de aprovação1,2. Esta revisão de literatura abordará as IF atualmente disponíveis no tratamento da dependência de álcool, focalizando-se sobre temas de relevância clínica para os profissionais que atuam na assistência desses pacientes.

Figura 1 – NEURO.pdf

Alterações neurofarmacológicas do uso crônico e da síndrome de abstinência do álcool – S A A

Gerenciamento de Caso.pdf

Gerenciamento de Caso Aplicado ao Tratamento da Dependência do Álcool
Figlie, N.B.
Ronaldo Laranjeira

Evidências sugerem que o gerenciamento de caso, ou no inglês, “case management”, têm sido uma poderosa intervenção para assistir pessoas que possuem problemas psicossocias, incluindo doenças mentais crônicas, idade avançada e distúrbios emocionais infantis 1, 2, 3 . Mais recentemente, este tipo de abordagem tem sido adaptado ao trabalho com dependência química 4, 5.
Em linhas gerais, o gerenciamento de caso pode ser definido como um conjunto de intervenções que visam facilitar o desfecho no tratamento. Algumas das funções relevantes dentro deste contexto são: 1) Identificar as necessidades específicas, determinando os pontos fortes e fracos, bem como as necessidades do cliente; 2) Planejar, desenvolvendo uma proposta específica para cada cliente; 3) Estabelecer uma conexão com outros serviços, seja na rede formal ou informal de serviços de saúde; 4) Monitorar e avaliar o caso, visualizando os progressos obtidos; 5) Facilitar o amparo legal em caso de necessidade 6,7,8. Embora estas funções tenham sido largamente aceitas em serviços de saúde, não existe um consenso operacional das definições destas funções 9. Estas funções descrevem o que os gerentes de caso fazem, mas não como eles fazem, uma vez que não podemos descartar a influência de variáveis como: objetivos do serviço, tipo de serviço, população-alvo, características sócio-demográficas, entre outras que dificultariam a normatização de um consenso sobre o “como fazer”.
O gerenciamento de caso popularizou-se sem um protocolo específico, uma vez que o gerenciamento depende da diversidade de adaptações às circunstâncias locais e culturais. No entanto, este artigo se propõe a discutir os desafios práticos da implementação do gerenciamento de caso aplicado ao tratamento de dependentes de álcool.

Intervencao breve.pdf 

Intervenções Breves para Problemas Relacionados ao Álcool
Brief Interventions for Alcohol Related Problems
Ana Cecília Petta Roselli Marques(a) & Erikson Felipe Furtado(b)

Este artigo apresenta os conceitos e pressupostos básicos necessários à compreensão das Intervenções Breves (IBs), com uma revisão da literatura sobre sua efetividade e uma discussão sobre as IBs no Brasil.
Os pressupostos teóricos são discutidos, assim como o quadro conceitual representado pelo acrônimo FRAMES, originado pela composição da primeira letra das palavras inglesas: – Feedback; – Responsibility; – Advice; – Menu; – Empathic e, Self-efficacy. São discutidos os resultados dos estudos de revisão sistemática e meta-análise que investigaram a efetividade das IBs e é apresentado um quadro esquemático dos principais resultados. Finalmente, discute-se a história recente da introdução das IBs no Brasil. Enfatiza-se a importância do treinamento de profissionais de saúde e a adoção das IBs nos diferentes contextos assistenciais, considerando sua efetividade comprovada e sua viabilidade econômica.
Descritores: abuso de substâncias – terapia – métodos – estudos de intervenção – redução de dano – prevenção & controle – comportamento de redução do risco – aconselhamento

O custo social do alcool.pdf

Custo social e em saúde do consumo do álcool
José Nino Meloni
Ronaldo Laranjeira

Por serem agentes privilegiados no processo de formulação das políticas públicas, os profissionais de saúde em geral e especificamente os psiquiatras, devem valer-se de informações que ultrapassem o alcance do saber que lhes sustenta a clínica, quais sejam, as evidências que lhes são úteis para o tratamento dos dependentes do álcool. É de suma importância que esses profissionais tenham em consideração, que o consumo do álcool determina enorme custo social, ao mesmo tempo em que exerce grande peso como causa de problemas à saúde.
Usando como base uma revisão recente da Organização Mundial de Saúde, a partir de um amplo estudo realizado no ano de 2000 (1), este artigo expõe dados atualizados sobre os problemas relacionados ao consumo do álcool no mundo, dando ênfase aos escassos, porém contundentes dados brasileiros. Para além da mera descrição de métodos e resultados, o que se visa é a demonstração, por meio de evidências consistentes, de uma estimativa do alto custo acarretado pelo álcool à sociedade. Tais evidências representam a dianteira de esforços de pesquisa internacionais e nacionais.
A despeito das imensas dificuldades metodológicas suscitadas pelo tema, os subtítulos desse artigo simplesmente retratam a busca sistemática de evidências, na população global, acerca do quanto se bebe, como se bebe, que problemas sociais isso traz, quanto se adoece e se morre em decorrência do beber, ou seja, qual é o impacto dos danos relacionados ao consumo do álcool.
Essa análise inclui duas dimensões de problemas consideradas indissociáveis, uma vez que sempre ocorrem simultaneamente: o Dano Social Global (The Global Burden of Social Harm) e o Peso Global dos Danos à Saúde ( The Global Burden of Disease).De uma maneira geral os resultados para cada variável considerada, bem como as conclusões finais, atestam as teses de Edwards (2), as quais indicam, que do ponto de vista da prevenção, não é suficiente saber que o consumo excessivo de álcool geralmente aumenta o risco individual para ocorrência de problemas. Os índices de problemas na população variam conforme a cultura, as camadas sociais e dentro de cada cultura ao longo do tempo. Ademais, o peso de problemas sociais e de saúde recai não apenas sobre aqueles que bebem excessivamente, fato bem ilustrado em publicações clássicas e recentes (3). Qualificar a força da relação existente entre o consumo do álcool e o surgimento de problemas, fornece instrumentos para a tomada de decisões sobre políticas de prevenção mais adequadas.

O papel da genetica.pdf

Opapel da Genética na Dependência do Álcool
The role of genetics in alcohol dependence
Guilherme Peres Messas
Homero Pinto Vallada Filho

Este artigo procura examinar a questão da herdabilidade na dependência do álcool. Através da revisão de estudos em famílias, em gêmeos e de adoção, encontramos evidências para afirmar a importância dos fatores genéticos na transmissão da vulnerabilidade a esta dependência.
O estudo do componente genético nas dependências químicas em geral sofre da mesma dificuldade experimentada pelos demais transtornos da psiquiatria: a indefinição fenotípica, ou seja, a dificuldade de delimitar fronteiras claras para as categorias diagnósticas. No entanto, diversos trabalhos vêm examinando o tema, com resultados significativos, que discutiremos mais abaixo. Apresentaremos os estudos divididos em dois grupos, os estudos epidemiológicos e os moleculares. Os primeiros fornecem a base empírica para a realização dos segundos, orientando quais fenótipos podem ser mais influenciados geneticamente e, assim, mais férteis para a análise molecular. Neste artigo, iremos expor os principais resultados a respeito dos fatores genéticos na dependência do álcool. Contudo, devido ao fato de haver considerável sobreposição entre as categorias das diversas dependências, em alguns momentos, ao longo da exposição, será inevitável a apresentação de alguns dados relacionados à dependência de outras drogas.

Organizacao de Servicos.pdf

Organização de serviços para o tratamento da dependência do álcool
Services Organization for the treatment of alcohol dependence
Marcelo Ribeiro

Os problemas relacionados ao consumo de álcool variam ao longo de um continuum de gravidade. Tal característica requer a construção de serviços de tratamento que atendam às necessidades em cada uma destas situações. Além disso, o contexto econômico e sócio-cultural de uma comunidade revestem o paciente de particularidades que precisam ser consideradas pelo serviço de tratamento em uma dada região. Desse modo, a organização de serviços para o tratamento da dependência do álcool deve começar pela determinação da estrutura interna da instituição e seu lugar dentro da rede de atenção disponível no local. Todo o construto deve ser baseado nas necessidades da população-alvo (obtida por avaliações diagnósticas) e implementado com avaliações e monitoramento constante acerca do impacto desejado. Atualmente, manuais e diretrizes disponíveis online auxiliam e facilitam a execução destas ações.
Palavras Chaves
Álcool, dependência de álcool, alcoolismo, organização de serviços, planejamento estratégico

Quadros figuras TCC.pdf

Quadro I. Exemplos de Esquemas Cognitivos disfuncionais e suas Crenças Básicas.
Esquema Disfuncional
Crença Básica
Incapacidade (nível primário)
“Sou incapaz fisicamente, intelectualmente, profissionalmente, etc.”
Inadequação (nível primário)
“Sou feio, chato, faço tudo errado, visto-me mal, não sei falar, não sei me vestir de forma correta, etc.”
Não Estima (nível primário)
“Não sou uma pessoa que pode ser amada, não sou amado, sou rejeitado pelos outros.”
Vulnerabilidade (nível secundário)
“O mundo real é ameaçador e eu não tenho recursos para lidar com isso ou enfrentá-lo”

Sindrome de dependencia.pdf

Síndrome de dependência do álcool: critérios diagnósticos
Alcohol dependence syndrome: diagnostic criteria
Analice Gigliotia, Marco Antonio Bessa

A síndrome de dependência do álcool (SDA) é um grave problema de saúde pública. Embora seja bem estudada e seu quadro clínico seja bem estabelecido, muitas vezes a SDA passa despercebida mesmo em avaliações psiquiátricas. Este trabalho apresenta um breve relato das relações que a sociedade e o homem mantêm com as bebidas alcoólicas, enfatizando o desenvolvimento do conceito de alcoolismo na medicina, até atingir a definição de SDA, tal como é descrita hoje pela CID-10 e DSM-IV. Procura mostrar como existem diversas formas de uso do álcool, que implicam em distintos níveis de risco e de gravidade no seu consumo e que evoluem como um continuum. Tais diferenças são frisadas no cotejamento entre os conceitos de uso nocivo e de dependência do álcool, que se revestem de muita importância na clínica, tanto na prevenção quanto no tratamento desse transtorno, que devem ser do conhecimento de todo psiquiatra.
Descritores: Álcool. Síndrome de dependência do álcool. Uso nocivo do álcool. Critérios diagnósticos. Alcoolismo.

Terapias Cognitiva final.pdf

Terapias Cognitiva e Cognitivo-Comportamental em Dependência Química
Cognitive and Cognitive-Behavioral Therapy for Substance Abuse Disorders
Cláudio Jerônimo da Silva

Nas últimas décadas houve um grande avanço no uso clínico da Terapia Cognitiva (TC) aplicada a diversos Transtornos Psiquiátricos (Transtorno de Ansiedade; Transtorno de Personalidade; Transtornos Alimentares; Diversas Situações de crise 1 e Transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas 2, 3, 4, 5). Esse interesse sobre TC se deveu aos resultados promissores de pesquisas controladas que confirmaram sua eficácia para o tratamento da Depressão quando comparada a grupos controles 6. A partir de então, a Terapia Cognitiva 6, 7, 8, a Terapia Comportamental (BT) 9 , a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) 10, 11 foram pesquisadas para outros transtornos mentais e mostraram-se eficazes, em vários estudos clínicos, para o tratamento da Dependência Química e dos outros transtornos psiquiátricos.
Este artigo não pretende esgotar o assunto das Terapias de linhas Comportamentais e Cognitivas. Ele se propõe a discutir com mais detalhes: (1) as teorias cognitivas e comportamentais; (2) as principais técnicas da TC; e (3) as técnicas utilizadas pela Prevenção de Recaída (PR) 8 e Treinamento de Habilidades (TH) 13

A twenty year validation process.pdf

Dependence Syndrome: A twenty year validation process
1.1 – Contemporary Changes in Psychopathology
In the last three decades Psychiatry has undergone a major change in its approach to psychopathology. Psychopathological classifications used to reflect belief systems that were based on impressionistic clinical similarities. Most were not grounded in quantifiable data, used unrepresentative populations, and were devoid of a coherent theory (Millon, 1987,1991). The validity of the classifications rested on the personal authority of their originators, which often was limited to a single country (Kendler, 1990). During the sixties there was a growing awareness among clinicians and researchers that the absence of an objective and reliable system for describing psychopathology and for making psychiatric diagnoses was limiting scientific progress (Klerman, 1986). The development of quantitative techniques for measuring psychopathology (i.e. psychometrics) and the refining of standardised diagnostic criteria have led to a transformation of this science.
Psychopathology no longer depends on the intuitive artistry of brilliant clinicians and theoreticians who formulated dazzling but unfalsifiable insights. Psychopathology has acquired a solid footing in the empirical methodologies and quantitative techniques used in psychology (Blashfield, 1986; Millon, 1987). A major innovation was the use of diagnostic criteria that were intended to provide operational definitions of the psychiatric diagnosis. Many instruments were developed in response to the need for a better descriptive diagnosis. These new instruments drew upon existing psychometric methodologies, particularly those for educational testing, with multivariate statistics methods (Blashfield, 1986). The term psychopathology was synonymous with descriptive symptomatology; now, according to Millon (1991), can be justly employed to represent ‘the science of abnormal behaviour and mental disorder’.
When investigators evaluate how well a new classification system performs, they rely on the concepts of reliability and validity, concepts that are also used to transform the empirical data collected on psychological processes into psychometric tests.

Dependentes e as primeiras consultas.pdf

O que acontece com os pacientes dependentes de álcool e drogas que desaparecem das primeiras consultas?
Juliana Surjan, Sandra Pillon, Ronaldo Laranjeira

A não-aderência ao tratamento é um problema geral na prática médica, mas especificamente na área de tratamento de abuso de álcool e drogas atinge proporções ainda mais preocupantes. Revisando a literatura, Stark11 concluiu que a média de abandono de tratamento entre dependentes químicos é de aproximadamente 50 %. Esta baixa aderência é um dado importante, pois a permanência no tratamento associa-se a um melhor prognóstico dos pacientes. Baekland et al.1 relataram correlações positivas entre o tempo em tratamento e a evolução do quadro em usuários de álcool. Por sua vez, Simpson9 considerou a permanência no tratamento como sendo o principal fator preditivo da evolução dos pacientes usuários de drogas.
Vários estudos tentaram determinar os fatores preditivos da adesão ao tratamento2,3,6,7,8. Stark et al.13 apontaram alguns fatores, como: psicopatologia; intervalo de tempo entre a marcação da consulta e a consulta; efeitos, tempo e freqüência do consumo da droga e sistema de suporte pró-droga e anti-social. Steer14 concluiu que raça, nível ocupacional, presença de prisões, tipo de encaminhamento, uso secundário de drogas estimulantes e “SCL-90-R „s Global Severity Index” afetam o tempo de permanência no tratamento, porém seu término é influenciado apenas pelo fator raça. Stark et al.12 não encontraram diferenças quanto a características sociodemográficas ou tipo de uso de drogas, mas concluíram que a natureza da psicopatologia pode predizer a aderência ao tratamento. Por outro lado, Wickizer et al.15 demonstraram a existência de influências sociodemográficas, além das relativas às diferentes modalidades de tratamento.

Dependentes e as primeiras consultas 2.pdf

O que acontece com os pacientes dependentes de álcool e drogas que desaparecem das primeiras consultas?
A não-aderência ao tratamento é um problema geral na prática médica, mas especificamente na área de tratamento de abuso de álcool e drogas atinge proporções ainda mais preocupantes. Revisando a literatura, Stark concluiu que a média de abandono de tratamento entre dependentes químicos é de aproximadamente 50 %.
Esta baixa aderência é um dado importante, pois a permanência no tratamento associa-se a um melhor prognóstico dos pacientes. Baekland et al.1 relataram correlações positivas entre o tempo em tratamento e a evolução do quadro em usuários de álcool. Por sua vez, Simpson2 considerou a permanência no tratamento como sendo o principal fator preditivo da evolução dos pacientes usuários de drogas.
Vários estudos tentaram determinar os fatores preditivos da adesão ao tratamento. Stark et al.6 apontaram alguns fatores, como: psicopatologia; intervalo de tempo entre a marcação da consulta e a consulta; efeitos, tempo e freqüência do consumo da droga e sistema de suporte pró-droga e anti-social. Steer19 concluiu que raça, nível ocupacional, presença de prisões, tipo de encaminhamento, uso secundário de drogas estimulantes e “SCL-90-R „s Global Severity Index” afetam o tempo de permanência no tratamento, porém seu término é influenciado apenas pelo fator raça. Stark et al.5 não encontraram diferenças quanto a características sociodemográficas ou tipo de uso de drogas, mas concluíram que a natureza da psicopatologia pode predizer a aderência ao tratamento. Por outro lado, Wickizer et al.8 demonstraram a existência de influências sociodemográficas, além das relativas às diferentes modalidades de tratamento.

Differences in factors associated with first treatment entry and treatment re entry among cocaine users.pdf

Differences in factors associated with first treatment entry and treatment re-entry among cocaine users
Cleusa P. Ferri, Michael Gossop, Sophia Rabe-Hesketh & Ronaldo R. Laranjeira

Many people with substance misuse problems do not seek treatment. The estimated ratio of untreated to treated individuals among problem drinkers, for example, has been estimated at between 3:1 to 13:1 (Cunningham et al., 1993). There are many reasons for not seeking treatment. These include not having a problem, not recognising a problem, fear of identification with an illegal and stigmatised behaviour, lack of access to services, unacceptability of existing services, as well as other reasons. Findings with regard to the severity of problems among treatment and non-treatment samples have been inconsistent. Several studies have found that severity of dependence was greater among cocaine users in treatment (Chitwood & Morningstar, 1985; Robson & Bruce, 1997). However, Carrol & Rounsaville (1992), after matching a treatment and a community sample in relation to a demographic profile, found higher levels of multiple drug use among users in the community. With regard to environmental circumstances and social-cultural context, Chitwood & Morningstar (1985) found that after matching patients in treatment and patients in the community in relation to dependence severity, the patients in treatment were more likely to suffer negative consequences from cocaine use and to have less social support. Other studies comparing drug users in treatment to those in the community have found that the level of drug use per se did not reliably differentiate help seekers from non-help seekers (Power, Hartnoll & Chalmers, 1992; Varney et al., 1995).

Does Multisite Sampling Improve Patient Heterogeneity in Drug Misuse Research.pdf

Does Multisite Sampling Improve Patient Heterogeneity in Drug Misuse Research?
John Dunn, Cleusa Pinheiro Ferri, Ronaldo Laranjeira

Probability sampling is the gold standard for obtaining representative samples of individuals from a population. However, when drug misusers are the target group various problems arise which mean that probability sampling can become impracticable (Dunn & Ferri, 1999). First, there is the problem of low prevalence. For example, an estimate from the UK suggests that around 2% of the general population are dependent on illicit drugs (Farrell et al, 1998). However, it is likely that less than a quarter of these are dependent on individual substances, such as cocaine. Consequently, to find just one cocaine addict, one might need to interview at least 400 people. To find enough cocaine addicts (300 for example) to allow us to make statistically powerful statements about their characteristics, we might need to interview over 120,000 people. The larger the sample, the longer it will take to complete the interviews, the more expensive the study becomes and since the ratio of cases to non-case is very low, the whole process becomes extremely inefficient.
A second problem with probability sampling is that illegal activities, such as drug misuse, may be hidden or denied, so it can be difficult to find or identify users. Surveys tend to be based on the occupants of private households, so cocaine addicts may missed because they are out buying drugs or involved in illegal activities to finance their use or because they are homeless, in prison or in residential treatment (Dunn & Ferri, 1999). Consequently many research studies that aim to investigate the characteristics of drug users and their patterns of use tend to employ convenience samples using patients from outpatient and inpatient units (Griffin et al, 1989; Kleinman et al, 1990; Dunn et al, 1996). However, selection bias means that drug users recruited from these settings have very different characteristics to those who are not in treatment. Studies suggest that drug users not in treatment are more likely to be polydrug users, be involved in illegal
activities but have fewer negative consequences of drug use and less depression (Rounsaville & Kleber, 1985; Carroll & Rounsaville, 1992).

DQ mais de um seculo depois.pdf

Revisitando Anna O. : uma chance de se aprender sobre Dependência Química mais de um século depois
Por vários motivos, entre os quais inclui-se o da confidencialidade, a psiquiatria e a psicologia sempre se valeram de “casos clínicos” clássicos para estudar diferentes questões. Deste modo, não só todos os casos publicados por Freud ficaram famosos e sofrem constantes revisões; como outros que estudaram pessoas ilustres, com biografia conhecida, como foi o caso de Leonardo Da Vinci, Van Gogh, Proust, Heminway e Hitler.
Anna O. foi o codinome que Breuer(1895) deu à paciente que tratou de 1880 a 1882, em Viena. Treze anos depois escreveu seu famoso trabalho em co-autoria com Freud, e desde então todas as gerações de psiquiatras e psicanalistas incluem o exame deste caso no estudo que fazem sobre histeria, reconhecendo que o mesmo está inscrito na pré-história da psicologia, sobretudo a psicanalítica.
Em 1953 Jones revelou o verdadeiro nome da paciente : Bertha Pappenheim e desde então uma série de dados biográficos tem sido publicado por diversos autores, entre os quais destacam-se Pollock(1968), Ellemberger(1970,1972), Freeman(1972), Schur(1972), Hirsmüller(1978), Thornton(1983), Rosenbaum(1984), e Jacobsen (1996).
O presente trabalho tem por objetivo demonstrar que em posse destes “novos” dados, pode-se (e deve-se) fazer um novo exame do caso, o que nos levará a concluir que uma boa parte dos sintomas atribuídos nele à histeria, poderiam ser muito bem percebidos como sintomas de dependência/abstinência de morfina e/ou hidrato cloral.

Entrevista motivacional.pdf

Entrevista Motivacional:
Bases Teóricas e Práticas
Flávia S. Jungerman, MSc: Psicóloga clínica e pesquisadora da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e drogas) da UNIFESP
Ronaldo Laranjeira, Ph.D: Psiquiatra e coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e drogas) da UNIFESP

O conceito de motivação tem recebido uma atenção grande na área das dependências. Esta maior atenção deve-se ao fato de que abandonar o uso de uma substância está por demais ligado a uma série de comportamentos aos quais a motivação está vinculada. A palavra motivação vem sendo usada em medicina e em psicologia significando conceitos diferentes para pessoas diferentes. No geral, a prática clínica tem adotado uma perspectiva de motivação como algo relativamente imutável, ou seja, ou o paciente está motivado para o tratamento e nestas condições o terapeuta teria um papel definido de ajudar a pessoa, ou o paciente não está motivado e então o tratamento não seria possível. Porém, hoje em dia percebe-se que o quadro não é assim tão rígido, isto é, uma técnica denominada Entrevista Motivacional (EM) postula que a aderência do dependente ao tratamento depende de sua motivação, atitude esta passível de ser modificada ao longo do tratamento. O objetivo desta revisão é fazer uma evolução das principais idéias ao redor desta abordagem chamada Entrevista Motivacional, delinear a sua prática e apresentar as evidências empíricas que a sustentam.
O que é motivação
Costuma-se dizer que a motivação de um cliente pode ser avaliada por uma série de comportamentos tais como: concordar com o terapeuta, aceitar o diagnóstico deste (isto é, admitir a dependência de uma droga), expressar vontade de mudar ou de ser ajudado, estar incomodado com sua situação pessoal e seguir os conselhos do terapeuta. De forma oposta, estar „desmotivado‟ (em negação ou resistente), seria ter os comportamentos contrários. Portanto, discordar com o terapeuta é estar „em negação‟ e concordar é „insight‟(1). A questão é que se julga motivação pelo que o cliente diz e a preocupação nesta nova abordagem seria mais o que o cliente faz, já que o que o cliente fala não é garantia de que ele fará o que verbalizou. Assumir um diagnóstico não prediz sucesso de tratamento: muitos dependentes dizem que o são mas não mudam e outros que não se categorizam, conseguem mudar (2,3,4). Não é incomum as pessoas dizerem algo e fazerem diferente.

Entrevista motivacional 2.pdf
Diz-se que a motivação de um cliente pode ser avaliada por uma série de comportamentos tais como: concordar com o terapeuta, aceitar o diagnóstico deste (isto é, admitir a dependencia de uma droga), expressar vontade de mudar ou de ser ajudado, estar incomodado com sua situação pessoal e seguir os conselhos do terapeuta.

Grupos de motivacao.pdf

Grupos de motivação: Estudo descritivo de um atendimento para dependentes de drogas”
Flávia S. Jungerman, MSc: Psicóloga clínica e pesquisadora da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e drogas) do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP – Hospital São Paulo
Roberto A. M. de Almeida: Psiquiatra colaborador da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e drogas) do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP – Hospital São Paulo
Ronaldo Laranjeira, Ph.D: Psiquiatra e coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e drogas) do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP – Hospital São Paulo

Vários tipos de tratamento tem sido propostos recentemente para melhorar a evolução dos pacientes dependentes de álcool e drogas. Dependentes de cocaína em especial têm recebido uma maior atenção, devido ao fato do consumo desta droga ter tido um aumento significativo em várias partes do mundo desde meados dos anos 80.Muito embora nos EUA tenha existido um declínio no número de usuários eventuais, as complicações associadas ao consumo aumentaram (3) principalmente com o advento do crack (32), que teve como repercussão um aumento nos índices de crime e violência associados ao consumo e ao tráfico (37). Em São Paulo, pesquisas mostram que o índice de usuários de crack procurando serviços aumentou de 17% em 1990 para 64% em 1993 (8).
Apesar do aumento do problema, o tratamento para esta população continua permeado pela dificuldade desta manter-se vinculada a um serviço. O grau de aderência dos dependentes ao tratamento vem sendo bastante estudado (7,11,16,19), sendo que, alguns estudos mostram uma maior desistência em tratamento ambulatorial comparado à internações, com proporções de 70% ou abaixo (35,40). Não só quantitativamente os dependentes ficam pouco tempo nos serviços mas também tem-se estudado o que, qualitativamente, afeta o envolvimento do paciente no tratamento. Alguns fatores que já receberam evidências empíricas com relação ao abandono:

Heroina.pdf

Heroína: A próxima epidemia de drogas no Brasil ?
Ronaldo Laranjeira, Lilian Ratto, John Dunn

O padrão consumo de drogas tem mudado constantemente e de uma forma dramática nos últimos vinte anos no Brasil (1). Até o começo dos anos oitenta praticamente não tínhamos uso de cocaína, pois o acesso desta droga era restrito às pessoas ou muito ricas ou com ligações muito especiais no mundo das artes e negócios. Esta situação mudou rápida e substancialmente por vários fatores. Em primeiro lugar, passou-se a plantar maiores quantidades de coca nos países andinos, visando o mercado americano. Em segundo, os traficantes passaram a utilizar a mesma rede de distribuição que já existia para a maconha e portanto, com maiores possibilidades de atingir um maior número de consumidores. Em terceiro lugar e relacionado com os fatores anteriores, o preço da cocaína caiu muito. Em quarto lugar, no caso especial do Brasil, viramos um país importante na rota do tráfico e por isto, uma parte substancial da droga acaba transbordando para o nosso mercado interno.
Esse fatores contribuiram para a grande mudança do padrão de consumo das drogas nos anos oitenta e começo dos anos noventa. Foi quando aumentou extraordinariamente o consumo de cocaína e as complicações do seu uso. No começo houve um predomínio do padrão de uso da cocaína aspirada, mas em seguida um grande número de usuários passou a injetar-se, o que ocasionou uma das maiores tragédias no campo das drogas no Brasil nas últimas décadas (2). Milhares de usuários acabaram ficando infectados pelo HIV, a maior parte deles já morreu ou acabou infectando suas parceiras e filhos.
A partir do começo dos anos noventa, principalmente em São Paulo uma nova forma de padrão de uso da cocaína passou a ficar mais frequente, que foi a cocaína fumada ou crack (3,4). Este novo padrão ofereceu um novo desafio em termos de prevenção e tratamento pois acabou atingindo um novo tipo de usuário, mais jovem e inexperiente e morador da periferia das Grandes Cidades.
A política de drogas governamental em nenhum momento acompanhou esses mudanças no padrão de consumo. Até hoje não temos uma política de distribuição de agulhas e seringas para os usuários de drogas injetáveis, muito embora todos os países que adotaram essa forma de prevenção tenham colhido frutos muito bons. Por exemplo, no Brasil cerca de 50% dos usuários de drogas endovenosas são HIV positivos, constrastando dramaticamente com a Inglaterra onde somente 1% são infectados. A grande diferença é que, desde 1984 quando do surgimento dos primeiros casos de infecção pelo HIV em usuários de drogas ingleses, passou-se a implementar uma política vigorosa de prevenção com esta população

Heroina 2.pdf

What happen to heroin users in the long term?
Results from a 22 year British follow-up
Ronaldo Laranjeira, Clive Tobutt, Colin Taylor, Edna Oppenheimer

This paper will report on the follow-up of a cohort British heroin users who were first interviewed by the Addiction Research Unit’s staff in 1969, (Stimson, 1973) during a historically important period in the evolution of British drug problems and policy responses. All these subjects were at that time receiving prescriptions of injectable pharmaceutical heroin from the National Health Service (NHS) clinics which they were attending. A prescribing approach which today would seem egregious was at the start of this cohort’s treatment career a standard practice. To provide context for the present repoh out something of the relevant historical background.
In the 1960′s a steep increase in the misuse of heroin occurred in Britain, concentrated in the London area (Bewley, 1965; Bewley, 1966; Spear, 1969). The source of the drug was almost exclusively direct prescribing to addicts by GP’s, or the overspill of this laxly prescribed pharmaceutical heroin to the black market, and the usual route of use was intravenous injection. The second Brain Report recommended that this epidemic development should be met by limiting the right to prescribe heroin or cocaine to addicts in the treatment of addiction, to specially licensed doctors operating from designated centers. Those provisions were given legislative basics in the Misuse of Drugs Act 1967, and in accordance with a Regulation made under that Act the first Drug Dependence Clinics or Units (commonly know as DDU’s), were opened in London in 1968.

Nurses.pdf

Nurses attitudes toward alcoholism: factor analysis of three commonly used scales.
Sandra Pillon – Research Nurse, Gastroenterology Unit.
Ronaldo Laranjeira – Coordinator – UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas.
John Dunn – Senior Researcher. – UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas.

In the last twenty years several scales have been developed to evaluate health care professionals’ attitudes toward and beliefs about alcoholism. The three most commonly used scales are: The Marcus Alcoholism Questionnaire1, The Seaman Mannello Nurses’ Attitudes Toward Alcohol and Alcoholism Scale2 and The Tolor-Tamerin Attitude Toward Alcoholism Scale3. These three instruments have certain similarities, in particular they contain items that cover various beliefs and perceptions about alcoholism and its causes, for example, moral factors (e.g. alcoholism as a character weakness), psychological factors (e.g., alcoholics having unresolved psychological conflicts), social factors (e.g., alcoholism caused by unhappy marriages) and biological factors (e.g., alcoholism as an disease).
The Marcus questionnaire was designed to measure both knowledge about alcoholism and attitudes toward alcoholics and consists of 40 statements which are responded to on a Likert scale that ranges from 1 (completely disagree) to 7 (completely agree). Ferneau4 used the questionnaire to examine the attitudes of nurses and nursing assistants in a neuropsychiatric hospital, whilst Allen5 used it to assess state registered nurses’ attitudes toward alcoholic patients in a general hospital.
The Tolor 3 Instrument is a 24 item scale that was developed with the aim of investigating six attitudinal categories: psychological etiology, physical-genetic etiology, moral weakness, medical illness model, humanism and social rejection. It too is scored on a Likert scale with extreme scores of 1 and 4 (strong disagreement and strong agreement, respectively). Sullivan6 used this scale to assess state registered nurses’ beliefs about the etiology and treatment of alcohol abuse and related these to the subjects’ biographical and professional characteristics.

Padrao de Consumo de Cocaina e HIV.pdf

A Criação e o Piloto de uma Entrevista Estruturada para Avaliar o Padrão de Consumo de Cocaína e os Comportamentos de Risco para a Transmissão do Vírus HIV.
The Development and Piloting of a Structured Interview to Evaluate Patterns of Cocaine Use and HIV Risk Behaviour
John Dunn1 e Ronaldo R. Laranjeira

Na maioria dos trabalhos publicados no Brasil, em que uma avaliação de usuários de drogas foi feita, foram utilizadas entrevistas estruturadas1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, embora nem sempre9, 10. Portanto, muitos dos pesquisadores criaram tais entrevistas, somente com o objetivo de usá-las nos seus próprios trabalhos, sem nunca as terem publicadas1, 2, 4, 6, 8, deixando os pesquisadores posteriores sem outra escolha, além da criação de novos instrumentos.
O processo através do qual esses instrumentos foram criados é muitas vezes misterioso e não obedece a critérios muito claros. Vários autores relatam que seus questionários foram “baseados” em outros instrumentos, principalmente os da Organização Mundial da Saúde1, 4, 11, das Nações Unidas1, do Instituto Nacional de Droga Adição ( NIDA)1, da Associação Americana de Psiquiatria4, de outros centros estrangeiros4, ou até “após consulta com profissionais de reconhecida experiência no campo”12. Esse processo de copiar perguntas de outros instrumentos tem uma validade limitada13, principalmente se forem aplicadas em culturas diferentes daquela, no qual o instrumento original foi criado. Além disso, poucos autores chegaram a testar seus instrumentos com amostras grandes, pacientes heterogêneos e usando princípios básicos de construção de questionários14, como por exemplo estudos piloto6. A maioria dos estudos citados acima, foram feitos com amostras muito pequenas (por exemplo, menos de 26 pacientes15, 7, 8 e com pacientes de apenas um só serviço9, 1, 2, 3, 4, 12, 6, 15.

Perfil de alcoolistas.pdf

Perfil de alcoolistas
Considerações gerais sobre tratamento do alcoolismo
O tratamento do alcoolismo tem sido visto como fator desafiador na organização de serviços. Vailant (1999) mencionou dez estudos recentes de acompanhamento de longa duração sobre abuso do álcool, com metodologias diferenciadas, onde em média 44% dos pacientes atingiram a abstinência alcoólica, mas 43% voltaram a ser alcoolistas (Vailant, 1999). Oxford e Edwards (1977) observaram que após dois meses, 55% dos pacientes que receberam tratamento preencheram critérios para o sucesso (menos de 10 dias de ingestão de bebidas em dois meses); em seis meses essa cifra foi reduzida para 35%, e ao término de dois anos, para 20%. Ao final deste estudo, o padrão de consumo alcoólico da amostra não submetida a tratamento foi idêntica à amostra submetida ao tratamento.
Os problemas médicos e sociais relacionados ao álcool são de grande preocupação na maioria das populações do mundo e muitos esforços estão sendo feitos para gerar meios de prevenir e tratar o alcoolismo. Dados dos EUA indicam que apenas 15% dos alcoolistas procuram tratamento especializado; 70% dos aproximadamente 11 milhões de alcoolistas dos EUA são vistos em serviços ambulatoriais gerais a cada 6 meses e quase todas estas visitas são para procurar ajuda médica geral e não a de especialistas em saúde mental (Shapiro et al., 1984). Refletindo sobre estes dados, parece que o desfecho do tratamento está relacionado com a motivação para a modificação do padrão de consumo alcoólico que é inevitavelmente influenciado pela situação física e psicológica do paciente.

Qualidade de vida.pdf

Como é a Qualidade de Vida dos Dependentes de Álcool ?
Roberta Payá , Neliana Buzi Figlie , Janaina LuiseTurisco  e
Ronaldo Laranjeira 

O objetivo deste trabalho é discutir a Qualidade de Vida dos dependentes de álcool através da escala Short Form Health Survey (SF-36). Foram entrevistados 181 pacientes do sexo masculino, em 13 meses, sendo que 49% (N=88) estavam em tratamento em ambulatório de Gastroenterologia de Hospital Geral e 51% (N=93) em ambulatório especializado no tratamento em Dependência Química, ambos pertencentes a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Os resultados apontaram diferenças significantes em Saúde Mental, uma vez que os pacientes do ambulatório especializado apresentaram qualidade inferior quando comparados ao grupo da gastroenterologia, e Capacidade Funcional, na qual os pacientes do ambulatório de gastroenterologia apresentaram qualidade inferior em relação ao outro grupo. Nas seis subescalas restantes não foram encontrados resultados estatisticamente significantes, podendo ser observado um padrão semelhante na qualidade de vida destas duas amostras.
Quanto a Severidade da Dependência Alcoólica, pesquisada através do Alcohol Dependence Data Questionnaire (SADD), foi encontrada diferença significante entre os grupos, predominando a dependência grave no ambulatório especializado (Média=22/DP=9), diferindo do ambulatório de gastroenterologia onde foi mais freqüente a dependência moderada (Média=16/DP=8).
O artigo tem como proposta discutir a necessidade de uma intervenção não apenas nas pessoas que procuram tratamento especializado, bem como nos pacientes que encontram-se em ambiente hospitalar e a importância de realizar uma abordagem da qualidade de vida no tratamento do alcoolismo.

Referencias.pdf

References
Abbey, A., Scott, R.O., & Smith, M.J. (1993) Physical, subjective, and social availability: their relationship to alcohol consumption in rural and urban areas. Addiction, 88, pp. 489-499.
Alcoholics Anonymous (1939) Alcoholics Anonymous, New York: Works Publishing Inc.
Allan, C.A. (1991) Psychological symptoms, psychiatric disorder and alcohol dependence amongst men and women attending a community based voluntary agency and an alcohol treatment unit, British Journal of Addiction, 86, pp. 419-427.
Allen, J.P., Litten, R.Z., & Anton, R. (1992) Measures of alcohol consumption in perspective, in: Litten R. and Allen J. (Eds) Measuring Alcohol Consumption (The Humana Press, Totowa, NJ).
Allen, J.P., Fertig, J.B., Leland, H.T., Bryant, K., Altshuler, V.B., Vrublevsky, A.G., Valentik, Y.V. (1993) Structure and correlates of alcohol dependence in clinical samples in the United States and Russia, Addiction, 88, pp. 1535-1544.
Allen, J.P., Fertig, J.B., Leland, H.T., Altshuler, V.B., Vrublevsky, A.G., Valentik, Y.V., Zanis, D.A. (1994) Psychometric analyses of the Alcohol Dependence Scale among United States and Russian Clinical Samples, International Journal of Addictions, 29, pp. 71-87.

Servico de Emergencia Psiquiatrico.pdf

Serviço de Emergência Psiquiátrica: Um Estudo Descritivo
Luís André Castro
Ronaldo Laranjeira
John Dunn

Neste estudo foram avaliados 492 pacientes com o objetivo de descrever as suas características clínicas durante o atendimento de emergência psiquiátrica. A amostra não apresentou diferença entre os sexos, sendo a faixa etária predominante entre os 21 e 50 anos. Aproximadamente, a metade dos pacientes (49,6%) estavam acompanhados por algum responsável ao ser conduzida ao serviço de emergência psiquiátrica, as outras fontes principais de origem foram a polícia (6,7%) e o SOS criança (5,3%). Os principais diagnósticos foram os transtornos do humor (25,7%), transtornos psicóticos (21,4%) e transtornos por abuso de drogas (20,8%). Os pacientes caracterizavam-se pela presença de prejuízo do funcionamento social e ocupacional entre leve (22,3%) a moderado (23,6%), problemas com o grupo de apoio primário (46,8%) e problemas com o ambiente social (11,6%). Os pacientes foram medicados com antipsicóticos (25.3%), benzodiazepínicos (11,2%) e antidepressivos (6,5%). A grande maioria dos pacientes (82,1%) foi dispensada, sendo encaminhada ao ambulatório de psiquiatria da própria Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (42,5%) e aos ambulatórios de saúde mental da região (11,6%). Os casos graves (17,1%) foram encaminhados para os leitos de observação, sendo que 7,4%) desses pacientes foram internados.

Tratamento Dos Problemas Relacionados Com O Abuso E Dependencia Do Alcool E Drogas.pdf

TRATAMENTO DOS PROBLEMAS RELACIONADOS COM O ABUSO E DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL E DROGAS NO SISTEMA PÚBLICO DE SAÚDE.
Dependência como um distúrbio crônico
Embora o abuso e a dependência do álcool e drogas seja um disturbio crônico existe uma expectativa da maioria dos clínicos de perceber o tratamento dessa condição como algo que possa ser feito agudamente como numa pneumonia ou subagudamente como numa tuberculose (O’Brien & McLellan, 1996). Com este tipo de expectativa irreal muitas vezes a idéia de tratamento fica associada com a idéia de desintoxicação de uma droga, ou seja após um período sem uso da substância o paciente estaria curado. Quando o paciente tem uma recaida, e a grande maioria mais cedo ou mais tarde terá, o tratamento é considerado um insucesso e mais uma desintoxicação é proposta como uma forma de proteger o paciente.
Nas últimas duas décadas o estudo das dependências evoluiu muito e hoje tem-se a tendência de considerar esse tipo de tratamento da mesma forma como tratamos a maioria das condições crônicas e recidivantes em medicina como hipertensão, asma, diabetes, etc(O’Brien & McLellan, 1996). Podemos dizer que praticamente todos os pacientes terão recaidas e muitos recairão várias vezes. Na realidade a prevenção da recaida é um dos aspectos mais importantes no processo de tratamento das dependências. Ao invés de considerarmos a recaida como uma má evolução do tratamento, consideramos como uma oportunidade do pacientes aprender sobre a sua dependência e desenvolver controles comportamentais que visarão interromper o uso crônico do álcool ou drogas. Esses controles comportamentais serão aperfeiçoados de uma forma mais efetiva quando o paciente estiver o mais perto possivel do seu ambiente costumeiro. Aqueles pacientes que ficam muito tempo afastados do seu ambiente, correm o risco de conseguirem ficar abstinentes somente em ambientes protegidos. No entanto cada vez mais se incapacitarão para lidar com as pressões para beber que ocorrem no seu cotidiano.
Esta nova atitute em relação ao tratamento das dependências modificou a forma como os serviços públicos ou privados devem se organizar. O tratamento não deveria ser visto como um evento temporalmente delimitado mas como um processo no qual as recaidas, muito embora indesejáveis, deveriam ser oportunidades terapeuticas para o paciente reaprender a controlar o seu uso de álcool ou drogas. Não existe uma forma única de tratamento que possa dar conta da diversidade desses pacientes, e só uma avaliação adequada poderá dizer qual o tipo de tratamento poderá ser mais útil para determinado paciente. À semelhança das condições crônicas em medicina o paciente deverá permanecer em tratamento por vários meses ou mesmo anos buscando adequar a suas necessidades clínicas com a forma de tratamento mais eficiente no seu caso.

The Influence of Culture on the Relationship Between Psychoactive Substance Use and Likelihood of Engaging in Risk Behaviour.pdf

The Influence of Culture on the Relationship Between Psychoactive Substance Use and Likelihood of Engaging in Risk Behaviour.
Literature Review
„Risk‟, this little four-letter word that can have different meanings and various consequences. Whatever the way of looking at or perceiving „risk‟ to be, it contains a degree of „uncertainty‟. In this study, the concept of „risk‟ used was the “existence of threats” to life or health (Fischhooff et al.,1981, cited in Yates & Stone, 1992). Considering this definition, various types of behaviour are „risky‟, “threatening” life or health.
„Speed racing‟, „drunk driving‟, „an individual eating something he knows he is seriously allergic to‟, „taking drugs‟ are different examples of „risk‟ behaviour and in all of them the “existence of threat” to life or health is present.
The target „risk‟ behaviour in this study is sexual risk behaviour, where individuals have sexual intercourse without using condoms, where the individual puts themselves at risk of being infected by a sexual transmitted disease. Condom use in sexual intercourse is perceived as „safer sexual practice‟. All the relevant definitions of sexual risk behaviour for the present study will be listed shortly.
Psychoactive substance use, especially stimulants (e.g. cocaine hydrochloride, amphetamines and methylene dioxymethamphetamine MDMA -Ecstasy) have been associated to „risk behaviours‟. Several studies have been carried out to investigate the relationship between sexual risk behaviour and substance use (Cooper, 1992; Rhodes & Stimson, 1994; Strunin & Hingson, 1993; Halpern-Felsher et al, 1996; McEwan et al, 1992; Plant, 1990; Senf & Price, 1994;

The impact of maternal experience of violence and Common Mental Disorders on neonatal outcomes.pdf

The impact of maternal experience of violence and Common Mental Disorders on neonatal outcomes: a survey of adolescent mothers in Sao Paulo, Brazil
Cleusa P. Ferria*, Sandro Mitsuhirob, Marina C. M. Barrosc, Elisa Chalemb, Ruth Guinsburgc, Vikram Pateld, Martin Princea, Ronaldo Laranjeira

Background: Both violence and depression during pregnancy have been linked to adverse neonatal outcomes, particularly low birth weight. The aim of this study was to investigate the independent and interactive effects of these maternal exposures upon neonatal outcomes among pregnant adolescents in a disadvantaged population from Sao Paulo, Brazil.
Methods: 930 consecutive pregnant teenagers, admitted for delivery were recruited. Violence was assessed using the Californian Perinatal Assessment. Mental illness was measured using the Composite International Diagnostic Interview (CIDI). Apgar scores of newborns were estimated and their weight measured.
Results: 21.9% of mothers reported lifetime violence (2% during pregnancy) and 24.3% had a common mental disorder in the past 12 months. The exposures were correlated and each was associated with low education. Lifetime violence was strongly associated with Common Mental Disorders. Violence during pregnancy (PR= 2.59(1.05-6.40) and threat of physical violence (PR=1.86(1.03-3.35) and any common mental disorders (PR=2.09 (1.21-3.63) (as well as depression, anxiety and PTSD separately) were independently associated with low birth weight.
Conclusions: Efforts to improve neonatal outcomes in low income countries may be neglecting two important independent, but correlated risk factors: maternal experience of violence and common mental disorder.

Short report drug alcohol depend.pdf

Follow-up Study of Crack Cocaine Users: Situation of the Patients after 2, 5, and 12 years.
Andréa Costa Dias MScia, Marcelo Ribeiro PhDa, John Dunn PhDb, Ricardo Sesso PhDc, Ronaldo Laranjeira PhDa

Complications related to crack consumption represent a public health problem, especially in the Americas and Europe (1, 2). Cocaine crack was brought to Brazil in the late 1980′s (3, 4) and reached the less economically favored people, particularly the adolescents (4-6). During the next decade the crack consumption increased, and the treatment services were sought by the majority of crack users (3). In addition, most individuals using cocaine via injection and inhalation have changed these original administration routes because of AIDS and crack’s low price, respectively (7). Although a small portion of the general population has been affected (8, 9), overdose, criminality, and violence involving young individuals have transformed the crack cocaine dependence into a public health problem of extreme importance (2).
Little is known about the natural history of crack consumption. Most longitudinal studies have investigated those outcomes related to the efficacy of therapeutic interventions (10-13). The existing data on mortality and death cause are still inaccurate. A 2-year follow-up study of 131 crack cocaine users who had been treated in São Paulo between 1992 and 1994 was carried out in October 1995 and December 1996 (14). The authors have found a very high annual mortality rate, mainly caused by AIDS and homicides. These findings had encouraged us to go on following up the same subjects, but the mortality trend was found to be extremely high over that 5-year follow-up (15-17).

Resposta ao Professor Dr Michalani.pdf

Resposta ao Professor Dr. Jorge Michalani – O problema da proibição do álcool – J.Brás.Psiquiatria – vol 53(6): 393-4, 2004
O Professor Michalani, professor titular aposentado de patologia da Escola Paulista de Medicina, vem de uma tradição intelectual consistente que foi a medicina do século XIX, com toda ênfase na observação dos fenômenos biológicos e o rigor conceitual. Infelizmente quando fez observações sobre as idéias defendidas por mim no Jornal do CREMESP de novembro de 2003, o fez com uma emoção incomum para intelectuais desse perído, que foi a pressa em ler e refletir sobre o que leu. Se tivesse lido com um rigor esperado de alguém com essa tradição teria visto que nem eu e muito menos as mais de 300 organizações que assinaram o manifesto em defesa de uma política do álcool não defendemos a proibição do álcool. Também temos um visão histórica e sabemos que nas sociedades ocidentais a proibição do álcool não é uma opção. Sabemos, no entanto, que o controle social do álcool é inevitável numa sociedade democrática.
Todo esse movimento social , que busca um maior controle social em relação ao álcool, felizmente, recebe grande apoio agora no Brasil das principais instituições médicas como os Conselhos Regionais de Medicina, e em especial o CREMESP; o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Medicina. Esse apoio se dá essencialmente porque o álcool é um dos principais problemas de saúde pública e representa pelo menos 4% de todas as doenças no Brasil (Revista Brasileira de Psiquiatria – Suplemento Álcool e a Psiquiatria – 2004). As idéias defendidas não são frutos de uma reflexão individual mas de um consenso organizado pela Organização Mundial da Saúde, que em publicação recente (Alcohol: no ordinary commodity – Thomas Babor e col, OXFORD UNIVERSITY PRESS, 2004) corrobora com fortes evidências científicas as principais políticas que deveriam ser implementadas em qualquer país.

Reposicao vitaminica (1).pdf

Nutrição no paciente dependente de álcool – Aspectos pertinentes ao clínico
Autora: Cláudia Diniz Maciel , Ronaldo Laranjeira  e Hélio Lauar

Diante de um paciente dependente de álcool devemos ter em mente que podemos estar nos deparando com um caso de desnutrição e medidas terapêuticas eficazes devem ser tomadas visando minimizar os efeitos deletérios. (CARVALHO). A dependência de álcool é uma das principais causas de desnutrição entre os adultos no mundo ocidental (PETER; .HALSTED; MEZEY; GLORIA). A desnutrição causada pelo álcool pode ser classificada etiologicamente como primária ou secundária. É denominada desnutrição primária quando há uma dieta inadequada em nutrientes (dieta pobre em proteínas, vitaminas, etc.) e desnutrição secundária o tipo de desnutrição onde o álcool afeta a biodisponibilidade dos nutrientes por vários mecanismos (absorção deficitária, um maior consumo, anormalidades no metabolismo dos nutrientes e diminuição da capacidade de estoque de nutrientes, por exemplo) .(HALSTED, C.H. 1980; MEZEY, E 1980; GLORIA, 1997). Em ambos os casos os pacientes não dispõe de nutrientes em doses adequadas para suprir as necessidades.

Release SAMU.pdf

A falta da assistência psiquiátrica e o impacto nos serviços médico de urgência (SAMU)
Nos últimos anos estamos assistindo a uma desativação dos poucos serviços psiquiátricos existentes no Brasil, com fechamentos de hospitais psiquiátricos de baixa qualidade, sem a devida organização de uma rede ambulatorial. Estamos numa situação onde as pessoas com transtornos mentais não encontram uma rede de serviços compatível com a complexidade da doença mental. Não existem nem uma assistência médica ambulatórial e muito menos um acesso a hospitais ou clínicas psiquiátricas de qualidade.
Em decorrência disso a população deixou de ser assistida nas principais doenças psiquiátricas. Uma das conseqüências esperadas dessa falta de assistência é que os pacientes e suas famílias venham a utilizar mais os serviços de urgência.
Para testar essa hipótese buscamos estudar o impacto do atendimento a pessoas com transtornos mentais no serviço de atendimento médico de urgência SAMU na região de Marília.
Resultados
O SAMU Marília atendeu no período agosto de 2004 a agosto de 2005, 17.729 indivíduos em suas viaturas básicas e na UTI móvel. Destes, 16% apresentaram transtornos mentais e do comportamento (TMC). O restante dos atendimentos tiveram como causas: causas externas (20%); os problemas cardiovasculares (11%); respiratórios (10%); digestivos (10%); neurológicos (9%);; obstétricos (7%) e diversos (16%).

Reducao de Danos VI.pdf

Redução de Danos: Posições da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e ABEAD (Associação Brasileira para Estudos de Álcool e Outras Drogas).
João Carlos Dias,Sandra Scivoletto,Cláudio Jerônimo da Silva,Ronaldo Ramos Laranjeira,Marcos Zaleski,Analice Gigliote,Irani Argimon,Ana Cecília P. Roselli Marques

Cada indivíduo traz consigo uma bagagem diferente a respeito do uso de drogas e, conseqüentemente, diversa atitudes sobre redução de danos. Alguns apresentam posições e condutas influenciadas por suas próprias experiências de tratamento; outros baseados na sua própria visão e formação, estando incluída a bagagem moral-religiosa sobre o uso de droga; outros trazem uma visão menos estereotipada ou menos rígida do que é adequado em termos do uso de drogas para determinado indivíduo; ou ainda uma visão pró-legalização das drogas (1).
Qual a atitude e a característica das diversas visões sobre o uso de drogas e sobre os problemas a ele relacionados, que caminham em sintonia com o movimento de redução de dano? E quais são as áreas em desacordo entre si ou que necessitam de maiores explorações e pesquisas?
A Redução de Danos, portanto, pode ser entendida atualmente por, pelo menos, duas vertentes diferentes: (a) a primeira mais fidedigna aos conceitos primordiais de sua criação para reduzir danos de HIV e DST em usuários de Drogas Injetáveis e (b) a segunda cujo conceito mais abrangentes inclui ações no campo da saúde pública preventiva e de política públicas que visam prevenir os danos antes que eles ocorram.
Para o segundo Conceito, que parte do ponto de vista mais abrangente, alguns princípios baseados em evidência devem ser destacados.

Reducao de Danos pos evento.pdf

Redução de Danos: Considerações da ABP e ABEAD
ABP (Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria)
ABEAD (Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Drogas)

Conceitos Básicos sobre Redução de Danos
1. A Melhor forma de reduzir os danos de todas as drogas à sociedade é estimular padrões de abstinência em todas comunidades, famílias e indivíduos.
2. Não existe uso de drogas isento de riscos. Dados recentes mostraram que mesmo relativamente baixas doses de álcool expões adolescentes a um maior risco de acidentes e outros problemas.
3. As políticas de redução de danos no sentido mais amplo deveria diminuir os danos sociais do uso de drogas. A Organização Mundial da Saúde propõe, por exemplo no caso do álcool políticas globais que visam diminuir o consumo geral do álcool, como: Aumento do preço das bebidas; proibição da propaganda do álcool; controle de acesso e disponibilidade do álcool; leis mais atuantes sobre o beber e dirigir. No Brasil não temos uma política sobre o álcool que vise diminuir o consumo e o dano dessa substância na nossa população, e portanto uma das prioridades de uma política racional sobre drogas deveria criar as condições para que essa política fosse implementada. Seria a mais importante medida para diminuir o custo social do álcool. Nos poucos exemplos onde algumas dessas políticas foram implementadas temos resultados substanciais. Por exemplo há um ano a cidade de Diadema na Grande São Paulo, aprovou o fechamento dos bares a partir das 23horas. Desde então a mortalidade por causa violentas caiu em mais de 50%.
4. As políticas de redução de danos para grupos específicos como crianças e adolescentes. Deveria buscar ações nesses grupos sociais visando estimular padrões de abstinência. Deveríamos entender um pouco mais as razões de que ainda a maioria dos adolescentes não usam drogas. Existem fatores de proteção nesses indivíduos que os mantém longe do consumo. Políticas que visem ampliar esses fatores de proteção ao uso de drogas e diminuir os fatores de riscos ao consumo deveriam ser estimuladas e implementadas.

Rede de apoio a medicos dependentes Jornal 1604 – CRM.pdf

Rede de Apoio a Médicos Dependentes Químicos: Primeiro Ano de Experiência.
“Viver é o ato contínuo de retalhar-se e remendar-se”.
(Do médico Guimarães Rosa)

Neste dia 6 de maio a Rede de Apoio a Médicos Dependentes Químicos completa seu primeiro ano de funcionamento. Este projeto, pioneiro no Brasil, surgiu da necessidade de abordar de forma consciente e madura o problema do uso nocivo e dependência de álcool e drogas, sem empurrá-lo para debaixo do tapete ou deixar que a sorte cuide daqueles que dele sofrerem.
A iniciativa – resultado de Convênio entre o CREMESP e a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Escola Paulista de Medicina (UNIAD – EPM/UNIFESP) – tem como objetivo facilitar o acesso ao tratamento, preservar o médico em seu direito de exercício da profissão e, ao mesmo tempo, preservar a saúde da população assistida.
Sabemos que esta área do conhecimento médico ainda é vítima de muito preconceito e desinformação, o que leva a atraso no diagnóstico com conseqüente piora da evolução do caso.
Um dos equívocos freqüentes – e mais deletérios – é o de se pensar que só quem tem uma dependência já instalada ou grave é que pode ser atingido pelas conseqüências do uso de álcool e drogas: acidentes automobilísticos, overdose, exposição a situações de risco (brigas, discussões familiares, sexo inseguro, ressacas, problemas no trabalho, absenteísmo), podem ocorrer mesmo no uso ocasional.
Outro mito é o de que quando o indivíduo tiver alguma conseqüência negativa irá parar espontaneamente: de fato, com o progredir da dependência, a percepção do problema pode ser negada ou minimizada (as defesas psicológicas podem se arraigar de forma patológica), o que somado à necessidade biológica – resultante do fenômeno de neuroadaptação frente à exposição crônica à droga – pode dificultar a mudança de atitude. Cabe aos familiares, colegas e terapeutas abrir a possibilidade de diálogo claro sobre o assunto, propiciando assim uma janela para mudança.
A formação médica é insuficiente: as escolas preocupam-se, no mais das vezes, com a abordagem das complicações físicas do uso problemático de substâncias, o que deixa o profissional de mãos atadas para o tratamento da dependência em si.
A dependência, por se tratar de fenômeno biopsicossocial e complexo, exige, para o tratamento, uma visão multidimensional do terapeuta ou da equipe responsável pelo caso: não há receita de bolo que se aplique a todos os indivíduos. Alguns precisam ser internados, outros precisam justamente de afastamento temporário do hospital. Na maioria das vezes o tratamento é ambulatorial; o uso de medicamentos bem como terapias psicológicas focais são armas de grande valia.

Psychoactive Substances and the Provision of Specialized Care.pdf

Psychoactive Substances and the Provision of Specialized Care:
The Case of Espirito Santo
Marluce Miguel de Siqueira, Dulce A. Barbosa, Ronaldo Laranjeira, Kristine Hopkins

Psychoactive substance (PAS) consumption is present throughout the world, unleashing diverse impacts on the individual, family and society. A 2002 World Health Organization1 report indicated that 8.9% of the global load of illnesses result from the consumption of PAS, with tobacco accounting for 4.1%, alcohol for 4% and illicit drugs for 0.8% of the global disease load. In the Americas and Europe, more than half of the population had used alcohol some time in their life (NIAAA, 1998; and WHO, 1999)2,3 and around a quarter smoke (WHO, 2000)4. Illicit drugs reach 4.2% of world’s population (UNODCCP, 2000; WHO, 2004)
The social and health problems related to the consumption and dependence of legal and illicit drugs currently are well known and considered a significant public health challenge. This challenge requires the attention of decision markers and the creation of appropriate public policies, as well as the involvement of representatives of all the segments of society: politicians, legislators, researchers, health professionals, and civil society groups (Sacardo, 2003; BRAZIL, 2003)7,8.
In the last ten to fifteen years, the Brazilian government has attempted to implement strategies to reduce the demand and supply of drugs. These policies have centered on integrating several social sectors, such as education, health, social work, sports, justice, and public security (BRAZIL, 2001; 2003; 2004a, 2004b)7,9-11. The prime example of this approach is National Antidrug Policy (Política Nacional Antidrogas – PNAD), whose objectives are the reduction of the demand and supply of drugs and are focused on, for the user, prevention, treatment, recuperation, reintegration into society, reduction of damages; law enforcement; and support for research and evaluation of existing programs and treatment models.

Posicionamento ABEAD Maconha .pdf

Posicionamento da ABEAD sobre
“A maconha: do uso medicinal à descriminalização”

Toda discussão envolvendo a maconha encontra defensores apaixonados e atacantes ardorosos. Poucos temas são tão polêmicos e com tão poucas evidências científicas de um lado ou do outro. Em 2001, o conceituado British Journal of Psychiatry publicou uma revisão originalmente comissionada pelo Departamento de Saúde Britânico, focalizando o perfil terapêutico da maconha e canabinóides (Robson, 2001). A partir dessa revisão, fica claro que o potencial uso medicinal da maconha carece de estudos com metodologia adequada. O autor sugere que a maconha tem ação antiemética e analgésica, além de diminuir a pressão intra-ocular, o que não pôde ser ainda demonstrado em outros estudos (IOM, 1999). Há evidência também de que possa produzir alívio sintomático e bem-estar geral em certas condições neurológicas e no quadro de perda de peso decorrentes da infecção pelo HIV e em certos tipos de câncer (IOM, 1999; Tramer, 2001). Uma ação anticonvulsivante foi reportada em poucos estudos, sem explicações claras sobre este achado (Grinspoon & Bakalar, 1993). Seus efeitos indesejáveis incluem sedação, intoxicação, tontura, boca seca, diminuição da pressão arterial e aumento da freqüência cardíaca. Um resumo de alguns efeitos adversos da maconha encontram-se na Tabela 1.
Robson ressaltou que a maconha é geralmente tolerada, mesmo em superdosagem. Como os tratamentos convencionais para algumas das condições mencionadas são insatisfatórios, apresentando elevada toxicidade e relativa ineficácia, conclui-se que vale a pena submeter aos rigores da pesquisa científica o potencial de substâncias canabinóides no tratamento dessas condições. Essas pesquisas são necessárias para quantificar efeito terapêutico e reações adversas, verificar potenciais interações e otimizar dose e via de administração, resultados ainda não alcançados, incipientes.
Outro autor importante na área de farmacologia de canabinóides, Leslie L. Iversen, ao discutir o uso medicinal da maconha conclui que embora haja claramente diversas indicações terapêuticas possíveis para medicamentos derivados da cannabis, para a maioria deles, a evidência da efetividade clínica é insuficiente pelos padrões atuais (Iversen, 2000). Uma classificação desta efetividade de acordo com a indicação terapêutica está descrita na tabela 2 (Earleywine, 2002; Swift & Hall, 2002; Holdcroft, 2002; Joy et al., 1999; Broom et al., 2001). Esse é um campo de pesquisa válido e necessário, mas que ainda não atingiu suficiente massa crítica para sua utilização em larga escala.

Ponto de vista do usuario.pdf

Tratamento para usuários de cocaína: ponto de vista do usuário1
Cocaine use treatment from the client point of view
Cleusa P. Ferri

As estimativas sobre o uso de drogas na população geral variam muito. Isto se deve às diferentes metodologias utilizadas nas pesquisas, à faixa etária estudada, às substancias incluídas e, principalmente, à particularidades de cada cultura estudada. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se (O’Brien, 1996) que mais de 23 milhões de americanos tenham usado cocaína pelo menos uma vez na vida, que o número de usuários ocasionais caiu de cerca de 2,9 milhões em 1988 para 1,3 milhão em 1992 e que o número daqueles que usam cocaína freqüentemente (pelo menos uma vez por semana) permaneceu mais ou menos constante desde 1991 (cerca de 640 mil pessoas). Enquanto o uso de cocaína parece ser menos prevalente na Europa do que nos EUA, na América do Sul é um problema importante e crescente, particularmente em países produtores de cocaína como a Colômbia, o Peru e a Bolívia (Negrete, 1992). No Brasil, o consumo de cocaína é um comportamento antigo, cujo uso era restrito à alta camada social no início do século, principalmente do Rio de Janeiro e São Paulo, passando a ser usada por diversos grupos sociais nas últimas décadas (Carlini, 1993).
Um estudo epidemiológico de âmbito nacional sobre o uso de droga na população geral não foi realizado no Brasil; neste sentido, não existem dados disponíveis sobre o consumo de cocaína quer na população como um todo, quer em subgrupos como sexo, classe sócio-economica, ocupação, religião, etc. Levantamentos epidemiológicos feitos pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotropicas (CEBRID) EM 1987, 1989, 1993 e 1997, realizado em populações especificas de estudantes e meninos de rua, mostram que as drogas mais utilizadas por adolescentes, além do álcool e do tabaco, são os solventes e sedativos (Galduroz et al., 1997 e Noto et al., 1998). Embora estes levantamentos mostrem baixa prevalência do
uso de cocaína entre estudantes (as taxas mais altas de uso atual estão por volta de 2,5%); eles também mostram um aumento do consumo nos últimos anos, o que é corroborado por outros indicadores, como o aumento gradativo das internações hospitalares por cocaína no período 1987-1993 (Noto, 1995) e aumento da procura de tratamento por usuários de crack (Ferri, 1997).

Neurociencia.pdf

Livro do professor
Este é o Guia do Professor para educação sobre neurociência, projetado para encorajar crianças do 1o. e 2o.graus aprender sobre os efeitos biológicos do abuso de drogas no corpo e no cérebro.
Abrange um grupo de substancias, inclusive estimulantes, alucinógenos, inalantes, maconha, opiáceos e esteróides. Descrevemos os efeitos das drogas especificas ou o tipo de droga na anatomia e fisiologia do cérebro e do corpo e demonstramos como essas drogas afetam o comportamento e as emoções.
As informações usadas em combinação com as figuras darão uma compreensão da realidade física do uso de drogas. O professor poderá desenvolver seu próprio plano de ação além de poder incorporá-lo no currículo.
Neuroanatomia: a estrutura do sistema nervoso
Para aprender como o sistema nervoso funciona, terá de aprender como o sistema nervoso é reunido.
O sistema nervoso pode ser divido em sistemas. Estes sistemas são conectados e funcionam juntos. Vamos começar com uma divisão simples:
O sistema nervoso divide-se em:
Sistema nervoso central (SNC)
Sistema nervoso periférico SNP)
Agora vamos dividir o sistema nervoso central e sistema nervoso periférico em mais partes.
Sistema Nervoso Central
O sistema nervoso central é dividido em duas partes principais: o cérebro e a espinha dorsal. No adulto humano comum, o cérebro pesa 1.3 a 1.4 kg. O cérebro contém aproximadamente 100 bilhões de células nervosa (neurônios) e trilhões de células de apoio, chamadas glio.
A espinha dorsal tem aproximadamente, 43cm de altura nas mulheres adultas e 45cm. De altura nos homens adultos e pesa aproximadamente de 35-40 gramas. A coluna vertebral, a coleção de ossos que fica na parte de trás, a casa da espinha dorsal tem cerca de 70cm de altura. Porém a espinha dorsal é menor que a coluna vertebral.

Neurobehavioral Profile Of Healthy Full Term Newborn Infants Of Adolescent Mothers.pdf

Neurobehavioral profile of healthy full-term newborn infants of adolescent mothers
Marina Carvalho de Moraes Barros, MD, PhD: Neonatologist of the Division of Neonatal Medicine of the Federal University of São Paulo (UNIFESP)
Ruth Guinsburg, MD, PhD: Full Professor of the Division of Neonatal Medicine of  UNIFESP
Sandro Mitsuhiro, MD: Researcher, Research Unit on Alcohol and Drugs of UNIFESP
Elisa Chalem: Researcher, Research Unit on Alcohol and Drugs of UNIFESP.
Ronaldo Ramos Laranjeira, MD, PhD:

Pregnancy in adolescence is a national public health problem in Brazil. In 2004, 2 655,290 (21.6%) born-alive infants in Brazil were children of 10 to 19 year-old mothers.1 3 In contrast, pregnancy occurred in 0.4% of girls aged 15 to 19 years in Japan, 0.8% in 4 Norway, 3.3% in the United Kingdom, 4.1% in Canada, and 6.1% in the USA.2 Teen 5 pregnancy is linked to other hazards, such as use of psychoactive substances, exposure to 6 sexually transmissible diseases, violence, and psychopathologic disorders. Individually or 7 in association, these factors can give rise to neurobehavioral disturbances in newborns.
The Neonatal Intensive Care Unit Network Neurobehavioral Scale (NNNS) is a 9 scale used to assess neurological integrity, behavioral function and the existence of stress 10 and abstinence signs in newborn infants. It was designed for the Maternal Lifestyle study 11 published in 2002 by Lester et al. in order to analyze how babies were affected by intra-12 uterine exposure to drugs.4 The NNNS can be used for newborn infants with different 13 gestational ages and varied biological risks (prematurity, restricted intra-uterine growth), 14 diseases (perinatal asphyxia) or social hazards (improper prenatal care, intense maternal 15 stress, low socioeconomic level).5 As for the normality standards in this scale, there is only 16 one published study of the neurobehavioral profile of 125 full-term healthy newborns, 30 17 hours old, whose mothers were 18 to 30 years old.5 18
Several factors can interfere with the neurobehavioral responses of newborn infants 19 in their early days of life. Maternal factors include socio-demographic characteristics, such 20 as mother’s age and ethnicity, type of anesthesia applied during delivery, and use of licit 21 and illicit drugs by the pregnant woman.4,6-14 The main factors relevant to newborns include 22 gender, nutritional condition, prematurity, hyperbilirubinemia, and perinatal asphyxia

Manual o limite do beber.pdf

Qual o limite do beber normal?
O que está errado em consumir álcool ?
Diferente de outras drogas como cigarro, cocaína , crack, maconha , etc, o álcool, se consumido moderadamente, não é prejudicial. Ele pode facilitar a circulação sanguinea, divertir , relaxar, descontrair, entre outras coisas.
A questão principal é o limite. Beber pode ser muito prazeiroso, mas beber muito, em horas ou situações inapropriadas, pode acarretar problemas como ressacas, acidentes de trabalho e trânsito, problemas de saúde , no relacionamento familiar, social e com você mesmo.
Quem são os bebedores de risco ?
Se você bebe uma dose de vez em quando, ou seja , com uma frequência irregular e em baixas quantidades, os seus riscos são pequenos. Mas se você bebe quantidades maiores, com uma frequencia definida, os riscos aumentam no sentido do seu consumo causar problemas ou mesmo a dependência. O importante é você começar a analisar os seus hábitos alcoólicos para poder perceber se o seu consumo é moderado ou pesado.
Qual é o seu consumo ?
1º )É importante saber o que seria uma unidade de álcool em cada dose que você consome, porque o que pode ser uma dose para você pode não ser uma dose efetivamente. Abaixo encontra-se uma tabela sobre o que seria considerada uma unidade de álcool em diferentes tipos de drinks:

Maconha revisao.pdf

Efeitos do uso da maconha nas funções cognitivas: revisão da literatura
Maria Alice F. P. Novaes, Paulo J. Cunha, Flávia Jungerman, Suely L.S. Nassif, Marcos B. Ferraz, Ronaldo R. Laranjeira

A maconha é uma das drogas ilícitas mais consumida no Brasil. De acordo com um levantamento domiciliar feito na cidade de São Paulo por Galduróz et al, 19991 Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), a maconha foi a droga que teve maior freqüência de uso na vida, para jovens maiores de 12 anos, seguida de longe pelos solventes e pela cocaína.
Galduróz et al2 compararam os quatro levantamentos realizados pelo CEBRID no Brasil em 1987, 1989, 1993 e 1997 em 10 capitais brasileiras, e concluiram que o uso freqüente da maconha, classificado como uso de seis vezes ou mais no mês, e o uso pesado, vinte vezes ou mais no mês, cresceu de maneira estatisticamente significante. No levantamento de 1997, um dado importante é que pela primeira vez em 10 anos, a maconha ultrapassou os solventes como droga de maior uso na vida, mesmo que isso tenha ocorrido apenas em uma das capitais pesquisadas, Porto Alegre. Nas demais capitais, embora a maconha apareça na
segunda ou terceira posição, houve aumento na tendência de uso na vida, e esta unanimidade de crescimento em todas as 10 capitais, só foi observada para esta droga.

Maconha qual a amplitude de seus prejuizos.pdf

Maconha: qual a amplitude de seus prejuízos?
Flavia S Jungerman
Rodrigo A Bressan
Ronaldo R Laranjeira

A maconha é a droga ilícita mais usada em todo o mundo. O uso da maconha geralmente é intermitente e limitado; no entanto estima-se que 10% dos que experimentaram maconha, tornam-se usuários diários e 20 a 30% a consomem semanalmente. Dados da Austrália mostram que os indivíduos têm iniciado o uso bem mais cedo e o a concentração de delta9-tetrahidrocanabinol (THC, principal substância psicoativa presente na maconha) está 30% maior do que há 20 anos atrás (1, 2). Alguns autores sugerem que damos menos atenção aos danos causados pela maconha por seus efeitos nocivos não serem tão óbvios como o de outras drogas (1). No entanto, nos últimos anos, começou-se a investir em pesquisas buscando avaliar a amplitude dos efeitos do uso desta droga. Este tema é particularmente importante para profissionais de saúde mental, pois os maiores prejuízos relacionados ao uso da maconha são os transtornos mentais que acabam sendo relacionados com o consumo.
Uma conferência internacional intitulada “Cannabis e Saúde Mental” em dezembro de 2004 no Instituto de Psiquiatria da Universidade de Londres abordou dois aspectos opostos relacionados à maconha e saúde mental: 1) as conseqüências do uso recreacional, abuso e dependência da maconha; 2) o uso terapêutico dos derivados da maconha (canabinóides). Neste editorial trataremos dos estudos relacionados ao impacto do uso de maconha. que o consumo da maconha no mundo.

Gravidez RBP.pdf

Gravidez na adolescência: Uso de drogas no terceirotrimestre e prevalência de transtornos psiquiátricos
Teenage pregnancy: Use  of drugs in the third trimestrer and prevalence of psychiatric disorders

Objetivo: determinar a prevalência de transtornos psiquiátricos durante a gravidez através do Composite International Diagnostic Interview – CIDI e do uso de cocaína e maconha no terceiro trimestre através do exame de fio de cabelo em adolescentes de baixa-renda e descrever suas características sócio-demográficas.
Materiais e Métodos: 1000 adolescentes grávidas foram submetidas ao CIDI, Hair Analysis e a um questionário sócio-demográfico e sócio-econômico no centro obstétrico de um hospital público de São Paulo.
Resultados: Das 1000 pacientes entrevistadas, 53.6% tem baixa-renda, 60.2% abandonou a escola, 90.4% está desempregada e 92.5% é financeiramente dependente. 6% usaram drogas durante o terceiro trimestre da gravidez (maconha: 4%, cocaína: 1.7%, ambos: 0.3%). 27.6% tiveram ao menos um transtorno psiquiátrico. Os diagnósticos mais freqüentes foram: Depressão (12.9%), Transtorno de Estresse Pós-traumático (10.0%) e Ansiedade (5.6%).
Discussão: Famílias desestruturadas, evasão escolar, desemprego e baixa capacitação profissional são fatores que contribuem para a manutenção desta situação sócio-econômica
desfavorável, cenário no qual são elementos importantes a alta prevalência de uso de cocaína e maconha no 3o trimestre da gravidez e de transtornos psiquiátricos.
Conclusão: É necessária a implementação de políticas públicas preventivas para reduzir a gravidez na adolescência além de cuidados sociais e psiquiátricos a essa população em situação de risco.

Gravidez Na Adolescencia.pdf

Gravidez na adolescência: Perfil sócio-demográfico e comportamental de uma população da periferia de são Paulo
Teenage pregnancy: Behavioral and socio-demographic profile of an urban Brazilian population.
Chalem E1 , Mitsuhiro SS1,Ferri CP2, Barros M M3, Guinsburg R3, Laranjeira R1.

Com o objetivo de identificar o perfil sócio demográfico e comportamental de gestantes adolescentes, foram entrevistadas 1000 adolescentes, admitidas no período de 24/07/2001 a 27/11/2002, em um hospital municipal de São Paulo, o que correspondeu a 24,3% das internações para resolução da gestação. 70 (7%) adolescentes foram admitidas para curetagem pós-abortamento e 930 (93%) para parturição. A idade média foi 17+1,5 anos, sendo que a maioria (72,4%) residia próximo ao hospital e 93% pertenciam as classes econômicas C, D e E. 627 (67,3%) adolescentes não estudavam à época da parturição. Apenas 23,7% das adolescentes fazia uso de método contraceptivo, 81,2% não tinha planejado a gestação e 80,1% eram primigestas. Quanto ao parto, 67,4% foram vaginais, 13,3% dos bebês foram pré-termo e 15,9% baixo peso. Durante a gestação, o consumo referido de tabaco foi 17,3% , de álcool 2,8% e de drogas ilícitas, 1,7%. Conclui-se que gravidez na adolescência é um fenômeno complexo, associado a fatores econômicos, educacionais e comportamentais, precipitando problemas e desvantagens decorrentes da maternidade precoce. O presente estudo fornece subsídios para políticas públicas de saúde visando prevenir a gravidez na adolescência

Gravidez-Saude Publica.pdf

Gravidez na adolescência: perfil sociodemografico e comportamental de uma população da periferia de São Paulo
Teenage pregnancy: behavioral and socio-demographic profile of an urban Brazilian population.
Descritores: Pregnancy in Adolescence, Social profiles, Demography, Cross-Sectional Studies, Sexuality and contraception behavior.
Chalem E1 , Mitsuhiro SS1,Ferri CP2, Barros M M3, Guinsburg R3, Laranjeira R1.

Objetivo: identificar o perfil sóciodemográfico e comportamental de gestantes adolescentes pobres de são paulo.
Método: Estudo de corte transversal descritivo. Entrevistadas 1000 adolescentes grávidas admitidas consecutivamente num hospital público municipal de são paulo de 24/07/2001 a 27/11/2002.
Resultados: Nos 492 dias do estudo, 24,3% das internações foram de adolescentes, sendo 92,0% partos de bebês vivos, 1,0% de natimortos e 7,0% de curetagens pós aborto. A idade média foi de 17,0 anos. A maioria era natural de São Pulo e 72,9% moravam em bairros próximos ao hospital. Moravam com o pai do bebê 62,7%, mas apenas 42,3% constiutindo um núcleo familiar independente. Pertenciam a classe econômica C e D 88,2 % e 68,0% referiam renda familiar de até 4 salários mínimos. Constatou-se alta evasão escolar (67,3%) na maioria associada a gestação. Das participantes, 80,1% era primigesta, 81,2% não planejava a gestação e apenas 23,8% fazia uso de método contraceptivo. Realizaram pré natal 91,2 % das entrevistadas, houve 67,4% de partos vaginais e 12,2% dos bebês foram pré-termos e 13,4% pesou menos de 2.500 g. Durante a gestação, 17,3% referiu uso de cigarro, 2,8% abuso de álcool e 1,7% consumo de drogas.
Conclusão: A gravidez na adolescência é um fenômeno complexo, associada com grande número de fatores econômicos, educacionais e comportamentais, precipitando problemas e desvantagens associadas a maternidade precoce. O presente estudo fornece subsídios importantes para políticas públicas preventivas visando a redução de comportamentos de risco.

Evaluation Of Alcohol Outlet Density And Characteristics In A Poor Area Of Sao Paulo.pdf

Evaluation of alcohol outlet Density and characteristics in a poor area of São Paulo- in search of an alcohol policy for the city
Ronaldo Laranjeira, M.D., Ph.D*, David Hinkly MsPsych**, Claudia Maciel

The current study set out to investigate alcohol availability in a densely populated, residential area of suburban São Paulo associated with high levels of social deprivation and violence. Gun-related deaths and a heavy concentration of alcohol outlets are notable features of the area surveyed. Given the strong evidence for a link between alcohol availability and a number of alcohol-related problems, including violent crime, measures designed to reduce accessibility have become a favoured choice for alcohol prevention programmes in recent years. By generating a profile of alcohol sales and selling points, it was hoped to gain a better understanding of alcohol access issues within the sample area. Methods: The interviewers were 24 residents of the area who were trainned for the study. It was selected na area of nineteen streets, covering a total distance of 3.7 km. Results: It was found 107 alcohol outlets were recorded. The number of other properties in the same area was counted at 1,202. Two measures of outlet density may thus be calculated: The number of outlets per kilometre of roadway (29outlets/km); and the proportion of all properties that sold alcohol (1 in 12). The main characteristics of the outlet were: 75% of them had no license; the mean number of days per week on which
outlets traded were 6.82; 82.6% of the outlet sold alcohol to customers on credit; the maind beverage sold was pinga and cost on average U$ 0.25. Conclusions: The results of this study are compared with others which are mainly from developed countries and the implications in terms of policies are discussed. Future alcohol prevention policy would be well served by such knowledge.

Em defesa da Politica Nacional Antidrogas.pdf

Em defesa da Política Nacional Antidrogas
Nas últimas semanas começou-se novamente a discussão sobre o futuro da Política Nacional Antidrogas do governo federal. Vários artigos de jornal vêem tratando o assunto e noticiando o eventual interesse do Ministério da Justiça em comandar essa parte importante da política social brasileira. Nesse momento é importante que a comunidade científica e os profissionais que atuam nessa área possam manifestar-se de uma forma independente da luta partidária e de eventuais interesses políticos que não estão relacionados com a evolução histórica da política nacional antidrogas. Vale a pena discutir o que pensamos ser alguns mitos que são ventilados constantemente sobre esse assunto:
1 – A atual política brasileira é inspirada somente pela política americana. Nada mais inverídico do que esse tipo de afirmação. Ao contrário, a formulação da política atual é a resultante de dois fórum nacionais sobre drogas, promovidos pela SENAD, onde mais de 2000 profissionais brasileiros discutiram longamente o tema. Baseada nos anais destes fóruns, uma Comissão composta de 11 membros e presidida pelo Dr. Evaldo Melo Oliveira, de Pernambuco, concluiu o projeto de uma Política Nacional Antidrogas, atualmente em vigor. Existem várias influências, dado que o interesse no assunto é mundial, no entanto, para qualquer leitor com um mínimo de isenção, verá que é um produto brasileiro feito pelos melhores profissionais brasileiros. Somente a parcialidade política pode colocar em dúvida a consistência e representatividade de uma política que busca o consenso.
2 – A Secretaria Nacional Antidrogas deveria ir para o Ministério da Justiça pois ao ficar próxima dos órgãos de repressão como a Polícia Federal seria mais fácil integrar os dois lados da política de drogas (prevenção e repressão). A história recente do país condenou esse tipo de ligação. Basta lembrarmos que um secretário nacional antidrogas deixou o cargo exatamente porque se desentendeu com o então Ministro da Justiça pelo controle da Polícia Federal e da SENAD. Colocar uma secretaria com função de prevenção junto com um órgão forte e corporativo como a Polícia Federal será a forma mais simples de destruir o caráter social e comunitário da nossa política antidrogas. Teremos aí sim uma política militarizada e repressora como os críticos da política americana temem.

Editorial RBP Davi e Golias.pdf

Davi, Golias, e o vale de Elah:
O debate entre evidência e opinião pessoal na área de prevenção e tratamento de drogas no Brasil
Flavio Pechansky, Ilana Pinsky e Ronaldo Laranjeira

A história é conhecida: Davi, o frágil e esperto defensor dos judeus, tinha que enfrentar o gigante Golias na batalha sobre o vale de Elah, para defender seu povo e suas crenças. Usando uma série de truques bastante espertos, como jogar terra nos olhos do gigante, ou atirar pedras em seu rosto, Davi conseguiu vencer Golias e obter a vitória tão desejada.
Ótimo, mas isso funcionou para a bíblia. Na vida real, quando Davi enfrenta Golias, outras forças – nem sempre tão simples – podem estar agindo. Este editorial busca fornecer uma fotografia do que está acontecendo no campo – ou vale – da política e pesquisa sobre uso de drogas no Brasil, com um foco especial nos aspectos relacionados ao que leva à expansão dos chamados programas de redução de danos no país, e o esforço para desenvolver pesquisa de qualidade para guiar as abordagens nacionais. Existe um vale entre as políticas públicas e a pesquisa no Brasil, e gostariamos de comentar sobre o que pode estar gerando ou influenciando as forças que levam Davi e Golias ao combate. Mas também focar no vale que existe entre os dois lados.
Muitos paises estão no momento enfrentando uma encruzilhada na história das políticas públicas de prevenção do abuso de substancias, incluindo o controle de drogas lícitas e álcool. Pela primeira vez, talvez tenhamos que lidar com forças opostas que são fortes o suficiente para gerar ondas de reação em ambas as direções. No Brasil, no momento, os defensores das políticas públicas oficiais estão sugerindo métodos inovadores para abuso de drogas, a partir de estratégias de redução de danos – em particular, salas de injeção(1). Estas abordagens, que são razoavelmente bem aceitas em alguns países desenvolvidos (2,3,4), está frontalmente em colisão com o que cientistas brasileiros propõem, no que diz respeito ao seu momento de implementação e à sua prioridade para o país. É particularmente preocupante que se possa estar lidando com métodos avançados – mas eventualmente paradoxais – de abordagem preventiva, sem que se tenham implementado táticas mais básicas, simples, e baseadas em evidência

Drogas ilicitas e seus danos a saude.pdf

Drogas ilícitas e efeitos na saúde
Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira
Marcelo Ribeiro, MSc

Atualmente, há uma grande variedade de substâncias psicoativas ilícitas disponíveis. Elas estão presentes em todas as classes farmacológicas (sedativas, estimulantes, alucinógenas) e muitas vezes são utilizadas por populações ou subculturas específicas, como o ecstasy pelos ravers e os inalantes e o crack pelos meninos de rua, para citar apenas alguns exemplos. Há, ainda, aquelas que atingiram um uso mais disseminado e „supracultural‟, como é o caso da maconha e da cocaína. No Brasil, estima-se que um quinto da população geral e um quarto dos estudantes de ensino médio tenham experimentado drogas ilícitas ou controladas ao menos uma vez na vida.
O impacto social do consumo de drogas ilícitas é bem menor do que o observado no uso indevido de álcool e tabaco. Mas se as complicações relacionadas ao consumo de drogas ilícitas são menos freqüentes, estão longe de serem incomuns. Pelo contrário, seus usuários representam cerca de 5% do público atendido nas salas de emergência, um quarto das consultas em ambulatórios gerais (incluindo álcool) e metade das vagas em centros de tratamento especializados. Além disso, tanto a incidência de complicações agudas, quanto à busca por tratamento têm aumentado. Por fim, o perfil etário jovem dos usuários, as conseqüências das complicações agudas (boa parte com risco de morte considerável), a violência do mercado ilegal e os efeitos da marginalidade tornam este um assunto de saúde pública da maior importância.

Diretrizes Sobre Comorbidades Psiquiatricas e Dependencia Ao Alcool.pdf

Diretrizes sobre comorbidade psiquiátricas x dependência ao álcool e outras substâncias – ABEAD/2003
Ronaldo Laranjeira; Marcos Zaleski; Ana Cecília Marques; Sérgio Nicastri; Analice Gigliotti; Tadeu Lemos; Félix Kessler; Marcos Romano; Hamer Alves; Valter Abelardino e Lílian Ratto.

I. Comorbidades psiquiátricas: uma visão global
Lílian Ratto; Marcos Zaleski

Comorbidade pode ser definida como a ocorrência de duas entidades diagnósticas em um mesmo indivíduo. No estudo da dependência ao álcool e outras drogas, a manifestação de transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias e de outros transtornos psiquiátricos vem sendo bastante estudada já desde os anos 80 (ROSS1 et al., 1988; SLABY2, 1986). De fato, o abuso de substâncias é o transtorno coexistente mais freqüente entre portadores de transtornos mentais (WATKINS3 et al., 2001), sendo fundamental o correto diagnóstico das patologias envolvidas. Os transtornos mais comuns incluem os transtornos de humor, como a depressão, tanto uni como bipolar, transtornos de ansiedade, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, e, numa extensão menor, a esquizofrenia. Transtornos alimentares e transtornos de personalidade também apresentam estreita correlação com o abuso de substâncias.

Diretrizes comorbidades psiquiatrica resumo.pdf

Diretrizes da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas para o diagnóstico e tratamento de comorbidades psiquiátricas e dependência de álcool e outras substâncias (versão resumida)
Guidelines of the Brazilian Association of Studies on Alcohol and Other Drugs for diagnoses and treatment of psychiatric disorders versus alcohol and other drugs dependence (abbreviated version)
Marcos Zaleskia, Ana Cecília Petta Roselli Marquesb, Ronaldo Laranjeirac e colaboradores

Objetivo: O diagnóstico de comorbidade psiquiátrica e dependência de álcool e outras substâncias tem sido objeto de inúmeros estudos nos últimos anos. A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas, ABEAD, desenvolveu o projeto Diretrizes. Este trabalho visa o desenvolvimento de critérios diagnósticos e terapêuticos atualizados, para as comorbidades psiquiátricas mais prevalentes. O objetivo deste trabalho é o de apresentar um resumo do documento original, que será disponibilizado em breve, sob a forma de livro.
Métodos: A metodologia utilizada foi a proposta pela Associação Brasileira de Álcool e Outras Drogas. O trabalho foi realizado tendo como referência Diretrizes adotadas em outros países, e baseado em evidências científicas publicadas em artigos de revisão, estudos com animais, ensaios clínicos randomizados e outros estudos.
Resultados: São apresentados dados referentes à epidemiologia, diagnóstico e tratamento das principais comorbidades psiquiátricas e dependência de álcool e outras substâncias. Em relação ao tratamento, neste artigo são detalhadas as diferentes condutas a serem tomadas, de acordo com cada comorbidade estudada, considerando tanto as abordagens não farmacológicas quanto o tratamento medicamentoso específico para cada condição clínica.
Conclusão: A Diretrizes para o diagnóstico e tratamento de comorbidades psiquiátricas e dependência de álcool e outras substâncias deverá servir como referência, baseada em evidência científica, na tomada de decisões sobre a melhor conduta na abordagem do dependente químico portador de outra patologia psiquiátrica.

Diadema_Outcomes final.pdf

Prevention of Murders in Diadema, Brazil:
The Influence of New Alcohol Policies

Pacific Institute for Research and Evaluation is a private sector non-governmental organization with thirty years of research and practice experience focusing, in large part, on the prevention of alcohol related injury and death. Pacific Institute is chartered in the United States and employs 90 Ph.D. level researchers within its workforce of 430. Institute staff work collaboratively with alcohol prevention researchers, administrators, and policy makers around the globe.
The Pacific Institute collaboration with alcohol researchers from the Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de Sao Paulo was initiated during a May, 2002, international meeting in Valencia, Spain. To date there have been five visits by Brazilian researchers and municipal policy makers to the United States, and four visits by Pacific Institute staff to Brazil. In addition, representatives of the Universidade Federal de Sao Paulo and Pacific Institute traveled to Cambridge, United Kingdom to represent the Americas in an international conference on alcohol policy. In summary, the collaboration of U.S. and Brazilian researchers and policy makers has been positive, productive, and mutually beneficial.
Experiences in Diadema
In February, 2004, as part of a meeting with researchers at the Universidade Federal de Sao Paulo, Pacific Institute representatives were informed that the City of Diadema had implemented new policies and enforcement strategies to prohibit alcohol sales after 23.00 hours. It was reported that these actions by political leaders and municipal staff in Diadema had achieved remarkable reductions in alcohol related violence against women and murders. The initial response to this report by Pacific Institute staff was “This is too good to be true. Can we arrange a meeting with city officials in Diadema?”
Fortunately, Jose de Fillipi, Jr., the Mayor of Diadema, and Regina Miki, the Diadema Secretary for Social Defense, were willing and able to change their calendars on short notice to meet with representatives of Pacific Institute and the Universidade Federal de Sao Paulo. As a result of these discussions Pacific Institute staff were impressed and intrigued – but not yet convinced.
In May, 2004, Pacific Institute researchers returned to Diadema to request the assistance and cooperation of Diadema officials and the collaborative support of researchers at the Universidade Federal de Sao Paulo in an independent evaluation of the Diadema alcohol policy initiatives using empirical behavioral health research protocols. Diadema city officials were as interested in documenting the results of their efforts as were the researchers, and agreed to cooperate fully and openly with Pacific Institute researchers in the program evaluation. Diadema officials did not place any restrictions on the research inquiries and did not place any requirements for prior review or limitations on the release of research results by Pacific Institute.

Desassistencia ao dependente quimico.pdf

Desassistência ao dependente químico e a política do Ministério da Saúde
Muita esperança foi criada com a aprovação recente da Lei n. 11.343/2006 que estabelece novo arcabouço jurídico para lidar com o usuário de substâncias ilícitas. Ela trouxe alguns poucos avanços, dentre eles a despenalização do usuário e maiores penas para os traficantes. No entanto a esperança termina quando pensamos sobre a realidade dos milhões de brasileiros que fazem uso de álcool e drogas e necessitam de ajuda. Essa nova lei, assim como a anterior, é cheia de boas intenções mas não muda a realidade. A política do Ministério da Saúde para a prevenção e tratamento dos dependentes químicos tem sido de omissão no atacado e desorientação no varejo. Não se trata de uma crítica a esse governo que está terminando, pois essa mesma equipe está nessa função há quase 10 anos. No atacado, não temos nada que mais remotamente poderíamos chamar de uma política, com os respectivos recursos, para enfrentarmos os desafios da prevenção e tratamento.

David and Goliath Addiction.pdf

David, Goliath, and the Valley of Elah:
The fight between passion and evidence in drug prevention and treatment in Brazil
Flavio Pechansky; Ilana Pinsky; Ronaldo Laranjeira

It is a fairly known story: David, the wise and frail defendant of the Jews, had to face the gigantic Goliath in a battle in the valley of Elah to defend his people, their faiths and their beliefs. By using smart tricks such as blinding the giant with sand, or throwing pebbles at his face, David was able to subdue Goliath and obtain victory for his comrades.
But that was worth for biblical needs. In real life, when David meets Goliath other forces – not so simple – may be acting along. This editorial attempts to provide a snapshot of what is happening in the field – or valley – of policymaking and research experience in Brazil. A special focus is on issues related to what guides the expansion of harm reduction programs in the country, and the struggle to develop evidence-based research to guide national prevention and treatment approaches. There is a gap between public policies and evidence-based research in Brazil, and we wish to discuss what has generated or influenced the forces that have driven David and Goliath – the two colliding fields – to meet for a challenge, but also to focus on the valley that exists between them. It is the authors’ hope that the examples produced in this paper will suit many international readers, who may be, in some way, dealing with the same sort of agenda.

Dados de Estudo Mult Colaborativo com a O M S.pdf

Risk factors associated to psychoactive substance consumption in emergency room patients admitted for non-fatal violent injuries – Analysis of data from WHO Collaborative Multi-country Study. \ Fatores de riscos associados ao consumo de substâncias psicoativas em pacientes atendidos em sala de emergência por trauma violento não fatal – Dados de Estudo Multicêntrico Colaborativo com a Organização Mundial da Saúde.
Authors: Alessandra Diehl Reis ; Juliana Surjan ; Neliana Buzi Figlie ; Ronaldo Laranjeira .

OBJETIVOS: identificar fatores de risco associados ao consumo de substâncias psicoativas em traumas violentos não fatais em pacientes admitidos em pronto socorro de um hospital geral, em São Paulo, Brasil.
MÉTODOS: um estudo transversal foi conduzido no pronto socorro com 353 pacientes admitidos por trauma não-fatal durante três meses de observação no período compreendido de julho a setembro de 2001. Os instrumentos utilizados foram os seguintes: um questionário padronizado pela Organização Mundial da Saúde com dados sócio-demográficos; o DAST; um quadro sobre o padrão de consumo de drogas; uma versão adaptada do AUDIT para drogas (DUDIT), screening de urina para maconha, cocaína, benzodiazepínicos e o bafômetro. Utilizou-se o teste estatístico Chi Quadrado para avaliar a significância da associação e o modelo de regressão logística para tentar explicar o trauma violento.
RESULTADOS: o bafômetro foi positivo em 11% (N=353/n= 39), para o teste de canabis (THC) 13.6% (N=242/n= 33), para o teste de cocaína 3.3% (N=242/n=8) e para o teste de benzodiazepínicos em 4.2% (N=166/n=7).
Cerca de 14% (n =49) dos traumas foram considerados violentos. Três fatores de risco foram identificados como favorecedores da probabilidade de trauma violento: gênero masculino, bafômetro positivo e traumas que acontecem fora de atividade de trabalho.

Custos sociais decorrentes do uso indevido de drogas.pdf

Custos sociais decorrentes do uso indevido de drogas
Os “custos sociais” decorrentes do uso indevido de drogas, cada vez mais elevados, tornam urgente a intervenção mais adequada do ponto de vista da saúde pública.As conseqüências, diretas e indiretas, do uso abusivo de substâncias psicoativas são percebidas não apenas no contexto da rede pública de saúde, mas principalmente nas várias interfaces da vida social: na família, trabalho, trânsito, na disseminação do vírus HIV entre usuários de drogas injetáveis, mulheres e crianças, no aumento da criminalidade etc. Para estimar o montante dos custos relativos ao uso e abuso de álcool e drogas em termos de saúde pública, as pesquisas tem se pautado, principalmente, nos gastos com tratamento médico, na perda de produtividade de trabalhadores consumidores abusivos de drogas; e nas perdas sociais decorrentes de mortes prematuras.Outro aspecto relevante do problema diz respeito ao hábito de fumar, que raramente faz parte das estatísticas oficiais vinculadas a dependência química. Neste caso, 2,2% do PIB nacional é consumido com tratamento de doenças decorrentes da dependência tabágica (CHUTTI, In:BUCHER, 1992). Segundo Bucher (1992), estima-se que 5% da assistência especializada do País destina-se ao tratamento de casos de abuso de outras drogas que não o álcool, equivalendo neste caso à 0,3% do PIB. A estimativa é que no seu conjunto, o custo das drogas psicoativas no Brasil corresponde a 7,9% do PIB por ano, ou seja, cerca de 28 bilhões de dólares (In: Secretaria de Estado da Saúde/SP,1996). Nos Estados Unidos no ano de 1990, os custos econômicos totais do “abuso do álcool” foram estimados em mais de 100 bilhões de dólares, sendo que mais de 80% destes custos foram relativos ao tratamento, morbidade e mortalidade .

Cuidando de medicos com dq.pdf

Cuidando de Médicos com Dependência Química: Perfil Clínico e Demográfico.
Autores: Alves, HNP; Laranjeira, RR; Nogueira-Martins, LA; Marques, ACRP; Surjan, JC; Guerra, AA; Ramos, SP.
O consumo de substâncias de abuso pelos médicos é causa freqüente de erro, absenteísmo, e queixas junto aos Conselhos Regionais de Medicina. Este problema demanda maior atenção, pois determina riscos ao público e ao médico. Objetivo: Traçar o perfil clínico e demográfico de uma amostra de médicos em tratamento devido a dependência química, avaliar possíveis comorbidades psiquiátricas e conseqüências associadas ao consumo. Método: Foram coletados dados de 198 médicos em tratamento ambulatorial por uso nocivo e dependência química, por meio de questionário elaborado pelos autores. Resultados: A maioria de indivíduos foi do sexo masculino (87,8%), casados (60,1%), com idade média de 39,4 anos (desvio padrão=10,7 anos). Sessenta e seis por cento já tinham sido internados por causa do uso de álcool e/ou drogas. Setenta e nove por cento possuía residência médica e as especialidades mais envolvidas foram: clínica médica, anestesiologia e cirurgia. Comorbidade psiquiátrica foi diagnosticada em 27,7 por cento (Eixo I do DSM-IV)1 e em 6% (Eixo II do DSM-IV)1. Quanto às substâncias consumidas, o mais freqüente foi uso associado de álcool e drogas (36,8%), seguido por uso isolado de álcool (34,3%) e uso isolado de drogas (28,3%). Observou-se o intervalo de 3,7 anos em média entre a identificação do uso problemático de substâncias e a procura de tratamento. Quanto à busca por tratamento, 30,3% o fizeram voluntariamente. Quanto aos problemas sociais e legais observou-se: desemprego no ano anterior em quase 1/3 da amostra; problemas no casamento ou separação (68%), envolvimento em acidentes automobilísticos (42%) e problemas jurídicos (19%). Dois terços apresentaram prejuízo na prática da profissão e 8,5% tiveram problemas junto aos Conselhos Regionais de Medicina. Os autores recomendam algumas medidas assistenciais e preventivas para o problema.

COPING.pdf

TREINAMENTO DE HABILIDADE SOCIAL E INTERAÇÃO
CSST ==> Programa de treinamento e habilidades social + interação ==> serve para tratamento e prevenção para dependentes.
Para ampliar o espectro de tratamentos que envolve habilidade social, reforço comunitário, conjugal / familiar, treinamento de auto-controle comportamental, preservação da recaída e outras abordagens cognitivas-comportamentais.
CSST ==> É mais usado em pacientes dependentes e para prevenção do álcool.
O programa fornece um esquema de técnicas comuns para conscientização dos bloqueios de interação que o paciente tem no dia-a-dia. Estas dificuldades podem incluir oscilação de humor ao lidar com situações interpessoais (sociais) que incluem relacionamento no trabalho, família e conjugal. Tais dificuldades podem resultar de fatores de predisposição biológica e ou ambientais.
Os fatores ambientais podem incluir: itens do dia-a-dia (morte de uma pessoa amada ou pequeno fracasso no serviço ou relacionamento). A chance de recaída desses pacientes é maior nos ambientes de pressão visual, onde pode ver e sentir o cheiro da bebida preferida, do que aqueles “protegidos”.
Os temas principais para o programa CSST:
1 – Habilidade interpessoal para construir relações;
2 – Adequação emocional – cognitiva para estabilização do humor;
3 – Habilidades de adequação para o desenvolvimento da rotina e lidar com eventos da vida;
4 – Saber lidar com a facilidade (exposição) ao uso da substância;
Adequação Cognitiva
Inclui estratégias para lidar com reações cognitivas ou psicofisiológicas que levam a forte necessidade de beber, assim como de auto-confiança ou auto-eficácia, para que possa resistir a tentação de beber em determinadas ocasiões.
Como terapeutas, devemos descobrir as fontes de vulnerabilidade de casa paciente, que possam interagir com fatores ambientais por recaídas devido a falta de habilidade de adequação alternativa.

 

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Contemporary Changes in Psychopathology
In the last three decades Psychiatry has undergone a major change in its approach to psychopathology. Psychopathological classifications used to reflect belief systems that were based on impressionistic clinical similarities. Most were not grounded in quantifiable data, used unrepresentative populations, and were devoid of a coherent theory (Millon, 1987,1991). The validity of the classifications rested on the personal authority of their originators, which often was limited to a single country (Kendler, 1990). During the sixties there was a growing awareness among clinicians and researchers that the absence of an objective and reliable system for describing psychopathology and for making psychiatric diagnoses was limiting scientific progress (Klerman, 1986). The development of quantitative techniques for measuring psychopathology (i.e. psychometrics) and the refining of standardised diagnostic criteria have led to a transformation of this science.
Psychopathology no longer depends on the intuitive artistry of brilliant clinicians and theoreticians who formulated dazzling but unfalsifiable insights. Psychopathology has acquired a solid footing in the empirical methodologies and quantitative techniques used in psychology (Blashfield, 1986; Millon, 1987). A major innovation was the use of diagnostic criteria that were intended to provide operational definitions of the psychiatric diagnosis. Many instruments were developed in response to the need for a better descriptive diagnosis. These new instruments drew upon existing psychometric methodologies, particularly those for educational testing, with multivariate statistics methods (Blashfield, 1986). The term psychopathology was synonymous with descriptive symptomatology; now, according to Millon (1991), can be justly employed to represent ‘the science of abnormal behaviour and mental disorder’.

Conceitos Basicos sobre Reducao de Danos.pdf

Conceitos Básicos sobre Redução de Danos
- A Melhor forma de reduzir os danos de todas as drogas à sociedade é estimular padrões de abstinência em todas comunidades, famílias e indivíduos.
- Não existe uso de drogas isento de riscos. Dados recentes mostraram que mesmo relativamente baixas doses de álcool expões adolescentes a um maior risco de acidentes e outros problemas.
- As políticas de redução de danos no sentido mais amplo deveria diminuir os danos sociais do uso de drogas. A Organização Mundial da Saúde propõe, por exemplo no caso do álcool políticas globais que visam diminuir o consumo geral do álcool, como: Aumento do preço das bebidas; proibição da propaganda do álcool; controle de acesso e disponibilidade do álcool; leis mais atuantes sobre o beber e dirigir. No Brasil não temos uma política sobre o álcool que vise diminuir o consumo e o dano dessa substância na nossa população, e portanto uma das prioridades de uma política racional sobre drogas deveria criar as condições para que essa política fosse implementada. Seria a mais importante medida para diminuir o custo social do álcool. Nos poucos exemplos onde algumas dessas políticas foram implementadas temos resultados substanciais. Por exemplo há um ano a cidade de Diadema na Grande São Paulo, aprovou o fechamento dos bares a partir das 23horas. Desde então a mortalidade por causa violentas caiu em mais de 50%.
- As políticas de redução de danos para grupos específicos como crianças e adolescentes. Deveria buscar ações nesses grupos sociais visando estimular padrões de abstinência. Deveríamos entender um pouco mais as razões de que ainda a maioria dos adolescentes não usam drogas. Existem fatores de proteção nesses indivíduos que os mantém longe do consumo. Políticas que visem ampliar esses fatores de proteção ao uso de drogas e diminuir os fatores de riscos ao consumo deveriam ser estimuladas e implementadas.

Conceitos basicos e diagnostico.pdf

Conceitos básicos e diagnóstico
O consumo de substâncias que possuem a capacidade de atuar sobre o cérebro, gerando modificações no psiquismo, parece ser um fenômeno universal da humanidade. Em nossa sociedade, constitui um dos principais problemas de saúde pública. A lista das complicações decorrentes do consumo dessas substâncias inclui cânceres, doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, infecções, entre outras. A dependência de nicotina é isoladamente a principal causa evitável de mortes prematuras e o abuso de álcool é a principal causa de acidentes e mortes violentas em nosso meio. O consumo de drogas injetáveis é fator de risco para diversas infecções, entre elas a infecção pelo HIV. Assim, o consumo de substâncias acarreta diversos danos físicos, psicológicos e sociais, estando também relacionado a criminalidade, baixo rendimento escolar, prejuízos no trabalho e nas relações interpessoais.
CLASSIFICAÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS
As diversas substâncias psicoativas podem ser classificadas segundo seus efeitos sobre o sistema nervoso central (quadro I). Assim, os depressores da atividade do SNC tendem a diminuir a atividade motora, a reatividade à dor e a ansiedade, sendo no entanto comum um efeito euforizante inicial e um posterior aumento da sonolência. Os estimulantes da atividade do SNC produzem aumento do estado de alerta, insônia e aceleração dos processos psíquicos. Os perturbadores da atividade do SNC geram diversos fenômenos psíquicos anormais, como alterações sensoperceptivas (alucinações, ilusões e delírios), sem que haja inibição ou estimulação do SNC.

Comorbidades ABEAD para publicacao 2003.pdf

Comorbidades psiquiátricas: Uma visão global
Lílian Ratto ; Marcos Zaleski; Ronaldo Laranjeira

Comorbidade pode ser definida como a ocorrência de duas entidades diagnósticas em um mesmo indivíduo. No estudo da dependência de álcool e outras drogas, a manifestação de transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias e de outros transtornos psiquiátricos vem sendo bastante estudada já desde os anos 80 (ROSS1 et al., 1988; SLABY2, 1986). De fato, o abuso de substâncias é o transtorno coexistente mais freqüente entre portadores de transtornos mentais (WATKINS3 et al., 2001), sendo fundamental o correto diagnóstico das patologias envolvidas. Os transtornos mais comuns incluem os transtornos de humor, como a depressão, tanto uni como bipolar, transtornos de ansiedade, transtornos de déficit de atenção e hiperatividade, e, numa extensão menor, a esquizofrenia. Transtornos alimentares e transtornos de personalidade também apresentam estreita correlação com o abuso de substâncias.
Em 1974, Kaplan e Feinstein3a caracterizaram três classes de comorbidades: a patogênica, quando um determinado transtorno leva ao desenvolvimento de outro, e ambos podem ser etiologicamente relacionados; a diagnóstica, (dois ou mais transtornos cujos critérios diagnósticos se baseiam em sintomas não específicos); e a prognóstica, quando a combinação de dois transtornos facilita o aparecimento de um terceiro, como por exemplo, a maior chance de que um paciente com diagnóstico de depressão e ansiedade venha a apresentar abuso ou dependência de álcool ou drogas.

Cap 64 Alcool e Drogas Intoxicacoes e Abstinencias.pdf

Capítulo 64 Álcool e Drogas: Intoxicações e Abstinências
Autores: Profa Dra Lilian Ribeiro Caldas Ratto
Prof Dr Ronaldo Laranjeira

O consumo disseminado de substâncias psicoativas, como álcool, tabaco, maconha e cocaína, vem recebendo cada vez mais atenção da comunidade, uma vez que as complicações clínicas e sociais decorrentes do uso de tais substâncias são conhecidas e consideradas problema de saúde pública. Qualquer padrão de consumo dessas substâncias poderá trazer problemas para o indivíduo (1), com riscos variados, desde imediatos (acidentes, traumas, violência, vitimização, faltas ao trabalho e escola, entre outros) até crônicos (doenças, problemas familiares, perda de emprego, crises de abstinência). Todas as áreas da vida do indivíduo podem ser afetadas: problemas sociais (faltas no emprego, falta de moradia), físicos (acidentes, doenças) e psicológicos (depressão, ansiedade).
Esse capítulo procura abordar, objetivamente, duas questões clínicas relevantes para a Urgência e Emergência Médicas, que são as Intoxicações Agudas e as Síndromes da Abstinência ao álcool e as drogas psicoativas de maior prevalência e importância clínicas em nossa comunidade. O texto foi baseado no consenso “Usuários de substâncias psicoativa: abordagem, diagnóstico e tratamento”, publicação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Diretrizes elaboradas em conjunto com a Associação Médica Brasileira)

Cannabinoids for pain and nausea.pdf

Cannabinoids for pain and nausea
Some evidence but is there any need?
This is an exciting time for cannabinoid research. The discovery of cannabinoid CB1 receptors (expressed by central and peripheral neurones)1 and CB2 receptors (expressed mainly by immune cells)2 and endogenous agonists3 for these receptors has renewed the scientific community’s interest. Independently of these developments society at large has continued an aggressive debate about the therapeutic use of cannabinoids, including demands for their more liberal availability. 4 5 Cannabinoids have been suggested to have therapeutic value as analgesics and in various conditions, including migraine headaches, nausea and vomiting, wasting syndrome and appetite stimulation in HIV-infected patients, muscle spasticity due to multiple sclerosis or spinal cord injury, movement disorders such as Parkinson’s disease, epilepsy, and glaucoma.6 When new therapeutic indications are suggested, two major factors should be taken into account: what are the adverse effects of the treatment and how does its effectiveness compare with that of existing alternatives?
In this week’s issue two high quality systematic reviews shed light on the therapeutic potential of cannabinoids in the management of pain (p 13)7 and the nausea and vomiting induced by chemotherapy (p 16).8 Campbell et al sought and examined all randomised controlled trials that compared the efficacy and safety of cannabinoids with those of conventional anaglesics.7 The nine trials included 222 patients, of whom 128 had cancer (five studies), two chronic non-malignant pain (two studies, one patient per trial), and the rest postoperative pain. Cannabinoids were no more effective than codeine in controlling acute and chronic pain and they had undesirable effects in depressing the central nervous system. These studies are mostly from the 1970s. Since then we have learnt to use non-steroidal anti-inflammatory analgesics alone and in combination with opioids in both cancer related and postoperative pain. There is thus no need for cannabinoids for these indications.

Atitudes.pdf

Atitudes

Embora sejam doenças comuns no Brasil, o Uso Nocivo e Dependência de álcool não recebem atendimento adequado na Rede Primária de Saúde ( ). Este fato se deve a diversos fatores, alguns deles difíceis de aferir. A falta de profissionais ( ); os recursos materiais escassos ( ); a falta de suporte ( ), a falta de conhecimento ( ) ; e as Atitudes dos profissionais em relação ao usuário nocivo ou dependente do álcool ( ) são alguns desses fatores
As Atitudes podem ser entendidas como uma tendência psicóloga, expressa ou não expressa, de avaliar uma entidade qualquer com algum grau a favor ou contra ( ). Tendência psicológica refere-se a um estado subjetivo interno da pessoa. Essa tendência psicológica avaliadora pode ainda ser entendida como uma espécie de viés que predispõe o indivíduo a ter respostas avaliadoras positivas ou negativas. Avaliação refere-se a toda classe de respostas avaliadoras sejam elas manifestas ou não ( ).
De fato, a literatura aponta que os profissionais da saúde não fazem diagnósticos de Uso Nocivo ou Dependência do Álcool com a mesma freqüência e precisão que o fazem para outras doenças crônicas ( ). A falta do diagnóstico precoce piora o prognóstico e aumentam os gastos com saúde pública

Artigo comorbidades RBP Versao Portugues.pdf

Diretrizes da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) para o diagnóstico e tratamento de comorbidades psiquiátricas e dependência de álcool e outras substâncias
Guidelines of the Brazilian Association of Studies on Alcohol and Other Drugs (ABEAD) for diagnoses and treatment of psychiatric comorbidity with alcohol and other drugs dependence
Marcos Zaleskia, Ronaldo Ramos Laranjeira, Ana Cecília Petta Roselli Marques, Lílian Ratto; Marcos Romano; Hamer Nastasy Palhares Alvesb; Márcia Britto de Macedo Soaresd; Valter Abelardinoe; Félix Kesslerf; Sílvia Brasilianog; Sérgio Nicastrih; Patrícia Brunferntrinker Hochgrafg; Analice de Paula Gigliottii e Tadeu Lemosa.

O diagnóstico e tratamento de comorbidade psiquiátrica e dependência de álcool e outras substâncias têm sido objeto de inúmeros estudos nos últimos anos. A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD) desenvolveu o projeto Diretrizes. Este trabalho visa o desenvolvimento de critérios diagnósticos e terapêuticos atualizados para as comorbidades psiquiátricas mais prevalentes. Ensaios clínicos randomizados, estudos epidemiológicos, estudos com animais e outros estudos são revisados. As principais comorbidades psiquiátricas são estudadas e os dados de literatura resumidos, tendo como referência diretrizes adotadas em outros países. São abordados aspectos epidemiológicos, critérios diagnósticos, tratamento integrado e organização de serviço especializado, assim como especificidades do tratamento psicoterápico e farmacológico. As Diretrizes da ABEAD reforçam a importância da abordagem adequada do dependente químico portador de comorbidade psiquiátrica.
Descritores Comorbidades. Dependência. Diretrizes. Diagnóstico. Tratamento.

Artigo Comorbidade psicose e Dependencia Quimica.pdf

Diretrizes da associação brasileira de estudodo álcool e outras drogas (ABEAD) para o diagnóstico e tratamento de comorbidades em dependência ao álcool e outras drogas
Capítulo: Dependência química e transtornos psicóticos
Felix H. P. Kessler

O presente capítulo tem como objetivo revisar os princípios mais atuais da avaliação e tratamento dos pacientes com diagnóstico duplo de síndromes psicóticas e uso de substâncias psicoativas. Serão apresentados dados epidemiológicos, teorias etiológicas, problemas de diagnóstico diferencial e discussão sobre o tratamento através de uma ampla visão da literatura.
Em razão da dificuldade de caracterizar os episódio de psicose nesses pacientes, decidiu-se também descrever detalhadamente os sintomas psicóticos associados a cada tipo de droga, bem como a sua correlação com os sintomas e o tratamento da esquizofrenia. Um algoritmo foi montado para facilitar o raciocínio diagnóstico e o tratamento.
Priorizaram-se artigos com metodologia adequada e revisões realizadas por autores renomados nessa área. Espera-se que esse trabalho possa auxiliar os profissionais que trabalham com tal grupo de pacientes, uma vez que muitas dúvidas ainda permeiam esse complexo tema.
Epidermologia
O abuso de substâncias psicoativas e psicose são comumente encontrados em conjunto. No Epidemiological Catchment Área Study (ECA) (1) – falta colocar na bibliog), a prevalência encontrada dos transtornos relacionados ao uso dessas substâncias foi de aproximadamente 47% nos indivíduos com esquizofrenia, incluindo 34% com abuso de álcool e 28% com abuso de drogas, comparado a 13.5% de abuso de álcool e 6.1% de abuso de drogas. Essa prevalência medida através de estudos realizados em locais de tratamento também variou de 25 a 75% (2,3,4). Vários outros estudos confirmaram esses dados e demonstraram que a prevalência varia com o tipo de droga e a maioria com um alto índice de tabaco, álcool, maconha (5, 6, 7, 8, 9, 10). Uma revisão da literatura epidemiológica nessa área concluiu que os dados já publicados sobre o aumento do abuso de álcool e drogas em indivíduos esquizofrênicos e portadores de outros transtornos psicóticos ainda são controversos e apresentam problemas metodológicos a serem reparados (11). A maioria dos autores concorda que o padrão de consumo varia consideravelmente entre os países, mas que provavelmente exista uma maior propensão ao abuso de estimulantes nessa população

Alcosumm.pdf 

Pharmacotherapy for Alcohol Dependence
Under its Evidence-Based Practice Program, the Agency for Health Care Policy and Research (AHCPR) is developing scientific information for other agencies and organizations on which to base clinical guidelines, performance measures, and other quality improvement tools. Contractor institutions review all relevant scientific literature on assigned clinical care topics and produce evidence reports and technology assessments, conduct research on methodologies and the effectiveness of their implementation, and participate in technical assistance activities.
The pharmacotherapy for alcohol dependence was selected as an evidence report topic by the Agency for Health Care Policy and Research (AHCPR) because of its timeliness, the severity and impact of the disease, and the need for careful evaluation of new therapeutic modalities for its treatment. Alcoholism is a prevalent disease that will affect on the order of 10 percent of the adult population of the United States. An estimated 100,000 Americans die each year from alcohol-related disease or injury. The serious financial and nonfinancial impact of this disease extends to family members and society in general, and its annual dollar cost to the country has been estimated (as of 1995) to exceed $166 billion.
The treatment of alcohol dependence requires a two-step approach that includes withdrawal and detoxification followed by further interventions to maintain abstinence. There is considerable uncertainty about the best treatment strategies for patients in the post-detoxification stage. Some advocate a “drug-free” 12-step approach developed by Alcoholics Anonymous (AA), while others assert that the 12-step approach or other psychosocial approaches combined with appropriate nonaddictive pharmacotherapies may improve treatment outcomes.
This summary is drawn from an evidence report that focuses on the pharmacotherapies used for the treatment of alcohol dependence. The report is organized around a series of major clinical questions on the pharmacotherapy for alcohol dependence. They involve pharmaceutical agents that have been historically or are presently used in the treatment of alcoholism: disulfiram, the opiate antagonists naltrexone and nalmefene, serotonergic
agents such as ondansetron, buspirone, and the selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs, such as citalopram, fluoxetine, paroxetine, sertraline, etc.), and lithium. Disulfiram and naltrexone, in particular, are mainstream agents in use in the United States today. However, it is important to recognize that the field of pharmacotherapy for alcohol dependence has evolved substantially over the past 5 years, especially with the emergence of data on the opiate antagonists.
Concomitantly, there is one promising pharmaceutical agent currently in use in Europe—acamprosate (calcium acetyl homotaurinate)—for preventing alcohol relapse. An investigational new drug (IND) application is on file for this drug at the United States Food and Drug Administration (FDA), and it is in Phase III trials in this country.

Alcool e drogas na sala de emergencia.pdf

Álcool e drogas na sala de emergência
Ronaldo Laranjeira
Marcelo Ribeiro de Araújo

As complicações relacionadas ao uso de álcool e drogas nas salas de emergências são um fato corrente na atualidade. A difusão, a diversificação e o fácil acesso a substâncias psicoativas, antes regionalizadas e pouco conhecidas, fazem o médico de plantão de hoje deparar-se com quadros clínicos diversos, ora isolados, ora combinados, minimizados, exacerbados ou mascarados por outras situações (p.e. uso combinado de substâncias, doenças prévias ou injúrias decorrentes do uso).
O usuário de substâncias capazes de alterar os estados da mente possui comportamentos distintos e está vulnerável a processos infecciosos, alterações metabólicas e acidentes, que por vezes mostram-se mais emergenciais do que a intoxicação ou a síndrome de abstinência per se. Por vezes combina substâncias de ação central semelhantes ou antagônicas, pode estar comprometido nutricionalmente ou suceptível a acidentes e a ambientes violentos. As intoxicações podem servir a propósitos suicidas ou funcionarem como ‘antídotos’ para indivíduos sofrendo de alguma patologia psiquiátrica.
Os quadros clínicos, quanto ao número de sintomas e a intensidade desses, são variáveis e idiossincráticos. A quantidade de substância utilizada e combinações dessas, lesões prévias no SNC, patologias de base e interações com medicamentos podem facilitar ou dar um colorido suis generis à sintomatologia. Em relação a esse último, é importante lembrar que os psicotrópicos possuem amplas interações com medicamentos utilizados na prática clínica diária e podem desencadear descompensações comprometedoras no mais inusitado dos indivíduos (p.e. os barbitúricos aumentam a metabolização de fármacos como o warfarin, a cimetidina, o metronidazol e provavelmente da digoxinab).
É objetivo desse capítulo apresentar as principais complicações relacionadas às substâncias psicoativas mais comuns em nosso meio, seu quadro clínico, considerações sobre diagnósticos diferenciais e concomitantes e interações medicamentosas, bem como as abordagens terapêuticas mais eficazes no tratamento dessas.

Alcool e drogas Emergencia Psiquiatrica.pdf
Álcool e drogas : Emergência Psiquiátrica
Marcelo Ribeiro
Ronaldo Laranjeira
John Dunn

As complicações relacionadas ao uso de álcool e drogas nas salas de emergências são um fato corrente na atualidade (Seblova e cols., 2005; Brugal e cols., 2004). A difusão, diversificação e fácil acesso às substâncias psicoativas, colocam o médico de plantão em contanto com quadros clínicos diversos, muitas vezes exacerbados ou mascarados por outras doenças e intercorrências clínicas (Sterrett e cols., 2003; Bowley e cols., 2004). O usuário substâncias psicoativas está sujeito a processos infecciosos, alterações metabólicas, acidentes e episódios de violência, por vezes mais relevantes do que a intoxicação ou a síndrome de abstinência per se (McCaig e Burt, 2001; Lipsky e cols., 2004). As intoxicações podem servir a propósitos suicidas (Preuss e cols., 2003) ou funcionarem como „antídotos‟ para indivíduos sofrendo de alguma patologia psiquiátrica (Hirschfeld, 1996).
As salas de emergência parecem ser mais procuradas por usuários crônicos (McGeary e French, 2000). Além disso, boa parte desses utiliza mais de uma substância (Stoduto e cols., 1993), cuja associação torna mais provável o surgimento de complicações clínicas (Cole e cols., 2005) e a chegada desses usuários à atenção médica de emergência (Lora-Tamayo e cols., 2004). Entre os adolescentes, o poliabuso parece estar diretamente relacionado com a procura por esse tipo de atendimento (Stephenson e cols., 1984). Desse modo, vê-se que a procura pelos serviços de emergência acontece com mais freqüência entre aqueles que possuem problemas graves rerlacionados ao consumo de substâncias psicoativas, tornando o médico de plantão um importante elo entre o paciente e os serviços de tratamento para dependência de álcool e drogas (Rockett e cols., 2003).
Apesar de cada substância demandar condutas específicas para suas complicações, alguns princípios (quadro 16.1) devem ser sempre seguidos, visando a aumentar a sensibilidade e a precisão diagnósticas e estabelecer uma linha geral de abordagem.

Abordagem Geral do Usuario de Substancias com Potencial de Abuso.pdf

Abordagem Geral do Usuário de Substâncias com Potencial de Abuso
Autoria: Marques ACPR, Ribeiro M

Descrição do método de coleta de evidências:
As condições mais encontradas na população referentes ao abuso e dependência de substâncias químicas foram distribuídas entre os especialistas para elaboração do texto inicial. A elaboração destes textos foi fundamentada na experiência pessoal do especialista, nas recomendações de entidades internacionais com reconhecido saber na área e na literatura científica disponível. Nove textos relacionados à abordagem geral, álcool, nicotina, benzodiazepínico, anfetamina, maconha, cocaína, opiáceo e solventes foram apresentados para avaliação dos outros elementos, reunidos em grupo. A diretriz foi finalizada após a discussão em grupo, com acréscimo e subtração de conteúdo e referências científicas da literatura.
Grau de recomendação e força de evidência:
A: Estudos experimentais e observacionais de melhor consistência.
B: Estudos experimentais e observacionais de menor consistência.
C: Relatos ou séries de casos.
Objetivo:
Auxiliar o médico que faz atendimento geral, ou primário, a reconhecer, orientar, tratar ou encaminhar aos serviços especializados, o usuário de substâncias químicas com potencial de gerar abuso e dependência.

Beber e dirigir uma avaliacao neuropsicologica.pdf

Beber e dirigir: Uma avaliação neuropsicológica das funções executivas no uso agudo do álcool
Simone Cristina Aires Domingues

Funções Executivas são altamente requisitadas na condução de veículos automotivos e são afetadas pelo uso de álcool. Este estudo correlacionou o desempenho das funções executivas, através da Bateria de Avaliação Frontal (FAB), com os níveis de concentração de álcool no sangue(BAC), determinados por bafômetro digital portátil. O estudo foi composto por duas etapas. A primeira etapa foi conduzida com motoristas em ruas da cidade de Vitória (ES), durante as noites e madrugadas. Uma alta porcentagem de motoristas apresentou registro de consumo de álcool (24%), sendo a maioria homens, com idades entre 20 a 30 anos. Os resultados mostraram que o aumento dos níveis de BAC produziu escores significativamente reduzidos na média total da FAB. A segunda etapa consistiu num estudo duplo-cego, com jovens de 20 a 30 anos, de ambos os sexos e escolaridade em nível superior completo ou incompleto. O desempenho das funções executivas foi avaliado em zero, meia, uma e duas doses de álcool. Para avaliar as funções executivas foram usados a FAB, Teste de Stroop, AC e Trail Making. O BAC foi determinado por bafômetro digital portátil. Avaliou-se o nível de expressão de raiva e alterações de humor sob efeito do álcool. Os resultados mostraram que os homens tiveram pior desempenho na média total da FAB, quando os níveis de BAC atingiram aproximadamente 3dg/L, demonstrando que mesmo em baixas doses o álcool produz redução do desempenho de algumas habilidades das funções frontais. Em baixas doses de álcool, não foram identificadas alterações na expressão de raiva ou estados de humor em função da dose ingerida. Evidências mundiais apontam os jovens como mais vulneráveis a acidentes automobilísticos. Como o álcool, mesmo em doses baixas, pode prejudicar as funções executivas e funções executivas são essenciais para a condução de veículos, estratégias preventivas eficazes são necessárias para inibir o uso de álcool em motoristas e devem ser direcionadas principalmente para jovens. A redução dos níveis legais permitidos de BAC pode contribuir na diminuição dos índices alarmantes de acidentes de trânsito e óbitos entre os jovens.

Potencial de Abuso de Benzodiazepinicos.pdf

Potencial de Abuso de Benzodiazepínicos
Ronaldo Laranjeira
Luís André Castro

O potencial de abuso dos benzodiazepínicos, culminando com a produção da síndrome de dependência, é um fenômeno clínico relativamente recente. Foi somente a partir de meados dos anos 70, quando os primeiros estudos clínicos evidenciaram o desenvolvimento de dependência e sintomas de abstinência em doses terapêuticas, que passou-se a considerar o risco dos benzodiazepínicos para induzirem abuso ou dependência. Mesmo assim, durante algum tempo considerava-se a própria dependência como uma complicação rara. Nessa época, o diazepam tornou-se em pouco tempo o benzodiazepínico mais vendido dentro da classe dos sedativos, hipnóticos e ansiolíticos, chegando a liderar o “ranking” das medicações mais prescritas nos Estados Unidos entre 1972 a 19783. Muito desta relutância em aceitar o potencial de abuso dos benzodiazepínicos deve-se ao perfil benigno dos seus efeitos adversos, tornando-a uma droga segura em relação barbitúricos e outros sedativo-hipnóticos. No começo dos anos 80, quando demonstrou-se que 50% dos usuários crônicos de benzodiazepínicos (acima de 12 meses) evoluíam com uma síndrome de abstinência esta visão “complacente” pelos benzodiazepínicos alterou-se acentuadamente5.
As principais vantagens dos benzodiazepínicos, quando comparados aos antigos sedativos e hipnóticos eram: a)Menor potencial letal para depressão respiratória e do SNC; b)Menor potencial para induzir tolerância e dependência; c)Maior margem de segurança em relação aos efeitos sedativos e ansiolíticos

O Uso Racional de Medicamentos Psicotropicos no Brasil.pdf 

O Uso Racional de Medicamentos Psicotrópicos no Brasil
A cidade de Brasília recebeu de 8 a 10 de novembro de 1995 cerca de cinquenta profissionais, vindos de vários estados brasileiros e vários países europeus, sob o patrocínio da Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde (Secretaria Nacional da Vigilância Sanitária) para discutir o uso racional de medicamentos psicotrópicos. Este tipo de reunião diferiu bastante do protótipo das reuniões organizadas pela OMS/OPAS, pois não houve participação exclusiva de especialistas da área médica para discutir critérios de prescrição de medicamentos. A OMS/OPAS vem adotando um modelo de reunião, já utilizado em vários países, onde são convidados vários setores da comunidade como a imprensa, advogados, industria farmaceutica, farmaceuticos, representantes comunitários para discutir um assunto de interesse comum e tendo em vista amplificar ao máximo as conclusões e recomendações finais.
O uso racional de medicamentos psicotrópicos já há muito ultrapassou a área de especialidade dos psiquiatras e se transformou num problema de saúde pública. Tem sido constatato por inúmeras pesquisas as enormes distorções nas precrições dos diferentes psicotrópicos feitas pelas mais diferentes especialidades médicas. Por um lado, no caso das anfetaminas, que são usadas pelas clínicas de emagrecimento, o Brasil é o país que importa 60% de toda a produção mundial de fenproporex, e importamos somente em 1992 23 toneladas de anfetaminas para consumo interno. Por outro lado, importamos muito menos opiáceos do que é recomendado pelo International Narcotic Control Board, o que significa que muitos pacientes ficam sem a devida precrição de analgésicos em momentos importantes de suas vidas como na fase de câncer terminal. Esses dois exemplos apontam para polos opostos da irracionalidade que ocorre no processo de prescrições desses medicamentos. Os benzodiazepínicos, que são as drogas psicotrópicas mais prescritas no Brasil, também é um exemplo típico de uma droga onde existe muito pouco critério no seu uso.

Maconha-entrevista.pdf

Entrevista com Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.
– Existem estudos epidemiológicos sobre o uso de drogas no Brasil?
Esse é justamente o grande problema do país nesta área: os dados epidemiológicos são poucos e esparsos. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem vários sistemas de monitoramento da tendência de consumo de drogas. São feitos anualmente três inquéritos nacionais da população, entre os quais um específico para jovens, para avaliar como está o consumo de uma determinada droga naquele ano e também para se verificar como o consumo de uma determinada droga vai se estabelecendo ao longo dos anos na população. Lá já existe, portanto, uma sistemática formalizada de acompanhamento, que envolve vários grupos de pesquisa; isso é imprescindível para que se fale sério em uma “política de drogas”. Sem esse primeiro passo, fica-se apenas no discurso, e discurso não é política.
– No Brasil, então, estamos mal…
Não podemos dizer nem se o que se passa no nordeste é diferente do sul… Um dos melhores estudos epidemiológicos feitos no Brasil foi o coordenado pelo professor Elisaldo Carlini, aqui da Unifesp. Ele fez o levantamento do uso de drogas entre escolares em várias capitais do país. Mas o seu trabalho também apresentou limitações, que devem ser levadas em conta. Uma delas é de que, em geral, os usuários de droga abandonam os estudos e não permanecem na escola. Então, quando se analisam os dados obtidos em escolas, deve-se levar em conta esse fato e considerar que o número de usuários de drogas em idade escolar pode ser ainda maior do que o encontrado. Apesar de importantes, os estudos feitos no país estão limitados e nos fornecem apenas visões parciais do que ocorre. Através deles e dos dados obtidos a partir dos serviços de atendimento ao usuário, temos apenas indícios do que possa estar acontecendo. Aqui na Unifesp, por exemplo, atendemos cerca de 300 usuários de drogas por semana. Analisando essa demanda, temos “pistas” do que está acontecendo com a população em geral. Mas, veja, são apenas impressões, que não substituem a necessidade de um inquérito mais aprofundado. Ao contrário, nossas impressões parciais indicam a necessidade de inquéritos mais abrangentes.

Legalizacao Busca da racionalidade.pdf 

Legalização de drogas : Em busca da racionalidade perdida
Nos últimos anos temos assistido um intenso debate sobre a legalização de drogas no Brasil. A própria intensidade na qual este debate tem sido travado mostra que o assunto drogas produz um efeito nas pessoas que sentem-se levadas a ter muitas certezas e a ficar de um lado ou de outro da legalização. Mostra também que o debate é profundamente ideológico e que após ouvirmos o lado favorável à legalização e o lado da proibição pura e simples, não ficamos nenhum pouco mais esclarecidos a respeito da melhor política a ser seguida. Quando somente um dos aspectos de uma política de drogas, ou seja o status legal de uma droga torna-se o assunto principal do debate é como se o rabo estivesse abanando o cachorro e não o contrário.
O objetivo deste capítulo é:
(i) avaliar a racionalidade e a oportunidade deste debate como tem sido veiculado;
(ii) tentar estabelecer pontes com outras drogas de abuso;
(iii) avaliar os dados disponíveis sobre o efeito da legalização de uma droga; e
(iv) propor uma alternativa de política de drogas que seja baseada em objetivos claros a serem alcançados.
A racionalidade da legalização de uma droga
Com a intensidade que o debate sobre as drogas gera poderíamos imaginar que a sociedade sempre tenha reagido de uma forma eficiente ao longo do tempo. Entretanto historicamente a sociedade não tem avaliado muito bem os riscos do uso de uma nova droga ou uma nova forma de uso de uma velha droga. Por exemplo, a partir do começo do século inovações tecnológicas fizeram a produção de cigarros ficar mais fácil, com a absorção da nicotina pelos novos cigarros muito mais eficaz do que a produção artesanal que ocorria anteriormente. Além disso o preço do cigarro caiu dramaticamente. Progressivamente houve um aumento no número de fumantes em todo o mundo e por muitos anos os danos físicos associados ao cigarro não foram identificados. Muitos governos chegavam mesmo a estimular o consumo do fumo, estimulados pelos ganhos com impostos. Levou-se mais de quarenta anos para os países desenvolvidos identificassem os males causados pelo fumo de uma forma definitiva e outros vinte anos para implementar políticas que pudessem começar a reverter a situação. Esta lentidão em reconhecer danos em algumas situações sociais faz com que mudanças no status de qualquer droga, e principalmente quando um aumento de consumo seja uma das possibilidades deva ser encarada com extremo cuidado.

HIV Drug Use Crime and the Penal System.pdf 

HIV, Drug Use, Crime and the Penal System – competing priorities in a developing counrty, the case of Brazil
John Dunn, Ronaldo R. Laranjeira and José Roberto P. Marins
Geographically speaking, Brazil is the fifth largest country in the world and has an estimated population of over 146 million. Although a developing country, it is rich in natural resources and has a strong agricultural industry. Three quarters of the population live in cities, the largest of which is São Paulo with a population of around 15 million.
The Portuguese colonized the country in the fifteenth century and Brazil finally achieved independence in 1822. From 1964 to 1985 the country was run as a military dictatorship and after a transitional government became a democratic republic in 1989. The first elected president to take office was impeached following allegations of corruption but a degree of both political and economic stability have been established under the following two presidents. Despite political and economic reforms, massive social inequalities persist and over one third of the population live below the poverty line. Striking inequalities can often be seen side by side, with luxury apartments and mansions rubbing shoulders with
favelas or shanty towns, where the houses are made of wood and cardboard, there is no sanitation and children run semi-naked in the litter strewn streets.

Ecstasy.pdf 

Ecstasy’ (3,4 Metilenodioximetanafetamina, MDMA): Uma droga velha e um problema novo ?
O uso recreacional da 3,4 Metilenodioximetanafetamina, MDMA (‘Ecstasy’) tem sido referido por alguns pacientes em tratamento para dependência de drogas em São Paulo. Outros países como os EUA, Inglaterra e Australia também tiveram um aumento do consumo desta droga o que propiciou um grande debate a respeito da natureza desta substância. Embora o MDMA seja uma droga relativamente velha, pois foi sintetizada em 1914, o seu uso recreacional só foi identificado na ultima década, diferente de outras drogas similares como as anfetaminas e o LSD. Devido a este uso recente muitos profissionais de saúde podem não estar familiarizados com os reais riscos desta droga, por exemplo podem não saber que as pesquisas recentes mostraram sérios riscos em termos de saúde, inclusive que o MDMA seria uma potente toxina dos neuronios serotoninérgicos no cérebro de animais.
Aparentemente o MDMA segue o curso histórico de muitas outras drogas, começa com uma experimentação por um grupo de indivíduos que segue um debate na midia onde existe uma representação de uma droga segura que seria mais uma panacéia para vários males emocionais e progressivamente descobre-se uma série enorme de riscos para a saúde. O objetivo desta revisão é: 1) traçar um histórico do MDMA nos países onde ela tem sido mais usada; 2) discutir os principais efeitos químicos, farmacológicos, toxicológicos; 3) discutir os possíveis efeitos adversos do MDMA em humanos; 4) discutir o perfil de uso em outros países e os possíveis padrões de uso no nosso meio; 5) objetivo final será também de antecipar políticas que pudessem minimizar as futuras consequências desta droga e principalmente fornecer informações aos profissionais de saúde que possam ter contacto com a mídia dos riscos reais desta droga.

Comorbidade.pdf 

Comorbidade: Transtorno do Déficit de Atenção nas Dependências Químicas
O conceito de comorbidade só se torna relevante quando pacientes com um dos transtornos têm um risco maior de desenvolver o outro, ou se a co-ocorrência altera significativamente o prognóstico, curso, resposta ao tratamento, ou resultados de um ou ambos os transtornos1.
A relação entre o TDAH e abuso de substancias vem sendo objeto de relatos de caso e de pesquisas há muito tempo2,3 e esta comorbidade torna-se um tema obrigatório para aqueles profissionais que lidam com qualquer um dos dois transtornos, já que pacientes que apresentam tal comorbidade tem necessidades específicas, e tendem a responder ao tratamento de forma peculiar, necessitando de abordagens especificamente direcionadas às suas necessidades.
O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade foi descrito pela primeira vez em 1902 pelo pediatra inglês George Still; antigamente chamado Disfunção Cerebral Mínima; até pouco tempo só tinha sua existência reconhecida entre as crianças, afetando de 6% a 9% delas4; acreditava-se que haveria remissão espontânea dos sintomas da síndrome durante a adolescência. Hoje se sabe que em 10% a 65% dos casos, a síndrome permanece até a idade adulta5,6, com sintomas suficientemente debilitantes para comprometer o desempenho acadêmico ou profissional, as relações interpessoais e para tornar tais pessoas mais suscetíveis de desenvolver uma série de patologias psiquiátricas: transtornos do humor, transtornos de ansiedade, transtornos de conduta, transtornos de aprendizagem, transtornos do uso de substâncias7,8.
A respeito do nome da síndrome, “déficit de atenção” não é exatamente o problema; trata-se, na verdade, de uma falta de consistência no controle e no direcionamento da atenção; sendo tais pessoas capazes, às vezes, de momentos de hiperconcentração, imprevisíveis9. Atualmente, trabalha-se com um conceito mais amplo da atenção, fruto de estudos cognitivos, onde os processos cognitivos responsáveis pelas funções executivas são divididos em cinco grupos1:
1. ativação e organização para o trabalho
2. atenção sustentada e concentração
3. esforço sustentado
4. manejo de interferências afetivas
5. memória de trabalho

Ayahuasca.pdf 

“Ayahuasca: revisão da literatura científica”
Vale a pena começar explicando a metodologia de trabalho, quais foram as bases de publicação científicas procuradas. Ayahuasca é uma mistura de plantas, com ação psicoativa, esse nome, de origem indígena, é conhecido em outras culturas pelas seguintes denominações: yajé, caapi, natema, pindé, kahi, mihi, dápa, bejuco de oro, vine of gold, vine of the spirits, vine of the souls. Aya quer dizer “pessoa morta, alma, espírito” e waska significa “corda, liana, cipó ou vinho”. Assim a tradução, para o português, seria algo como “corda dos mortos” ou “vinho dos mortos, do espírito”. No Peru, encontrou-se o seguinte significado: “soga de los muertos”. (Costa et al., 2005) (1) A transliteração para a língua portuguesa resultou em hoasca, que é um termo específico para o uso da planta em sacramentos religiosos. Também é conhecido amplamente no Brasil como “chá do Santo Daime”. (Grob et al., 1996) (2)
A Ayahuasca é uma bebida preparada por ebulição ou imersão do cipó Banisteriopsis caapi juntamente com várias possibilidades de outras plantas. O componente mais utilizado para elaboração da bebida, junto ao cipó Banisteriopsis caapi, são as folhas da Psychotria viridis. Apesar das variações nas plantas utilizadas como ingredientes da Ayahuasca, farmacologicamente elas são similares. Como exemplo, as folhas da Diploptherys cabrerana que podem substituir as folhas de Psychotria viridis no preparo da bebida. Em geral, a Psychotria viridis é encontrada no Brasil, Peru e Equador e a Diploptherys cabrerana no Equador e Colômbia. (McKenna et al., 2004) (3)
Outras plantas utilizadas junto ao cipó banisteriopsis caapi para a elaboração da bebida da ayahuasca são vários gêneros Solanaceous, inclusive o tabaco (Nicotiona sp.), Brugmansia sp. , Brunfelsia sp. Esses gêneros Solanaceous são conhecidos por conterem alcalóides como nicotina, escapolamina e atropina. (McKenna et al., 2004) (3)

Abuso de Drogas no Idoso.pdf 

” Abuso de Drogas no Idoso”
Luis André Castro
Ronaldo Laranjeira

Nos dias atuais, as pessoas idosas são um grupo etário que mais cresce na população geral. Portanto, a prevalência de distúrbios psiquiátricos entre os idosos (entre os quais, os transtornos depressivos , os transtornos demenciais e o abuso de álcool e drogas) será proporcionalmente maior, de acordo com a longevidade da população. Os idosos acima de 75 anos é o grupo etário, que apresentará maior crescimento nos próximos anos. Portanto, é essencial instituir medidas preventivas com vista a evitar-se as seqüelas dos transtornos mentais associados ao envelhecimento.
Nos idosos o abuso de drogas é a terceira principal condição psiquiátrica, além da depressão e demência, (REFERÊNCIA….) apesar de ser uma área comumente negligenciada pelas revisões de literatura. Além disso, a maioria dos artigos científicos que abordam esse assunto, concentram-se na faixa etária entre os 55 a 75 anos. Contudo, a prevalência do abuso de álcool e drogas nos idosos é mais baixa do que a dos indivíduos mais jovens. Vários fatores contribuem para esta constatação, entre as quais: 1) a probabilidade de um sujeito jovem, que abusa de álcool e drogas chegar na terceira idade é menor; 2) a probabilidade de alguém começar abusar de álcool e drogas numa idade mais avançada tambem é menor e as taxas de recuperação entre os idosos, que fazem uso abusivo dessas drogas são maiores, devido aos problemas médicos causados pelas substâncias psicoativas. Nesse capítulo será abordado principalmente os benzodiazepínicos e o tabagismo, em virtude do impacto dessas substâncias na população mais idosa. Além disso, o uso de drogas ilícitas nos idosos é mais raro.
B. Fatores de Risco para o Abuso de Drogas no Idoso.
B.1 – Condições Psiquiátricas.
B.1.1 – Estados Depressivos.
Na população idosa, a prevalência de depressão é de 1 % (? REFERÊNCIA>>>). Os sintomas depressivos estão presentes em 15 % dos idosos. Contudo, na presença de uma condição médica a prevalência sobe para 10 %, sendo que os sintomas depressivos podem ocorrer em 40 % dos idosos. A co-existência de estados depressivos e estados ansiosos nos pacientes idosos não é muito diferente da encontrada nos pacientes mais jovens. Por exemplo, 26.3 % dos pacientes deprimidos apresentavam transtorno de ansiedade generalizada; 60 a 91 % dos pacientes com transtorno de ansiedade generalizada têm transtornos depressivos; 38 % dos pacientes com depressão maior preenchiam critérios de diagnóstico do DSM-III-R para algum transtorno ansioso e 25 a 39 % dos pacientes fóbicos também possuem transtornos depressivos. Esses exemplos ilustrativos demonstram a importância de distinguir-se as queixas clínicas dos pacientes geriátricos, devido às suas repercussões sobre o tratamento. Muitas vezes, os pacientes deprimidos com queixas ansiosas são tratados com ansiolíticos (principalmente, os benzodiazepínicos), evoluindo com remissão parcial do quadro clínico. Nesses casos, o risco dos estados depressivos cronificarem-se é elevada, já que não são prescritos antidepressivos de forma adequada (REFERÊNCIA).

A comparison between Brazilian and European smokers.pdf 

Characteristics of smokers atitudes towards smoking
A comparison between Brazilian and European smokers

The Research Program and Assistance in Drug Addiction in the Institute of Psychiatry of the Federal University of Rio de Janeiro (PROJAD-IPUB/UFRJ)
Tobacco consumption is a major cause of death and disease, and quitting smoking is the most important thing smokers can do in order to benefit their health, improve the quality of life and increase life expectancy. In 1989, 32.5% of the Brazilian population smoked, however, no data is available about how many of them are willing to stop and which factors might influence the majority to make such a decision.
Objective: Compare habits, attitudes and believes of smokers in four major cities in Brazil with what was described for 17 European countries.
Methods: Eight hundred smokers were interviewed in four major cities in Brazil (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre and Recife). The methodology employed was based on quota sampling. Quotas were separated according to social class, gender, occupation and age.
Results: Brazil, when compared to European countries, seems to have one of the highest degrees of awareness on the antitobacco fight.
Conclusion: For the first time, data on habits, attitudes and believes of smokers were collected in Brazil and compared with information from other countries. Orientation for new public health policies is provided, what may encourage a larger amount of population to quit smoking and consequently decrease the mortality and morbidity in this country.

Artigo tabaco.pdf

Over the past decade, several studies from developed countries have reported that the prevalence of cigarette smoking among persons with severe mental illness is higher than that in the general population (1-3). Such group smokes more cigarettes per day and is less likely to stop smoking than smokers in the general population (4). There is considerable evidence that individuals with schizophrenia have higher mortality rates from cardiovascular diseases and cancer than the general population and the high prevalence and intensity of smoking may be one of the reasons for such higher mortality rates (5-8). Cigarette smoking is also a risk factor for dyskinesias, independently of exposure to anti psychotic medication (9). Data on prevalence of cigarette smoking among people with severe mental illness in developing countries are scarce. The aim of this study was to estimate the prevalence of cigarette smoking among people with severe mental illness in a large urban centre of a developing country.

 

Avancos Recentes No Tratamento Do Tabagismo.pdf 

Avanços Recentes No Tratamento Do Tabagismo
Analice Gigliotti; Ronaldo Laranjeira

Todos sabemos, desde a publicação de 1964 do Relatório de Cirurgião Geral, que o tabagismo está ligado a doenças tais como enfisema e câncer de pulmão entre outras. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, três milhões de fumantes morrem por ano de doenças tabaco-relacionadas, e é a maior causa previnível de morbidade e mortalidade em muitos países. Mas o tabagismo é um comportamento tão virulento que embora 70% dos fumantes desejem parar de fumar, apenas 5 % destes conseguem fazê-lo por si mesmos. Isto ocorre porque o tabagismo não apenas causa doenças, mas é, ele mesmo, uma doença: a dependência a nicotina.
A visão do tabagismo como dependência de droga causo uma verdadeira revolução nas formas de entendimento e tratamento dos fumantes. Isto foi precipitado pela publicação, em 1988, do relatório do Cirurgião Geral Dr Koop. Neste, concluiu-se que o cigarro e outras formas de tabaco geram dependência; que a droga que causa dependência no tabaco é a nicotina; e que os processos farmacológicos e comportamentais que determinam a dependência ao tabaco são similares àqueles que determinam a dependência à outras drogas como a heroína e a cocaína. Desta forma, a dependência ao cigarro passou a não ser mais vista apenas como um “vício psicológico”, mas uma dependência física, que deveria ser tratada como uma doença médica, nos mesmos moldes do tratamento de outras substâncias adictivas.
Desde então, todo um arsenal terapêutico foi desenvolvido, com o objetivo de aliviar os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina, ou à diminuir a fissura pela mesma.
O presente artigo tem como objetivo fazer uma revisão dos principais métodos de tratamento do tabagismo, passando pelo uso dos adesivos, chicletes, inaladores e sprays nasais de nicotina, até a utilização de antidepressivos como a bupropiona e a nortriptilina. Descreveremos a possibilidade do uso conjunto ou isolado de cada um destes medicamentos, ressaltando que a terapia cognitivo-comportamental de suporte costuma aumentar as taxas de abstinência.

Como criar um hospital livre de cigarros.pdf 

Como criar um hospital livre de cigarros
Dr. Ronaldo Laranjeira, Ph.D
Dr. Montezuma Pimenta 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o fumo cause cerca de 3 milhões de mortes por ano no mundo todo (Peto e col. 1994). Se a tendência atual for mantida, no ano 2020 cerca de 10 milhões de pessoas estarão morrendo anualmente por causa do cigarro, sendo que esse aumento de mortalidade ocorrerá principalmente nos países em desenvolvimento. Um estudo prospectivo realizado por mais de 40 anos com 35.000 médicos ingleses recentemente publicado (Peto e col. 1994) mostrou que metade dos fumantes morrem de causas diretamente relacionadas ao cigarro. Fumantes que morreram entre os 35 e os 69 anos perderam em média 22 anos de vida. Mesmo os que sobreviveram além dos 69 anos, perderam cerca de 8 anos de vida por causa do cigarro.
Nos países em que o custo social do fumo foi bem avaliado, os dados se mostraram alarmantes. Nos EUA, por exemplo, cada maço de cigarros vendido gera um custo de U$ 2 em cuidados com saúde. A cada ano, 70 bilhões de dólares — ou seja, 7% do orçamento americano para a saúde — são gastos com o tratamento de doenças diretamente causadas pelo fumo.
Por tudo isso, o tabagismo vem sendo considerado a pior epidemia dos países desenvolvidos na atualidade. Desta forma, nos últimos vinte anos um grande esforço tem sido feito para conter o uso de cigarros nesses países. Um marco importante nesta luta foi o relatório de 1988 do “Surgeon General” dos EUA que reuniu as evidências científicas então disponíveis caracterizando definitivamente a nicotina como uma substância psicoativa causadora de dependência. O mesmo relatório também estabeleceu o papel da nicotina como responsável pela manutenção do comportamante de fumar. Em relação às possíveis estratégias a serem usadas para enfrentar o problema esse relatório reconhece que não existe uma intervenção única para deter esta epidemia. Ao contrário, a melhor estratégia em termos de saúde pública seria uma combinação de ações como: educação de saúde em relação aos riscos do fumo e para mudar as atitutes em relação ao cigarro, proibição da propaganda do cigarro e das vendas para menores de idade, aumento dos impostos, grupos de aconselhamento breve para os fumantes que não conseguem parar mesmo após várias tentativas, restrições ao fumo nos lugares públicos. Dentre essas restrições, a proibição nas escolas e hospitais deve ser prioritária.
O hospital é um ambiente privilegiado em relação ao fumo por vários motivos

Como parar de fumar Um guia pratico.pdf 

Como parar de fumar – Um guia prático
Ronaldo Laranjeira

Dependência, é um comportamento de uso de uma substância, levando a problemas clínicos importantes, associado a uma dificuldade no controle do uso, apresentação de sintomas de abstinência com a falta ou a diminuição da droga e tolerância aos seus efeitos.
A tabela abaixo exemplifica alguns dos critérios de dependência para a nicotina. Mostra que as manifestações da dependência da nicotina são semelhantes a todas as outras drogas. A grande diferença é que a nicotina não produz manifestações psíquicas com o seu uso. Por exemplo, não se fica agressivo ou eufórico com a nicotina, mas o padrão de consumo dos fumantes é típico de uma droga que produz dependência.
Tabela 1 – Principais sintomas da dependência da nicotina
Tolerância – A necessidade de quantidades cada vez maiores de uma drogas para se obter os mesmos efeitos do que antes
A maioria dos fumantes começa fumando alguns cigarros por dia e faz uma escalada até chegar 20 cigarros por dia
Abstinência – Presença de sintomas de abstinência característicos da falta de nicotina
O padrão típico de um fumante é acender o primeiro cigarro na primeira hora após o despertar. Isto se deve ao fato dos níveis de nicotina plasmático estarem próximos a zero e o fumante sente alguns sintomas de abstinência como: menor concentração e atenção, ansiedade, vontade de fumar. Após o primeiro cigarro do dia ele continuará fumando cerca de um cigarro por hora para manter o nível plasmático de nicotina. Figura 1.
A droga é usada em quantidades maiores ou por um tempo maior do que o desejado
A maioria dos fumantes (80%) deseja parar de fumar, mas tem dificuldades em parar.
O uso da droga se mantém independente do conhecimento do dano físico ou psicológico advindo do uso.
A maioria dos fumantes já teve ou tem alguém problema físico relacionado ao cigarro e apesar disto continua a fumar

Demographics and Health Effects Subcommittee tobacco.pdf 
The adverse effects, including mortality, and probably addiction, are related to the factors such as the age of onset of use, the amount of tobacco which people are able to self-administer, and the toxicity of the products. Thus, for example, in populations in which few cigarettes are smoked per day and/or smoking did not begin until adulthood, or in which the tobacco epidemic is in its infancy (e.g., men and women in many developing countries or women in some developed countries), the observed risk of premature mortality may be substantially lower than in populations which begin smoking at an early age and smoke more heavily (cf Peto et al).

Environmental tobacco smoke exposure among waiters.pdf

Environmental tobacco smoke exposure among waiters: measurement of expired carbon monoxide levels
Ronaldo Laranjeira ;Sandra Cristina Pillon ;John Dunn3 

O ambiente exposto a fumaça do cigarro trazem graves riscos a saúde e preocupam tanto os empregadores quanto empregados de restaurantes e bares. No entanto, os fumantes passivos correm risco elevados de desenvolverem doenças cancerígenas, pulmonares e cardíacas. Baseados nestes parâmetros e na experiência de países que sancionaram leis que proíbem fumar ou restringem o fumar em áreas restritas e antes de sancionar leis municipais na cidade de São Paulo dá – se a importância de realizar este estudo.
Objective – To assess environmental tobacco smoke exposure (using expired carbon monoxide (CO) levels) in non-smoking waiters before and after a normal day’s shift and to compare pre-exposure levels with non-smoking medical students.
Design – An observational study.
Setting – Restaurants with more than 50 tables or 100 places in São Paulo.
Subjects – 100 non-smoking restaurant waiters and 100 non-smoking medical students in São Paulo, Brazil.
Main outcome measure – Levels of expired CO, measured with a Smokerlyser (Bedfont EC 50 Scientific), before and after a normal day’s work.
Results – Waiters’ pre-exposure expired CO levels were similar to those of medical students, but after a mean of 9 hours exposure in the workplace, median levels more than doubled (2.0ppm vs 5.0ppm, p<0.001). Post-exposure CO levels were correlated with the number of tables available for smokers (Kendall’s tau=0.2 ,p<0.0001).

Explorando as relacoes entre depressao e doenca arterial COR.pdf

Relações entre depressão e Dac:estudo de pacientes com síndromes isquêmicas miocárdia instavéis
G.H. Perez, R.R. Laranjeira, J.C. Nicolau, B.W. Romano

A DAC e a Depressão são duas patologias que têm grande impacto na saúde nos dias atuais, pois ambos apresentam alta prevalência e seus efeitos refletem-se na mortalidade e na qualidade de vida.
Nos EUA ocorrem um milhão de mortes, por Doenças Cardiovasculares, anualmente, sendo que destas , a Doença Arterial Coronária (DAC) é a mais frequente, com 51%.(1) Lotufo, constatou altas taxas de mortalidade por DAC no Brasil e comparando algumas das principais capitais brasileiras com outros países, concluiu que nosso país enquadra-se entre as estatísticas dos países desenvolvidos(2)
Sintomas depressivos e Depressão Maior (DM) são muito frequentes. O ECA(1a) detecta uma prevalência de 3 a 7 % na população geral, ao longo da vida. Considerando o contexto médico não psiquiátrico, o National Comorbidity Study detectou uma prevalência de 5% de DM (3)
A Depressão tem uma relação complexa com a DAC. As evidências apontam-na como fator de risco(4,5,27,28,31), como fator influente na morbidade, na mortalidade (5,6,7,8,9,28,32)e na qualidade de vida(9A) do paciente com DAC. Na verdade, observa-se que tanto a Depressão pode ser um fator de risco isolado para o desenvolvimento da DAC, como pode estar associada a outros fatores de risco , tais como obesidade (51% em obesos com Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica e 14% em obesos sem)(9b), diabetes(prevalência 3 vezes maior do que na população em geral)(10) e tabagismo(prevalência de
Glassman (27)salienta em seu artigo sobre a Depressão e o curso da DAC, que além de não podermos minimizar os custos psicológicos da Depressão, as evidências vão apontando que a Depressão é uma doença com concomitantes físicos, que teriam uma influência direta no funcionamento cardíaco. Isto significa que, a Depressão pode influenciar o desenvolvimento e o curso da DAC porque, por uma lado, as alterações de humor têm uma repercussão no comportamento, criando condições desfavoráveis para a adesão ao tratamento e a motivação para a mudança de estilo de vida. E por outro lado, a Depressão tem como concomitantes fisiológicos: o aumento da agregação plaquetária, a hiperatividade do sistema simpático-adrenal, a diminuição da variabilidade da frequência cardíaca e do limiar para fibrilação ventricular, que têm uma influência direta na evolução da DAC (44)
A Depressão apresentou-se como associada à DAC e como fator psicológico de maior risco para doença cardíaca, num estudo de metanálise realizado com todos os estudos publicados entre 1945 e 1985, sobre preditores psicológicos de doença cardíaca. (43)
A literatura sobre a associação entre a DAC e Depressão relata prevalências que variam de 14 a 60% (3a, 4, 32, 9).Os estudos com pacientes infartados ou angina instável apontam Depressão entre 15 a 44% (28,29,2a,6). Pode-se atribuir a variação das taxas de prevalência ao diagnóstico de Depressão considerado (Depressão Maior, sintomas depressivos…), ao estágio da DAC da população estudada, bem como ao instrumento utilizado para avaliar Depressão.

Fatores Associados ao Tabagismo.pdf 

Fatores associados ao tabagismo:Estudo de pacientes com síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis
Glória Heloise Perez, Ronaldo Ramos Laranjeira, Bellkiss Wilma Romano, José Carlos Nicolau

O tabagismo é um dos fatores que mais interfere na morbidade, mortalidade e qualidade de vida dos portadores da Doença Arterial Coronária. Apesar do recente avanço nos tratamentos para a cessação de fumar, as taxas de cessação ainda são muito pequenas. Em nosso meio pouco sabemos sobre o hábito de fumar de nossa população.
Objetivo: Identificar fatores associados ao tabagismo entre pacientes com Síndrome Isquêmica Miocárdica Instáveis(SIMI) em nosso meio, visando a instrumentalização para intervenções mais adequadas e consequentemente mais eficazes.
Casuística e Métodos:
O protocolo do estudo foi submetido e aprovado pela Comissão Científica e Ética do Instituto do Coração em 3/2/00 e pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa- CAPPesp da Diretoria Clínica do Hospital das Clínicas e da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 10/05/00.
O estudo foi realizado com uma amostra de 348 pacientes, sendo 135 fumantes(fumantes), 109 ex fumantes(ex-fumantes) e 104 não fumantes(não fumantes) consecutivos com diagnóstico de Síndromes Isquêmicas Miocárdicas Instáveis(SIMI): Infarto Agudo do Miocárdio(IAM) (comprovado por estudo eletrocardiográfico, e aumento de enzimas miocárdicas) ou Angina Instável(AI) em tratamento na Unidade de Emergência e/ou na Unidade Coronariana do Instituto do Coração do H.C.F.M.U.S.P. As entrevistas foram realizadas por uma psicóloga assistente de pesquisa,
Critérios de inclusão: a partir de 3o dia Pós IAM ou a partir do 2o dia de evolução de AI, sem patologia não cardiológica associada e idade menor que 80 anos. A entrevista não foi realizada no mesmo dia do cateterismo, evitando viés da mobilização psicológica determinada pelo exame.

Fumante Passivo versao em portugues.pdf

Environmental tobacco smoke exposure among waiters: measurement of expired carbon monoxide levels
ARTIGO ORIGINAL
Ronaldo Laranjeira;Sandra Cristina Pillon;John Dunn

Contexto: O ambiente exposto a fumaça do cigarro trazem graves riscos a saúde e preocupam tanto os empregadores quanto empregados de restaurantes e bares. No entanto, os fumantes passivos correm risco elevados de desenvolverem doenças cancerígenas, pulmonares e cardíacas. Baseados nestes parâmetros e na experiência de países que sancionaram leis que proíbem fumar ou restringem o fumar em áreas restritas e antes de sancionar leis municipais na cidade de São Paulo dá – se a importância de realizar este estudo.
Objective – To assess environmental tobacco smoke exposure (using expired carbon monoxide (CO) levels) in non-smoking waiters before and after a normal day’s shift and to compare pre-exposure levels with non-smoking medical students.
Design – An observational study.
Setting – Restaurants with more than 50 tables or 100 places in São Paulo.
Subjects – 100 non-smoking restaurant waiters and 100 non-smoking medical students in São Paulo, Brazil.
Main outcome measure – Levels of expired CO, measured with a Smokerlyser (Bedfont EC 50 Scientific), before and after a normal day’s work.
Results – Waiters’ pre-exposure expired CO levels were similar to those of medical students, but after a mean of 9 hours exposure in the workplace, median levels more than doubled (2.0ppm vs 5.0ppm, p<0.001). Post-exposure CO levels were correlated with the number of tables available for smokers (Kendall’s tau=0.2 ,p<0.0001).
Conclusions – Exposure to environmental tobacco smoke is the most likely explanation for the increase in CO levels among these non-smoking waiters. These findings can be used to inform the
on-going public health debate on passive smoking.

Fumo aula.pdf 

Fumo aula
Alguns dados importantes

i) A OMS estima-se que haja 1bilhão de fumantes no mundo.
ii) No mundo, aproximadamente 47% de homens e 12 % de mulheres são fumantes.
iii) Brasil está no quarto lugar na produção de tabaco bruto e no primeiro lugar na exportação de tabaco bruto.
iv) Cada 10 segundos alguém morre devido às complicações do uso de fumo.
v) Das pessoas que começam a fumar na adolescência e continuam fumando durante suas vidas adultas, 50% morrerão de doenças secundárias ao fumo (metade dessas na meia idade – 35 a 69 anos – e a outra metade na terceira idade – > 69 anos. (R.Peto – médicos ingleses – seguimento de 40 anos).
vi) Apenas 42% de fumantes com 20 anos de idade estarão vivos aos 73 anos, comparados com 78% de não fumantes.
vii) Em países industrializados, 25% de todas as mortes entre homens adultos são causadas pelo fumo.
viii) No Brasil 39,9% dos homens e 25,4% das mulheres são fumantes (mundialmente no 50o e 24o lugares, respectivamente).
ix) Uma estimativa da OMS é que no ano 2020 haverá 10 milhões de mortes por ano devido ao fumo.

Fumo tratamento.pdf

Tratamento do tabagismo
O tabaco é uma das principais causas evitáveis de mortes prematuras em todo o mundo. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, quatro milhões de pessoas morrem a cada ano devido a doenças causadas diretamente pelos derivados do tabaco. Pior ainda, mantida a tendência atual, no ano 2025, já serão dez milhões as mortes causadas pelo tabaco. Se nada for feito a este respeito, do 1,1 bilhão de fumantes, quinhentos milhões morrerão por causa dos cigarros ao longo das próximas décadas. Apenas nos próximos 25 anos, o tabaco causará 150 milhões de mortes; nos 25 anos seguintes serão 300 milhões de mortes! Muitas destas mortes são potrencialmente evitáveis se os tabagistas deixarem de fumar (ver figura 1).
A despeito de toda a mortalidade e morbidade causadas pelo tabaco, seu consumo global continua aumentando. A propalada diminuição do consumo deste produto acontece apenas em alguns países industrializados, como os Estados Unidos e a Inglaterra. Nestes países, taxas de prevalência de 50% de fumantes regulares entre adultos caíram para cerca de 22 a 25% ao longo dos últimos trinta e cinco anos. No entanto, mesmo nestes países, verifica-se uma inquietante tendência à estabilização da proporção de fumantes na última década. Mais ainda, mesmo em países industrializados, a queda da prevalência de tabagismo está inversamente associada à classe socioeconômica, sendo muito maior entre as pessoas mais favorecidas e cultas. Entre as minorias étnicas menos favorecidas, o tabagismo continua a ser um problema extremamente comum (OMS, 1999).
Em resposta à diminuição de consumo de tabaco nos países desenvolvidos, a indústria do tabaco tem conseguido aumentar suas vendas nos países em desenvolvimento. Nas próximas décadas, 70% das mortes causads pelo tabaco ocorrerão no terceiro mundo.

Habitos Atitudes e Crencas de Fumantes Tese Dra Analice Gigliotti.pdf

Hábitos, atitudes e crenças de fumantes
Em quatro capitais brasileiras:
uma comparação com 17 países europeus
Analice de Paula Gigliotti

A dependência de nicotina é a maior causa evitável de adoecimento e morte no Brasil e deixar de fumar é a atitude mais importante que um fumante pode ter em favor de sua saúde. De acordo com dados do último censo, 32,5% da população brasileira fuma, mas pouco se sabe sobre quantas pessoas dessa parcela desejam parar e que fatores as influenciariam a tomar a decisão de abandonar o cigarro. Objetivo: Analisar hábitos, atitudes e crenças de fumantes em quatro capitais do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Porto Alegre) e compará-los com os de 17 países europeus. Métodos: Oitocentos fumantes foram entrevistados. Estes foram recrutados por amostra intencional de acordo com quotas preestabelecidas, divididas conforme classe social, sexo, ocupação e idade. Resultados: A maioria dos entrevistados declarou desejar deixar de fumar e apresentou grau de dependência de nicotina de baixo a moderado. Quanto maior a motivação dos indivíduos para deixar de fumar, maior o número de tentativas que já haviam feito e maior a probabilidade de terem recebido conselho médico. Apenas 21% do total da amostra recebeu instruções do seu médico sobre como fazer para deixar o cigarro. O fator de maior influência futura nos esforços para parar de fumar foi “preocupação em expor suas crianças, família e amigos à fumaça de cigarro”. A população brasileira, se comparada com a dos países europeus, parece encontrar-se em alto grau de conscientização na “luta antitabaco”.

International Tobacco Control An Update.pdf

Two years ago, I wrote about the 52nd World Health Assembly’s (WHA) resolution that began work on the Framework Convention on Tobacco Control (FCTC) (JAMA. 1999;281:942-943). Since then, the member states of the World Health Organization (WHO) have met twice in working groups and twice as an intergovernmental negotiating body, in a process that should lead to the first international treaty developed under WHO. The hopeful atmosphere as the WHA authorized the process has perhaps been tempered a bit by the serious realities of the hard work needed to reach a successful conclusion. But the member states, including the United States, remain committed to meaningful international cooperation. Despite progress in raising the visibility of the tobacco use problem, smoking remains a major health concern. In March, I released my report on Women and Smoking ( http://www.cdc.gov/tobacco/sgr/sgr_forwomen/sgr_women_chapters.htm), showing that smoking rates among US women were no longer declining and were rising steeply among teenaged girls. Strong action is needed here and around the world. One victory has already been achieved because of the negotiations. The chair of the negotiations, Ambassador Celso Amorim of Brazil, was elected last October despite being a smoker, with a telltale brown patch on his white mustache. At the opening of the second negotiating session, he proudly announced that he had stopped smoking, proving that exposure to information about tobacco use can have an effect on addictive behavior.

Martin Raw tratamento dependencia da nicotina.pdf 

Martin Raw tratamento dependência da nicotina
Fumar há muito deixou de ser um ato de glamour. É hoje o comportamento que mais produz mortes na história da humanidade. Em um século o cigarro matou mais do que as epidemias dos últimos dois mil anos.
Cinqüenta por cento dos fumantes morrerão devido ao cigarro. Metade deles perderão cerca de dezoito anos de vida. Não é pouca coisa.
Apesar dos 30 milhões de fumantes brasileiros saberem que fumar causa doenças cardiovasculares e câncer, 80% têm dificuldades em parar de fumar. A nicotina é a droga que provoca a maior dependência. Durante 30 a 40 anos, o fumante médio traga dez vezes um único cigarro e consome 20 cigarros por dia. Nenhum outro comportamento humano, a não ser respirar, é tão freqüente.
Conscientização dos riscos, determinação em buscar as vantagens de parar de fumar, e organização de uma forma coerente e lógica podem ser a chave do processo para abandonar o cigarro. O custo pessoal por adiar essa decisão é muito grande em termos de tragédia pessoal e familiar. Numa carta mencionada no final do livro, uma radiologista registra sua experiência:
“Do ponto de vista pessoal e profissional, posso dizer que raramente os fumantes morrem rapidamente de condições agudas. Para muitos a morte vem lenta e dolorosamente, com as funções pulmonares gradualmente deteriorando-se até o ponto em que viver torna-se simplesmente uma questão de lutar para conseguir respirar. O sofrimento das famílias é muito doloroso, é como ver uma pessoa querida afogando-se sem que se possa fazer nada.”
Vale a pena parar de fumar. Todas as pesquisas mostram que não importa a idade, por quanto tempo se fumou, ou mesmo a eventual doença que a pessoa tenha. Parar de fumar é a melhor coisa que um fumante pode fazer para sua própria saúde. Os benefícios começam poucas horas após o término do último cigarro e continuam por anos, até o risco de saúde do ex-fumante ficar igual ao de um não fumante. Isso é possível e desejável.
Este livro, escrito por um dos maiores especialistas internacionais nessa área, é de longe a melhor escolha para quem quer informações claras e objetivas para enfrentar as dificuldades no processo de parar de fumar. Martin Raw foi um dos pioneiros no tratamento Da dependência da nicotina a partir da década de 70. Ajudou a desenvolver a mais famosa clinica de ajuda a fumantes na Inglaterra. O estudo em que demonstrou que o chiclete de nicotina ajudava a parar de fumar, fez com que obtivesse um PhD na Universidade de Londres em 1985.
Desde então, produz artigos científicos que estão entre os mais citados na área de fumo.

Novas Medicacoes No Tratamento Da Dependencia Da Nicotina.pdf

Novas medicações no tratamento da dependência da nicotina
Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira

A área de abuso de substâncias psicoativas vem recebendo um grande impulso nos últimos anos com relação a novos tratamentos graças a um melhor entendimento do funcionamento do sistema nervoso. Antes de discutir esses novos medicamentos em relação ao fumo devemos brevemente descrever os mecanismo e as regiões onde essas medicações potencialmente estarão agindo.
Anatomia do Prazer e da Abstinência da Nicotina
Pesquisas nos últimos anos mostram que o comportamento disfuncional relacionado ao uso de substâncias tem um substrato cerebral que envolve o sistema dopaminérgico mesolímbico. Este sistema é chamado de “brain reward system” ou sistema de recompensa cerebral, que é o responsavel pelo prazer sentido pelos animais e também pelo homem. Este sistema origina-se de neurônios da região tegmentar ventral e continua pelo hipotalamo para o núcleo acumbens e a partir daí para o cortex pré-frontal. É nesta região que as drogas que causam dependência agem, criando um situação onde o animal continua a administrar a droga apesar de uma série de desconforto associado. Os sintomas de abstinência por outro lado aparentemente está relacionado ao locus ceruleus e está relacionado a norepinefrina.
Como qualquer outra substância que causa dependência a nicotina age tanto na região do prazer quanto na região da abstinência. A nicotina aumenta os níveis de dopamina no núcleo acumbens, que é a marca biológica da dependência. Além disso também produz aumento de norepinefrina no locus ceruleus, que é sinônimo de sintomas de abstinência.

Statement from Pharmacia.pdf

Statement from Pharmacia
A study by Dr. Stephen Hecht and colleagues from the University of Minnesota Cancer Center in Minneapolis appeared in the October 24 issue of the Proceedings of the National Academy of Sciences.
Nitrosamines are known carcinogenic compounds found in tobacco smoke. The in vitro study suggested that some metabolites of nicotine from cigarette smoke can be transformed into nitrosamines, and lead to a possible mechanism for the development of lung cancer in smokers. Although the authors raised a question on the implications for nicotine replacement therapy (NRT) for long term use, no evidence is presented here, or exists elsewhere in the scientific literature, for this effect in people who are using NRT to quit smoking. Those using NRT to quit smoking should not be concerned by this study.
The safety of NRT as an approved treatment for tobacco dependence is widely acknowledged. Under any circumstances the use of NRT is always safer than smoking. NRT delivers lower levels of nicotine than cigarettes less rapidly and without exposure to the components of cigarette smoke (e.g. tar and carbon monoxide) which are considered primarily responsible for smoking-related disorders.
Recent treatment guidelines published by the US public Health Service and by the UK Health Development Agency recommend NRT as a safe and effective first line treatment for tobacco dependence. This study provides no new data to challenge such conclusions.

Tratamento Da Dependencia Da Nicotina.pdf

Tratamento da dependência da nicotina
Ronaldo Laranjeira *, Analice Gigliotti *, Maria Teresa C. Lourenço

O fumo é a causa mais importante de morte e doença previníveis. É responsável por 20% de todas as mortes nos EUA sendo que 45% dos fumantes morrerão de uma causa induzida pelo fumo. O percentual de fumantes no Brasil é considerado alto quando comparado com outros países da América Latina. Vários órgãos e sistemas sofrem os efeitos farmacológicos da nicotina. Fumar cigarro causa câncer de pulmão, cavidade oral, laringe, bexiga, rins, colo de útero, doença cardiovascular, doença pulmonar crônica obstrutiva, ulcera péptica, distúrbios gastrointestinais e complicações materno-fetais, entre outras. É responsável por 90% dos cânceres de pulmão. Fumo passivo causa a morte de milhares de não fumantes e maior morbidade nos filhos e cônjuges de fumantes.
Dependência da nicotina
A visão do comportamento de fumar como dependência de droga ( nicotina ) , em 1988, através do relatório do Cirurgião Geral Dr Koop, revolucionou o entendimento e tratamento dos fumantes.
A nicotina após ser inalada atravessa a barreira hemato-encefálica em 10 segundos, produzindo efeito quase que instantaneamente. É captada por receptores específicos, levando a um aumento da função dopaminérgica mesolimbica. Há interação dos efeitos hormonais, substancias psicoativas e neuropeptídeos ( dopamina, adrenalina, acetilcolina, catecolaminas, vasopressina, serotonina, prolactina e hormônios hipofisarios ) eleva os níveis de ACTH e aumenta a liberação de hormônios pituitários. Diversos são os fatores envolvidos no estabelecimento da dependência: a nicotina produz efeitos que reforçam o seu uso, como melhora da performance cognitiva e do humor, diminui a ansiedade e ajuda a controlar o peso; a dose de nicotina pode ser controlada pela maneira como se fuma, com um maço o fumante administra nicotina aproximadamente 200 vezes ao dia.

 

Tratamento da Dependencia da Nicotina 2007.pdf
O fumo é a causa mais importante de morte e doença evitáveis. É responsável por 20% de todas as mortes nos EUA e 45% dos fumantes morrerão de uma causa induzida pelo tabaco. O percentual de fumantes no Brasil é considerado alto quando comparado com outros países da América Latina. Estima-se que, no Brasil, haja atualmente cerca de 35 milhões de pessoas que fumam. Apesar do reconhecimento pela maioria dos fumantes de que o cigarro faz mal à saúde, estes danos são tão graves que a maioria desconhece sua amplitude e importância. Por outro lado, este reconhecimento, não gera, por si só, a motivação necessária para o abandono da dependência. Vários órgãos e sistemas sofrem os efeitos deletérios do tabaco. Fumar causa câncer de pulmão, cavidade oral, laringe, bexiga, rins, colo de útero, doença cardiovascular, doença pulmonar crônica obstrutiva, ulcera péptica, distúrbios gastrointestinais e complicações maternofetais, entre outras. É responsável por 90% dos cânceres de pulmão.

Zyban.pdf

Projeto
Estudo comparativo da bupropiona (Zyban) com o adesivo de nicotina (Nicotinell) em pacientes tratados no PREV-FUMO da EPM-UNIFESP
Este projeto visa desenvolver um estudo que avalie a eficácia da bupropiona em relação a terapias já utillidas no nosso meio já há muito tempo.
SETTING – O Prev-Fumo é uma ambulatório multidisciplinar do Hospital São Paulo, Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo. Este ambulatório tem como coordenadores: Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira – Departamento de Psiquiatria; Prof. Dr. José Roberto de Brito Jardim – Disciplina de Pneumologia; e Profa. Dra. Sandra Ribeiro – Departamento de Medicina Preventiva. As atividades clínicas são desenvolvidas por 4 enfermeiras contratadas e por um médico psiquiatra voluntário. Ao longo dos últimos cinco anos este ambulatório desenvoveu uma técnica de terapia de grupos com fumantes que consiste de 5 atendimentos consecutivos com intervalo de uma semana. Nesse período já foram atendidos mais de 2000 pacientes. Somente nos últimos seis meses quando houve um aumento no número de profissionais atendendo, mais de 500 pacientes foram atendidos. Essa mudança recente também produziu uma maior diversificação no atendimento desses pacientes e hoje o PREV-FUMO oferece além do tratamento grupal orientação individual e avaliação feita pelo psiquiatra. Por tudo isso hoje inúmeros profissionais de todo o país buscam estágios no nosso serviço com o objetivo de aprender sobre organização de serviço para fumantes.
O nosso estudo busca comparar a eficácia da bupropiona com o adesivo de nicotina. Optamos por essa comparação pois já temos grande experiência sistematizada com o adesivo, que resultou em uma tese de mestrado e outra de doutorado, e estamos buscando uma maior experiência sistematizada com a bupropiona. Faríamos a comparação de 100 (cem) pacientes recebendo Zyban com 100 (pacientes) utilizando o adesivo. Os dois grupos receberiam 5 atendimentos grupais. Os pacientes seriam avaliados antes do tratamento com uma bateria de questionários já utilizados na literatura internacional. A cada semana do tratamento eles fariam uma avaliação visando os sintomas de abstinência e possíveis efeitos colaterais das medicações. Em seguida eles seriam acompanhados após 3, 6 e 12 meses após o tratamento.

Medicos com dependecia quimica.pdf

Cuidando de Médicos com Dependência Química: Perfil Clínico e Demográfico
de Uma Amostra de Médicos Brasileiros em Tratamento Ambulatorial.

O consumo de substâncias de abuso pelos médicos é causa freqüente de erro, absenteísmo, e queixas junto aos Conselhos Regionais de Medicina. Este problema demanda maior atenção, pois determina riscos ao público e ao médico. Objetivo: Traçar o perfil clínico e demográfico de uma amostra de médicos em tratamento devido a dependência química, avaliar possíveis comorbidades psiquiátricas e conseqüências associadas ao consumo. Método: Foram coletados dados de 198 médicos em tratamento ambulatorial por uso nocivo e dependência química, por meio de questionário elaborado pelos autores. Resultados: A maioria de indivíduos foi do sexo masculino (85,4%), casados (59,2%), com idade média de 39,4 anos (desvio padrão=10,7 anos). Sessenta e seis por cento já tinham sido internados por causa do uso de álcool e/ou drogas. Setenta e nove por cento possuía residência médica e as especialidades mais envolvidas foram: clínica médica, anestesiologia e cirurgia. Comorbidade psiquiátrica foi diagnosticada em 27,7 por cento (Eixo I do DSM-IV) e em 6% (Eixo II do DSM-IV). Quanto às substâncias consumidas, o mais freqüente foi uso associado de álcool e drogas (36,8%), seguido por uso isolado de álcool (34,3%) e uso isolado de drogas (28,3%). Observou-se o intervalo de 3,7 anos em média entre a identificação do uso problemático de substâncias e a procura de tratamento. Quanto à busca por tratamento, 30,3% o fizeram voluntariamente. Quanto aos problemas sociais e legais observou-se: desemprego no ano anterior em quase 1/3 da amostra; problemas no casamento ou separação (68%), envolvimento em acidentes automobilísticos (42%) e problemas jurídicos (19%). Dois terços apresentaram prejuízo na prática da profissão e 8,5% tiveram problemas junto aos Conselhos Regionais de Medicina. Os autores recomendam algumas medidas assistenciais e preventivas para o problema.

Medico com transtorno mental.pdf

Orientações e dilemas éticos ante o médico com transtorno mental
Hamer Alves, Ronaldo Laranjeira e Luiz Antônio Nogueira-Martins.

Abordar o tema do médico com transtorno mental, dependência química e burnout (Síndrome do Esgotamento Profissional) é um assunto, ao mesmo tempo, delicado e imperativo. Procuraremos traçar algumas orientações gerais, porém sem a pretensão de abarcar a ampla miríade de situações e dilemas éticos que perpassam o tema do médico enfermo.
As observações, diretrizes e conclusões aqui estabelecidas embasam-se em: (1) A observação sociológica dos médicos através da revisão da literatura médica disponível e (2) A descrição da experiência acumulada durante quatro anos junto ao programa de atendimento a médicos (Rede de Apoio a Médicos), criado em 2002, fruto de um convênio entre o Centro de Estudos do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Trata-se de um programa de atendimento e orientação voltado para médicos, visando o rápido acolhimento e proteção deste e do público.
Perfil sócio-ocupacional do médico e fatores de risco psicossociais
No Brasil, 75% dos médicos têm idade inferior a 45 anos, 50% têm entre três e quatro atividades e 50% trabalham em plantões. A extensão da jornada de trabalho é notável: 46% dos médicos trabalham mais de 50 horas semanais, provavelmente como
mecanismo de compensação para perdas salariais e para substituição da ocupação autônoma. Os médicos trabalham mais que a maioria das pessoas — 15 horas por semana a mais que outros profissionais — e tiram menos tempo de férias — quatro semanas/ano versus oito semanas/ano de outros profissionais (Machado MH, 1997).

CREMESP medicos.pdf

Ampliação da Rede de Apoio a Médicos
A experiência da Rede de Apoio a Médicos: A Rede de Apoio a Médicos completará dois anos de funcionamento em maio. Este serviço, de objetivo assistencial, fornece atendimento diferenciado por profissionais especialistas e conhecedores das particularidades da profissão. O atendimento pode abranger: orientação familiar e aos colegas, apoio psicológico e até mesmo tratamento psiquiátrico. Funciona da seguinte maneira: 1 – O contato inicial se dá através de uma Central de Apoio que pode ser acessada por telefone fixo, celular ou e-mail. 2 – Após o primeiro contato, quando pertinente, o colega é submetido a uma avaliação com o objetivo de planejamento diagnóstico e encaminhamento para o tratamento, que pode ser realizado por um dos colegas que compõem a Rede. 3 – A Rede é constituída de vários colegas psiquiatras dentro do Estado de São Paulo, que passam a ser os gerentes e responsáveis pelo caso, ficando a cargo destes, a partir de então, o encaminhamento para psicoterapia, manejo psicofarmacológico, orientação aos familiares.
Neste período, recebemos cento e dez casos relacionados a uso problemático de álcool e outras drogas, uma vez que o serviço começou com o atendimento a esta clientela. Percebemos que os casos que aderiram ao tratamento, apresentam bom prognóstico, com boas taxas de recuperação e retorno às atividades de trabalho. É importante que o tratamento seja individualizado, por um tempo significativo, com envolvimento familiar e uso de exames de rastreamento do uso de substâncias para a proteção do médico e do público.

Consumo de substancias por medicos.pdf

O consumo de substâncias de abuso pelos médicos
O consumo de substâncias de abuso pelos médicos é uma questão muito importante na classe médica, sendo causa freqüente de erro, absenteísmo, e queixas junto o Conselho Regional de Medicina. Este problema demanda um controle muito mais rígido, pois determina riscos ao público e ao médico. Objetivo: Traçar o perfil sócio-demográfico dos médicos em tratamento por dependência química, avaliar possíveis comorbidades psiquiátricas e conseqüências associadas ao consumo. Método: Foram coletados dados de 206 médicos em tratamento ambulatorial por uso nocivo e dependência química, por meio de questionário elaborado pelos autores. Resultados: A maioria de indivíduos foi do sexo masculino, casados, com idade média de 39 anos e dp. Sessenta e seis por cento já tinham sido internados por causa do uso de álcool e/ou drogas. Setenta e sete por cento possuía residência médica e as especialidades mais envolvidas foram: clínica médica, anestesiologia e cirurgia. Comorbidade psiquiátrica foi diagnosticada em trinta e um por cento dos pacientes. Quanto às substâncias consumidas, o mais freqüente foi uso associado de álcool e drogas (39%), seguido por uso isolado de álcool (35%) e uso isolado de drogas (28%). Observou-se o intervalo de 3,78 e dp anos em média entre a identificação do uso problemático de substâncias e a procura de tratamento. Apenas 30% buscaram tratamento voluntariamente. Quanto aos problemas sociais e legais observou-se: desemprego no ano anterior em quase 1/3 da amostra; problemas no casamento ou separação (68%), envolvimento em acidentes automobilísticos (42%) e problemas jurídicos (19%).

Alcohol Drugs by Doctor.pdf

Médicos e a dependência
Freud tratou um colega com dependência de ópio com cocaína
Dr W. Welch – Johns Hopkins Hospital – coca
Prevalência: É maior, igual ou menor entre os médicos ?
Menor: Brewster (1986) enviou correspondência para 1000 médicos canadenses. 1.2 médicos/ 1.3 população geral
Maior:
Vaillant (1970) estudou um follow-up de 20 anos de “college men”. Dos 268, 46 fizeram medicina e apresentavam 2 vezes mais uso de drogas. 9% dos médicos e 1% dos controles tinham problemas com álcool aos 50 anos.
Hughes (1992) estudou 9.600 médicos selecionados randomicamente nos EUA e comparou com a população geral. Médicos tiveram maior prevalência de álcool e drogas e menor prevalência de fumo
Dados Americanos
- Na California de 1980 a 1995 cerca de 1.300 médicos fizeram contato com um programa para dependentes (Total de 76.000). Estima-se que existam pelo menos outros 1.300 que buscaram ajuda fora do sistema. 18% dos médicos tiveram problemas ao longo da vida.
- Os anestesistas parecem ter maior risco de problemas
- A taxa de suicídio entre médicos na California é de77/100mil na população geral é de 15/100mil

Usuarios de drogas HIV positivos.pdf

Usuários de drogas HIV positivos:
Relação entre os riscos associados à infecção e mudanças de comportamentos posterior a conversão sorológica
Investigadores: Dr. Ronaldo Laranjeira, PhD
Dr. John Dunn, MRCPsych
Colaborador: Dr. Paul Griffiths

O número de usuários de drogas no Brasil que se infectaram com o HIV vem crescendo dia a dia. Apesar disto existe uma grande carência de dados referentes ao comportamento desta população no país. Este projeto visa estudar uma série de comportamentos dos usuários de drogas que já estejam infectados e em contacto com clínicas de tratamento ou aconselhamento. Os comportamentos de interesse são: comportamentos de risco anteriores a infecção pelo HIV; motivos da demora em buscar ajuda para o problema do uso de drogas; expectativas em relação aos tratamentos oferecidos e fatores que possam contribuir para melhor adesão ao tratamento; e mudanças dos comportamentos de risco posterior ao conhecimento da condição de HIV positivo.
Serão entrevistados todos os usuários de drogas que tenham feito uso de drogas injetáveis na vida e que frequentem três clínicas diferentes na Grande São Paulo. Os comportamentos serão avaliados por uma entrevista semi-estruturada e por uma série de questionários que serão traduzidos e adaptados de instrumentos já utilizados na literatura internacional. As informações obtidas neste estudo poderão ajudar no entendimento dos fatores que contribuem para a infecção pelo HIV nos usuários de drogas bem como auxiliar as futuras intervenções preventivas com essa população.

Transition cocaine.pdf

Transition in the route of cocaine administration-characteristics, diretion and associated variables
John Dunn;Ronaldo R. Laranjeira

Aims. To examine transitions in the route of administration of cocaine and the variables associated with them. Design. A cross-sectional study undertaken between January 1996 and October 1997. Setting. Fifteen different services that offer treatment, counselling or assistance to drug users or HIV positive patients in the State of São Paulo, Brazil. Participants. 294 current or ex-cocaine and crack cocaine users. Measurements. A structured interview schedule was developed consisting of 245 questions covering sociodemographic details, drug history, cocaine transitions and HIV-risk behaviours. Findings. 87% of patients began using cocaine by snorting but 74% subsequently underwent a transition of route – 68% towards smoking and 20% to injecting. Half of all transitions occurred in the first three years following initiation into cocaine use. Factors associated with transitions were: younger age at cocaine initiation, more frequent use at peak usage, starting to use cocaine by snorting or injecting, a lower level of scholastic attainment and experience with a wider range of drug classes. A cohort effect was apparent with younger cocaine users and those who had begun using after 1990 being more likely to undergo a transition to smoking crack and less likely to start injecting. Conclusions. Cocaine transitions are very common and are usually towards routes associated with a higher dependency potential and increased HIV-risk behaviour. Further research is needed to see if transitions can be prevented by early identification of potential cases.

Short Report crack cocaine.pdf

People who misuse licit or illicit substances have higher mortality rates. Most research has been done with other type drug users, but little is known about mortality in crack cocaine users. In the present study 131 consecutive crack dependent patients, admitted to the detoxification ward of a public hospital with a city-wide catchment area in São Paulo, Brazil between 1992 and 1994, were followed-up 5 years later. They were predominantly young, single, white men of low educational attainment and high unemployment. All met DSM IV criteria for cocaine dependence.

Short Report crack.pdf

High mortality among young crack cocaine users in Brazil – a 5-year follow-up study.
M Ribeiro-Araújo, J Dunn, R Laranjeira, R Sesso

People who misuse licit or illicit substances have higher mortality rates. Most research has been done with other type drug users, but little is known about mortality in crack cocaine users. In the present study 131 consecutive crack dependent patients, admitted to the detoxification ward of a public hospital with a city-wide catchment area in São Paulo, Brazil between 1992 and 1994, were followed-up 5 years later. They were predominantly young, single, white men of low educational attainment and high unemployment. All met DSM IV criteria for cocaine dependence.
Between 1998 and 1999 124 (94.6%) of the original cohort were located – mean follow-up 44.3 months – and assessed using a semi-structured interview. The project had been approved by the local ethics committee. Death certificates were verified from records held at the Municipal Offices.
Twenty-tree patients had died (18.5%): 3 were accidental (2 cocaine overdoses and 1 drowning), 7 due to infectious complications of intravenous drug use (6 of AIDS and 1 of hepatitis B) and 13 had been shot. Relatives reported that these latter deaths were related to turf fights, punishment levelled out by drug dealers for unpaid debts or police repression. Mean age at death was 27 years (range: 18 to 40).

Perfil_dos_usuarios_de_cocaina_e_crack 2007.pdf

Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil
Profile of cocaine and crack users in Brazil
Lígia Bonacim Duailibi, Marcelo Ribeiro, Ronaldo Laranjeira

Este artigo tem como objetivo sintetizar o perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil. Foi construído por meio de revisão da literatura em base de dados (MEDLINE, LILACS e Biblioteca Cochrane), e no Banco de Teses da CAPES. Os dados foram agrupados em categorias temáticas, quais sejam: levantamentos domiciliares nacionais, populações específicas, perfil dos pacientes que procuram tratamento, mortalidade e morbidade. Dentro de cada categoria os principais achados da literatura nacional foram descritos e posteriormente discutidos. O artigo conclui que informações relacionadas ao consumo de cocaína e crack no Brasil ainda são incipientes, mas já temos à disposição da comunidade científica um conjunto teórico relevante que pode ser utilizado visando à atualização das atuais políticas públicas referentes a este tema. Palavras-chave: cocaína/crack, perfil, usuários, revisão da literatura.

HIV_risk behaviour among non_heroin using cocaine injectors and non_injectors in sao paulo.pdf

Hiv-risk Behavior among non-heroine using cocaine injetors and non-injectors in São Paulo, Brazil
John Dunn and Ronaldo R. Laranjeira

The aim of this study was to investigate HIV-risk behaviour among cocaine users in relation to preferred route of administration and to relate this to reported HIV serostatus. Two hundred and ninety-four patients were interviewed in 15 different services that offer treatment, assistance or counselling to drug users and/or HIV positive patients using a structured questionnaire that had been developed and piloted in Brazil. At the time of interview lifetime use of snorted cocaine was 94%, of smoked crack 82% and of injected cocaine 32%. Twenty-eight percent described themselves as HIV positive, 32% as negative and 40% were unaware of their status. Non-injectors tended to be younger, had used fewer substances, had spent less time using cocaine, were less likely to have had sex with other drug users or to have been tested for HIV. Non-injectors had high levels of contact with injectors. Those reporting a positive HIV result were older, had used more classes of drugs, had used cocaine for longer and were more likely to have injected and participated in at-risk behaviours. The findings are discussed in terms of policy changes that may be necessary to reduce the high level of risk behaviour among Brazilian cocaine users.

Factors associated with adverse reactions to cocaine.pdf

Factors associated with adverse reactions to cocaine among   a sample of long-term,high dose users in São Paulo,Brazil
Cleusa P. Ferri , John Dunn , Michael Gossop;and Ronaldo Laranjeira 

Aim. To investigate the frequency of adverse cocaine reactions and associated factors among regular cocaine misusers. Design, setting and participants. A cross-sectional survey with 332 cocaine misusers from a range of treatment and non-treatment settings in São Paulo, Brazil. Measurements. An interview schedule was translated from English into Portuguese incorporating the Severity of Dependence Scale, the GHQ-28, CAGE and an 8-item questionnaire investigating the frequency of specific adverse cocaine reactions. Findings. Patients reported a median of 4.5 different adverse reactions to cocaine. The most commonly described reactions were feeling very hot (84%), shaking uncontrollably (76%) and feeling ill (75%). The least common and most severe symptoms were convulsions or fits (18%) and passing out (21%). Frequency of adverse reactions to cocaine was positively associated with out-of-treatment status, severity of cocaine dependence, ever having injected cocaine, using tranquillisers with cocaine, and GHQ score. Conclusions. Adverse reactions to cocaine are common among regular cocaine users. Some of the adverse effects, especially those on the heart and central nervous system, are potentially fatal. Preventive strategies should be developed to reduce the risk of adverse cocaine reactions. The findings are discussed in relation to the type of interventions that might be developed and lines of future research.

Diminuicao da Fissura com Topiramato.pdf

Craving Decrease with Topiramate in Outpatient Treatment for Cocaine Dependence:
an open label trial.
Diminuição da Fissura com Topiramato no Tratamento Ambulatorial para Dependência de Cocaína: um Ensaio Clínico Aberto.
Alessandra Diehl Reis, Luiz André Castro, Ronaldo Laranjeira, Roberta Faria

Objectives: To evaluate the anti-craving action and tolerability of oral topiramate in inhaled cocaine users’ treatment.
Methods: A sample of 28 male users of inhaled cocaine which met criteria from DSM IV for cocaine dependence were selected for outpatient 12 week treatment with topiramate, individual dosage varied increasingly (25 to 300 mg/day) in an open label trial. The main clinical variables were: (1) Rate of abstinence, (2) Intensity, frequency and duration of craving, (3) Adherence, (4) Dropouts, (5) Side effects, (6) Impulsivity measure through Barratt Impulsivity Scale (BIS 11). Each patient received both assertive strategic counseling for abstinence assistance and medication monitoring evaluation every two weeks. Comparative analysis between evaluations was made to the subjects with Intention to Treat (ITT); the missing values were replaced by the last observed value of that variable (LOCF – Last Observation Carried Forward) and the significance level was 5%.
Results: Adherence to the treatment was of 57% (received three evaluations), 32% dropped out (only one evaluation) to an attendance average of 3,14 ( 1,80). The mean dose was 127,27 mg/day ( 93,19).There were no severe side effects noted. Negative test average was 25.4% + 31.2. From the N= 28 evaluated patients a significant statistical reduction was observed in n= 7 (25%) regarding the intensity of craving of 1,18 (dp=2,33) when compared to baseline evaluation (p= 0,012), regarding the duration of craving a significant statistical reduction was also observed n= 7(25%) (p=0,018). Craving frequency variation was not significant (p= 0,783). There were no significant statistical variations for the use of BIS11 nor in the total score in the final evaluation when compared to baseline impulsivity assessment (p> 0,05).

Craving Decrease with Topiramate in Outpatient Treatment for Cocaine Dependence.pdf 

Craving Decrease with Topiramate in Outpatient Treatment for Cocaine Dependence:
an open label trial.
Diminuição da Fissura com Topiramato no Tratamento Ambulatorial para Dependência de Cocaína: um Ensaio Clínico Aberto.
Alessandra Diehl ReisI, Luiz André Castro , Roberta Faria , Ronaldo Laranjeira.

Objectives: Evaluate anti-craving action and tolerability of topiramate in cocaine user treatment.
Methods: Male users of inhaled cocaine (N=28) which met criteria from DSM IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, fourth edition) for cocaine dependence were selected for outpatient 12 week, open label trial with topiramate, individual dosage varied (25to300mg/day). Main clinical variables were: abstinence rate, craving intensity, frequency and duration, adherence, dropouts, side effects and impulsivity measure through Barratt Impulsivity Scale (BIS11). Patients received assertive strategic counseling for abstinence assistance and medication monitoring evaluation every two weeks. Comparative analysis was made with Intention to Treat, missing values were replaced (LOCF – Last Observation Carried Forward), significance level was 5%.
Results: Adherence to treatment was 57% (at least three evaluations), 32% dropped out (one evaluation). There were no severe side effects. Negative test average was 25.4%+31.2.Significant statistical reduction regarding duration was (p=0,012), and craving intensity (p=0,018). Craving frequency was not significant (p=0,783). No significant statistical variations in BIS11 or in the total score were found in the final evaluation when compared to baseline (p>0,05).

Crack_vinganca.pdf

Crack, Êxtase e a vingança divina
O que tem caracterizado o problema das drogas nos últimos vinte anos tem sido a mudança constante de novos padrões de consumo por novas drogas e por novas formas de administração de drogas velhas mas que em condições de administração novas podem fazer um grande estrago em novas populações. Um grupo dessas drogas que esta fazendo um grande estrago tanto nos EUA como na América Latina é a cocaína em suas várias formas. No Brasil, e em especial em São Paulo, passamos por duas fases de consumo da cocaína. A primeira que começou há dez anos era caracterizada pelo uso nasal e endovenoso e produziu milhares de pessoas infectadas pelo HIV. A segunda fase pela qual passamos agora tem o uso da cocaína fumada (‘crack’) como a principal responsável pelo estrago.
O uso mais intenso dessa droga velha sob nova forma além do custo social muito discutivo produziu novos conhecimentos à respeito do efeito da droga em sí. Um deles é relacionado ao potencial de gerar abstinência da cocaína. A cocaína, anfetaminas e outros estimulantes são usados com o objetivo de intensificar o prazer. Agudamente essas substâncias produzem um grande prazer subjetivo com um maior estado de alerta, os prazeres normais são intensificados, ansiedade inicialmente diminui, auto-confiança e auto-percepção de capacidade aumentam, as inibições sociais são reduzidas e a comunicação interpessoal é facilitada. Enquanto o uso agudo é agradavel e aparentemente controlavel o uso repetido produz uma sensação de busca intensa por mais droga até chegar a um uso compulsivo.
Por muitos anos os cientistas e clínicos trabalhando na área consideravam que cocaína produzia somente uma dependência psicológica que seria uma resposta ao efeito euforizante prazeiroso da droga. Entretanto a partir do final da década de 70 tem demonstrado que o uso crônico de estimulantes levam ao desenvolvimento de uma adaptação neurofisiológica importante (Fischman e col, 1985; Gawin & Kleber, 1986). A diferença da abstinência dos estimulantes e das drogas como os opiáceos, álcool, etc, que produzem uma abstinência com sinais clássicos. Os estimulantes por outro lado produzem mudanças neurofisiológicas que regulam alguns processos psicológicos. Semelhança com os BDZ…
A dependência da cocaína cão causa sintomas físicos grosseiros como o alcool e opiáceos.

Crack_cocaine_a five_year follow_up study of treated patients.pdf

Crack-cocaine: a five-year follow-up study of treated patients.
M. Ribeiro, J. Dunn, R. Sesso, MS Lima, R. Laranjeira

Objectives: To follow-up a group of 131 crack-cocaine users and examine drug use, treatment experience, employment status, involvement in crime and mortality at 2 and 5 years.
Methods: Consecutive crack dependent patients who were admitted to a detoxification unit in Sao Paulo between 1992 and 1994 were re-interviewed on two occasions: 1995-1996 and 1998-1999.
Results: At 5 years post-treatment information was obtained on 124 (95%) of the original cohort. 39.7% (n=52) of patients reported having been abstinent from cocaine for at least the last year and 21.4% (n=28) had been using. Of those subjects not using cocaine at 2 years, 19 (62%) were still abstinent at 5 years. Twenty-three (17.6%) patients had died by the 5 years follow-up with homicide, due to firearms or other weapons, being the commonest cause (n=13). The annual adjusted mortality rate for the sample was of 24.92 deaths per 1000 individuals, the excess mortality rate was of 21.64 deaths per 1000 individuals and the standardized mortality ratio (SMR) was 7.60. A history of injecting drug use, unemployment at the time of the index admission and administrative discharge at index admission were factors that contributed to the risk of dying over the next five years.
Conclusions: There was a progressive movement towards abstinence over the follow-up period and there was evidence that once abstinence had been achieved it was maintained. On the other hand, the mortality rate was extremely high and was higher among those who were still using crack at 2 years.

CRACK Short Report Addiction.pdf

High mortality among young crack cocaine users in Brazil – a 5-year follow-up study.
M Ribeiro, J Dunn, R Laranjeira, R Sesso

Aims: Follow-up studies show that smokers, alcoholics and heroin addicts have high mortality rates, but there is little information on crack users. We have investigated the mortality rate among this population, including its risk factors and causes of death. Design: A five-year follow-up study. Participants and Setting: A cohort of 131 crack dependent patients, admitted to a public detoxification unit in Sao Paulo between 1992 and 1994. Measurements: Data collected from a structured personal interview and from a review of patients’ hospital records, confirming the deaths from records held at the Municipal Offices. Findings: Of the 124 (94.6%) patients located 23 (18.5%) had died (a mortality ratio of 7.6). Homicide was the commonest cause of death (n=13). Observed mortality rate, adjusted for age and sex, was 24.92 per 1000, whilst the expected all-cause mortality rate in São Paulo, also adjusted for age and sex, was 3.28 per 1000, giving an excess mortality rate of 21.64 per 1000. Survival analysis showed that the probability of being alive 5 years post-treatment was 0.80 (95% CI = 0.77 to 0.84). Cox’s proportional hazards regression showed 3 factors predicted mortality: history of intravenous drug use (hazard ratio 3.28, 95% CI 1.42 – 7.59), unemployment at index admission (hazard ratio 3.48, 95% CI 1.03 – 11.80) and premature discharge from index admission (hazard ratio 2.21, CI 0.94 – 5.18).
Conclusions: Community-based and tailored interventions should be considered to improve those patients’ social support and permanence in treatment.

Crack Cocaine a two year follow_up of treated patients.pdf

Crack Cocaine – a two-year follow-up of treated patients
Ronaldo Laranjeira, M.D., Ph.D., Rubens Rassi, M.D. John Dunn, M.D., PH.D. Meire Fernandes M.PhilL & Sandro Mitsuro, M.D.

Important follow-up studies have been undertaken of alcohol1 and heroin2 users which show that in the long-term the majority of patients achieve stable abstinence but there is a considerable mortality rate, in particular among those who continue to use. Very little is known about the medium or long-term outcome of patients who use cocaine whether it be snorted, injected or smoked in the form of crack. Murphy et al.3 followed-up a network of 27 cocaine snorters for 11 years, but this group had been deliberately chosen to represent “social” cocaine users rather than the more dependent patients that tend to present to hospital treatment services. Carroll et al4 undertook a one year follow-up of 298 cocaine abusers who had undergone outpatient or inpatient treatment, but only presented data on the 94 patients who were interviewed one year later. Furthermore, they did not report which routes of administration their patients were using.
A Medline search from 1980 to April 1997 revealed only one study in which a group consisting primarily of crack users had been followed up for one year after treatment5. However, this study was a clinical trial, using a randomized design, aimed at assessing the efficacy of various psychosocial interventions among 184 cocaine users. Faced with the scarcity of follow-up studies of cocaine and in particular crack users, this study was designed with the objective of looking at broad outcome measures for crack users who had been admitted for detoxification to a new inpatient unit in São Paulo.

CRACK.pdf

crack 
O crack nada mais é do que a cocaína fumada na forma de base livre, facilmente obtido por simples processo de aquecimento do cloridrato de cocaína, água e um agente de caráter básico que geralmente é o bicarbonato de sódio. A cocaína base, muito pouco solúvel em água, extraída dessa mistura, solidifica-se em temperatura ambiente, formando “pedras” de formatos irregulares.Manschresk e col(7). Devido ao fato de ser mais barato do que a cocaína em pó, de ter uma absorção mais rápida e mais efetiva mesmo do que a via endovenosa, o crack tem um potencial de dependência muito maior do que qualquer droga usada no mundo. Por ser um estimulante potente e por seu efeito durar somente alguns minutos, o usuário costuma tentar obter uma fonte constante da droga a qualquer custo, podendo com isto envolver-se mais facilmente no tráfico, criminalidade e outros tipos de complicações sociais.
Nos últimos 20 anos houve uma evolução muito grande da literatura internacional na área de dependência de drogas(6), contudo, inexistem dados especificos do seguimento do usuário de crack. No entanto, algumas informações relacionadas ao uso de cocaína podem apresentar uma parte do quadro das possíveis consequências do uso do crack. A partir de 1980 verificou-se o aumento da mortalidade envolvendo o uso de cocaína. Estudos feitos em Los Angeles, Budd(1) em 1988 com 114 vítimas que morreram devido ao uso de cocaína, mostraram que, 70 (61,4 %) morreram de algum tipo de morte violenta (tiro, punhalada, queda, acidente de carro, trauma craniano, estrangulamento, etc.) e, o restante 44 (38,6 %) morreram via algum meio não violento (overdose, doenças, etc.). Marzuk e col(8) também relataram uma alta taxa de uso de cocaína em suicidas. Entre janeiro de 1980 e julho de 1990 em um programa de tratamento para dependentes de drogas na Província de Bolonha – Itália, Goedert e cols(5) realizaram um acompanhamento de 4962 usuários de drogas onde houve relato de 332 mortes (taxa de mortalidade de 1,57% por 100 pessoas/ano) entre as principais causas: 150 mortes decorrentes de AIDS, 64 por overdose e 39 por trauma.

Consumo de crack e analise de sobrevida.pdf

Consumo de crack e análise de sobrevida: resultados de 5 anos de seguimento.
Não existem dados sobre uso de crack e mortalidade. A associação entre os transtornos relacionados ao uso de substância psicoativa e a mortalidade é evidente, com índices de 5 a 20 vezes maiores do que o esperado na população geral1. Apesar de consensual, tal associação adquire notável variabilidade e particularidade quando suas causas são analisadas em culturas específicas, ao longo dos anos ou a partir das características de uma determinada substância e sua via de administração.
No presente estudo, tentamos localizar os primeiros pacientes que procuraram a Clínica de Desintoxicação em Álcool e Drogas do Hospital Geral de Taipas (HGT), um serviço público situado na Zona Norte de São Paulo (Brasil), desde a sua fundação em 1992 até dezembro de 1994. Nesse período, 131 pacientes foram internados. Desses, 124 (94,6%) foram encontrados e entrevistados. Uma entrevista semi-estruturada abordou alguns aspectos relevantes: [1] trabalho e estudo, [2] contato com o sistema judicial, [3] consumo de cocaína e crack no último mês e ano, [4] tratamento atual e pregresso e [5] mortalidade.
A amostra era predominantemente masculina (88,5%) e branca (74,6%). Na época da internação (1992 – 1994), a idade média dos pacientes era de 22 anos (13 – 42 anos),, 66,9% estavam solteiros, 54,9% possuíam menos de 8 anos de estudo, 70,9% estavam desempregados, fora da escola ou afastados de suas atividades. A idade média do início do consumo de crack foi de 22,6 anos (mediana = 21, moda = 17), 64,2 consumiam-no há menos de 2 anos e 99% consumiram outro tipo de droga ilícita anteriormente, 28,7% dos entrevistados já haviam utilizado drogas endovenosas, 49% procurado outros tratamentos, 56,1% cometido delitos e 21,1% estado presos ou detidos.

Coca_genetica_d3.pdf

Association study between dopamine D3 receptor gene polymorphism and cocaine dependents
GP Messas ; IV Meira-Lima ; D Jardim ;E Ikenaga ;MD Turchi ;
OF Franco ; A Castelo; RR Laranjeira ; H Vallada
Previous investigations have shown that dopamine receptor sub-type 3 (DRD3) may be involved in the vulnerability to cocaine dependence. The present study investigates the Gly-9-Ser polymorphism of the DRD3 gene in 718 cocaine dependents and 782 healthy controls. No allelic or genotypic differences were found between the groups, when analyzing the whole sample. However, when subdividing the sample according to a maximum risk group of cocaine dependents (n=414), i.e. history of early onset of cocaine use and imprisonment records, an association with homozygosis was found (p<0.001). We concluded that the homozygosity of Gly-9-Ser polymorphism in the DRD3 gene may increase the vulnerability to develop cocaine dependence.

Cocaine Use in Brazil Patient Profiles Drug Histories and Patterns of Use.pdf

Cocaine Use in Brazil – Patient Profiles, Drug Histories and Patterns of Use
John Dunn, and Ronaldo Laranjeira

We studied profiles and drug histories of 294 cocaine users from 15 treatment services in São Paulo, Brazil. Mean age of subjects was 27 years and 90% were male. Over 50% had used five different substances apart from cocaine, usually tobacco, alcohol, cannabis, tranquillisers and solvents. Mean age at first cocaine use was 18.9 years when 87% had snorted the drug. Thirty-two percent had injected cocaine, 82% had smoked crack and 74% reported a full transition of route. Sixty-three percent reported daily cocaine use. Median duration of cocaine use was 6.3 years. Acts of acquisitive crime were common and 56% had been arrested. Our finding are discussed in terms of implications for prevention and treatment.

Cocaine transitions.pdf
Transitions in the route of cocaine administration – characteristics, direction and associated variables.
Co
caine transitions
John Dunn; and Ronaldo R. Laranjeira

Aims. To examine transitions in the route of administration of cocaine and the variables associated with them. Design. A cross-sectional study undertaken between January 1996 and October 1997. Setting. Fifteen different services that offer treatment, counselling or assistance to drug users or HIV positive patients in the State of São Paulo, Brazil. Participants. 294 current or ex-cocaine and crack cocaine users. Measurements. A structured interview schedule was developed consisting of 246 questions covering sociodemographic details, drug history, cocaine transitions and HIV-risk behaviours. Findings. 87% of patients began using cocaine by snorting but 74% subsequently underwent a transition of route – 68% towards smoking and 20% to injecting. Half of all transitions occurred in the first three years following initiation into cocaine use. Factors associated with transitions were: younger age at cocaine initiation, more frequent use at peak usage, starting to use cocaine by snorting or injecting, a lower level of scholastic attainment and experience with a wider range of drug classes. A cohort effect was apparent with younger cocaine users and those who had begun using after 1990 being more likely to undergo a transition to smoking crack and less likely to start injecting. Conclusions. Cocaine transitions are very common and are usually towards routes associated with a higher dependency potential and increased HIV-risk behaviour. Further research is needed to see if transitions can be prevented by early identification of potential cases.

Cocaine profiles.pdf

Cocaine – Profiles, Drug Histories and Patterns of Use of Patients from Brazil
John Dunn,and Ronaldo Laranjeira

We studied profiles and drug histories of 294 cocaine users from 15 treatment services in São Paulo, Brazil. Mean age of subjects was 27 years and 90% were male. Over 50% had used five different substances apart from cocaine, usually tobacco, alcohol, cannabis, tranquillisers and solvents. Mean age at first cocaine use was 18.9 years when 87% had snorted the drug. Thirty-two percent had injected cocaine, 82% had smoked crack and 74% reported a full transition of route. Sixty-three percent reported daily cocaine use. Median duration of cocaine use was 6.3 years. Acts of acquisitive crime were common and 56% had been arrested. Our finding are discussed in terms of implications for prevention and treatment.

Cocaine.pdf
Family and twin studies suggest a substantial genetic component in the vulnerability of individuals to become dependent after exposed to cocaine (Merikangas et al, 1998; Bierut et al, 1998; Kendler & Prescott, 1998). The reinforcing properties of cocaine are related with the dopaminergic system, and in particular the dopamine receptors have been implicated in “reward” mechanisms (Comings & Blum, 2000; Noble EP, 2000). The effect of neurotransmitter interaction at the mesolimbic brain region induces a “reward” when dopamine is released from the neuron at the nucleus accumbens and interacts with a dopamine receptor. A dopaminergic mechanism may therefore be responsible for interindividual differences in the susceptibility to developing cocaine dependence. In the context of a molecular genetic approach to this issue, candidate genes related to this vulnerability include the dopamine receptor gene

Cocaine-crack-ACTA.pdf 

Crack-cocaine: a five-year follow-up study of treated patients.
M. Ribeiro, J. Dunn, R. Laranjeira, R. Sesso, MS Lima

Objectives: To follow-up a group of 131 crack-cocaine users and examine drug use, treatment experience, employment status, involvement in crime and mortality at 2 and 5 years.
Methods: Consecutive crack dependent patients who were admitted to a detoxification unit in Sao Paulo between 1992 and 1994 were re-interviewed on two occasions: 1995-1996 and 1998-1999.
Results: At 5 years post-treatment information was obtained on 124 (95%) of original cohort. 39.7% (n=52) of patients reported having been abstinent from cocaine for at least the last year and 21.4% (n=28) had been using. Of those subjects not using cocaine at 2 years, 19 (62%) were still abstinent at 5 years. Twenty-three (17.6%) patients had died by the 5 years follow-up with homicide, due to firearms or other weapons, being the commonest cause (n=13). The annual adjusted mortality rate for the sample was of 24.92 deaths per 1000 individuals, the excess mortality rate was of 21.64 deaths per 1000 individuals and the standardized mortality ratio (SMR) was 7.60. A history of injecting drug use, unemployment at the time of the index admission and administrative discharge at index admission were factors that contributed to the risk of dying over the next five years.

Cocaina_emergencia.pdf

Cocaína
A cocaína é um alcalóide natural extraído da planta Erythroxylon coca, estimulante do SNC e anestésico local.
Pode provocar efeitos físicos e psíquicos agudos importantes, tanto em usuários crônicos, eventuais ou iniciantes, instabilizar problemas clínicos de base ou ainda gerar complicações clínicas pelo uso prolongado.
Boa parte dos indivíduos faz uso de cocaína associado a depressores do SNC (álcool, benzodiazepínicos e maconha, no contexto brasileiro, e opióides), visando a contrabalançar os efeitos simpatomiméticos da droga. Pode haver dependência de álcool associada, produzindo sinais e sintomas de abstinência e/ou delirium, nos dias seguintes à admissão. A cocaína e o crack vendidos nas ruas, por sua natureza ilícita, não têm controle de qualidade e possuem toda a sorte de adulterantes (tabela) e métodos de refino e alcalinização duvidosos, aumentando ainda mais a vulnerabilidade dos usuários.
Tabela: cocaína e adulterantes
farmacologicamente ativos componentes inertes componentes voláteis lidocaína inosol benzeno epinefrina manitol éter cafeína lactose acetona acetaminofem dextrose aspirina sacarose anfetamina bicarbonato de sódio metanfetamina pó de mármore

Cocaina _bases biologicas da administracao abstinencia e tratamento.pdf

Cocaína: bases biológicas da administração, abstinência e tratamento
Marcelo Ribeiro de Araujo  , Ronaldo Laranjeira, John Dunn 

O aumento do consumo de cocaína nas últimas duas décadas foi acompanhado por uma melhora do conhecimento dos mecanismos biológicos relacionados ao uso, abuso e dependência desta droga. Entender esses mecanismos ajudará o clínico a compreender os comportamentos e sintomas dos usuários, bem como as possibilidades de tratamentos biológicos existentes. Os objetivos desta revisão são: 1. Avaliar a neurobiologia da cocaína, as alterações que provoca nos usos agudo e crônico, os possíveis mecanismos de dependência e da síndrome de abstinência, além das repercussões neuroendócrinas do uso crônico. 2. Relacionar a farmacoterapia disponível, avaliando sua eficácia a partir de estudos já realizados e apontar novos estudos em andamento.
Introdução
A cocaína, alcalóide extraído das folhas da Erythroxylon coca há mais de um século, é uma das substâncias mais interessantes e intrigantes da história na Medicina. Apesar de sua prevalência apresentar-se pequena em comparação ao álcool1, atinge estatísticas de epidemia2 em vários países. A National Household Survey on Drug Abuse estimou que 4,5 milhões de norte-americanos haviam feito algum uso de cocaína em 19922.
Nos E.U.A. pode-se considerar que teve duas epidemias no século XX. A primeira ocorreu no início do século e foi controlada com uma série de medidas, dentre elas a própria proibição da cocaína (Federal Harrison Narcotics Act, 1914)3. Até então era legalmente usada, mesmo em bebidas como a Coca-Cola. A segunda epidemia do uso nos anos setenta, atingiu seu pico em meados dos anos oitenta3. O perfil elitizado de usuários expandiu-se para todas as camadas sociais, tendo em vista o aumento da produção e o aparecimento de apresentações mais baratas, como o crack.

Short report drug alcohol depend.pdf

Short report drug alcohol depend
People who misuse licit or illicit substances have higher mortality rates (McGinnis et al., 1993; Unwin & Codde, 1999). There are several risk factors related, such as the substance toxicity itself, consumption severity, presence of comorbidity, demographic features and socioeconomic conditions (Li & Smialek, 1996). The type of substance used, as well as the administration route, is also associated with the observed causa mortis (Pereiro et al., 2003). In this manner, the new appearance of heroin and cocaine from the seventies until today has changed dramatically the patterns of mortality, with increasing incidence of suicide, overdose, car accidents and homicide, mainly among young users (Smith, 1994; Roberts et al, 1997). The habit of injecting and exchanging sex for drugs has contributed to the spread of AIDS and STD, which still are a public health concerning in several countries (Rodriguez et al., 2
Most research about substance abuse and mortality has been done on cigarette smokers, alcoholics or heroin addicts. Little is known about mortality in crack cocaine users. Since no studies have analyzed the mortality risk and the causes of death among crack users, the present study has attempted to produce some evidence with regard to this theme.

Alcool e drogas na sala de emergencia.pdf

Álcool e drogas na sala de emergência
Ronaldo Laranjeira ;John Dunn; Marcelo Ribeiro de Araújo

As complicações relacionadas ao uso de álcool e drogas nas salas de emergências são um fato corrente na atualidade. A difusão, a diversificação e disponibilidade de substâncias psicoativas colocam o médico de plantão frente a quadros clínicos diversos e idiossincráticos, ora isolados, ora combinados, minimizados, exacerbados ou mascarados por outras situações (p.e. uso combinado de substâncias, doenças prévias ou injúrias decorrentes do uso)13.
O usuário de substâncias capazes de alterar os estados da mente está vulnerável a processos infecciosos, alterações metabólicas e acidentes, que por vezes mostram-se mais emergenciais do que a intoxicação ou a síndrome de abstinência per se. Por vezes combina substâncias de ação central semelhantes ou antagônicas, pode estar comprometido nutricionalmente ou suceptível a acidentes e a ambientes violentos. As intoxicações podem servir a propósitos suicidas ou funcionarem como „antídotos‟ para indivíduos sofrendo de alguma patologia psiquiátrica.
É objetivo desse capítulo apresentar as principais complicações relacionadas às substâncias psicoativas mais comuns em nosso meio, seu quadro clínico, considerações sobre diagnósticos diferenciais e concomitantes, bem como as abordagens terapêuticas mais eficazes no tratamento dessas.

Causa_mortis_em_usuarios_de_crack_2006.pdf

Causes of death among crack cocaine users
Causa mortis em usuários de crack.
Marcelo Ribeiro, John Dunn, Ricardo Sesso, Andréa Costa Dias, Ronaldo Laranjeira

Objetivos: O estudo acompanhou por cinco anos um grupo de 131 usuários de crack e observou os padrões de mortalidade, bem como as causas mortis entre esses. Material e método: Todas os indivíduos que se internaram em um serviço de desintoxicação, localizado no município de São Paulo, entre 1992 – 1994 foram entrevistados em duas ocasiões: 1995-1996 and 1998-1999. Resultados: Após 5 anos, 124 pacientes foram localizados (95%). Vinte e três pacientes (17,6%) haviam morrido ao final do quinto ano de seguimento, sendo os homicídios por arma de fogo ou arma branca, a causa de homicício mais comum (n=13). Quase um terço dos pacientes morreu devido à infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), especialmente aqueles com antecedentes pessoais de uso de drogas endovenosas. Menos de 10% dos pacientes morreu de overdose. Conclusões: O estudo sugere que os usuários crack têm maior risco de morte do que a população geral, sendo os homicídios e a AIDS as causas mais observadas. Desse modo, além do acesso ao tratamento, ações de saúde pública para esses indivíduos devem incluir medidas específicas capazes de prevenir ou reduzir tais desfechos. Descritores: cocaína crack, estudos longitudinais, mortalidade, causa da morte

Causes of death in crack users 2006.pdf

Causes of death among crack cocaine users
Causa mortis em usuários de crack.
Marcelo Ribeiro, John Dunn, Ricardo Sesso, Andréa Costa Dias, Ronaldo Laranjeira

Objectives: To monitor crack-cocaine users over a 5-year period and examine mortality patterns and causes of death. Methods: A group of 131 consecutive crack-dependent patients admitted to a detoxification unit in Sao Paulo between 1992 and 1994 were interviewed during two follow-up periods: 1995-1996 and 1998-1999. Results: Due to sample losses, the final data set consisted of 124 patients. By the study endpoint (1999), 23 patients (17.6%) had died. Homicide was the most common cause of death, followed by AIDS, especially among those with a history of intravenous drug use. Less than 10% died from overdose. Conclusions: Our results suggest that the mortality risk among crack cocaine users is greater than that seen in the general population, homicide and AIDS being the most common causes of death among such individuals. Therefore, in addition to treatment, public health interventions aimed at this population should include specific measures designed to minimize or prevent such outcomes.

Cocaina overdose.pdf

Investigação de genes de vulnerabilidade para abuso de cocaína
O abuso/dependência de cocaína é um dos principais problemas contemporâneos de saúde pública. Uma das estratégias mais promissoras de pesquisa neste setor é o reconhecimento de fatores genéticos envolvidos na produção de suscetibilidade ao desenvolvimento de abuso/dependência da droga. Estudos em modelos animais, assim como trabalhos ainda incipientes com populações humanas, mostram como os principais implicados bioquímicos na gênese do fenômeno os sistemas dopaminérgico, serotonérgico e noradrenérgico. O estudo em humanos de associação entre polimorfismos de receptores dopaminérgicos e dependência de cocaína mostram alguns achados positivos, ainda que em caráter preliminar.
Este estudo visa detectar genes de suscetibilidade para o transtorno, através do exame de genes do sistema dopaminérgico e serotonérgico. Como mais recentes estudos vêm sugerindo, a expressão fenotípica destes genes parece ocorrer em interação com fatores do meio ambiente; pretendemos procurar algumas interações de fatores ambientais com os polimorfismos nos sistemas acima apresentados. Com este trabalho, objetivamos contribuir para a detecção de fatores de risco para o transtorno que permitam estratégias de intervenção precoce e aprimoramento de tratamentos.

Por um Fio_FAPESP_abril2009.pdf

Por um fio
Mais atenção e alguns telefonemas reduzem em dez vezes as novas tentativas de suicídio
Ricardo Zorzetto e Carlos Fioravanti | ilustrações Hélio de Almeida

Uma sessão de aconselhamento, seguida de uma chamada telefônica a intervalos de algumas semanas durante um ano e meio, bastou para reduzir em dezvezes a taxa de suicídio entre pessoas que já haviam tentado pôr fim à vida. Esse resultado chama a atenção por demonstrar que uma estratégia simples e praticamente sem custos pode salvar vidas ao criar laços entre um profissional de saúde disposto a ouvir, de um lado da linha,e, do outro, alguém com necessidade de falar sobre um sofrimento psíquico tão intenso que não lhe deixa ver alternativa a não ser a extinção da própria vida.”Depois do contato inicial, feito ainda no hospital, foi preciso apenas ter um psicólogo e uma linha telefônica à disposição”, conta o psiquiatra Neury Botega, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Botega coordenou o grupo que testou no Brasil a eficácia dessa estratégia de intervenção, parte de uma iniciativada Organização Mundial da Saúde (OMS) destinada a diminuir a mortalidade por suicídio, em especial nos países mais pobres, que concentram 85% dos casos de morte autoinfligida. De janeiro de 2000 a abril de 2004 especialistas em saúde mental de cinco países reuniram informações sobre1.867 pessoas que haviam tentado o suicídio e foram atendidas em oito hospitais do Brasil, da Índia, do Irã,da China e do Sri Lanka. Depois de tratados os eventuaisferimentos causados pela tentativa de suicídio, cada indivíduo passou por uma entrevista com um profissional de saúde mental (psiquiatra, psicólogo e enfermeiro psiquiátrico) e foi convidado a participar do estudo.Quem aceitou entrou em um de dois grupos. Os 945 integrantes do primeiro grupo foram avaliados e encaminhados para um serviço apropriado da rede de saúde.No segundo grupo, além disso cada pessoa era informada
Uma sessão de aconselhamento, seguida de uma chamada telefônica a intervalos de algumas semanas durante um ano e meio, bastou para reduzir em dez vezes a taxa de suicídio entre pessoas que já haviam tentado pôr fim à vida. Esse resultado chama a atenção por demonstrar que uma estratégia simples e praticamente sem custos pode salvar vidas ao criar laços entre um profissional de saúde disposto a ouvir, de um lado da linha, e, do outro, alguém com necessidade de falar sobre um sofrimento psíquico tão intenso que não lhe deixa ver alternativa a não ser a extinção da própria vida.

 

Perfil_usuario_de_drogas_RS.pdf

Perfil dos usuários do serviço de teleatendimento
sobre drogas de abuso Vivavoz
Profile of users of the Vivavoz telephone service on drugs of abuse
Marilise Fraga de Souza, Eglê Rejane Kohlrausch, Cláudia Galvão Mazoni, Taís de Campos Moreira, Simone Fernandes, Denise Conceição Mesquita Dantas, Maristela Ferigolo, Helena Maria Tannhauser Barros

O abuso de drogas é um problema importante de saúde pública, e intervenções telefônicas são utilizadas como uma modalidade de tratamento. Objetivou-se descrever o perfil sociodemográfico, o padrão de consumo e a dependência de substâncias psicoativas dos usuários que buscaram auxílio em um serviço de teleatendimento para drogas de abuso.Método: Foram utilizados os dados do 1º ano de funcionamento do serviço, coletados por consultores previamente capacitados,através de protocolo informatizado. Foram aplicados instrumentos para caracterização sociodemográfica, padrão de consumo e
dependência dos usuários. Utilizou-se estatística descritiva para estimar a distribuição das variáveis, e os dados apresentam-se em freqüências.
Resultados: No período, foram atendidas 28.257 ligações, sendo 7.956 incluídas no estudo. No total, foi encontrada maior prevalência de mulheres, estudantes, solteiros, maiores de 35 anos, com ensino fundamental incompleto e renda familiar menor que cinco salários mínimos procurando o teleatendimento. Dentre os usuários de drogas, predominaram homens, de 18 a 25 anos. As drogas mais utilizadas foram tabaco, maconha, álcool e cocaína. O uso de tabaco foi semelhante para ambos os sexos. Indivíduos do sexo masculino usaram mais drogas ilícitas. A maioria dos usuários era dependente, sendo que os homens apresentaram maiores índices de dependência para tabaco e solventes.
Conclusões: Esses resultados traçam o perfil do usuário que procura auxílio telefônico para a questão de drogas, e revelam a importância desses serviços à população, auxiliando no direcionamento de ações preventivas.Descritores: Substâncias psicoativas, telemedicina, serviços de informação, epidemiologia.

 

Avaliação Neuropsicológica do comportamento de sujeitos dependentes de álcool em abstinência.pdf

Neuropsychological assessment of impulsive behavior in abstinent alcohol-dependent subjects
Avaliação neuropsicológica do comportamento impulsivo de sujeitos dependentes de álcool em abstinência
João Vinicius Salgado, Leandro Fernandes Malloy-Diniz,
Valdir Ribeiro Campos, Suzana Silva Costa Abrantes,
Daniel Fuentes,Antoine Bechara,Humberto Correa

Objective:Poor impulse control is thought to be one of the characteristics of alcohol addiction. The capacity to remain abstinent may be
linked to cognitive bias related to three dimensions of impulsivity: motor, non-planning, and attentional impulsivity. The aim of this study
was to evaluate the neuropsychological profile related to these impulsivity dimensions in alcohol-dependent patients within 15 -120
days of abstinence. Method: We compared 31 alcohol-dependent patients to 30 matched healthy controls regarding their performances
on the Continuous Performance Task, the Iowa Gambling Test, and the Wisconsin Card Sorting Test, each of which is thought to tax
primarily one of the three dimensions of impulsivity just outlined. Results: When compared to controls, alcohol-dependent patients
presented more commission errors on the Continuous Performance Task; made more disadvantageous choices on the Iowa Gambling
Test; and made more perseverative errors on the Wisconsin Card Sorting Test. There was no significant correlation between performance
on these tests and the length of abstinence. Conclusion: These results suggest that deficits related to motor, non-planning and attentional
components of impulsivity exist in alcohol-dependent patients, in the period immediately after acute alcohol withdrawal. These results
may help guide interventions designed to prevent the risk of relapse in alcohol-abstinent patients.
Descriptors: Alcoholism; Abstinence; Impulsive behavior; Cognition; Neuropsychology

Estado da arte Santini 2009.pdf

Tabagismo passivo e câncer de pulmão
LUIZ ANTONIO SANTINI, Folha de S. Paulo, 13/04/09, Tendências/Debates

A fumaça que sai da ponta de cigarros e charutos e se acumula em recintos coletivos não causa apenas incômodo: ela mata mesmo.
EXISTEM, SIM, inúmeras evidências científicas provando a relação entre fumo passivo e câncer de pulmão, diferentemente do que afirmou Denis Rosenfield em seu artigo “Formação da opinião pública” (“Tendências/Debates”, 1º/4).
E é devido a essas evidências que o tabagismo passivo já é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a terceira causa de morte evitável no mundo, subsequente ao tabagismo ativo e ao consumo excessivo de álcool. Vamos a elas.
Em 2004, uma vasta revisão de estudos e pesquisas que se acumulam desde a década de 80 sobre os riscos do tabagismo passivo levou a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer da OMS a concluir que a fumaça de derivados do tabaco é cancerígena e genotóxica para seres humanos. E que não-fumantes expostos a essa fumaça se tornam fumantes passivos, pois respiram os mesmos elementos tóxicos inalados por fumantes ativos.
Relatório similar também foi publicado pelo Surgeon General (órgão equivalente ao Ministério da Saúde) e pelo Center for Disease Control and Prevention (CDC), ambos dos EUA. As pesquisas também concluem que não existem níveis seguros para essa exposição. E que, quanto maior esta for, em tempo e intensidade, maiores serão os riscos.
Outro dado conclusivo é que não há sistema de ventilação capaz de eliminar exposição e riscos a níveis mínimos aceitáveis. Agências de proteção ambiental dos EUA e de outros países recomendam o banimento do ato de fumar de recintos coletivos como a única forma de proteger todos dos riscos do tabagismo passivo. Estudos epidemiológicos em várias partes do planeta se acumulam mostrando de forma substantiva que não-fumantes expostos à fumaça ambiental de tabaco têm risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão e 24% maior de ter infarto.
Um dos efeitos deletérios mais imediatos da fumaça ambiental de tabaco é sobre o sistema cardiovascular. Estudos do efeito da fumaça nos vasos sanguíneos mostram o aparecimento quase imediato de inflamação e alterações agudas no endotélio (superfície interna); constrição desses vasos; aumento da capacidade de agregação das plaquetas no sangue, levando à formação de trombos, dentre outras alterações. Estas podem causar ou precipitar manifestações agudas de doenças cardiovasculares, como infarto e tromboses, principalmente em pessoas que já sofrem de síndromes coronarianas agudas.

A publicidade de bebidas alcoólicas e os jovens FAPESP.pdf

Publicidade de bebidas alcoólicas e os jovens /
Ilana Pinsky 

As bebidas alcoólicas são as substâncias psicotrópicas mais utilizadas por adolescentes no Brasil e no mundo.
Sendo assim, estuda-se como isso ocorre e o que é possível fazer, em termos de políticas públicas, para reverter – ou ao menos não piorar – esse quadro.
Vários elementos combinam-se para que o consumo de álcool nessa faixa etária seja especialmente prejudicial: os padrões de consumo dos adolescentes (incluindo o binge ), inexperiência,tendência à impulsividade,aspectos biológicos da maturação do sistema nervoso,entre outros. Nessa fase, os aspectos simbólicos do beber têm grande importância, desde aqueles ligados à prática de um ato de transgressão (afinal, o consumo de álcool só é permitido a adultos), passando pelo sentimento de pertencer a ou se identificar com um determinado grupo, até o relaxamento e a diversão que estão associados com esse consumo e são reforçados pela propaganda de álcool.Dessa forma, os adolescentes (e jovens adultos) apresentam grande vulnerabilidade para o
desenvolvimento de problemas relacionados ao álcool. O consumo de álcool entre adolescentes está associado tanto a riscos agudos (sexo sem proteção, violência, acidentes) quanto a questões mais amplas (problemas nos estudos, problemas sociais, dependência do álcool).As melhores políticas públicas de redução de problemas do consumo de álcool incluem o controle de fatores ambientais, tais como o acesso (horas e locais para venda), o preço, o dirigir
alcoolizado e a informação (por exemplo: “contrapropaganda”,campanhas de prevenção através da mídia), sobre os quais comentaremos a seguir.

 

Early alcohol use and risk of later alcohol problems.pdf 

Early alcohol use and risk of later alcohol problems.
Uso precoce de álcool e risco de problemas futuros.
Denise Leite Vieira, Marcelo Ribeiro , Ronaldo Laranjeira

Objectives: To investigate the relationship between age of onset, alcohol consumption patterns and related problems. Methods: In 2004, one self-administered questionnaire was completed by 2074 students from 5th to 11th grades of schools in Paulínia (SP). Data collection was conducted at the classroom without the presence of the teacher. The participation in the study was voluntary and anonymous. Results: The prevalence of lifetime alcohol use among the students was 62.2%. The mean age of first use of alcohol was 12.35 (sd=2.72) and ranged between 5 and 19 years of age. In 78% of the cases the first use occurred before the age of 15, and more than 22% of the students reported having tried alcohol before adolescence (before 10 years of age). There were significant differences regarding current consumption patterns (drunkenness and heavy alcohol use, i.e., 5 or more doses per episode) when compared to the mean age of first use. The results also show a relationship between the age of first alcohol experimentation and the use of tobacco and other drugs. Conclusions: The data reveal that the adolescents experiment alcohol in early ages, what impacts the current consumption patterns. This study emphasizes the need of actions regarding public alcohol policies in Brazil in order to prevent or delay the initiation of alcohol use and its related problems.

 

Álcool e Adolescentes.pdf

Álcool e adolescentes: estudo para implementar políticas municipais
Alcohol and adolescents: study to implement municipal policies
Denise Leite Vieira, PhD pesquisadora da UNIAD
Marcelo Ribeiro, PhD pesquisador da UNIAD
Marcos Romano, MD pesquisador da UNIAD
Ronaldo R. Laranjeira, PhD pesquisador/coordenador da UNIAD

Introduction: Alcohol is the most used drug around the world and youth drinking is particularly of concern as young people are more likely to engage in risk behaviors Objectives: To describe the students’ profile regarding pattern of alcohol consumption, perception of availability and ease of access to alcohol, drinking contexts and consequences of drinking behavior. Methods: A self-administered questionnaire was answered by 1990 students from 5th to 11th grade from schools in Paulínia (SP). Data collection was conducted at the classroom without the presence of the teacher. The participation on the study was voluntary and anonymous. Results: Prevalence of lifetime alcohol use was 62,2% and 17,3% of the pupils reported at least one episode of binge drinking on the previous 30 days. Adolescents reported easy access to alcoholic beverages in commercial establishments, as well as in social contexts with family and friends. Only 1% of the minors had tried to buy alcohol and failed. The students reported negative consequences of drinking on the previous 12 months such as getting involved in a fight after drinking (5%). Fifty-five percent of the students reported knowing someone who had been involved in a car crash because of a drunk driver. Conclusions: The results of this study reveal the high prevalence of alcohol use among adolescents; the easy access to alcoholic beverages including to minors; that youngsters put themselves at risk and present negative consequences of alcohol consumption. This paper enhances the relevance of a prompt action regarding alcohol policies in Brazil.

 

Dependência Química entre Médicos.pdf

Dependência química entre médicos: A experiência de um serviço pioneiro no Brasil – Rede de apoio a médicos. características sócio-demográficas,padrões de consumo, comorbidades e repercussões do uso de álcool e outras drogas entre médicos.
Hamer Nastasy Palhares Alves

Médicos apresentam peculiaridades sócio-ocupacionais e de personalidade que os expõem a situações de risco para transtornos mentais,
burnout e uso de substâncias. Objetivo: Descrever características sóciodemográficas,razões para busca de auxílio terapêutico, diagnóstico do uso
problemático de substâncias, comorbidades psiquiátricas e repercussões do consumo em amostra clínica em um serviço específico para médicos no Brasil.
Desenho: Estudo de corte transversal. Procedimentos: Um estudo piloto foi realizado para investigar o perfil de médicos dependentes químicos em
tratamento no Brasil, (N=198). Os resultados deste estudo fomentaram a necessidade de constituição de um serviço para esta clientela. A partir do
funcionamento desta Rede de Apoio a Médicos foi investigado, em entrevista semi-estruturada, o perfil sócio-demográrico, comorbidades psiquiátricas e
diagnóstico do uso de substâncias (Checklist de Sintomas para a CID-10 e Malasch Burnout Inventory). Auto-medicação foi anotada quando esta contribuiu para a gênese do consumo de substâncias. Repercussões do uso de foram anotadas de modo dicotômico (sim/não). Resultados: Trezentos e
sessenta e cinco médicos foram atendidos em um período de sete anos.Destes, 319 (87,4%) eram homens, idade média de 38,6 ± 10,5 anos. O
intervalo médio entre a identificação do problema e a busca de tratamento foi de 5,8 ± 7,3 anos. Comorbidade psiquiátrica esteve presente em 188 casos
(51,5%). O álcool foi a droga mais consumida, sendo responsável pelo início de consumo problemático de substâncias na maioria dos casos. Observamos
diferentes perfis entre os blocos de especialidades: as especialidades clínicas iniciaram a carreira de uso problemático predominantemente com o álcool, as
especialidades cirúrgicas com álcool ou drogas de rua e anestesiologia, com drogas de prescrição (p<0,001). A análise através do processo de árvores de
classificação corroborou os achados de diferentes padrões entre os blocos de especialidades em relação ao início do consumo de substâncias (p<0,001) e ao
padrão atual de consumo (p=0,021). As mulheres apresentaram problemas mais frequentemente com benzodiazepínicos e anfetaminas e também
buscaram auxílio mais precocemente. A busca de auxílio ocorreu por pressão xiv da família (44,1%), por pressão de colegas e Conselho Regional de Medicina
(18,1%) e voluntariamente (37,8%). O tempo decorrido entre o reconhecimento de problemas e a busca de auxílio foi compatível com a literatura internacional
(5,83 anos ± 7,31). A especialidade de anestesiologia mostrou-se hiperrepresentada em nossa amostra, e apresentou características peculiares em
relação ao tipo de droga consumida, à forma de busca de auxílio terapêutico e ao início do consumo de drogas, sendo que este se deu principalmente por
meio de drogas de prescrição (benzodiazepínicos e opióides). Conclusões:Ponderamos que a amostra analisada apresenta um perfil psicopatológico e de
comorbidades importante, com repercussões do consumo em diversas áreas da vida (familiares, profissionais e saúde mental).

 

 

Curso SEAD UFSC SENAD SESI.pdf

Prevenção ao uso de álcool e outras drogas no ambiente de trabalho Conhecer para ajudar
A Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, tem a satisfação de promover, em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI), o Curso Prevenção ao uso de álcool e outras drogas no ambiente de trabalho: Conhecer para ajudar.O primeiro Curso mostrou um retorno positivo dos profissionais capacitados devido à importância da mobilização de uma rede de atenção aos trabalhadores e à qualidade técnica dos materiais didáticos.O Curso despertou, em muitos alunos, o reconhecimento da necessidade de definição de políticas e ações sobre drogas nas indústrias/empresas.Certos de que o Curso contribuiu para o enfrentamento de situações relacionadas ao consumo de álcool e/ou outras drogas no ambiente de trabalho e visando a atender as demandas por uma segunda edição do Curso, a SENAD e o SESI/DN (Departamento Nacional) decidiram relançá-lo, apresentando uma versão ampliada com o aumento da carga horária de 40 para 120 horas. Este aumento permitirá que os alunos tenham mais tempo para se dedicar aos estudos, participar de discussões e realizar pesquisas, o que possibilitará um melhor aproveitamento dos recursos disponibilizados na estrutura de Educação a Distância deste Curso.O conteúdo programático foi elaborado por especialistas com larga experiência em prevenção no ambiente de trabalho. Nesta nova versão, o livro foi revisado e ampliado com a inclusão de um texto sobre políticas públicas e legislação sobre drogas no Brasil

 

Prevalência da Associação entre o Uso de Substâncias e Traumas em um Pronto-Socorro Brasileiro.pdf

Prevalência da associação entre o uso de substâncias e traumas em um pronto-socorro brasileiro
Alessandra Diehl Reis

Contexto: Ainda que haja significativa literatura sobre a associação entre álcool e trauma, pouco se sabe sobre o uso de outras substâncias e trauma em pronto-socorro (PS). Objetivos: Estimar a prevalência do uso de substâncias em pacientes admitidos em um pronto-socorro por trauma não fatal. Métodos: Um estudo prospectivo de corte transversal avaliando todos os pacientes admitidos dentro de 6 horas antes de trauma não fatal em pronto-socorro durante um período de três meses. Um questionário padronizado pela OMS, o auto-relato do consumo de drogas nas últimas 24 horas antes do contato; DAST (Drug Abuse Screening Test); screening de urina para maconha (THC), cocaína e benzodiazepínicos (BZD) e CAS (Concentração de Álcool no Sangue) foram utilizados como medidas de avaliação do uso de álcool e drogas. Foram realizadas análises descritivas e o nível de confiança foi de 95%. Resultados: Foram incluídos 353 pacientes, tendo sido coletados screenings de THC e cocaína de 242 pacientes e de 166 pacientes para BZDs. O CAS foi positivo em 11% (n = 39) e 10% (n=33) apresentaram algum grau de intoxicação alcoólica. O teste para maconha foi positivo em 13,6% (n = 33); cocaína em 3,3% (n=8) e de BZDs em 4,2% (n=7). Conclusões: O uso de substâncias nesses indivíduos que sofreram trauma é altamente prevalente. Nesta amostra, a freqüência para maconha (uma droga ilícita) esteve próxima ao de álcool. Mais estudos são necessários a fim de identificar a realidade brasileira e elaborar adequadas identificações para estes casos visando à redução do uso de substâncias e suas conseqüências.

Impacto de um Curso em Diagnóstico e Tratamento do Uso Nocivo e Dependência Dr Claudio Jerônimo da Silva.pdf

Impacto de um curso em diagnóstico e tratamento do uso nocivo e dependência do álcool sobre a atitude e conhecimento de profissionais da rede de atenção primária à saúde
Cláudio Jerônimo da Silva

Introdução: O uso do álcool é um problema de saúde pública. Diversos problemas estão associados a ele. A rede primária é o primeiro local de acesso
ao serviço público; portanto, os profissionais devem estar preparados para fazer diagnóstico precoce e aplicar Intervenção Breve aos usuários do álcool, mas
existem barreiras: a falta de treinamento, a falta de políticas públicas eficazes, e as Atitudes negativas em relação aos dependentes do álcool. Objetivos: Elaborar um curso para ser aplicado aos profissionais da Rede Primária de Saúde com foco na mudança dos Conhecimentos e das Atitudes negativas. Espera-se que o curso ajude os profissionais a identificarem precocemente usuários de álcool de alto risco, usuários nocivos e dependentes e a aplicarem Intervenção Breve (IB). A IB pode ser aplicada em 10 ou 15 minutos de consulta e tem se mostrado eficaz. Método: Foi elaborado um curso de curta duração e ministrado a uma amostra de conveniência de 178 profissionais (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, técnicos de enfermagem e agentes de saúde). Três escalas foram utilizadas: escala de Atitudes; escala de Conhecimentos e Informações Gerais. Elas foram aplicadas em três momentos diferentes: antes de ser ministrado o curso; imediatamente após; e uma medida de follow-up depois de dois anos. Resultados: Da amostra inicial, seis profissionais foram eliminados do estudo. A amostra final contou com 172 participantes. Para o follow-up,devolveram os questionários 141 profissionais. Quanto à formação, a amostra constituiu-se de 19 enfermeiros (11%); 23 (13,4%) técnicos de enfermagem ou agentes de saúde; 10 psicólogos (5,8%) e 100 médicos (58,1%). Em relação a treinamento em dependência química, 107 profissionais (62,2%) não tinham recebido nenhum treinamento na graduação; Depois de formados, 165 (95,9%) não tinham recebido nenhum treinamento. Procedeu-se a uma Análise Fatorial da escala de Atitudes e 5 fatores foram formados. Na Análise de Cluster, os profissionais foram agrupados segundo os fatores: preparação; pessimismo sobre o prognóstico; etiológico moral; preconceito pessoal; controle do uso. Na análise de comparações múltiplas verificou-se principalmente que o grupo 1 é o mais preconceituoso de todos. É formado na sua maioria, por técnicos. O grupo 2 considera-se o mais despreparado e menos moralista.

 

Políticas Municipais Relacionadas ao Álcool Doutorado Sergio Duailibi.pdf

Políticas municipais relacionadas ao álcool: Análise da lei de fechamento de bares e outras estratégias comunitárias em Diadema(S,P,)
Sérgio Marsiglia Duailibi

Introdução: Diadema implantou uma lei municipal em julho de 2002, proibindo a venda de álcool após às 23 horas.Objetivos: Este estudo investiga os efeitos desta política pública sobre os homicídios e a violência contra a mulher nesta cidade. Em uma decisão conjunta entre pesquisadores e lideranças municipais, esta pesquisa foi ampliada para estudar dois outros assuntos de relevância internacional,relacionados ao consumo de álcool e políticas públicas: a facilidade de obtenção de bebidas alcoólicas por menores de idade e o “beber e dirigir”. O objetivo era obter dados locais referentes a estas duas importantes políticas do álcool, propor estratégias comunitárias para a redução destes problemas, e,numa fase posterior, avaliar o impacto destas intervenções.Metodologia: Dados de homicídios (1995-2005) e de violência contra a mulher (2000-2005) da Secretaria de Defesa Social de Diadema foram estudados utilizando método de análise de regressão logarítmica-linear. Resultados loglineares obtidos foram submetidos a regressões multivariadas e logarítmicas,com a variável endógena sendo log (homicídios ou agressões/1000 habitantes). Para o estudo do poder de compra de bebidas alcoólicas por menores utilizamos uma metodologia desenvolvida pelo Pacific Institute for Research and Evaluation (“purchase surveys”). Adolescentes, com idades variando entre 13 e 17 anos, foram recrutados para tentar comprar bebidas alcoólicas em uma amostra aleatória de 460 estabelecimentos comerciais. No estudo da prevalência do “beber e dirigir”, a metodologia adotada foi similar a de pesquisas internacionais do tipo pontos de fiscalização de sobriedade, com a utilização de bafômetros. Participaram 908 motoristas em treze meses.

 

TAB e uso de substâncias.pdf

Transtorno bipolar do humor e uso indevido de substâncias psicoativas
Bipolar Disorder and Substance Abuse
Marcelo Ribeiro
Ronaldo laranjeira
Giuliana Cividanes

Transtorno bipolar e o uso indevido de substâncias psicoativas são doenças com alto potencial de limitação de autonomia, tornando-se ainda mais sérios
quando associados. Este artigo apresenta as evidências científicas disponíveisacerca da epidemiologia, etiologia, evolução clínica, diagnóstico e tratamento farmacoterápico e psicossocial da comorbidade transtorno bipolar do humor eo uso indevido de substâncias psicoativas.

 

Motivation to change drinking behavior.pdf

Motivation to change drinking behavior: the differences between alcohol users from an outpatient gastroenterology clinic and a specialist alcohol treatment service
Neliana Buzi Figlie John Dunn Luis Cláudio Santoro Gomes Janaina Turisco Roberta PayáRonaldo Laranjeira

Universidade Federal de São Paulo — Escola Paulista de Medicina,
São Paulo Brazil
For some patients who have developed significant alcohol-related physical disease, total abstinence from alcohol may offer the best chance of survival. The aim of this study was to investigate motivation for treatment in two groups of alcohol users: outpatients from the gastroenterology clinic and outpatients
from the specialist alcohol treatment service. Cross-sectional study, at a federally funded public teaching hospital. The sample studied was 151 outpatients
from the gastroenterology clinic and 175 from the specialist alcohol treatment service.The interview was conducted in the outpatient clinics at the first appointment, and consisted of demographic questions and scales for measuring quality of life, alcohol dependence, pattern of alcohol,motivation for treatment and consequences of alcohol consumption.
RESULTS: The results suggested that outpatients from the gastroenterology clinic were less dependent on alcohol, had suffered fewer consequences
from alcohol and had fewer emotional and mental health problems than did the outpatients from the alcohol treatment service. In relation to their stages of change, the gastroenterology outpatients presented high precontemplation scores at the beginning of treatment while outpatients of alcohol treatment service showed higher scores in contemplation, action and maintenance.

 

Formal education and nurses’ attitudes RPM.pdf

Formal education and nurses’ attitudes towards alcohol and alcoholism in a Brazilian sample
Sandra Cristina Pillon
Ronaldo Ramos Laranjeira

Nurses are one of the largest groups of healthcare professionals sharing in patient care responsibilities, including caring for those who use and abuse psychoactive substances. The objective was to evaluate the theoretical-practical knowledge acquired by nurses in undergraduate and postgraduate studies
and their perceptions about alcohol users. Quantitative, descriptive survey at Universidade Federal de São Paulo— Escola Paulista de Medicina and Hospital
São Paulo. The sample included nurses, students and nursing teachers. The survey included questions about sociodemographic characteristics; a
nurses’ attitudes and beliefs scale; and a questionnaire to identify formal nursing education on the use of alcohol and its consequences. 59.7% out of 319 volunteers were nurses, 22.7% were nursing teachers and 17.6% were nursing students. 70% of the participants had received little or no information on physical, family and social problems related to alcohol use; 87% had received little or no information on high risk related to specific segments of the population;
95% had received little or no information on nursing procedures for alcohol-abuse patients.
CONCLUSION: Formal education regarding the use of alcohol and its consequences is limited,especially with regard to offering adequate care and management for patients who have problems with or are addicted to alcohol.

Perfil do médico  medicina do trabalho.pdf

Perfil Clínico e Demográfico de Médicos com Dependência Química
Artigo originalmente publicado em: Revista Associação Médica Brasileira, São Paulo, volume 51, fascículo 3, mês, 2005,
139-143. Motivo pelo qual foi mantida a forma da publicação original nem sempre coincidente com as normas de publicação
da RBMT.
Hamer Nastasy P. Alves Juliana Canadá Surjan Luiz Antonio Nogueira-Martins Ana Cecília P. R. Marques Sérgio de Paula Ramos
Ronaldo Ramos Laranjeira

Objetivo: Traçar o perfil clínico e demográfico de uma amostra de médicos em tratamento por dependência química e avaliar comorbidades psiquiátricas e conseqüências associadas ao consumo de drogas.
Metodologia: Foram coletados dados de 198 médicos em tratamento ambulatorial por uso nocivo e dependência química, através de questionário elaborado pelos autores. Resultados: A maioria de indivíduos era do sexo masculino (87,8%), casado (60,1%), com idade média de 39,4 anos (desvio padrão = 10,7
anos). Sessenta e seis por cento já tinham sido internados por causa do uso do álcool e/ou drogas. Setenta e nove por cento possuíam residência médica, e as especialidades foram: clínica médica, anestesiologia e cirurgia. A comorbidade psiquiátrica foi diagnosticada em 27,7% (Eixo I do DSM-IV)1 e em 6% (Eixo II do DSM-IV)1. Quanto às substâncias consumidas, o mais freqüente foi o uso associado de álcool e drogas(36,8%), seguido por uso isolado de álcool (34,3%) e de drogas (28,3%). Observou-se o intervalo de 3,7anos, em média, entre a identificação do uso problemático de substâncias e a procura de tratamento.Aqueles que buscaram tratamento voluntariamente somam 30,3%. Quanto aos problemas sociais e legais observou-se: desemprego no ano anterior em quase 1/3 da amostra; problemas no casamento ou separação(52%), envolvimento em acidentes automobilísticos (42%), problemas jurídicos (19%), problemas profissionais(84,8%) e 8,5% tiveram problemas junto aos Conselhos Regionais de Medicina. Conclusão: Os autores recomendam medidas assistenciais e preventivas para o problema.

 

Moradia Assistida.pdf

Moradia Assistida para dependentes do álcool: das bases teóricas às implicações para organizações de serviços. Halfway house for alcohol dependents: from theoretical bases to implications for facilities organizations.
Alessandra Diehl Reis & Ronaldo Laranjeira

O objetivo deste artigo é fornecer uma revisão sobre as bases teóricas, conceituais e funcionais das Moradias Assistidas para doença mental e a sua correlação para o modelo da dependência química. Os autores fazem relatos de experiências internacionais e nacionais da utilização deste modelo e suas implicações para a organização de serviços destinados ao tratamento de usuários de substâncias psicoativas. Sugere-se este modelo como uma alternativa em potencial da continuidade de serviços para um grupo de dependentes de álcool e, esta área, como necessitando maior atenção e interesse em pesquisas futuras.
Palavras chaves: Tratamento Residencial, Moradia Assistida, Transtornos Relacionados ao uso de Álcool, Organização de serviços.

Drug Alc Dependence.pdf

Short term impact of same intensity but different duration interventions for cannabis users
Flavia S. Jungerman Solange Andreoni , Ronaldo Laranjeira 

The present study evaluates the efficacy of a brief intervention for cannabis users. A randomized controlled trial compared 3 conditions: 4 weekly
individual sessions of motivational interviewing and relapse prevention over 1 month (1MIRP); the same 4 sessions over 3 months (3MIRP), and
delayed treatment control (DTC). The short term impact of each intervention was followed up 4 months after randomization. Participants were 160
highly educated adults with a long history of frequent cannabis use. Both treatments showed better results than the DTC, and for primary outcomes
(i.e., cannabis consumption) there was no difference between treatments, while the 3MIRP scheme showed greater efficacy in reducing dependence
symptoms and other drug use according to the ASI drug subscale. There was a tendency for the longer treatment to have better outcomes, regardless
of intensity, although the waiting list did have some positive effect. The cohort needs to be followed up for a longer period in order to ascertain
whether changes are maintained over time.

Álcool e Proteção da cidadania.pdf

Álcool e proteção da cidadania
Professor Doutor Ronaldo Laranjeira

Os interesses da indústria do álcool são incompatíveis com a saúde pública. Dois exemplos recentes mostram de uma forma inequívoca esse fato. A revista VEJA recentemente publicou uma nota sobre a preocupação da AmBev com a introdução da chamada lei seca em dezenas de cidades brasileiras. O centro da preocupação é que com o fechamento dos bares às 23 horas houve uma diminuição significativa do consumo de cervejas nessas cidades, pois mais de 70% do consumo dessa bebida ocorre em bares. A boa notícia para a saúde pública foi que em todas essas cidades houve uma diminuição substancial da violência urbana. Em Diadema, por exemplo, houve uma queda de mais de 60% dos homicídios. Em poucos meses essa cidade deixou de ser a capital da violência para se tornar uma das cidades mais seguras do estado de São Paulo. O interessante é que com a queda de Diadema do topo da lista da violência urbana outras cidades assumiram o posto. Sumaré, no interior de SãoPaulo, passou a ocupar o primeiro lugar. Há pouco mais de 6 meses essa cidade também introduziu o fechamento dos bares como política municipal e imediatamente a violência urbana caiu mais de 50%. Pelo país afora criouse um consenso de que a medida mais imediata e barata para diminuir a violência urbana é o fechamento dos bares às 23 horas. Menos álcool faz bem para a paz urbana e para a saúde pública.O outro exemplo é um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na edição de janeiro da revista Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine. Foram entrevistadas 1872 pessoas, com idades entre 15 e 26 anos, em um período de dois anos. Esse estudo confirma o que a maioria dos especialistas já sabia por observação não sistemática que quanto mais as crianças forem expostas à propaganda do álcool, mais elas beberão. Os cientistas da Universidade de Connecticut, que conduziram esse estudo, mostraram que para cada anúncio novo assimilado pelas crianças por mês, o
consumo de bebidas aumentou em 1%. Houve também uma comparação entre as áreas do país onde existia exposição diferente das crianças à propaganda do álcool. Crianças que moravam em regiões com grande exposição à propaganda bebiam mais. Cada dólar per capita a mais em propaganda aumentava o consumo em 3%. Esse estudo também mostrou que os jovens estão começando a beber mais cedo do que antes, pondo em risco seu desempenho na escola e se envolvendo mais em acidentes. A conclusão é clara, a propaganda do álcool contribui para o aumento de consumo do álcool entre crianças e compromete significativamente a sua segurança e o seu futuro.Quer seja o controle social da venda do álcool através do fechamento dos bares às 23 horas ou a proibição da propaganda do álcool são medidas que recebem grande oposição da industria do álcool.

High mortality among young crack cocaine users in Brazil.pdf

High mortality among young crack cocaine users in Brazil: a 5-year follow-up study
Marcelo Ribeiro, John Dunn, Ronaldo Laranjeira & Ricardo Sesso

Aims Follow-up studies show that smokers, alcoholics and heroin addicts have high mortality rates, but there is little information on crack users. We have
investigated the mortality rate among this population, including its risk factors and causes of death.Design A 5-year follow-up study.Participants and setting A cohort of 131 crack-dependent patients, admitted to a public detoxification unit in São Paulo between 1992 and 1994.Measurements Data collected from a structured personal interview and from a review of patients’ hospital records, confirming the deaths from records held at the Municipal Offices.Findings Of the 124 (94.6%) patients located, 23 (18.5%) had died (a mortality ratio of 7.6). Homicide was the most common cause of death (n = 13).Observed mortality rate, adjusted for age and sex, was 24.92 per 1000, while the expected all-cause mortality rate in São Paulo, also adjusted for age and sex,was 3.28 per 1000, giving an excess mortality rate of 21.64 per 1000. Survival analysis showed that the probability of being alive 5 years post-treatment was 0.80 (95% CI = 0.77–0.84). Cox’s proportional hazards regression showed three factors predicted mortality: history of intravenous drug use (hazard ratio 3.28, 95%CI1.42–7.59)unemployment at index admission (hazard ratio 3.48, 95% CI 1.03–11.80) and premature discharge from index admission (hazard ratio 2.21, CI 0.94–5.18).Conclusions Community-based and tailored interventions should be considered to improve those patients’ social support and permanence in treatment.

Gene associated with Cocaine Abuse.pdf

A Dopamine Transporter Gene Functional Variant Associated with
Cocaine Abuse.
Authors: †Camila Guindalini BSc, †Mark Howard PhD, Ronaldo Laranjeira MD PhD, David Collier PhD, Nik Ammar MSc, Ian Craig PhD, Colin O’Gara MRCPsych, Tiffany Greenwood PhD, John Kelsoe MD, Phil Asherson MD PhD, Robin M. Murray DSc FRCPPsych, Adauto Castelo MD PhD4, John Quinn PhD, Homero Vallada MD PhD, and Gerome Breen PhD.

Background: The dopamine transporter (DAT) mediates the active re-uptake of dopamine from the synapse and is a principal regulator of dopaminergic
neurotransmission. Due to the complex pattern of variation and linkage disequilibrium in the DAT gene a more detailed examination of the locus and
the identification of robust functional variants is essential for investigation of the role of this gene in disorders related to dopaminergic dysfunction.
Objective: To characterize the influence of functional genetic variants in the dopamine transporter on cocaine abuse.
Design: VNTRs polymorphisms were characterized and genotyped in a Brazilian two samples of current cocaine abusers from the metropolitan
region of São Paulo (total n=695) and in a control sample of healthy individuals with no past history of drug abuse (total n=855). Functional effects
of the variants on gene expression were analyzed using conventional and novel reporter gene constructs.Results: A positive genotypic association was found between a 30bp VNTR in intron 8 of the DAT gene and cocaine abuse in both samples (combined Odds Ratio=1.35; 95%CI=1.10-1.67; p=0.0047). Haplotype analyses using other polymorphisms in and near the gene indicate that the Int8 VNTR is the variant responsible for the observed association. The functional analyses demonstrated that the risk allele (allele 3) mediates a differential and increased response (6 fold) to stimulus in reporter constructs in comparison
with the other common and “protective” allele 2. (p<<0.001) Discussion: We have demonstrated a robust association between cocaine abuse and a functional VNTR allele in the dopamine transporter, suggesting that this gene may play a role in the aetiology of cocaine abuse. However, the genetic association will require replication in cocaine abuse and examination in other drug abuse phenotypes to clarify the role of this variant in addictive processes.

 

GSTP1 proofs cocaine.pdf

A GSTP1 functional variant associated with cocaine dependence in a Brazilian population

Ethichs unregulated market.pdf

Ethics of an unregulated alcohol market
It is a complex world as far as the alcohol market is concerned.There are very regulated markets in most of the developed countries and an extremely unregulated market in the developing countries. In a regulated market population drinking patterns are stable, there is no significant growth in alcohol consumption and there is a tradition of alcohol policies focused on examining market characteristics and structure. In addition, a significant number of professionals and policy makers are involved in actions directed at controlling alcohol consumption and problems. On the other hand, unregulated markets
expand almost continuously, sometimes, as in Brazil, around 10% each year [1]. Drinking patterns are changing all the time, and there are only a few isolated efforts from professionals or policy makers to understand the market’s structure. The ethical dilemmas experienced by researchers and professionals living under these two different types of markets are different. Adams’ paper [2] is both informative and up to date in what concerns the current relationship between researchers and the alcohol industry in regulated markets. Being part of an unregulated market, Brazil’s laws and enforcement are either lacking or feeble. Moreover, Brazil is a significant and promising target to the alcohol industry.Our population is young, virtually half the population abstains from alcohol (so there is room for growth) and alcohol is widely available—there are 1 million points of sale of alcohol in the country [1,3]. Additionally, there is a widespread cultural belief among Brazilians thatwe are a relaxed people, by temperament not very fond of rules or prohibitions. Even a basic alcohol policy such as the prohibition
of sales to minors is not enforced. This lack of policy enforcement makes Brazil and other countries with unregulated alcohol markets vulnerable to the interests of the alcohol industry.

Ingestão abusiva de álccol.pdf

Ingestão abusiva de álcool e possibilidades de intervenção
Regina Stella Elias-Cymrot

A pesquisa busca investigar possibilidades de intervenção política para o combate ao abuso de álcool no contexto brasileiro, através de estudo exploratório,
bibliográfico, reflexivo com utilização da análise documental de Pimentel. É feito um levantamento da extensão do problema, da legislação pertinente, das propostas de intervenção sugeridas e de experiências já realizadas. As bebidas alcoólicas envolvem o mais grave problema de saúde pública do Brasil. Estão diretamente relacionadas aos acidentes e à violência de forma geral. Mais de 12% da população brasileira está dependente do álcool. A ingestão excessiva gera danos ao bebedor, à família e à comunidade. Graves transtornos podem surgir para o usuário: intoxicação aguda, coma, convulsões, síndrome de dependência e de abstinência, delirium tremens, psicoses, problemas de memória e demência; além de prejuízos sociais,profissionais, financeiros e vastas complicações clínicas: desnutrição, cirrose hepática, gastrite, transtornos endócrinos, câncer, hipertensão, acidente vascular cerebral hemorrágico, infecções respiratórias, transtornos metabólicos e danos cerebrais. A família é seriamente atingida: desestruturação, abandono e desequilíbrio dos filhossãoconseqüências comuns. O consumo cresce assustadoramente entre os jovens, adquirindo aspectos de pandemia. Está associado às campanhas milionárias de marketing patrocinadas pela indústria de bebidas, que obtêm vultosos lucros com a venda. Os gastos do Sistema Único de Saúde com as conseqüências do álcool são gigantescos. Os prejuízos sociais são ainda maiores. Decisões políticas de impacto estão sendo articuladas pela
Organização Mundial de Saúde (OMS). Especialistas brasileiros publicaram um consenso sobre estratégias a serem adotadas. O Ministério da Saúde elaborou diretrizes para a redução dos danos. Esta pesquisa buscou compreender as possibilidades de intervenção segundo a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Código de Trânsito Brasileiro, a Lei das Contravenções Penais e a Legislação sobre a propaganda. Foi realizada uma análise documental entre artigos de periódicos científicos, matérias de jornais e, documentos de organizações não governamentais, para discutir a aplicação de medidas preventivas e identificar experiências concretas já realizadas. Entre as principais estratégias sugeridas estão:a redução da disponibilidade de bebidas alcoólicas; o controle dos pontos de venda com a responsabilização dos vendedores; a informação ao público, a redução da propaganda; sansões para a intoxicação, especialmente na direção de veículos e um eficiente sistema de tratamento. A adoção de ações efetivas atinge poderosos interesses econômicos. A indústria alcooleira e a mídia, patrocinada pela sua publicidade, têm realizado pesado lobby contra importantes propostas políticas.Faz-se necessária a articulação do governo e da sociedade civil, integrando setores de saúde, educação, cultura e segurança, no sentido de fiscalizar rigorosamente o
cumprimento das leis já estabelecidas, como a venda de bebidas a menores de 18 anos e a direção de veículos sob influência de álcool. Para garantir outras decisões fundamentais, faz-se premente uma vigorosa ação política. Ela exige intensa mobilização da sociedade e efetiva atuação por parte dos gestores.

Follow-up of crack cocaine users.pdf

Follow-Up Study of Crack Cocaine Users: Situation of the Patients After 2, 5, and 12 Years
Andr´ea Costa Dias, MSci Marcelo Ribeiro, PhD John Dunn, PhD Ricardo Sesso, PhD Ronaldo Laranjeira, PhD

The purpose of this study was to follow-up 131 crack users and examine drug use,treatment experience, employment status, and mortality at 2, 5, and 12 years. Consecutive crack dependent patients were re-interviewed in 1995–1996, 1998–1999, and 2005–2006. Of those subjects not using cocaine at 2 years, 19 (63%) were still abstinent at 5 years. Almost half of the users were abstinent at the same period. The abstinent group was still the most prevalent at 12 years. Twenty-seven (20.6%) patients had died by the 12-year follow-up, with homicide being the most common cause (n=16). After 2000, however, it declined sharply with only 2 deaths in 7 years. There was a progressive movement toward abstinence over the follow-up period, with the evidence that once abstinence had
been achieved it was maintained. On the other hand, the mortality rate was extremely high and probably more related with socioeconomic factors instead of the drug use itself.

Prevalence of cocaine and marijuana.pdf

 

Consumo de sustancias en America.pdf

El consumo de sustancias adictivas en las Américas
Peruga, A.; Rincón, A. Y Selin, H.
Organización Panamericana de la Salud

El consumo de tabaco, alcohol y otras drogas está ligado a cerca de una cuarta parte de las defunciones anuales que se producen en las Américas. En el Cono Sur de América Latina, a los 15 años de edad ya fuma cerca del 40% de los jóvenes y la gran mayoría respira en casa el aire contaminado por el humo de tabaco de los demás. En América Latina cada persona consume en promedio 6 kilos de alcohol puro por año, lo que constituye la cifra más alta del mundo menos desarrollado. Aunque los datos sobre el consumo de drogas ilegales no son abundantes sabemos que la marihuana es la droga que mayor proporción de la población consume. Se estima que 45 millones de ciudadanos de las Américas la consumen. Si bien la carga de enfermedad que genera el consumo de drogas ilegales no llega a la magnitud de la ocasionada por las drogas legales, las consecuencias sociales son mucho mayores.Las respuestas de los países de las Américas al consumo de sustancias adictivas han sido insuficientes. Los principales desafíos para el control del tabaquismo y del uso de alcohol en las Américas son dos: disminuir la asequibilidad de los productos y evitar la exposición de la población a las prácticas comerciales de promoción de los productos de las industrias tabacalera y alcoholera. Además, en el caso del tabaco, hay que proteger a los no fumadores del humo de los demás.En el caso de las sustancias ilegales, los resultados hasta ahora de un enfoque orientado al control de la oferta han sido limitados. El desafío es hacer hincapié en el control de la demanda, mediante intervenciones de prevención, desintoxicación,tratamiento y rehabilitación, así como de reducción de daño.Algunas sustancias adictivas en las Américas se han producido y consumido desde tiempos inmemoriales. La hoja del tabaco y la de coca son clásicos ejemplos de ello. Sin embargo, hasta épocas recientes su consumo nunca tuvo repercusiones de salud pública especialmente serias.

 

Closing of Bars DIADEMA.pdf

The Effect of Restricting Opening Hours on Alcohol-Related Violence
Sergio Duailibi, MD, PhD, William Ponicki, MA, Joel Grube, PhD, Ilana Pinsky, PhD, Ronaldo Laranjeira, MD, PhD, and Martin Raw, PhD

Objective. We investigated whether limiting the hours of alcoholic beverage sales in bars had an effect on homicides and violence against women in the
Brazilian city of Diadema. The policy to restrict alcohol sales was introduced in July 2002 and prohibited on-premises alcohol sales after 11 PM.
Methods. We analyzed data on homicides (1995 to 2005) and violence against women (2000 to 2005) from the Diadema (population 360 000) police archives
using log-linear regression analyses. Results. The new restriction on drinking hours led to a decrease of almost 9 murders a month. Assaults against women also decreased, but this effect was not significant in models in which we controlled for underlying trends.Conclusions. Introducing restrictions on opening hours resulted in a significant decrease in murders, which confirmed what we know from the literature: restricting access to alcohol can reduce alcohol-related problems. Our results give no support to the converse view, that increasing availability will somehow reduce problems. (Am J Public Health. 2007;97:2276–2280. doi:10.2105/AJPH. 2006.092684)

Biological Psychiatry COCA.pdf

The role of COMT functional and promoter polymorphisms in cocaine addiction: analysis of a large Brazilian case control sample
First Author: Nadia S Cunha, Pharmacist
Order of Authors: Nadia S Cunha, Pharmacist; Camila S Guindalini, PhD; Quirino Cordeiro, MD; Guilherme Messas, MD, PhD; Ronaldo Laranjeira, MD, PhD; David Collier, PhD; Gerome Breen, PhD; Homero Vallada, MD, PhD

Genetic factors play a significant role in the development of cocaine addiction. Catechol-Omethyltransferase (COMT) is a major enzyme for the metabolism of dopamine, the neurotransmitter most directly related to the reinforcing properties of cocaine. In the present study, we genotyped three COMT SNPs [Val 108/158 Met (rs4680), rs737865, and rs165599] in a Brazilian sample comprised of 711 cocaine dependents and 862 healthy controls. Significant case-control differences were not observed for any individual SNP. Haplotype analyses showed that the haplotype comprised of alleles G-A-A of markers rs737865, rs4680 and rs165599, respectively, was over-represented in the cases (4%) compared to the controls (2%) (z=2.99; p=0.02). Moreover, when the markers rs737865/rs4680 were analyzed separately, the haplotype containing only alleles G-A was also significantly associated with cocaine abuse (z=3.46;
p=0.006). 71 markers for genetic admixture analyses were also performed in the whole sample, and no difference was observed in case and controls, indicating that there is no significant population stratification in the sample. This study suggests that genetic variation in COMT might play a role in development of cocaine addiction in the Brazilian population.

Beber_e_Dirigir_comunicao_breve.pdf

Prevalência do beber e dirigir em Diadema- SP.
Prevalence of drinking and driving in Diadema- SP.
Sérgio M Duailibi, Ilana Pinsky, Ronaldo Laranjeira

Os problemas decorrentes do consumo de álcool em motoristas são amplamente estudados internacionalmente e estudos epidemiológicos indicam alta incidência de morbidade e mortalidade relacionada ao beber e dirigir. Existem escassos dados nacionais a respeito. Foi realizado levantamento de dados com bafômetros ativos e passivos em 1000 condutores de veículos em Diadema, em grandes vias de tráfego do ABCD paulista.
Esta pesquisa foi realizada entre fevereiro de 2005 a fevereiro de 2006. Adotamos metodologia do tipo pontos de fiscalização de sobriedade, largamente utilizadas internacionalmente. 23,65% dos motoristas apresentavam algum traço de álcool no ar expirado e 19,42% estavam com níveis de álcool iguais ou acima dos limites legais.
Estes achados foram cinco vezes maiores aos encontrados em pesquisas semelhantes em outros países, sugerem a relevância deste problema nesta cidade (e provavelmente no Brasil), a importância de uma política de álcool específica para este assunto e a necessidade de outros estudos nacionais.

Consenso brasileiro sobre políticas públicas do álcool.pdf

Consenso brasileiro sobre políticas públicas do álcool
Brazilian consensus on public policies on alcohol
Ronaldo Laranjeira e Marcos Romano

Um resumo de uma reunião na qual vários especialistas, representando diversas organizações médicas e universitárias brasileiras, criaram um consenso sobre as principais políticas que deveriam ser implementadas pelos diferentes níveis de governo no Brasil. Há mais de 30 anos a OMS vem buscando um consenso internacional sobre as ações com maior potencial de trazer benefícios sociais. Essa busca trouxe duas conclusões importantes: 1) A pesquisa estabelece, sem margem à dúvida, que existem medidas de eficácia comprovada para reduzir os custos e os danos relacionados ao uso de álcool, visando ao bem comum; 2) É possível desenvolver estratégias que influenciam tanto a quantidade de álcool consumida por uma comunidade quanto os comportamentos de consumo e os contextos de alto risco causadores dos problemas relacionados ao consumo de álcool. Os objetivos deste Consenso são:
1) Tornar as evidências científicas mais acessíveis para os que elaboram políticas públicas;
2) Facilitar a avaliação das diversas estratégias disponíveis segundo critérios de efetividade, suporte científico, custo e viabilidade de transposição cultural;
3) Familiarizar o profissional de saúde, e em especial os que trabalham em saúde mental, sobre as prioridades da política do álcool.
Descritores: Bebidas alcoólicas. Política social. Consenso.

Gerenciamento de caso aplicado ao tratamento da dependência do álcool.pdf

Gerenciamento de caso aplicado ao tratamento da dependência do álcool
Case Management applied to the Treatment of Alcohol Dependence
Neliana Buzi Figlie e Ronaldo Laranjeira

Evidências sugerem que o gerenciamento de caso ou, no inglês, “case management”, tem sido uma poderosa intervenção para assistir pessoas que possuem problemas psicossociais,incluindo doenças mentais crônicas,idade avançada e distúrbios emocionais infantis.1,2,3 Mais recentemente, este tipo de abordagem tem sido adaptado ao trabalho com dependência química.4,5 Em linhas gerais, o gerenciamento de caso pode ser definido como um conjunto de intervenções que visam facilitar o desfecho no tratamento. Algumas das funções relevantes dentro deste contexto são: 1) Identificar as necessidadesespecíficas, determinando os pontos fortes e fracos, bem como as necessidades do cliente; 2) Planejar, desenvolvendo uma proposta específica para cada cliente; 3) Estabelecer uma conexão com outros serviços, seja na rede formal ou informal de serviços de saúde; 4) Monitorar e avaliar o caso, visualizando os progressos obtidos; 5) Facilitar o amparo legal em caso de necessidade.6,7,8 Embora estas funções tenham sido largamente aceitas em serviços de saúde, não existe um consenso operacional das definições destas funções.9 Estas descrevem o que os gerentes de caso fazem, mas não como
eles fazem, uma vez que não podemos descartar a influência de variáveis como objetivos do serviço, tipo de serviço, população-alvo, características sócio-demográficas, entre outras que dificultariam a normatização de um consenso sobre o “como fazer”.O gerenciamento de caso popularizou-se sem um protocolo específico, uma vez que ele depende da diversidade de adaptações às circunstâncias locais e culturais. No entanto,este artigo se propõe a discutir os desafios
práticos da implementação do gerenciamento de caso aplicado ao tratamento de dependentes de álcool.

Organização de serviços para o tratamento da dependência do álcool.pdf

Organização de serviços para o tratamento da dependência do álcool
Services organization for the treatment of alcohol dependence
Marcelo Ribeiro

O tratamento da dependência química é um assunto relativamente novo. Não faz dois séculos, o beber excessivo do Reino Unido era punido com exposição em praça pública e publicação dos nomes nos principais jornais da cidade.1 Até meados do século XX, o termo dependência enfatizava mais as complicações
clínicas do consumo do que o comportamento em si.2 Apenas a partir da segunda metade do século,o conceito de dependência deixou ser considerado
um desvio de caráter ou um conjunto de sinais e sintomas físicos para ganhar características de transtorno mental.3 Além disso, ao entender o consumo de álcool e drogas como um padrão de comportamento cuja gravidade varia ao longo de um continuum,influenciado por fatores biológicos, psicológicos e sociais, surgiu a necessidade de organizar serviços que atendessem aos usuários em seus diferentes estágios e considerassem também sua reabilitação psicossocial e qualidade de vida.4 Desse modo, serviços de atendimento foram sendo criados ou adaptados para o tratamento dos diferentes estágios da dependência
química: ambulatórios, centros de convivência, internações breves e longas, hospitaisdia,moradias assistidas, acompanhamento terapêutico, agentes multiplicadores, dentre outros. Para ampliar ainda mais a malha de atendimento a esses usuários, nasceu a necessidade de sensibilizar a rede primária
de atendimento, visando ao diagnóstico precoce e à motivação dos usuários para o tratamento.5 Abordagens como a política de redução de danos surgiram com a finalidade de prevenir conseqüências danosas à saúde do usuário, tais como as doenças sexualmente transmissíveis e a AIDS, sem necessariamente
interferir na oferta ou na demanda

 

O papel da genética na dependência do álcool.pdf

O papel da genética na dependência do álcool
The role of genetics in alcohol dependence
Guilherme Peres Messas e Homero Pinto Vallada Filho

O estudo do componente genético nas dependências químicas em geral sofre da mesma dificuldade experimentada pelos demais transtornos da psiquiatria: a
indefinição fenotípica, ou seja, a dificuldade de delimitar fronteiras claras para as categorias diagnósticas. No entanto, diversos trabalhos vêm examinando o tema, com resultados significativos, que discutiremos mais abaixo.Apresentaremos os estudos divididos em dois grupos, os estudos epidemiológicos e os moleculares.Os primeiros fornecem a base empírica para a realização dos segundos, orientando quais fenótipos podem ser mais influenciados geneticamente e, assim, mais férteis para a análise molecular. Neste artigo,iremos expor os principais resultados a respeito dos fatores genéticos na dependência do álcool. Contudo, devido ao fato de haver considerável sobreposição entre as categorias das diversas dependências, em alguns momentos, ao longo da exposição, será inevitável a apresentação de alguns dados relacionados à dependência de outras drogas.
Estudos epidemiológicos Os estudos epidemiológicos dividem-se em três modalidades: os estudos em famílias, em gêmeos e de adoção. Os primeiros demonstram uma agregação familiar sugestiva de algum componente genético. No entanto, são incapazes de decidir isoladamente se a agregação se dá predominantemente por via genética ou pela via do ambiente compartilhado.Para aprimorar o exame desta distinção,são empregados os estudos em gêmeos e os de adoção

 

Comorbidade: uso do álcool e outros transtornos psiquiátricos.pdf

Comorbidade: uso de álcool e outros transtornos psiquiátricos
Comorbidity: alcohol use and other psychiatric disorders
Hamer Alves, Felix Kessler e Lilian Ribeiro Caldas Ratto

Os transtornos relacionados ao consumo de álcool freqüentemente coexistem com outras doenças psiquiátricas e sua incidência parece estar aumentando nas últimas décadas. Estudos demonstram que pacientes com comorbidade, principalmente aqueles com transtornos psiquiátricos graves, apresentam maiores taxas de suicídio, recaídas, gastos com tratamento,falta de moradia e utilizam mais os serviços médicos. A avaliação deve ser minuciosa,pois o diagnóstico diferencial tornase complicado sem um longo período de abstinência do álcool. Esses pacientes costumam ter um prognóstico pior, além de
serem de difícil tratamento. A maioria dos estudos nesse campo tem indicado que integração de técnicas psicossociais e farmacológicas é mais efetiva. O tratamento de longo prazo deve focar-se na minimização dos sintomas, melhora do funcionamento social e familiar, treinamento de habilidades e prevenção de recaída.Descritores: Bebidas alcoólicas.Transtornos relacionados ao uso do álcool.

 

Complicações psiquiátricas do uso crônico do álcool.pdf

Complicações psiquiátricas do uso crônico do álcool: síndrome de abstinência e outras doenças psiquiátricas
Psychiatric complications of alcoholism: alcohol withdrawal syndrome and other psychiatric disorders
Cláudia Maciel e Florence Kerr-Corrêa

A Síndrome de Abstinência Alcoólica (SAA) é responsável por um aumento significativo na morbidade e mortalidade associadas ao consumo de álcool e é um dos critérios diagnósticos da síndrome de dependência de álcool. Caracteriza-se por sinais e sintomas decorrentes de uma interrupção total ou parcial de
consumo de bebidas alcoólicas em dependentes que apresentam um consumo prévio significativo. Esses sinais e sintomas não são específicos somente da síndrome de abstinência alcoólica, podendo estar presentes em outras síndromes de abstinência (por benzodiazepínicos,por exemplo). São, ainda,insidiosos e pouco específicos, o que torna seu reconhecimento e avaliação processos complexos; variam quanto à intensidade e gravidade, podendo aparecer, como dito, após uma redução parcial ou total da dose usualmente utilizada. Os sinais e sintomas mais comuns da SAA são, entre outros, agitação,ansiedade, alterações de humor (disforia),tremores, náuseas, vômitos, taquicardia e hipertensão arterial.Este artigo tem por objetivo descrever as principais complicações secundárias à SAA,bem com o seu tratamento. Algumas delas são bastante comuns (convulsões e alucinações);outras, mais graves e menos comuns(delirium tremens). Além disso, esse artigo descreve e propõe o tratamento de outras complicações associadas à dependência de álcool, como a síndrome de Wernicke Korsakoff e a de Marchiava Bignami)

 

Tratamento farmacológico da dependência do álcool.pdf

Tratamento farmacológico da dependência do álcool
The pharmacologic treatment of the alcohol dependence
Luís André Castro e Danilo Antonio Barbieri

O uso inadequado de bebidas alcoólicas representa um sério problema de saúde pública em todo o mundo, o que tem fomentado inúmeras investigações buscando uma melhor compreensão dos problemas relacionados ao consumo de etanol e das suas formas de tratamento. Sabendo-se que cerca da metade dos pacientes com Síndrome de Dependência de Álcool recaem após curto período de desintoxicação e que estudos em neurociências estão implicando novos sistemas de neurotransmissores – tais como os envolvidos com estruturas mesocorticolímbicas na sua fisiopatologia –, o desenvolvimento de novos modelos farmacológicos de tratamento tem-se tornado área de interesse crescente em todo o mundo.

Aspectos neurofarmacológicos do uso crônico e da síndrome de abstinência.pdf

Aspectos neurofarmacológicos do uso crônico e da Síndrome de Abstinência do Alcool
Neuropharmacological aspects of chronic alcohol use and withdrawal syndrome
Marcos Zaleski, Gina Struffaldi Morato, Vilma Aparecida da Silva e Tadeu Lemos

Na última década, pesquisas clínicas e préclínicas, na área da dependência química, permitiram um grande avanço na compreensão dos seus mecanismos cerebrais subjacentes, caracterizando-a como um transtorno da plasticidade neural, responsável pela neuroadaptação à exposição crônica às drogas.1
A neuroadaptação e outras alterações químicas causadas pelo consumo crônico de etanol geram déficit cognitivo, tolerância e dependência física que, por sua vez, contribuem para a manutenção do uso da droga. A cessação da ingestão crônica de álcool ou até mesmo uma queda súbita nos níveis plasmáticos
de etanol, pode provocar sintomas de intensidade variada diagnosticados pela CID-10 (Classificação Internacional de Doenças,10ª Revisão, da OMS) e pela DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ªed., da Associação Psiquiátrica Americana),como a Síndrome de Abstinência do Álcool
(SAA).Tomaremos como modelo dos acontecimentos neuroquímicos da exposição crônica ao etanol a Síndrome de Abstinência do Álcool,que define a dependência física a essa substância,contém mecanismos comuns com o fenômeno de tolerância funcional ou farmacodinâmica e envolve alguns dos processos que resultam no déficit cognitivo do alcoolista crônico.

Terapias cognitivo e cognitivo-comportamental em dependência química.pdf

Terapias Cognitiva e Cognitivo-Comportamental em dependência química
Cognitive and Cognitive-Behavioral Therapy for substance abuse disorders
Cláudio Jerônimo da Silva e Ana Maria Silva

Nas últimas décadas, houve um grande avanço no uso clínico da Terapia Cognitiva (TC) aplicada a diversos transtornos psiquiátricos – transtorno de ansiedade; transtorno de personalidade; transtornos alimentares; diversas situações de crise1 e transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas.Esse interesse sobre TC se deve aos resultados promissores de pesquisas controladasque confirmaram sua eficácia para o tratamento da depressão quando comparada a grupos-controles. A partir de então, a Terapia Cognitiva a Terapia Comportamental (BT) e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) foram pesquisadas para outros transtornos mentais e mostraram-se eficazes, em vários estudos clínicos, para o tratamento da dependência química e dos outros transtornos psiquiátricos.Este artigo não pretende esgotar o assunto das terapias de linhas comportamentais e cognitivas. Ele se propõe a discutir com mais detalhes: 1) as teorias cognitivas e comportamentais;2) as principais técnicas da TC; e 3) as técnicas utilizadas pela Prevenção de Recaída (PR)8 e Treinamento de Habilidades (TH).13 O elo entre a teoria cognitiva e a teoria comportamental Pela teoria cognitiva, a dependência química resulta de uma interação complexa entre cognições (pensamentos, crenças, idéias, esquemas,valores, opiniões, expectativas e suposições)14; comportamentos; emoções;
relacionamentos familiares e sociais; influências culturais; e processos biológicos e fisiológicos.11 A TC, obviamente, focaliza primordialmenteos processos cognitivos.

Intervenções breves para problemas relacionados ao álcool.pdf

Intervenções breves para problemas relacionados ao álcool
Brief interventions for alcohol telated problems
Ana Cecília Pett Roselli Marques e Erikson Felipe Furtado

A utilização de técnicas terapêuticas concisas e de curta duração, classificadas em intervenções e terapias breves, tem se tornado uma parte cada vez mais importante no espectro de cuidados disponíveis para o tratamento de problemas relacionados ao uso de substâncias (PRUS). Na atualidade, a sociedade brasileira tem se tornado cada vez mais alerta para a dimensão dos problemas médicos e sociais decorrentes do consumo de substâncias. Ao mesmo
tempo, torna-se clara a existência de um abismo extraordinário entre a crescente demanda por assistência e os recursos existentes. O foco e a prioridade de políticas assistenciais deve ser, então, o maior alcance e a maior efetividade possível com o uso de recursos limitados.Não só na área pública, mas igualmente nos serviços de saúde sujeitos às práticas privadas (seguros e planos de saúde), enfatizase o uso racional de recursos e a escolha de técnicas economicamente viáveis.Nesse contexto, torna-se cada vez mais relevante o domínio profissional das técnicas breves de intervenção e terapia, assim como a
investigação correta de sua adequação cultural às condições brasileiras e a verificação de sua efetividade.Este artigo tem como objetivo apresentar ao
leitor uma atualização sobre o tema das intervenções breves para os PRUS.

Avaliação neurocognitiva no abuso e dependência do álcool.pdf

 

Avaliação neurocognitiva no abuso e dependência do álcool: implicações para o tratamento
Neurocognitive assessment in alcohol abuse and dependence: implications for treatment
Paulo J Cunha e Maria Alice Novaes

O uso do álcool está cada vez mais prevalente em nossa sociedade e permanece associado a inúmeros problemas sociais, econômicos e de saúde. Considerando que o álcool é uma substância neurotóxica, é comum a ocorrência de problemas cerebrais nos pacientes, comprovados através das técnicas de neuroimagem (TC, RM, PET e SPECT)1,2,3 não apenas nos primeiros dias de abstinência, mas também meses depois do último uso da substância. A Neuropsicologia, por sua vez, é uma subárea das Neurociências, exercida por psicólogos,que busca a compreensão da relação entre os danos cerebrais e os efeitos na cognição e comportamento dos indivíduos.4 Na área de abuso de álcool, tem o compromisso de descrever as alterações cognitivas,comportamentais e emocionais, bem como a qualidade do funcionamento mental, realizar a análise de potenciais, prever o curso da recuperação
e estimar o funcionamento pré-mórbido (anterior) dos usuários da substância5,6.É ainda do âmbito da Neuropsicologia a realização de atividades que visem a recuperação ou amenização dos déficits neurocognitivos encontrados nos pacientes, processo conhecido como reabilitação cognitiva.

Da cervejinha com os amigos à dependência do álcool.pdf

Da cervejinha com os amigos à dependência de álcool: uma síntese do que sabemos sobre esse percurso
From one beer with friends to alcohol dependence:a synthesis about our knowledge of this path
Sérgio de Paula Ramos e Arnaldo Broll Woitowitz

Se for considerada a abstinência de álcool como único parâmetro de avaliação da eficácia dos tratamentos para alcoolistas, a conclusão é que estes não melhoraram nos últimos 25 anos. De fato, as taxas de abstinência, em seguimentos bem controlados de um ano, insistem em permanecer abaixo de 20%. Esta modesta taxa de sucesso por si justifica o continuado esforço para melhor compreender a síndrome de dependência do álcool e sua história natural, bem como a etiologia desses transtornos.No mundo ocidental, é fato que cerca de 90% da população adulta consome algum tipo de bebida alcoólica. Também é fato que, entre os bebedores, 10% irá apresentar um uso nocivo de álcool e outros 10% se tornará dependente,o que vale dizer que, em cada cinco bebedores, um terá um agravo de saúde por ingerir bebida alcoólica.3 Os estudos etiológicos tentam discriminar o que este bebedor tem de diferente dos demais, pois enquanto aqueles têm apenas prazer com o consumo de bebidas alcoólicas, as quais, inclusive, podem lhes prover um certo efeito protetor de inúmeras afecções clínicas, este se torna,com o tempo, portador de uma das enfermidades mais desgastantes do ponto de vista da saúde, tanto sua quanto de sua família.

Uso de álcool entre adolescentes.pdf

Uso de álcool entre adolescentes: conceitos,características epidemiológicas e fatores etiopatogênicos
Alcohol use among adolescents: concepts,epidemiological characteristics and etiopatogenic factors
Flavio Pechansky, Claudia Maciel Szobot e Sandra Scivoletto

O uso de álcool entre adolescentes é, naturalmente, um tema controverso no meio social e acadêmico brasileiro. Ao mesmo tempo em que a lei brasileira define como proibida a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos (Lei nº 9.294, de 15 de julho de 1996), é prática comum o consumo de álcool pelos jovens – seja no ambiente domiciliar, em festividades, ou mesmo em ambientes públicos. A sociedade como um todo adota atitudes paradoxais frente ao tema: por um lado, condena o abuso de álcool pelos jovens, mas é tipicamente permissiva ao estímulo do consumo por meio da propaganda.Pinsky e Silva, estudando comerciais de bebidas alcoólicas, demonstraram que a freqüência destes era, em média, maior do que a freqüência de comerciais sobre outros produtos,como bebidas não alcoólicas, medicamentos ou cigarros. Mais ainda, dos cinco temas mais freqüentemente encontrados nos comerciais de bebidas alcoólicas, três deles(como relaxamento, camaradagem e humor) eram diretamente relacionáveis às expectativas dos jovens. Além disso, não havia, à época,
qualquer tipo de mensagem consistente quanto ao consumo moderado das bebidas anunciadas.Atualmente, existe um movimento na direção do consumo responsável de álcool, como indica,por exemplo, o website da Companhia Brasileira de Bebidas – AMBEV, com campanhas na mídia associando o consumo de álcool com moderação ou com prevenção de acidentes, ou mesmo de iniciativas do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação

Síndrome de dependência do álcool.pdf

Síndrome de Dependência do Álcool:critérios diagnósticos
Alcohol dependence syndrome:diagnostic criteria
Analice Gigliotti e Marco Antonio Bessa

O álcool é uma substância que acompanha a humanidade desde seus primórdios e sempre ocupou um local privilegiado em todas as culturas, como elemento fundamental nos rituais religiosos, fonte de água não contaminada ou ainda presença constante nos momentos de comemoração e de confraternização, quando se brinda a todos e a tudo. O álcool sempre esteve envolto em simbolismo, tendo-se o vinho na Eucaristia – o símbolo da energia vital, produto da união de elementos contrários –, a água e o fogo – a aqua vitae na alquimia ou na bela metáfora de Bachelard1: “A aguardente é a água de fogo, a água que queima (…) e se inflama. É a comunhão da vida com o fogo. O álcool é também um alimento que produz calor no centro do peito”.Através da história, o álcool tem tido múltiplas funções, atuando como veículo de remédios,perfumes e poções mágicas e, principalmente,sendo o componente essencial de bebidas que acompanham os ritos de alimentação dos povos. Faz parte do hábito diário de famílias em todo o mundo, servindo de alimento e de laço de comunhão entre as pessoas.No entanto, à medida que as sociedades foram passando por transformações econômicas e sociais, principalmente com a revolução industrial – que provocou as grandes concentrações urbanas, multiplicou enormemente a produção e a disponibilidade das bebidas e reduziu de modo drástico os seus preços –, houve uma mudança profunda na maneira da sociedade e dos homens relacionarem-se com o álcool.É como se houvesse sido revelada a outra face da moeda. Ou seja, a mesma substância que irmana, comunga e alegra, também estimula a agressividade, a discórdia e a dor,rompendo laços de família, de amizade e de trabalho.As bebidas alcoólicas são portadoras desta função ambígua: se de um lado são produtos transbordantes de significados

Custo social e de saúde do consumo do álcool.pdf

Custo social e de saúde do consumo do álcool
José Nino Meloni e Ronaldo Laranjeira

Por serem agentes privilegiados no processo de formulação das políticas públicas, os profissionais de saúde em geral, e especificamente os psiquiatras, devem valer-se de informações que ultrapassem o alcance do saber que lhes sustenta a clínica, quais sejam as evidências que lhes são úteis para o tratamento dos dependentes do álcool. É de suma importância que esses profissionais tenham em consideração que o consumo do álcool determina enorme custo social, ao mesmo tempo em que exerce grande peso como causa de problemas à saúde.Usando como base uma revisão recente da Organização Mundial de Saúde, a partir de um amplo estudo realizado no ano de 20001, este artigo expõe dados atualizados sobre os problemas relacionados ao consumo do álcool no mundo, dando ênfase aos escassos, porém contundentes, dados brasileiros. Para além da mera descrição de métodos e resultados, o que se visa é a demonstração, por meio de evidências consistentes, de uma estimativa do alto custo acarretado pelo álcool à sociedade.Tais evidências representam a dianteira de esforços de pesquisa internacionais e nacionais.A despeito das imensas dificuldades metodológicas suscitadas pelo tema, os subtítulos
desse artigo simplesmente retratam a busca sistemática de evidências, na população global, acerca do quanto se bebe, como se bebe, que problemas sociais isso traz e quanto se adoece e se morre em decorrência do beber; ou seja, qual é o impacto dos danos relacionados ao consumo do álcool.Essa análise inclui duas dimensões de problemas consideradas indissociáveis, uma vez que sempre ocorrem simultaneamente: o Dano Social Global (The Global Burden of Social Harm) e o Peso Global dos Danos à Saúde (The Global Burden of Disease). De uma maneira geral, os resultados para cada variável considerada, bem como as conclusões finais, atestam as teses de Edwards.

Epidemiologia do uso de álccol no Brasil.pdf

Epidemiologia do uso de álcool no Brasil
Epidemiology of alcohol use in Brazil
José Carlos F Galduróz e Raul Caetano

A epidemiologia é “o estudo da distribuição dos estados ou acontecimentos relacionados à saúde de uma dada população”. Na questão específica do álcool, a epidemiologia diz respeito ao estudo do número de casos de usuários e/ou dependentes, além de problemas relacionados ao seu uso. Este artigo traça o panorama geral sobre o álcool e o alcoolismo no Brasil, abrangendo levantamentos da população geral, entre estudantes, meninos de rua e indicadores estatísticos.Os estudos epidemiológicos mais abrangentes do uso de álcool na população geral foram os realizados pelo CEBRID –Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Galduróz et al.(2000)pesquisaram as 24 maiores cidades do Estado de São Paulo, num total de 2.411 entrevistas,
estimando que 6,6% da população estava dependente do álcool. Dois anos depois, a mesma população foi pesquisada novamente e constatou-se um aumento estatisticamente significativo para 9,4% de dependentes.Outro amplo estudo domiciliar englobou as 107 cidades com mais de 200 mil habitantes – correspondendo a 47.045.907 habitantes, ou seja, 27,7% do total do Brasil. A amostra totalizou 8.589 entrevistados.4 Os principais resultados sobre o álcool podem ser vistos nas Tabelas 1 e 2. O uso na vida de álcool na população total foi de 68,7%. Essa proporção se mantém mais ou menos estável para as diferentes faixas etárias, lembrando que, entre 12 e 17 anos, 48,3% dos entrevistados já usaram bebidas alcoólicas.A prevalência da dependência de álcool foi
de 11,2%, sendo de 17,1% para o sexo masculino e 5,7% para o feminino. A prevalência de dependentes foi mais alta nas regiões Norte e Nordeste, com porcentagens acima dos 16%.Fato mais preocupante é a constatação de que, no Brasil,5,2% dos adolescentes (12 a 17anos de idade) eram dependentes do álcool.No Norte e Nordeste, essa porcentagem ficou próxima dos 9%.

Ação Civil Pública Cerveja .pdf

A presente ação civil pública pretende a condenação das empresas-rés no pagamento de indenização, em favor da sociedade, através da União/SENAD, para investimentos na prevenção e no tratamento dos malefícios causados pelo consumo de bebidas alcoólicas.O fundamento da demanda consiste,resumidamente, na seguinte tese:
●as bebidas alcoólicas são responsáveis por inúmeros e graves prejuízos à
saúde individual e à saúde pública, sendo que nesse mercado destacam-se os
produtos do tipo “cerveja” e “chopp”
Ministério Público Federal Procuradoria da República no Município de São José dos Campos
●embora sejam de livre produção e comercialização, as bebidas alcoólicas sofrem restrição publicitária, tendo em vista a nocividade inerente a esses
produtos
●as empresas-rés – responsáveis, juntas, por cerca de 90% da venda das bebidas alcoólicas tipo ‘cerveja’ no País – investem maciçamente em publicidade (o
investimento nesse segmento foi de quase 1 bilhão de reais em 2007), a fim de aumentarem a venda de seus produtos e, consequentemente, seus lucros;
●o maciço investimento em publicidade, porém, acarreta não somente a ampliação da participação daquela marca no mercado, dentro do ambiente
competitivo (fidelização do consumidor), mas também acarreta, reflexamente,o aumento global e a precocidade de consumo de álcool pela sociedade
●esse aumento global e precocidade de consumo de álcool pela sociedade representa um incremento do risco inerente do produto das empresas-rés,
causado, diretamente, pela conduta das mesmas em investirem em publicidade
●logo, tem-se que o investimento em publicidade pelas empresas-rés (conduta) acarretou (nexo causal) um incremento dos danos inerentes aos seus produtos
alcoólicos (dano incrementado), daí seguindo-se o dever de indenizar na mesma proporção.

Economia do tráfico no Rio.pdf

A Economia do Tráfico na Cidade do Rio de Janeiro: uma tentativa de calcular o valor do negócio
Sergio Guimarães Ferreira e Luciana Velloso
Publicação cujo objetivo é divulgar resultados de estudos direta ou indiretamente desenvolvidos pela Subsecretaria de Estudos Econômicos, os quais, por sua relevância, levam informações para profissionais especializados e estabelecem um espaço para sugestões.
As opiniões emitidas nesta publicação são de exclusiva e de inteira responsabilidade do(s) autor(es), não exprimindo, necessariamente, o ponto de vista da Subsecretaria de Estudos Econômica ou da Secretaria da Fazenda do Estado do Rio de Janeiro.
É permitida a reprodução deste texto e dos dados nele contidos, desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas.

 

Módulo álcool ABP 2008.pdf

Tratamento da Dependência do Álcool 2008
Ronaldo LaranjeiraAlessandra Diehl Reis

Esclarecimento adequado sobre SAA para o paciente e familiares;
retornos freqüentes ou visitas da equipe no domicílio por 3 a 4 semanas; evitar dirigir veículos;dieta leve ou restrita; hidratação adequada.
Se necessitar de repouso relativo, optar por ambiente calmo com pouca estimulação audiovisual, com supervisão de familiar,e encaminhamento para emergência se observar alteração da orientação temporo-espacial e, ou nível de consciência.

 

Reverse of abnormal dexamethasone.pdf

Reversal of Abnormal Dexamethasone
Suppression test Alcoholics for four weeks

Prevalencia de pacientes com indicadores de alcoolismo.pdf

Prevalência de pacientes com indicadores de alcoolismo
Internadosem uma clínica geral – relevância da forma de detecção.

Lack off effect of intravenous hypertonic glucose.pdf

Lack of effect of intravenous hypertonic glucose
On the intensity of alcohol intoxication induced experimentally and observed patients of emergency room

Intoxicação e glicose.pdf

Intoxicação e glicose -
Um estudo duplo-cego em pacientes de pronto socorro

Hipertensão e alcoolismo.pdf

Hipertensão e alcoolismo
Apesar de alguns autores estimarem que 30% dos quadros hipertensivos podem ser atribuídos ao uso excessivo do álcool, os resultados das pesquisas a respeito são contraditórios.

Etiologia do alcoolismo.pdf

Concepções do estudante de medicina sobre a etiologia do alcoolismo – influências regionais

Escalas auto avaliação subjetivos.pdf

Escalas de auto-avaliação de estados subjetivos -
Influência das instruções – Del Porto, Laranjeira, J. Masur

Does multisite sampling inprove.pdf

Does lTIultisite sallpling inprove patient heterogeneity drugnisuse research?
John Dunn , Cleusa Pinheiro Ferri, Ronaldo Laranjeira 

The aim of this study was to investigate whether multisite sampling increased heterogeneity among a sample of cocaine users
from São Paulo, Brazil. Six hundred and fourteen cocaine users were interviewed at 23 fixed sites plus an out-of-treatment sample,
The sites \Vere then regrouped into six main types: uni\’ersity outpatient cJinics, public outpatient cJinics, pubJic inpatient units.
private inpatient units. HIV services and non-treatment. Marked differences \Vere found belween users recruited at lhese sites,
especial!y in re!ation to age, gender, empJoyment status, criminal history, history of prostitution, previous drug misuse treatment,
duration of cocaine USe and lifetime use of intravenous cocaine. These results suggest that multisite sampling is a valid melhod
for increasing patient heterogeneity, but whether it improves representativeness and thus lhe generalisability of drug misuse”,
research is debatable .. ~ 2001 Elsevier Science Ireland Ltd. Ali rights resel’\ed.

Consumo de álcool em pacientes de hospital geral.pd

Consumo de álcool em pacientes de hospital geral
Um problema negligenciado? -
Jandira Masur

Brazil the epidemic that was allowed to happen.pdf

Brazll: the epidemic that was allowed to happen
John Dunn & Ronaldo Laranjeira

Bloor, I recemly described Latin America as me forgotten continent in terms of HIV infection.After the United States, the country with the greatest number of reported cases of AlDS is :lot in Africa, Europe or Asia but is in fact B~a.zil.From when records began in 1980 until August 1995,62314 cases Qf AlDS had been repor.:ed in Brazi1j this with an estimated 50% of cases going unnotified in some states. Transmission by intravenous drug use (IVDU) accounted for
22% of cumulative cases and 19.3% of those reported in 1994/95. Until August 1995, the cumulative number of AlDS cases in which IVDU was the main risk factor was 13752 (22 times the UK figure, for a country with a population only three times as large).The WHO co-ordinated multicentre srudy showed that the prevalence of HIV among intravenous cocaine users from in and out of treatmem samples in the cities of Rio de Janeiro and Santos was 40% and 60%, respectively.2 An opportUnistic, community-based study of a network of 119 cocaine injectors (21 of whom had become infected with malaria) from the city of
Bauru in the state of São Paulo showed an HIV prevalence of 58%.3,4 Apan from the high prevalence of HIV a.:nong IVDUs, the other aspect of the Brazilian HIV epidemic that most distinguishes it from that of the United Kingdom’s is that a heterosexual epidemic has occurred. For the period 1980/87, when figures staned to be colJected; the male to female ratio of reponed AlDS cases was 12: 1, by 1990 it had falJen to 7: 1 and in 1994/95 to 3.6: 1.Spread to the general population occurred via three main rolites: from IVDUs to their no”ndrug-using sexual parmers, from infected female drug users (or the parmers of users) to their
newborn children and from bisexual men to their female sexual parmers. Heterosexual transmission is now the most common risk. faetor among patients with AlDS, accounting for 27.8% of cases in 1994/95.

 

At risk drinking in primary care.pdf

At Risk Drinking in primary care:
Report from a survey in São Paulo, Brazil -
Eduardo Iacoponi, Ronaldo Laranjeira, Miguel Jorge

Alcohol Consumption During Pregnancy.pdf

Alcohol Consumption During Pregnancy and Newborn Outcome: A Study in Brazil -
Vilma Silva, Ronaldo Laranjeira, Mauro Dolnikoff, Herman Grinfeld, Jandira Masur

Adolescentes álcool.pdf
Alcohol and adolescents:
Study to implement municipal policies

Addiction letter september 2007 .pdf

In 2003 AmBev (the biggest beer company in Brazil with 70% of the market, and since its merger with Inter-Brew the second biggest in the world) approached some key figures in the alcohol field in Brazil, including several past presidents of ABEAD, asking to talk to them. Most declined. One, however, from the University of Sao Paulo, accepted and subsequently started an AmBev-funded website, the Centre for Information on Alcohol (http://www.cisa.org.br),whose main purposewas ‘to generate a source of information on health and alcohol’. We found this industry-funded website a disturbing development,as we believe strongly that there is a direct conflict of interest here. An ‘alcohol education project’ cannot be funded by an industry which has, in the past, shown scant regard for scientifically based public health policies on alcohol, and used aggressive tactics to undermine them.

Dependência do álcool.pdf
Diagnóstico e tratamento do uso nocivo e dependência do álcool
Cláudio Jerônimo da Silva
Ronaldo Laranjeira

O uso de bebida alcoólica é estimulado na maioria dos países do mundo. No Brasil, a ausência de políticas pública reguladoras do consumo torna-o extremamente disponível,com fácil acesso e baixo custo. Soma-se a esses fatores o estímulo ao uso feito principalmente pela mídia, que associa o álcool às
situações prazerosas, omitindo possíveis danos que ele pode causar à saúde. A facilidade de obter bebidas alcoólicas promove o uso de um número cada vez maior de pessoas,principalmente de adolescentes, com a bebida alcoólica. Quase 65% dos adolescentes já fizeram do uso de álcool na vidaAproximadamente
69% dos adultos ingerem bebida alcoólica. Esse encontro (indivíduo e álcool),na maioria das vezes, não causa dependência.Uma minoria (11,2% da população total)torna-se dependente. Ainda assim, a prevalência da dependência do álcool assemelha-se a de outras doenças crônicas, como a hipertensão.

Purchase survey RSP.pdf

Alcohol purchase survey by adolescents in two cities of State of São Paulo,Southeastern Brazil
Marcos Romano ;Sérgio Duailibi;Ilana Pinsky;Ronaldo Laranjeira

Alcohol use is a public health problem. Commercial availability is an important factor that encourages the use of alcohol by young people.
The aim of the study was to assess how often young people under 18 could buy alcohol in shops
Adolescents from 13 to 17 attempted to purchase alcoholic beverages at a random sample of shops in the cities of Paulinia (n=108)
and Diadema (n=426), Southeastern Brazil. The study was conducted from November to December 2003 in Paulínia, and July 2004 to August 2005 in
Diadema. They were told not to lie about their ages when asked and to say that the beverage was for themselves. Statistical tests performed were two-tailed
and the signifi cance level considered was p<0.05.RESULTS: Adolescents, under the minimum legal age, were successful in purchasing alcoholic beverages in the fi rst attempt in 85.2% of the surveyed outlets in Paulinia, and 82.4% in Diadema. The adolescents bought alcoholic beverages just as easy in all shops researched.

Paulinia-Beber-Adolescente-RBP.pdf

Evidence of association between early alcohol use and risk of later problems
Evidência de associação entre uso precoce de álcool e risco de problemas futuros

To investigate the relationship between age of onset, alcohol consumption patterns and related problems. Method:In 2004, one self-administered questionnaire was completed by 1,990 students from the 5th to 11th grades of schools in Paulínia-SP. Data collection was conducted at the classroom without the presence of the teacher. The participation in the study was voluntary and anonymous. Results: Prevalence of lifetime alcohol use was 62.2%. The mean age of first use of alcohol was 12.35(sd = 2.72) and ranged between 5 and 19 years of age. In 78% of the cases, the first use occurred before the age of 15, and more
than 22% of the students reported having tried alcohol before 10 years of age. There were significant differences regarding current pattern of use: those who started earlier consumed more drinks per occasion (p = 0.013) and had more drunkenness episodes in the last 30 days (p = 0.05). A relationship between the age of first alcohol use and the use of tobacco (p = 0.017) and other drugs (p = 0.047) was observed. Conclusions: Adolescents first use alcohol in early ages, what impacts the current consumption patterns. This study emphasizes the need of actions regarding public alcohol policies in Brazil in order to prevent or delay the initiation of alcohol use and its related problems.

Proceedings of the National Academy Of Sciences PNAS.pdf

Proceedings of the National Academy of Sciences
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4) Make sure that any Greek/special characters appear correctly throughout the text.Proofs contain low-resolution figures (so proofs can be downloaded and printed quickly). Figure quality will be higher in the printed and online html versions of the journal. Please note any figure quality concerns next to
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Ethichs Unregulated Market 1883.pdf

Evidence of association between early alcohol use and risk of later problems
Evidência de associação entre uso precoce de álcool e risco de problemas futuros

To investigate the relationship between age of onset, alcohol consumption patterns and related problems. Method:In 2004, one self-administered questionnaire was completed by 1,990 students from the 5th to 11th grades of schools in Paulínia-SP. Data collection was conducted at the classroom without the presence of the teacher. The participation in the study was voluntary and anonymous. Results: Prevalence of lifetime alcohol use was 62.2%. The mean age of first use of alcohol was 12.35 (sd = 2.72) and ranged between 5 and 19 years of age. In 78% of the cases, the first use occurred before the age of 15, and more than 22% of the students reported having tried alcohol before 10 years of age. There were significant differences regarding current pattern of use: those who started earlier consumed more drinks per occasion (p = 0.013) and had more drunkenness episodes in the last 30 days (p = 0.05). A relationship between the age of first alcohol use and the use of tobacco (p = 0.017) and other drugs (p = 0.047) was observed. Conclusions: Adolescents first use alcohol in early ages, what impacts the current consumption patterns. This study emphasizes the need of actions regarding public alcohol policies in Brazil in order to prevent or delay the
initiation of alcohol use and its related problems. Descriptors: Adolescent; Age of onset; Alcoholic beverages; Alcohol drinking/adverse effects; Public policy

Cocaina Messas 2005 PG.pdf

Association study of dopamine D2 and D3 receptor gene polymorphisms with cocaine dependence
Guilherme Messasa, Ivanor Meira-Lima, Marı´lia Turchi, Olavo Franco,
Camila Guindalini, Adauto Castelo, Ronaldo Laranjeira and Homero Vallada

Genetic factors play a role in the vulnerability to cocaine dependence. The reinforcing properties of cocaine are related to the dopaminergic system, and, in particular, the dopamine receptors have been linked to the reward mechanisms. The present study examines the role of the variants TaqI A of the dopamine D2 receptor gene and BalI of the dopamine D3 receptor gene in a Brazilian sample consisting of 730 cocaine dependents and 782 healthy controls. The studied polymorphisms did not show any difference in allelic frequencies or genotypic distribution between the groups. Our data do not support a role for the
dopamine D2 receptor gene TaqI A and dopamine D3 receptor gene BalI gene polymorphisms in the susceptibility to cocaine dependence in a Brazilian sample.
Psychiatr Genet 15:171–174 c 2005 Lippincott Williams & Wilkins.

CocaGRK3 PsychGenetics 2007.pdf

Association analysis of GRK3 gene promoter variants in cocaine abuse
Camila Guindalinia, David Colliera, Ronaldo Laranjeira, Tom B. Barrette,
John Kelsoee, Adauto Castelo, Homero Vallada, and Gerome Breen,

The G protein-coupled receptor kinase 3 gene (GRK3) is a candidate gene for cocaine adiction because it is involved in the regulation of several neurotransmitter receptors,including the response to dopaminergic agonists such as methamphetamine and cocaine. We hypothesized that genetic variants in the GRK3 gene might be associated with an increased risk of cocaine addiction. To test this, we genotyped three variants located in 50 untranslated and promoter regions of the gene in a sample of 711 cocaine users and 862 healthy control individuals from Sao Paulo,Brazil. Genotypic, allelic and haplotypic analyses provided
no evidence for an association between alleles at these polymorphisms and cocaine abuse in this sample.Population stratification was tested for and its effect
corrected for, but this did not affect the association test results. In conclusion, our results do not support a major role for GRK3 gene promoter variants in cocaine

Housing for People with substance use and current disorders.pdf

Housing for People with Substance Use and Concurrent Disorders
Researchers at the Centre for Applied Research on Mental Health and Addiction(CARMHA) were contracted by Vancouver Coastal Health Authority to compile a brief,annotated bibliography focussing on the provision of housing for people with substance use and co-occurring mental disorders. A comprehensive literature review was completed. The list of publications and search methods are attached. The initial list was culled to extract those manuscripts with the greatest relevance. An expert panel reviewed each of the selected manuscripts and reached consensus on the major conclusions,implications, and quality of each paper. Finally, a brief synopsis of findings was produced.
Principal Finding
Stable housing is a fundamental need for all people, but this is especially true for individuals with substance use and mental disorders who also require varying levels of support commensurate with their needs. The preponderance of evidence indicates that supportive housing is an essential component of an effective overall therapeutic and rehabilitation strategy for individuals with dual diagnoses, and with careful planning and consultation, these programs can function well and be perceived as an asset to their communities and neighbourhoods.

Alcohol Diadema Volence.pdf

Alcohol Diadema volence
We investigated whether limiting the hours of alcoholic beverage sales in bars had an effect on homicides and violence against women in the Brazilian city of Diadema. The policy to restrict alcohol sales was introduced in July 2002 and prohibited on-premises alcohol sales after 11 PM. We analyzed data on homicides (1995 to 2005) and violence against women (2000 to 2005) from the Diadema (population 360 000) police archives using log-linear regression analyses. The new restriction on drinking hours led to a decrease of almost 9 murders a month. Assaults against women also decreased, but this effect was not significant in models in which we controlled for underlying trends. Introducing restrictions on opening hours resulted in a significant decrease in murders, which confirmed what we know from the literature: restricting access to alcohol can reduce alcohol-related problems. Our results give no support to the converse view, that increasing availability will somehow reduce
problems.

Somoking associated factors in myocardial infarction and unstable angina.pdf

Smoking-associated factors in myocardial infarction and unstable angina: Do gender difference exist?
Glória Heloise Perez , José Carlos Nicolau,Bellkiss Wilma Romano , Ronaldo Laranjeira 
The aim of this study was to investigate demographic and psychological characteristics associated with smoking in patients with acute coronary syndrome (myocardial infarction or unstable angina). Interviews were conducted with 348 consecutive hospitalized patients with acute coronary syndrome and included questions about demographic characteristics, coffee consumption, heart disease risk perception, economic status, alcohol consumption, depression,
anxiety, and stress. Female group multivariate analysis showed that smoking in females was significantly and negatively associated with age, heart disease risk perception, and positively associated with coffee consumption.Male group multivariate analysis showed that for males, smoking was significantly and negatively associated with age, heart disease risk perception, and positively associated with coffee and alcohol consumption. Unlike studies conducted with non-heart disease patients, our results do not show an association between smoking and depression.Compared with nonsmokers, smokers with acute coronary syndrome are younger, more likely to drink coffee, and less likely to perceive smoking as a heart disease risk. Male smokers are also more likely to drink alcohol, indicating that they use more psycho-stimulants than do nonsmoking men and women who smoke.

Addictions Neurobiology final.pdf

Neurociência do Uso de Substâncias
Ilza Rosa Batista, Priscila  Almeida, Gustavo Fadel, Rodrigo . Bressan

O entendimento das bases neurológicas da drogadição continua desafiando clínicos e pesquisadores. Não é de hoje que o sistema dopaminérgico vem sendo considerado como o mais importante no que se refere ao uso abusivo de substâncias, sendo a via dopaminérgica mesocorticolímbica a mais referida. Juntamente com a dopamina, outros neurotransmissores em conjunto parecem colaborar para a atividade da via dopaminérgica com o chamado “sistema de recompensa”. Incluem-se à dopamina, por exemplo: o ácido gama-aminobutírico (GABA), o glutamato, a serotonina e os peptídeos opióides. Além de atuar sobre o sistema recompensa, o sistema dopaminérgico apresenta importante função sobre o sistema motor além de funções refinadas de cognição e memória. Já o sistema opióide é responsável pelo componente hedônico (de prazer) do sistema de recompensa cerebral além estar relacionado também à dor e ao processamento emocional.

CRACK 12y Cebrid.ppt

Seguimento de 12 anos de usuários de CRACK

Halfwayhouse CLINICS.pdf

Halfway houses for alcohol dependents: from the ore tical bases to implications for the organization of facilitie
Alessandra Diehl Reis, Ronaldo Laranjeira

Halfway houses for alcohol dependents: from theoretical bases to implications for the organization of facilities. Clinics. 2008;63:827-32.
The purpose of this paper is to supply a narrative review of the concepts, history, functions, methods, development and theoretical bases for the use of halfway houses for patients with mental disorders, and their correlations, for the net construction of chemical dependence model. This theme, in spite of its relevance, is still infrequently explored in the national literature. The authors report international and national uses of this model and discuss its applicability for the continuity of services for alcohol dependents. The results suggest that this area is in need of more attention and interest for future research.
KEYWORDS: Halfway Houses; Alcohol-Related Disorders; Organization and Administration.

 

Trafficking  paper McLennan.pdf

Trafficking among youth in conflict with the law in SãoPaulo,Brazil
John D. McLennan Æ Isabel Bordin Æ Kathryn Bennett Æ Fatima Rigato Æ Merlin Brinkerhoff

Background Engagement in drug trafficking may place a child or youth at risk for exposure to severe violence, drug abuse, and death. However, little is know about the nature of youth involvement in drug trafficking. The purpose of this study is to describe drug trafficking behaviour of delinquent youth and identify adverse experiences as potential predictors of trafficking. Methods Cross-sectional sample of youth (12–17 years of age) incarcerated in detention facilities for delinquent or criminal acts in São Paulo City, Brazil. Structured face-to-face interviews completed with 325 youth (289 boys, 36 girls).Results Approximately half of the boys and girls in his sample have had at least some role in drug trafficking prior to incarceration. Though youth who had engaged in drug trafficking activities did not differ on basic socio-demographic variables, they were more likely to have been exposed to a number of adverse experiences. Beyond heavy substance use, no longer attending school, gang involvement, witnessing violence,and easier access to guns, drugs and alcohol remained significantly

Cachaça, vinho e cerveja: da Colonização ao século XX.pdf

Cachaça, vinho, cerveja: da Colônia ao século XX
Ricardo Luiz de Souza

Também conhecida como jeribita, a cachaça teve um papel de grande importância no sistema econômico ligado à produção de açúcar, com a produção de
regiões como Campos e Parati sendo direcionada para a sua elaboração (Scwhartz,1994: 17).Frei Vicente do Salvador (1982: 76), ao escrever nas primeiras décadas do século XVII, já menciona a fabricação do que chama de vinhos – muito provavelmente a cachaça – e já a usa como sinal de autonomia econômica: “Vinhos? De açúcar se faz muito suave, para quem o quer rijo, com o deixar ferver dois dias, embebeda como de uvas”. Também Gabriel Soares de Sousa (1938: 109) assinala a existência de muitas vinhas e a colheita de duas pipas anuais de vinho em São Paulo, ainda nos primórdios da colonização.
Referindo-se à Europa do século XVI, Braudel (1984, vol. I: 214) afirma: “O Norte é a região da cerveja, das bebidas feitas a partir de grãos fermentados. Já assim era na Germânia de Tácito… Para um mediterrânico estas paragens são (tanto como a Polônia) estranhos sítios onde o vinho é produto de luxo, atingindo preços incríveis”.Temos assim uma divisão geográfica, com o vinho imperando na região do Mediterrâneo, enquanto a cerveja “será, durante muito tempo, o símbolo da cultura germânica, e os pagãos usam- na em seus rituais para marcar sua oposição à sacralidade cristã do vinho” (Monatanari, 1998: 286).

The impact of maternal experience of violence

The impact of maternal experience of violence and common mental disorders on neonatal outcomes: a survey of adolescent mothers in Sao Paulo, Brazil
Cleusa P Ferri, Sandro S Mitsuhiro, Marina CM Barros, Elisa Chalem,Ruth Guinsburg, Vikram Patel, Martin Prince and Ronaldo Laranjeira

Background: Both violence and depression during pregnancy have been linked to adverse neonatal outcomes, particularly low birth weight. The aim of this study was to investigate the independent and interactive effects of these maternal exposures upon neonatal outcomes among pregnant adolescents in a disadvantaged population from Sao Paulo, Brazil. 930 consecutive pregnant teenagers, admitted for delivery were recruited. Violence was assessed using the Californian Perinatal Assessment. Mental illness was measured using the Composite International Diagnostic Interview (CIDI). Apgar scores of newborns were estimated and their weight measured. 21.9% of mothers reported lifetime violence (2% during pregnancy) and 24.3% had a common mental disorder in the past 12 months. The exposures were correlated and each was associated with low education. Lifetime violence was strongly associated with Common Mental
Disorders. Violence during pregnancy (PR = 2.59(1.05–6.40) and threat of physical violence (PR =1.86(1.03–3.35) and any common mental disorders (PR = 2.09 (1.21–3.63) (as well as depression, anxiety and PTSD separately) were independently associated with low birth weight.
Efforts to improve neonatal outcomes in low income countries may be neglecting two important independent, but correlated risk factors: maternal experience of violence and common mental disorder.

Prevalence of cocaine and marijuana use in the last trimester

Prevalence of cocaine and marijuana use in the last trimester of adolescent pregnancy: Socio-demographic, psychosocial and behavioral characteristics
Sandro Sendin Mitsuhiro ,⁎, Elisa Chalem , Marina Carvalho de Moraes Barros ,
Ruth Guinsburg , Ronaldo Laranjeira 

To evaluate the prevalence of cocaine and marijuana use during the third trimester of pregnancy in a population of 1000 teenage women of a public hospital in São Paulo, Brazil using hair analysis in order to avoid underestimation of data that could happen by the use of self-report questionnaires and describe socio-demographic,psychosocial and behavioral characteristics of the drug users. Hair analysis has detected use of cocaine and/or marijuana in the third trimester of pregnancy in 6% of the patients: 4.0% used marijuana, 1.7% used cocaine and 3% used both drugs. They were about 17 years old, from low-income, poorly educated, unemployed, financially dependent and they had not planned the pregnancy. 10% of
miscarriages have occurred in this population. This study shows the psychosocial impairment associated to teenage pregnancy and use of cocaine
and marijuana during gestation by this low-income population with reliable data of prevalence obtained through hair analysis.© 2006 Elsevier Ltd. All rights reserved. Pregnancy in adolescence; Cocaine; Cannabis; Cross-sectional studies
To evaluate the prevalence of cocaine and marijuana use during the third trimester of pregnancy in a population of 1000 teenage women of a public hospital in São Paulo, Brazil using hair analysis in order to avoid underestimation of data that could happen by the use of self-report questionnaires and describe socio-demographic, psychosocial and behavioral characteristics of the drug users.

Crack cocaine a two year follow-up of treated patients

Crack cocaine–a two-year follow-up of treated patients.
Laranjeira R, Rassi R, Dunn J, Fernandes M, Mitsuhiro S
.
To investigate the 2-year outcome of the first 131 crack cocaine users who had been admitted for a period of inpatient treatment. DESIGN: Follow-up study of consecutive patients admitted between 1992 and 1994. SETTING: Inpatient detoxification unit of a public general hospital in Sao Paulo City, Brazil. PARTICIPANTS: 131 consecutive crack cocaine users. MEASURES: Reported crack use during last 12 months, incarceration and death. FINDINGS: After 2 years, 50 patients reported crack use in the last 12 months, 29 said that they had not used it during this period, 9 were in prison, 13 had died, 2 had disappeared and no information was available on 28. CONCLUSIONS: Crack cocaine use seems to be associated with a high mortality rate and criminal involvement but about one-third of patients give up using the drug within 2 years of inpatient treatment.
To investigate the 2-year outcome of the first 131 crack cocaine users who had been admitted for a period of inpatient treatment.

Exposure to Marijuana During Pregnancy

Exposure to marijuana during pregnancy alters neurobehavior in the early neonatal period
Marina Carvalho de Moraes barros, MD, PHD, Ruth Guinsburg, MD, PHD, Clovis de Araújo Peres, PHD, Sandro Mitsuhiro, MD, Elisa Chalem, and Ronaldo Ramos Laranjeira, MD,PHD

Objective To assess the neurobehavior of full-term neonates of adolescent mothers exposed to marijuana during pregnancy.Study design This prospective cross-sectional study included full-term infants within 24 to 72 hours of life born to adolescent mothers at a single center in Brazil. Data on sociodemographic and obstetrical and neonatal characteristics were collected. The mothers underwent the Composite International Diagnostic Interview, and the infants were assessed with the Neonatal Intensive Care Unit Network Neurobehavioral Scale (NNNS). Maternal hair and neonatal meconium were analyzed. Neonates exposed in utero to tobacco, alcohol, cocaine, and/or any other drugs except marijuana were excluded. Results Of 3685 infants born in the study hospital, 928 (25%) were born to adolescent mothers. Of these, 561 infants met the inclusion criteria and were studied. Marijuana exposure was detected in 26 infants (4.6%). Infants exposed (E) or not exposed (NE) to marijuana differed in the following NNNS variables: arousal (E, 4.05  1.19 vs NE, 3.68  0.70), regulation
(E, 5.75  0.62 vs NE, 6.04  0.72), and excitability (E, 3.27  1.40 vs NE, 2.40  1.57). After controlling for confounding variables, the effect of marijuana exposure on these scores remained significant.Conclusions Marijuana exposure during pregnancy alters the neurobehavioral performance of term newborn infants of adolescent mothers. (J Pediatr 2006;149:781-7)

Questionário do Levantamento Nacional
Questionário Final do Levantamento Nacional

Prevenção do uso de drogas na escola
Prevenção do Uso de Drogas na escola – MODELOS DE INTERVENÇÃO

Uso de drogas na escola
Prevenção do Uso de Drogas na escola – MODELOS DE INTERVENÇÃO

Usuários que procuram tratamento
Perfil dos usuários que procuram tratamento em um ambulatório de maconha

Usuárias de maconha

Usuárias de maconha que buscam tratamento para abuso de substâncias
Vilela, FAB, Pucci SHM, Jungerman FS, Zanelatto NA

Objetivo: Conhecer as características das mulheres que buscam tratamento na UNIAD/UNIFESP e comparar seus dados aos dos homens.
Metodologia: Amostra de 32 mulheres e 141 homens selecionados para tratamento breve em projeto de pesquisa. Os dados foram analisados e comparados à luz da literatura referente ao tema.
Resultados: Chegam para tratamento aproximadamente quatro homens para cada mulher. Em sua maioria, são solteiros (mulheres: 63%/ homens: 65,6%), com ensino superior–completo ou em andamento (68,7%/58%), com alguma ocupação (68,8%/60%). Já em relação à saúde, as pacientes do sexo feminino apresentam mais problemas que os do sexo masculino (problemas de garganta, nariz:68,8%/24,8%; problemas gastrintestinais:40,6%/28,4%). Os homens têm mais problemas com a Justiça (assinaram B.O. 6,3%/19,1%) e mais atos de vandalismo (3,1%/24,8%). As mulheres apontam com maior freqüência que têm familiares com depressão (40,6%/14%) ou esquizofrenia (21,9%/ 4,3%). Quanto ao BDI, aproximadamente metade das mulheres e dos homens apresentou algum grau de depressão, mas as primeiras apresentaram grau mais acentuado (grave:10%/0,7%). No BAI, ambos obtiveram score mínimo (61,3%/ 66%).
Conclusão: Percebeu-se a necessidade de aprofundamento no tema e da consideração das diferenças entre homens e mulheres visando o melhor entendimento e acolhimento das necessidades apresentadas por cada gênero na chegada ao tratamento.
Usuárias de maconha que buscam tratamento para abuso de substâncias

Atendimento aos familiares 

Descrição e avaliação do programa de atendimento aos familiares
Description and evaluation of the family assistance program
Susie Saab Araújo, Patrícia Vaquero, Neide A. Zanelatto

Entende-se por família todas as pessoas, que residindo sob um mesmo teto, interajam intimamente. Outros familiares, não pertencendo à família nuclear podem ser incluídos, uma vez que tenham papel importante na dinâmica familiar. A família passa por um período de crise, quando se depara com a questão da dependência de substâncias em seu meio, e necessita de suporte para o enfrentamento desta crise. Estudos ainda ressaltam que o tratamento das famílias, pode facilitar a aderência do familiar dependente ao tratamento. O Treinamento de Habilidades Sociais aplicado a grupos de família, permite que através da modelagem de comportamento, o familiar dependente se aproxime de sua família, sentindo-se acolhido e tendo infra-estrutura para o entendimento do problema da dependência.
Este trabalho objetiva descrever a experiência com grupos de família no ambulatório da Maconha da UNIAD, no período de 2003 a 2005 (57 participantes). Os dados utilizados foram coletados através de questionários de avaliação aplicados ao final do tratamento.
Esses dados revelam que manejar a raiva e falar sobre sentimentos são habilidades nas quais os participantes têm maior dificuldade. A participação feminina (mães) é superior à participação masculina, inclusive quanto à freqüência às sessões. A procura é considerável, mas a adesão cai quando o tratamento começa.

Consciência Crítica

Formação de consciência crítica: um projeto de prevenção do uso de substâncias na escola

A esposa do alcoolista

Co-dependência – A esposa do alcoolista

Co-dependência 

Co- dependência – o papel da intervenção terapeuta como alivio do corpo que sofre
Neide Aparecida Zanelatto
Manuel Morgado Rezende

Introdução: A co-dependência é um comportamento problemático, desajustado ou doentio, associado com a vida, trabalho ou qualquer outra situação de proximidade de uma pessoa que sofre de dependência de substâncias. Toda a vez que a vida de uma outra pessoa é alterada ou perturbada, pelo uso de substâncias por parte de outrem, o problema já não é mais apenas do dependente. No caso do alcoolismo do marido, como a esposa é muito íntima deste, não há como não sentir os efeitos do hábito de beber, que de uma forma ou de outra, acabarão alterando sua vida , conforme a situação e a gravidade com que essa doença a atinge. A co-dependência pode ser definida portanto, como o vínculo patológico que a esposa estabelece com sua droga de preferência – o marido alcoolista. Objetivo: O presente estudo tem como objetivo investigar quais os benefícios obtidos por esposas de alcoolistas, participantes de grupos terapêuticos, no que diz respeito ao alívio da dor da co-dependência. Método: Este trabalho apresenta uma pesquisa descritiva, qualitativa, onde foram entrevistadas 10 esposas de indivíduos com diagnóstico de alcoolismo, sendo 4 delas participantes de tratamento com marido abstinente e 2 com marido não abstinente. As outras 4 não participam do tratamento, sendo que 2 tem maridos abstinentes e 2 ainda tem seus maridos fazendo uso de álcool. A técnica de entrevista utilizada foi semi-estruturada, tendo sido utilizados roteiros de entrevista com seqüência flexível. A análise dos dados, foi feita a partir de categorias, segundo técnica proposta por L.Bardin. Resultados: Os resultados mostraram que a adesão ao tratamento por parte das esposas se deu principalmente pelo fato de que o relacionamento conjugal estava por demais deteriorado, com episódios de violência física e verbal, dificultando a convivência com o marido alcoolista. Problemas financeiros aparecem como segundo fator motivacional.

Tratamento para co-dependência

Grupos terapeuticos- uma modalidade de tratamento para co-dependência
Therapy groups- an opition for co- addicition treatment
Neide Aparecida Zanelatto, Manuel Morgado Rezende

Objetivo: Investigar quais os benefícios obtidos por esposas de alcoolistas, participantes de grupos terapêuticos, no tratamento da co-dependência. Método: Pesquisa descritiva, qualitativa. Foram entrevistadas 13 esposas de indivíduos com diagnóstico de alcoolismo, participantes e não participantes de tratamento, com maridos abstinentes e não abstinentes. A técnica de entrevista utilizada foi semi-estruturada, tendo sido utilizados roteiros de entrevista com seqüência flexível. Resultados: a adesão ao tratamento por parte das esposas se deu principalmente pelo fato de que o relacionamento conjugal estava por demais deteriorado, com episódios de violência física e verbal, dificultando a convivência com o marido alcoolista. Problemas financeiros aparecem como outro fator motivacional. O melhor conhecimento a respeito da doença que atinge o marido, facilita o processo de compreensão do processo de recuperação. O enriquecimento do diálogo, e a possibilidade de reconstrução da vida conjugal, aparecem como benefícios trazidos pelo tratamento, quando o marido opta pela abstinência. Quando não, o tratamento dá a esposa forças para uma mudança de atitude, adotando um estilo de enfrentamento que muitas vezes é o de separar-se de seu marido alcoolista.

Clientela que procura tratamento

Características da clientela que procura tratamento em um ambulatório de maconha

Opinions about Alcohol Control

Opinions about Alcohol Control Policies among Brazilians: The first National Alcohol Survey I.
Pinsky, M. Sanches, M. Zaleski, R. Laranjeira and R. Caetano 

Several general-population alcohol surveys have been conducted in Brazil in the past 25 years, none using probability sampling methodology. This paper focuses on the results of the first alcohol national survey in Brazil, particularly as it concerns support for six alcohol policies. A total of 2,346 interviews were conducted with adults aged 18 and older. The interviews, averaging 53 minutes in length, were conducted face to face in the respondent’s home by trained interviewers using a standardized questionnaire, with an overall response rate of 66.4%. Overall at least half of the respondents supported the six alcohol policies analyzed. Gender, intensity of alcohol consumption and age were the main variables associated with approval of the alcohol policies. The relatively high level of support for the alcohol policies suggests that there is room for developing new measures in the area in Brazil.
Opinions about Alcohol Control Policies among Brazilians: The first National Alcohol Survey

Rastreamento do uso de álcool
Estudo sobre o rastreamento do uso de álcool em pacientes atendidos no Pronto Socorro

Alcohol consumption
Alcohol consumption in late-life – The first Brazilian National Alcohol Survey (BNAS)

Publicidade de bebidas
O impacto da publicidade de bebidas alcoólicas sobre o consumo entre jovens: revisão da literatura internacional.

Beber e dirigir em Diadema
Prevalência do beber e dirigir em Diadema- SP

Triagem e intervenção

Triagem e intervenção breve em pacientes alcoolizados atendidos na emergência:perspectivas e desafios
Screening and brief intervention on alcoholic patients attended on emergency rooms:perspectives and challenges
Maria Luiza Segatto , Ilana Pinsky ,Ronaldo Laranjeira ,Fabiana Faria Rezende ,Thaís dos Reis Vilela 

The purpose of this article is to handle the general principles, concepts and main elements of brief intervention, with a literature review about its application on alcoholic patients attended on emergency rooms. It also presents the applicability of screening as a first step to the brief intervention process, and the use of validated standard instruments that allow useful information for a consistent feedback. Finally, highlights the challenges associated with the screening on emergency rooms due to lack of time, inadequate professional formation, fear of annoy the patient and common beliefs that alcoholics do not answer to interventions. It also stresses, however, the relevancy of brief intervention on emergency, which is viable and efficient, as well as the need of researches to determine the adjustments of both the professionals and the health care system.

Consumo de bebidas
A apologia do consumo de bebidas alcoólicas e da velocidade no trânsito no Brasil:
considerações sobre a propaganda de dois problemas de saúde pública

Tabagismo
Tratamento da dependência da nicotina

Tobacco epidemic or bonanza?
Tobacco epidemic or bonanza? The global conection

Tobacco epidemic or bonanza?
Tobacco epidemic or bonanza? The global conection

The frequency of smoking
The frequency of smoking and problem drinking among general hospital inpatients in Brasil

Smoke, dont smoke
Smoke, dont smoke – two steps foward one step back

Terapia cognitivo-comp.
Terapia cognitivo-comportamental para transtornos psiquiátricos

Sedação, Analgesia..
Sedação, Analgesia e Bloqueio Neuromuscular em UTI

Publicidade de cigarros
Publicidade de cigarros deve ser totalmente proibida no Brasil?

Psychoactive drug use
Psychoactive drug use by medical students: a review of the national and international literature

Prevencao da dependência
Prevenção da dependência da nicotina: uma prioridade de saúde pública

Politicas de drogas no Brasil
Politicas de drogas no Brasil

Orientação familiar
Orientação familiar para dependentes químicos: perfil, expectativas e estratégias

O fumo e a morte
O fumo e a morte prematura

Dirigir alcoolizado
O fenomeno do dirigir alcoolizado

O Alcoolismo
O Alcoolismo

Nurses attitude (completo)
Nurses attitude towards alcoholism: factor analysis of three commonly used scales (completo)

O abuso e dependência
O abuso e dependencia de alcool e drogas e a psiquiatria

Monitorar o futuro
Monitorar o futuro: a proxima geração de estudos populacionais sobre álcool e drogas no Brasil

Medicos usuários
Medicos usuarios de álcool e drogas

Homicidio e doença mental
Homicidio e doença mental

Heroína
Heroína: a proxima epidemia de drogas no Brasil?

Fatores associados tabagismo
Fatores associados ao tabagismo: estudos de pacientes com síndromes isquêmicas miocardicas instaveis

Êxtase
Êxtase: uma droga velha e um problema novo?

Entrevista motivacional
Entrevista motivacional: bases teóricas e práticas

Drinking and driving
Drinking and driving: pre-driving attitudes and perceptions among Brazilian youth

Pesquisa bibliográfica
O desenvolvimento de uma estratégia para fazer pesquisa bibliográfica pela Medline na área de álcool e drogas

Depressão e doença arterial
Relaçao entre depressão e doença arterial

Dependência Química
Dependência Química – novos modelos de tratamento

Dependência do crack
É possivel se libertar da dependência do crack

Os critérios de avaliação
Os critérios de avaliação da pós-graduação em psiquiatria pela Capes

Crack, ecstasy e a vingança
Crack. ecstasy e a vingança divina

Controle do álcool
Controle social e político do álcool

Consenso sobre o tratamento
Consenso sobre o tratamento da dependência da nicotina

Hospital livre de cigarros
Como criar um hospital livre de cigarros

Como ajudar seu paciente
Como ajudar seu paciente a parar de fumar

Book Reviews
Compiled by Griffith Edwards & Susan Savva

Boas intenções não bastam
Boas intenções não bastam

Benzodiazepínicos
Benzodiazepínicos – quatro décadas de experiência

Bases para uma política 2
Bases para uma política de tratamento dos problemas relacionados ao álcool e outras drogas no Estado de São Paulo.

Bases para uma política
Bases para uma política de tratamento dos problemas relacionados ao álcool e outras drogas no estado de São Paulo.

AUDIT
AUDIT identifica a necessidade de interconsulta específica para dependentes de álcool no hospital geral?

I Levantamento Nacional álcool.pdf

I levantamento nacional sobre os padrões de consumo de álcool na população brasileira
Do uso social ao problemático, o álcool é a droga mais consumida no mundo. Segundo dados de 2004 da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas. Seu uso indevido é um dos principais fatores que contribuem para a diminuição da saúde mundial,sendo responsável por 3,2% de todas as mortes e por 4% de todos os anos perdidos de vida útil. Quando esses índices são analisados em relação à América Latina, o álcool assume uma importância ainda maior. Cerca de 16% dos anos de vida útil perdidos neste continente estão relacionados ao uso indevido dessa substância,índice quatro vezes maior do que a média mundial.O II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, promovido pela Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) em 2005, em parceria com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (CEBRID), da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), aponta que 12,3% das pessoas pesquisadas, com idades entre 12 e 65 anos, preenchem critérios para a dependência do álcool e cerca de 75% já beberam pelo menos uma vez na vida. Os dados também indicam o consumo de álcool em faixas etárias
cada vez mais precoces e sugerem a necessidade de revisão das medidas de controle, prevenção e tratamento.Outros estudos nacionais e internacionais têm demonstrado a ocorrência significativa de mortes e doenças associadas ao uso indevido de álcool. Relatos de violência doméstica, lesões corporais, tentativas e homicídios consumados, assim como outras situações de conflitos interpessoais, são cada vez mais evidentes em contextos nos quais o álcool se faz presente.O governo brasileiro, ciente dessa realidade, iniciou um processo de construção de sua política pública para o álcool. Nesse sentido e com o objetivo de garantir o espaço de participação social para a discussão de tão importante tema, instalou, por meio do Conselho Nacional Antidrogas (CONAD), a Câmara
Especial de Políticas Públicas sobre o Álcool (CEPPA), composta por diferentes órgãos governamentais e representantes da sociedade civil, nascida a partir dos resultados de um Grupo de Trabalho Interministerial(GTI), coordenado pelo Ministério da Saúde, no ano de 2003.Em novembro de 2005, o Brasil promoveu e financiou integralmente a 1ª Conferência Pan-Americana de Políticas Públicas para o Álcool. Com o apoio institucional da Organização Pan-Americana da
Saúde (OPAS), essa conferência reuniu representantes governamentais de 26 países, que discutiram o impacto causado pelo uso indevido de álcool na saúde e na segurança das populações da região pan-americana,culminando com a elaboração da Declaração de Brasília de Políticas Públicas sobre o Álcool. Este documento,consenso entre os participantes, aponta entre suas recomendações que políticas baseadas em evidência sejam implementadas e avaliadas por todos os países das Américas.É neste contexto que o CONAD, órgão central do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas(SISNAD) e responsável pela Política Nacional sobre Drogas (PNAD), apresenta os resultados deste ILevantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, um projeto que vem-se desenvolvendo desde o início de 2003, numa renovada parceria entre a Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD)e a UNIFESP, desta vez com a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD), em colaboração com a Universidade do Texas e com a Organização Mundial da Saúde, por meio do Projeto Genacis.Sem sombra de dúvidas, este estudo, aliado a outras pesquisas que vêm sendo desenvolvidas pelo governo, representa um grande passo no processo de construção da política brasileira para o álcool. Uma política equilibrada, sem qualquer viés ideológico de fundamentalismo ou de banalização do consumo,embasada de forma consistente por dados epidemiológicos, pelos avanços da ciência e pelo respeito ao
momento sóciopolítico do nosso país.